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  • 21.2.26

    Refletindo a neoplasia maligna do “materialismo histórico” (comunismo)


     



    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Como professor de História, compreendo o regime comunista como uma “metástase do organismo social” e apresento como base os resultados concretos observados nesse regime do século passado, que foi responsável por assassinatos em massa, repressão e fomes induzidas, resultando em milhões de mortes. Os casos mais clássicos e desgraçados incluem a União Soviética (expurgos, Gulag), República Popular da China (Grande Salto Adiante, Revolução Cultural) e o Camboja (Khmer Vermelho).

    Minha interpretação apoia-se, dentre outras inúmeras fontes , nos estudos contidos no livro “O Livro Negro do Comunismo”, que atribui ao  regime  comunista  um número superior a 100 milhões de homicídios, decorrentes de execuções, trabalhos forçados, perseguições políticas e fomes associadas a assombradoras políticas estatais.

    Tal tumor (maligno) comunista caracteriza-se por partido único, censura, repressão religiosa e campos de trabalho forçados, configurando sistemas autoritários violentíssimos. Além disso, o planejamento centralizado e a supressão da propriedade privada produziram fome pela escassez, ineficiência econômica e estagnação generalizada.

    A  experiência acumulada ao longo de cerca de um século de neoplasia ideológica (maligna) evidencia um padrão recorrente de crises humanitárias e restrição das liberdades individuais, por essa razão sustento a concepção do comunismo histórico como uma tragédia inigualável na humanidade.

    Por outro lado e na condição de espírita, concebo que o progresso legítimo e o aperfeiçoamento social nascem do trabalho digno aliado ao sentimento cristão. Assim, o Espiritismo não se vincula a nenhuma ideologia partidária (muitíssimo menos comunista). Seu compromisso é com a lei de progresso moral.

    Como ensinam os Espíritos, “fora da caridade não há salvação”. A transformação social depende da regeneração do indivíduo. Sem transformação íntima de cada cidadão, qualquer sistema degenera, mas com elevação moral, toda estrutura social se harmoniza.

    As instituições realmente são reflexos do estado moral coletivo. Somente a educação do sentimento, iluminada pelo Evangelho, poderá assegurar justiça social verdadeira e duradoura e o Espiritismo é por excelência o legítimo instrumento de transformação social.

     

    16.2.26

    ​“Médiuns” enganadores que exploram famílias enlutadas


     


    Jorge Hessen

    Brasília-DF

     

    O Espiritismo não pode prescindir do critério, da razão e do exame rigoroso dos fenômenos. O Livro dos Médiuns afirma que o primeiro dever do médium sincero é a humildade e que a faculdade mediúnica não constitui privilégio, mas instrumento de serviço.

    A mediunidade autêntica é concessão divina com finalidade moral. Não foi dada para alimentar vaidades nem para criar dependências psicológicas. É recurso de consolo, esclarecimento e caridade. Quando o fenômeno se transforma em show, quando o médium passa a ser o centro das atenções, quando há promessa de resultados garantidos, algo já se deslocou do eixo doutrinário honesto.

    O charlatão (falso médium) revela-se por sinais claros: apego à fama, marketing religioso, personalismo excessivo, ostentação de “poderes”, promessas de cartas “consoladoras”, previsões categóricas e infalíveis. Mais grave ainda é a incoerência moral — o discurso aparentemente “dúlcido” e “elevado” contrastando com atitudes levianas, intimidatórias, manipuladoras ou autoritárias.

    É extremamente  dolorosa  a atuação desses falsos médiuns indigestos que exploram famílias enlutadas por meio de “cartas consoladoras” sempre genéricas e comprovadamente fabricadas (via Internet). Valem-se de informações colhidas em redes sociais para compor mensagens aparentemente personalizadas, utilizando dados públicos para simular autenticidade espiritual. Trata-se de fraude moral gravíssima, porque sequestra e instrumentaliza o sofrimento alheio.

    A melhor defesa contra a mistificação mediúnica é o conhecimento doutrinário. O estudo protege. A fé raciocinada impede que a emoção, especialmente no momento do luto, seja capturada por vis exploradores da credulidade.

    Isso não significa adotar postura persecutória ou cética sistemática. O Espiritismo não ensina desconfiança neurótica, mas discernimento sereno. O verdadeiro médium não se ofende quando é pesquisado; ao contrário, compreende que a análise criteriosa preserva a pureza do trabalho.

    Outro ponto essencial é observar os frutos. A comunicação espiritual séria produz paz, esclarecimento e fortalecimento moral. O falso intercâmbio do além produz dependência, medo, fanatismo e centralização na figura do médium histrião.

    A preservação da fé espírita exige coragem para reconhecer desvios. Não se protege a Doutrina silenciando diante de abusos. A conivência é forma de cumplicidade. O Espiritismo, sendo doutrina de luz, não teme a transparência.

