SITES E BLOGS

  • LEITORES
  • 23.2.26

    A Reunião Pública Espírita Não É Sacramento


     

    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Há um equívoco silencioso se consolidando em diversas casas espíritas que é a transformação da reunião pública em ato quase sacramental. Criou-se, em certos ambientes, a ideia de que assistir à palestra semanal é uma espécie de obrigação espiritual, como se a simples presença física garantisse proteção, mérito ou elevação moral.

    Isso nunca foi , não é jamais será Espiritismo. Até porque Allan Kardec jamais instituiu rito, liturgia ou sacramento. A Doutrina Espírita não nasceu como sistema de práticas devocionais, mas como corpo de princípios fundamentados na razão, na observação e na moral do Evangelho.

    Na sua literatura Kardec é intenso ao assegurar que as reuniões espíritas devem ter finalidade instrutiva e moral e jamais cerimoniais.

    A palestra pública é, essencialmente, uma aula de esclarecimento, de consolação e de orientação moral, nada além disso. E nada aquém disso.

    Quando se passa a atribuir à reunião pública um valor místico — como se “não faltar” fosse sinal de fidelidade espiritual —, inicia-se uma distorção perigosa. O Espiritismo não opera por presença em auditório. Age por mudança interior. Obviamente frequentar palestras pode ser útil. Mas ouvir palestra não é o mesmo que assimilar. Comparecer à reunião pública não é o mesmo que transformar-se moralmente. A casa espírita não é templo de salvação coletiva; é escola de responsabilidade individual.

    O centro espírita é oficina de aprendizado, não santuário de rituais. Quando alguém afirma que “é preciso estar na reunião para manter a proteção espiritual”, revela — ainda que sem perceber — uma mentalidade mágica que a Doutrina combate desde a sua origem. O Espiritismo não ensina amuletos coletivos nem blindagens litúrgicas. Ensina sintonia moral.

    Proteção espiritual não se conquista por presença física, mas por elevação de pensamentos, por prática do bem, por vigilância íntima. Transformar a palestra em obrigação é aproximar o Espiritismo daquilo que ele não é: religião de rito.

    Não desconheço que uma reunião pública pode abrir portas de despertamento consciencial. Pode acolher os aflitos e iniciar os novatos. Tanto quanto pode consolar o coração ferido. Mas seu valor está na mensagem assimilada — não no número de cadeira ocupada.

    Centros espiritas “lotados” não são sinônimo de êxito doutrinário

     


     

    Jorge Hessen

    Brasilia-DF

     

    Há uma distorção preocupante infiltrada no movimento espírita contemporâneo que é  a idolatria dos números. Para confrades imaturos , centro espírita “forte” é centro “lotado”. Auditório cheio virou critério de sucesso doutrinário. Fotos com plateia numerosa tornaram-se troféus silenciosos. E, pouco a pouco, a lógica do mercado foi sendo importada para dentro da casa que deveria ser templo de renovação moral.

    Essa mentalidade não é espírita. É vazia e mundana.

    Recordemos que após a pandemia, diversas instituições perceberam redução na frequência presencial. Alguns interpretaram isso como “decadência”. Outros, como sinal de “fraqueza administrativa”. Poucos se perguntaram se, na verdade, o momento não estaria convidando a um retorno à essência.

    Allan Kardec jamais ensinou que quantidade é critério de verdade. A literatura kardeciana adverte que reuniões numerosas, movidas por curiosidade ou entusiasmo superficial, tendem à dispersão e à insegurança, enquanto pequenos grupos sérios produzem resultados sólidos e moralmente consistentes.

    O Evangelho desmonta definitivamente o fetiche da multidão. Jesus Cristo não condicionou Sua presença a auditórios lotados. Declarou: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei”. A força espiritual nasce da sintonia, não da estatística.

    Mas a cultura da visibilidade contaminou o ambiente espírita. Palestrantes transformados em celebridades. Seguidores confundidos com evolução moral. Convites disputados como selos de prestígio. Métricas digitais servindo como suposto termômetro de autoridade espiritual.

    Isso não é crescimento. É vaidade institucionalizada.

    O centro espírita não foi concebido para competir por público, disputar relevância ou produzir notoriedade. Foi estruturado como escola de almas, hospital de consciências, oficina de aprimoramento íntimo.

    Chico Xavier nunca precisou de estratégias de engajamento para cumprir sua tarefa. Muitas vezes Léon Denis lembrava que o progresso humano é obra silenciosa da consciência que se eleva, não da massa que aplaude.

