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  • sábado, 30 de agosto de 2008

    MANIFESTAÇÕES DE FUNDO UMBANDISTA NO MEIO ESPÍRITA


    Para um bom entendimento, é FUNDAMENTAL a leitura atenta e a reflexão profunda sobre cada linha aqui escrita, antes de manifestação precipitada e formação de juízo de valor, a respeito do título deste artigo... lembrando que existe uma inteligência primária causadora de todas as coisas e que nada acontece por acaso... , pois como espíritas precisamos em primeiro lugar de sermos fiéis à Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, pois nos baseamos na fé raciocinada e por isso mesmo respeitamos profundamente todas as religiões.
    O Espiritismo e a Umbanda não se confundem como doutrinas, apesar de ambas encontrarem conseqüências e direção filosófica e religiosa oriundas de mensagens mediúnicas, porém, ambas, são doutrinas absolutamente distintas e individualizadas, segundo seus fundamentos e práticas. Muitos teimam em nominar a Doutrina Espírita de "mesa branca", contudo, qualquer adjetivação é inadequada quando se quer fazer referência à Terceira Revelação. Não existe Espiritismo de mesa branca, azul, amarela ou verde. O Espiritismo dispensa qualquer expressão que se aproxime mais dos sentidos materiais que dos apelos do espírito, como: identificá-lo por gradações de cor, destacar títulos de progresso terrestre nas manisfestações me diúnicas, expressões dogmáticas e, acima de tudo, entender que a Doutrina Espírita não se divide, posto que são os homens que se dividem em numerosas religiões.
    Não é nossa intenção difundir conceitos radicalizados, desconsiderando outras práticas mediúnicas. Porém, sim, esclarecer o aspecto inexpugnável da Revelação Espírita. Não vamos nos precipitar em definições apriorísticas e, muito menos, expressarmos a malícia para disseminar as cogitações aqui consignadas. Contudo, colimamos a busca da luz sublimada da fé raciocinada, como um impositivo da boa prática espírita. Portanto, muito longe de posições policialescas, não transigiremos com os legítimos princípios doutrinários e evangélicos e, se muitos confrades incautos perseverarem na incompreensão, que cada médium cuide da sua decisão, até porque, Jesus afirmou que o trigo cresceria ao lado do joio em sua seara. Considerando que são raros, ainda, os Centros Espíritas que se podem entregar à prática mediúnica com plena consciência da tarefa que têm em mãos, destarte, é aconselhável e prudente, segundo Emmanuel, "a intensificação das reuniões de estudos, a fim de que os centros não venham a cair no desânimo ou na incompreensão, por causa de um prematuro comércio com as energias do plano invisível."
    As teses emmanuelinas explicam que nas Casas Espíritas os médiuns são úteis, mas não indispensáveis. Por falta de base moral, são muitos os que se afastam das reuniões, quando elas não apresentam fenômenos. É óbvio que assim procedem por plena inabilitação para o legítimo trabalho do Espiritismo, razão pela qual, é melhor que se afastem, temporariamente, dos trabalhos mediúnicos, antes de assumirem qualquer compromisso.
    O tema que apresentamos tem como alvo os médiuns contumazes que se deixam influenciar por entidades que se manifestam com trejeitos e linguagens extemporâneos (de pretos-velhos, de caboclos, de índios, de germânicos, etc.). É óbvio que esse hábito não é conveniente, e é de se estranhar que estudiosos sinceros, continuem com esse comportamento.
    Em face dessa teimosia, cabe-nos defender a fidelidade a Kardec, sem transigir um milímetro com os princípios espíritas. A prática mediúnica não se constitui tão-somente da movimentação das energias psíquicas em suas expressões fenomênicas e mecânicas, porque exige o trabalho da vigilância e o sacrifício do coração, onde a luz da comprovação e da referência é a que nasce da consciência, do entendimento e da aplicação do Evangelho. Segundo Emmanuel que acrescenta: "O primeiro inimigo do médium reside dentro dele mesmo, é o personalismo, é a ambição, a ignorância ou a rebeldia no voluntário desconhecimento dos seus deveres à luz do Evangelho. O segundo inimigo encontra-se no próprio seio das organizações espiritistas, constituindo-se daquele que se convenceu quanto aos fenômenos, sem se converter ao Evangelho pelo coração, trazendo para as fileiras do Consolador os seus caprichos pessoais, opiniões cristalizadas no endurecimento do coração, sem reconhecer a realidade de suas deficiências e a exigüidade dos seus cabedais íntimos."