    Identificar um médium charlatão, portanto, não é um gesto de intolerância — é um ato de responsabilidade. É zelar para que a mediunidade permaneça o que deve ser: abençoado instrumento de caridade, jamais ferramenta de exploração malacafentaÉ defender a dor das famílias enlutadas contra a enganação. É honrar o legado de Kardec e dos Benfeitores espirituais, mantendo viva a fé lúcida, ética e moralmente lógica.



    O Espiritismo não é um espetáculo. É proposta de reforma íntima

     


    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Vivemos a era da vitrine digital. Curtidas, seguidores e visualizações passaram a funcionar como selo de relevância. No entanto, quando essa lógica invade o movimento espírita, cria-se uma distorção preocupante: confundir popularidade com autoridade moral; alcance virtual com elevação espiritual.

    O Espiritismo jamais estabeleceu como critério de valor doutrinário a fama ou a projeção pública. Ao contrário, a Doutrina enfatiza o conteúdo, a coerência e, sobretudo, a transformação moral. Portanto, é pela transformação moral e pelos esforços que se emprega para domar suas más inclinações que se reconhece o verdadeiro espírita.

    O equívoco de base no movimento espírita brasileiro está em importar critérios do mercado para o campo espiritual. Cria-se uma espécie de “hierarquia informal” onde o número de inscritos em redes sociais se torna métrica de autoridade doutrinária. Como se quanto mais famoso, mais evoluído fosse o palestrante. Essa lógica, porém, é estranha ao espírito da Doutrina.

    A mediunidade e a oratória espírita são tarefas de serviço, não instrumentos de autopromoção. Chico Xavier, talvez o maior exemplo contemporâneo de projeção pública dentro do Espiritismo, jamais buscou visibilidade. A fama lhe foi consequência do trabalho, não objetivo. Viveu com simplicidade, recusou privilégios e nunca se colocou como celebridade espiritual.

    Quando eventos passam a priorizar “nomes que dão público”, corremos o risco de transformar o púlpito espírita em teatro ou circo. E o palco ou picadeiro exige performance; já a tribuna espírita exige compromisso moral. São coisas distintas. O primeiro busca aplauso; a segunda busca consciência.

    Isso não significa que ter muitos seguidores seja, por si, algo negativo. A internet é instrumento valioso de divulgação. O problema surge quando o critério de escolha deixa de ser a fidelidade doutrinária e passa a ser a capacidade de atrair público. A popularidade pode acompanhar o mérito — mas não o substitui.

    O Espiritismo não é um espetáculo. É proposta de reforma íntima. Não é carreira, é compromisso. Não é marketing, é testemunho.

    Talvez estejamos diante de um chamado à maturidade do movimento: valorizar mais o conteúdo do que a embalagem; mais a coerência do que a performance; mais a vivência silenciosa do que o brilho momentâneo.

     

    14.2.26

    Um adultério não transforma automaticamente o infiel em autor “indireto” de duplo infanticídio



    Jorge Hessen

    Brasília -DF

     

    "Quem de vocês estiver sem pecado, que seja o primeiro a atirar uma pedra" foi dito por Jesus conforme narra João 8:7 para salvar uma mulher acusada de adultério pelos fariseus. Ao confrontar os acusadores com suas próprias falhas, Jesus promoveu a misericórdia sobre o julgamento, levando-os a desistir do apedrejamento.A tragédia recente ocorrida em Itumbiara expõe não apenas a violência de um pai que assassinou os próprios filhos e, em seguida, suicidou-se, mas também uma segunda violência, igualmente cruel: o tribunal implacável das redes sociais. A esposa, flagrada em adultério, foi imediatamente convertida em ré moral coletiva. Contudo, à luz da razão espírita, é preciso separar emoção de justiça, indignação de responsabilidade.

    Não se trata aqui de romantizar o fato, porém, o adultério não é crime no Brasil desde 2005. Embora não seja crime, temos ciência de que a traição quebra deveres de respeito e fidelidade previstos no Código Civil, permitindo ao cônjuge traído buscar reparação por danos morais na justiça, especialmente quando envolve exposição pública ou sofrimento psicológico intenso. 

     A infidelidade é grave falha moral que fere compromissos assumidos e produz dores reais. No Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec recorda que a Lei de Amor e Fidelidade integra o progresso moral da humanidade. Toda quebra de dever gera consequências espirituais (1). Entretanto, consequência não é sinônimo de culpa por crimes alheios.

    O Espiritismo é categórico quanto à responsabilidade individual. No Livro dos Espíritos (questões 843-845), aprendemos que o homem é livre para agir e responsável pelo que faz (2). O homicídio jamais pode ser transferido a terceiros como se fosse resultado mecânico de uma provocação. O assassinato foi decisão do pai. A escolha extrema partiu de sua consciência, ainda que sob violento desequilíbrio emocional. Nenhuma traição conjugal transforma automaticamente alguém em autor indireto de duplo infanticídio.