    Quando a preocupação principal passa a ser “quantos vieram?”, algo essencial já se perdeu. A pergunta correta deveria ser: “Quantos saíram moralmente melhores?

    Uma casa espírita não se mede por cadeiras ocupadas, mas por consciências despertadas.

    Não se avalia pelo volume do público, mas pela profundidade do estudo.

    Não se legitima por seguidores, mas por fidelidade doutrinária.

    Se preservam o estudo sério, a caridade desinteressada, o equilíbrio moral e a simplicidade evangélica, ela está viva — ainda que com poucos.

    Talvez o esvaziamento físico seja um convite à depuração espiritual. Talvez estejamos sendo chamados a abandonar a ilusão da vitrine e retornar à essência do trabalho silencioso.

    Porque, no fundo, o perigo não é o salão vazio.

    É o ego cheio.

    A Doutrina Espírita não foi revelada para formar plateias impressionadas, mas para formar caracteres transformados.

    Quem ainda mede o êxito espiritual por estatísticas precisa urgentemente revisar seus conhecimentos doutrinários.

    21.2.26

    Refletindo a neoplasia maligna do “materialismo histórico” (comunismo)


     



    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Como professor de História, compreendo o regime comunista como uma “metástase do organismo social” e apresento como base os resultados concretos observados nesse regime do século passado, que foi responsável por assassinatos em massa, repressão e fomes induzidas, resultando em milhões de mortes. Os casos mais clássicos e desgraçados incluem a União Soviética (expurgos, Gulag), República Popular da China (Grande Salto Adiante, Revolução Cultural) e o Camboja (Khmer Vermelho).

    Minha interpretação apoia-se, dentre outras inúmeras fontes , nos estudos contidos no livro “O Livro Negro do Comunismo”, que atribui ao  regime  comunista  um número superior a 100 milhões de homicídios, decorrentes de execuções, trabalhos forçados, perseguições políticas e fomes associadas a assombradoras políticas estatais.

    Tal tumor (maligno) comunista caracteriza-se por partido único, censura, repressão religiosa e campos de trabalho forçados, configurando sistemas autoritários violentíssimos. Além disso, o planejamento centralizado e a supressão da propriedade privada produziram fome pela escassez, ineficiência econômica e estagnação generalizada.

    A  experiência acumulada ao longo de cerca de um século de neoplasia ideológica (maligna) evidencia um padrão recorrente de crises humanitárias e restrição das liberdades individuais, por essa razão sustento a concepção do comunismo histórico como uma tragédia inigualável na humanidade.

    Por outro lado e na condição de espírita, concebo que o progresso legítimo e o aperfeiçoamento social nascem do trabalho digno aliado ao sentimento cristão. Assim, o Espiritismo não se vincula a nenhuma ideologia partidária (muitíssimo menos comunista). Seu compromisso é com a lei de progresso moral.

    Como ensinam os Espíritos, “fora da caridade não há salvação”. A transformação social depende da regeneração do indivíduo. Sem transformação íntima de cada cidadão, qualquer sistema degenera, mas com elevação moral, toda estrutura social se harmoniza.

    As instituições realmente são reflexos do estado moral coletivo. Somente a educação do sentimento, iluminada pelo Evangelho, poderá assegurar justiça social verdadeira e duradoura e o Espiritismo é por excelência o legítimo instrumento de transformação social.

     

    16.2.26

    ​“Médiuns” enganadores que exploram famílias enlutadas


     


    Jorge Hessen

    Brasília-DF

     

    O Espiritismo não pode prescindir do critério, da razão e do exame rigoroso dos fenômenos. O Livro dos Médiuns afirma que o primeiro dever do médium sincero é a humildade e que a faculdade mediúnica não constitui privilégio, mas instrumento de serviço.

    A mediunidade autêntica é concessão divina com finalidade moral. Não foi dada para alimentar vaidades nem para criar dependências psicológicas. É recurso de consolo, esclarecimento e caridade. Quando o fenômeno se transforma em show, quando o médium passa a ser o centro das atenções, quando há promessa de resultados garantidos, algo já se deslocou do eixo doutrinário honesto.

    O charlatão (falso médium) revela-se por sinais claros: apego à fama, marketing religioso, personalismo excessivo, ostentação de “poderes”, promessas de cartas “consoladoras”, previsões categóricas e infalíveis. Mais grave ainda é a incoerência moral — o discurso aparentemente “dúlcido” e “elevado” contrastando com atitudes levianas, intimidatórias, manipuladoras ou autoritárias.