    Um confrade nos indagou sobre qual opinião nutríamos a respeito da "incorporação" de pretos-velhos e caboclos nas casas de orientações espíritas. Dissemos que Espíritos que se apresentam como caboclos e pretos-velhos nos terreiros possuem muito pouco ou quase nada de si mesmos para ensinar, em termos de moral espírita. A rigor, duas são as formas pelas quais Espíritos de caboclos ou pretos-velhos podem entrar numa Casa Espírita: ou para receber ajuda, se ainda estiverem necessitados; ou para aprender coisas novas. Obviamente, devemos ter respeito, atenção, carinho, amor, sincero desejo de ajudar, porém essa não é uma recomendação isolada para Espíritos de caboclos e pretos-velhos. Isso vale para toda comunicação mediúnica.
    Afirma-se que a indumentária de "preto-velho" é, unicamente, o morfismo com que o espírito por trás daquele, utiliza-se naquele instante para que possa alcançar a seu objetivo. Será mesmo?... Que objetivo?... Dizem que por trás desses estereótipos (preto-velho, caboclo) podem estar "médicos", "filósofos", "poetas", etc., que apenas se utilizam de tais "vestes" para ensinarem melhor (!...). Nada mais estranho do que se dar crédito a essas crenças. Até porque, o pensamento é a linguagem, por excelência, no mundo espiritual e a forma e trejeitos no falar e agir são acessórios desnecessários. E o pior da história é que muitos confrades, que não estudam Kardec, crêem que é sintoma de boa mediunidade ser instrumento de "preto-velho". Ora, não há pretos-velhos, nem brancos-velhos, uma vez que todos são Espíritos. Por isso, devemos ter toda cautela com esses atavismos.
    Ressaltamos que as tradições das práticas mediúnicas africanas e ameríndias não sofrem discriminação entre os espíritas estudiosos, nem consideramos os Espíritos de índios e negros como involuídos, porém, ignorantes. Não há preconceito nas sessões espíritas. Procura-se manter o respeito às entidades, à mediunidade e à Doutrina Espírita, buscando a coerência com a verdade que já identificamos nos preceitos kardecianos. Em verdade, Espíritos que se mostram no Além, como antigos escravos africanos, ou como indígenas, podem falar normalmente, sem trejeitos. Por que não verbalizar em português, uma vez que o médium capta o pensamento da entidade e reveste-o com palavras?
    Antropólogos se referem a certo "abrasileiramento" do Espiritismo, pelo fato de que, aqui, a população desfruta de uma "intimidade" em lidar com entidades de terreiros. Não podemos aceitar a idéia de um Espiritismo à brasileira. Isso seria um pensamento extremamente sincrético, encharcado de várias práticas do catolicismo popular e das religiões afro-brasileiras. Apesar de o Espiritismo ter sido difundido no Brasil, confrontando-se com uma cultura religiosa já consolidada, hegemônica e, portanto, conformadora do ethos nacional, não sofreu e nem poderia ter sofrido as interferências do catolicismo popular e das religiões de possessão de matriz afro-brasileiras.
    Segundo pesquisadores, alguns adeptos do Espiritismo se posicionaram contra a pureza doutrinária e se aproximaram do mediunismo popular, fundando uma nova religião ao longo do século XX, ou seja: a Umbanda. É demonstrar ignorância suprema afirmar que crenças como o Candomblé, a Quimbanda, a Umbanda sejam "ramificações" da Doutrina Espírita.
    O Espiritismo não possui ramificações ou subdivisões. Seu corpo doutrinário está contido nas Obras Básicas codificadas por Allan Kardec. Essas crenças, às quais nos referimos, possuem origens bastante distintas do Espiritismo, embora compartilhem alguns conceitos que são comuns não só ao Espiritismo, mas às várias correntes espiritualistas.
    Não podemos nos acomodar com um Espiritismo "à moda da casa" que vários centros adotam, fugindo das lições de Allan Kardec. A base teórica com que analisamos uma prática eminentemente Espírita tem, como pilotis, o material da Codificação, com o qual podemos separar as práticas espiritualistas estranhas das práticas eminentemente espíritas. Nestas reflexões, não é nossa intenção nos posicionarmos quais "policiais ou fiscais" do Espiritismo, por não aceitarmos uma ou outra prática mediúnica nas Casas Espíritas, fora do projeto kardeciano. Destacamos, apenas, que qualquer análise crítica construtiva é uma necessidade para a sã divulgação espírita e para um legítimo comportamento na manutenção dos fundamentos da Terceira Revelação.

    Jorge Hessen


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