Quando alguém cultiva pessimismo, ressentimento e desamor, ativa cargas psíquicas deletérias que interferem no metabolismo orgânico, comprometendo o equilíbrio físico e emocional. Em sentido inverso, pensamentos otimistas e sentimentos fraternos geram energias restauradoras capazes de favorecer a recomposição do organismo. O corpo humano é um extraordinário laboratório de forças mentais: pode adoecer ou harmonizar-se conforme o padrão vibratório da mente.
A ciência já reconhece que emoções influenciam diretamente o corpo. Uma emoção intensa produz descargas hormonais, altera a circulação sanguínea e repercute sobre todo o sistema nervoso. Encefalinas, endorfinas e inúmeras enzimas são secretadas conforme os estímulos mentais recebidos, colaborando tanto para a manutenção da saúde quanto para o agravamento das enfermidades.
Em entrevista concedida à revista IstoÉ, em 2009, a médica legista Jan Garavaglia, chefe do Departamento de Medicina Legal da Flórida, afirmou que muitas mortes poderiam ser evitadas por meio de hábitos simples de prevenção. Ela narrou o caso de um homem que morreu subitamente em casa em razão de hipertensão não tratada, embora a doença fosse facilmente controlável. Em outro episódio, identificou graves danos intestinais provocados por alimentação pobre em fibras, demonstrando como escolhas alimentares inadequadas podem precipitar enfermidades fatais. (1)
A pesquisadora enfatizou que a vida é resultado de escolhas contínuas. Abuso de álcool, drogas, sedentarismo, alimentação desequilibrada e imprudência no trânsito são fatores que abreviam a existência física. Sob o enfoque espírita, negligenciar deliberadamente a própria saúde configura modalidade de suicídio indireto. Não se trata do suicídio consciente e imediato, mas da destruição paulatina do organismo por excessos, vícios e imprudências.
A Doutrina Espírita ensina que os abusos físicos e emocionais produzem profundos desajustes no perispírito, atingindo centros essenciais ligados ao equilíbrio nervoso, glandular e hematopoético. Muitos indivíduos aceleram o próprio desencarne por meio de comportamentos autodestrutivos: tabagismo, alcoolismo, glutonaria, toxicomanias e direção irresponsável. São formas silenciosas de autossabotagem existencial.
Todavia, o Espiritismo também esclarece que a duração da vida não é absolutamente rígida. Emmanuel ensina que, “com exceção do suicídio, todos os casos de desencarnação são determinados previamente pelas forças espirituais.” (2) Allan Kardec, por sua vez, esclarece que “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte.” (3) Assim, embora existam provas e limites reencarnatórios previamente estabelecidos, o livre-arbítrio pode modificar circunstâncias e até retardar determinados acontecimentos.
Quando Kardec perguntou se o homem poderia evitar acontecimentos previstos, os Espíritos responderam afirmativamente, desde que tais mudanças se enquadrassem na ordem geral da existência escolhida. (4) Isso demonstra que disciplina, prudência e reforma íntima podem prolongar a experiência corporal, sobretudo quando há tarefas relevantes a concluir.
A morte prematura pode decorrer tanto de débitos pretéritos quanto de imprudências atuais. Há, contudo, desencarnações precoces vinculadas a missões espirituais elevadas. André Luiz recorda que Espíritos nobres às vezes retornam brevemente à Terra apenas para despertar consciências e auxiliar afetivamente determinados grupos familiares. (5)
A Doutrina Espírita propõe, portanto, a educação mental como instrumento de saúde integral. Educar os pensamentos, disciplinar as emoções, combater os vícios e desenvolver valores morais não constitui apenas um ideal filosófico, mas também uma necessidade vital. O equilíbrio da mente repercute no corpo; o desajuste íntimo, cedo ou tarde, produz sofrimento físico e espiritual.
Quando o homem aprender a cultivar hábitos saudáveis, domínio emocional e responsabilidade moral, criará para si melhores condições de existência. A saúde integral nasce da harmonia entre corpo, mente e espírito.
Referências Bibliográficas:
(1) Entrevista de Jan Garavaglia à revista IstoÉ, maio de 2009.
(2) Xavier , Francisco Cândido, O Consolador, Espírito Emmanuel , questão 146, Ed FEB ,2001
(3) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, questão 853, Ed FEB 1990
(4) ) Kardec, Allan O Livro dos Espíritos, questão 860, Ed FEB 1990
(5) ) Xavier , Francisco Cândido, Entre a Terra e o Céu, Espírito André Luiz, Ed. FEB 2001
