    É extremamente  dolorosa  a atuação desses falsos médiuns indigestos que exploram famílias enlutadas por meio de “cartas consoladoras” sempre genéricas e comprovadamente fabricadas (via Internet). Valem-se de informações colhidas em redes sociais para compor mensagens aparentemente personalizadas, utilizando dados públicos para simular autenticidade espiritual. Trata-se de fraude moral gravíssima, porque sequestra e instrumentaliza o sofrimento alheio.

    A melhor defesa contra a mistificação mediúnica é o conhecimento doutrinário. O estudo protege. A fé raciocinada impede que a emoção, especialmente no momento do luto, seja capturada por vis exploradores da credulidade.

    Isso não significa adotar postura persecutória ou cética sistemática. O Espiritismo não ensina desconfiança neurótica, mas discernimento sereno. O verdadeiro médium não se ofende quando é pesquisado; ao contrário, compreende que a análise criteriosa preserva a pureza do trabalho.

    Outro ponto essencial é observar os frutos. A comunicação espiritual séria produz paz, esclarecimento e fortalecimento moral. O falso intercâmbio do além produz dependência, medo, fanatismo e centralização na figura do médium histrião.

    A preservação da fé espírita exige coragem para reconhecer desvios. Não se protege a Doutrina silenciando diante de abusos. A conivência é forma de cumplicidade. O Espiritismo, sendo doutrina de luz, não teme a transparência.

    Identificar um médium charlatão, portanto, não é um gesto de intolerância — é um ato de responsabilidade. É zelar para que a mediunidade permaneça o que deve ser: abençoado instrumento de caridade, jamais ferramenta de exploração malacafentaÉ defender a dor das famílias enlutadas contra a enganação. É honrar o legado de Kardec e dos Benfeitores espirituais, mantendo viva a fé lúcida, ética e moralmente lógica.



    O Espiritismo não é um espetáculo. É proposta de reforma íntima

     


    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Vivemos a era da vitrine digital. Curtidas, seguidores e visualizações passaram a funcionar como selo de relevância. No entanto, quando essa lógica invade o movimento espírita, cria-se uma distorção preocupante: confundir popularidade com autoridade moral; alcance virtual com elevação espiritual.

    O Espiritismo jamais estabeleceu como critério de valor doutrinário a fama ou a projeção pública. Ao contrário, a Doutrina enfatiza o conteúdo, a coerência e, sobretudo, a transformação moral. Portanto, é pela transformação moral e pelos esforços que se emprega para domar suas más inclinações que se reconhece o verdadeiro espírita.

    O equívoco de base no movimento espírita brasileiro está em importar critérios do mercado para o campo espiritual. Cria-se uma espécie de “hierarquia informal” onde o número de inscritos em redes sociais se torna métrica de autoridade doutrinária. Como se quanto mais famoso, mais evoluído fosse o palestrante. Essa lógica, porém, é estranha ao espírito da Doutrina.

    A mediunidade e a oratória espírita são tarefas de serviço, não instrumentos de autopromoção. Chico Xavier, talvez o maior exemplo contemporâneo de projeção pública dentro do Espiritismo, jamais buscou visibilidade. A fama lhe foi consequência do trabalho, não objetivo. Viveu com simplicidade, recusou privilégios e nunca se colocou como celebridade espiritual.

    Quando eventos passam a priorizar “nomes que dão público”, corremos o risco de transformar o púlpito espírita em teatro ou circo. E o palco ou picadeiro exige performance; já a tribuna espírita exige compromisso moral. São coisas distintas. O primeiro busca aplauso; a segunda busca consciência.

    Isso não significa que ter muitos seguidores seja, por si, algo negativo. A internet é instrumento valioso de divulgação. O problema surge quando o critério de escolha deixa de ser a fidelidade doutrinária e passa a ser a capacidade de atrair público. A popularidade pode acompanhar o mérito — mas não o substitui.

    O Espiritismo não é um espetáculo. É proposta de reforma íntima. Não é carreira, é compromisso. Não é marketing, é testemunho.

    Talvez estejamos diante de um chamado à maturidade do movimento: valorizar mais o conteúdo do que a embalagem; mais a coerência do que a performance; mais a vivência silenciosa do que o brilho momentâneo.