    A paixão desgovernada é tema recorrente na literatura espírita. Léon Denis ensina que as paixões são forças neutras que, mal dirigidas, convertem-se em abismos. Ciúme, orgulho ferido, sentimento de posse — quando não educados — degeneram em violência (3). O crime, portanto, revela um Espírito incapaz de dominar seus impulsos naquele instante. Isso não elimina sua responsabilidade consciencial, apenas explica o mecanismo íntimo da queda.

    Enquanto isso, a sociedade digital (rede social) aponta o dedo. A mãe, que também perdeu dois filhos, sofre o luto dilacerante acrescido do opróbrio público. Emmanuel adverte que a caridade começa na indulgência para com as imperfeições alheias (4). Julgar com severidade pode satisfazer o instinto de condenação, mas não edifica ninguém. E André Luiz alerta que pensamentos de ódio e revolta criam campos mentais perturbadores, ampliando a dor coletiva (5).

    Há, ainda, uma distorção perigosa: equiparar iniquidades morais a crimes hediondos. A Lei Divina é justa e proporcional. O adultério terá suas consequências na consciência de quem o praticou. O homicídio responderá diante das Leis eternas com gravidade infinitamente maior. Confundir essas esferas é inverter a balança da justiça.

    Podemos refletir aqui três conjunturas, primeiro reconhecer a falta sem negar a responsabilidade individual, segundo amparar as vítimas sem criar bodes expiatórios e terceiro compreender que tragédias humanas são sempre resultado de múltiplos fatores espirituais, jamais de uma única causa simplista.

    Não sabemos quais débitos reencarnatórios estavam em curso naquela família. O Espiritismo nos ensina que os laços familiares são, muitas vezes, reencontros de Espíritos com histórias pretéritas complexas. Contudo, o desconhecimento desses vínculos não autoriza a sociedade a produzir sentenças morais definitivas.

    O Espiritismo não absolve erros, mas também não legitima linchamentos. Ele nos convida à responsabilidade pessoal e à compaixão coletiva. Diante da dor, o espírita cristão verdadeiro não grita condenações — ora, silencia e ampara.

    Talvez o maior aprendizado dessa inominável tragédia não esteja em descobrir culpados secundários, mas em perceber o quanto ainda precisamos educar nossas próprias paixões e nossa própria ira vingativa como se fosse justiça. Porque se o crime foi consumado por uma mão, a crueldade pode ser multiplicada por milhares de vozes iradas.

     

    Referências Bibliográficas:

    1          KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Brasília: FEB, 2013.

    2          KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2019.

    3          DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 2008.

    4          XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Fonte Viva. Brasília: FEB, 2010.

    5          XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Nos Domínios da Mediunidade. Brasília: FEB, 2013.

    13.2.26

    ​O Corpo Humano como um verdadeiro “ecossistema vivo”

    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    A ciência contemporânea demonstra que o corpo humano abriga trilhões de microrganismos que vivem em interação constante com nossas células, formando a chamada microbiota. Essa constatação levou pesquisadores a descreverem o organismo como um verdadeiro “ecossistema vivo”. À luz do Espiritismo, essa realidade biológica adquire significado ainda mais profundo: o corpo físico é instrumento complexo da alma, estruturado sob leis sábias e finalísticas.

    A vida orgânica, segundo os Espíritos, obedece a leis específicas que regem a matéria animada. O corpo, portanto, não é simples reunião casual de células, mas organização harmônica submetida à inteligência divina. (1) A existência de trilhões de microrganismos cooperando para a manutenção da saúde revela um nível de interdependência que confirma a unidade das leis naturais.

    O organismo como “máquina divina” ajustada sob direção espiritual (2). Portanto, o corpo físico é sustentado por energias sutis e cada célula responde a comandos do perispírito. Se cada órgão já é um universo funcional, o conjunto da microbiota amplia essa visão: somos, de fato, um “mundo habitado”, onde múltiplas formas de vida cooperam sob supervisão superior.

    Tal concepção harmoniza-se com a certeza de que o universo inteiro é solidariedade em movimento (3). Nada vive isolado; tudo se encadeia em rede de relações. O corpo humano, entendido como bioma, expressa essa solidariedade microscópica: microrganismos e células humanas convivem em simbiose, beneficiando-se mutuamente.

    A desarmonia — seja por excessos, vícios ou desequilíbrios emocionais — repercute nesse delicado ecossistema, produzindo enfermidades.  Nossas emoções perturbadoras alteram o campo energético predispondo o organismo a disfunções (4). Se pensamentos e sentimentos influenciam o perispírito, e este modela o corpo físico, compreende-se que o equilíbrio moral também repercute sobre a microbiota. O corpo-bioma responde não apenas à alimentação, mas ao clima psíquico que o envolve.

    Não somos apenas um ecossistema biológico, mas um ecossistema bioespiritual. A convivência harmoniosa entre trilhões de microrganismos simboliza a própria lei de cooperação que rege o progresso das almas. Cuidar do corpo, portanto, é dever moral, pois ele é instrumento sagrado da experiência reencarnatória.

    O entendimento do corpo como bioma convida à responsabilidade: equilíbrio alimentar, higiene física e mental, disciplina dos pensamentos e cultivo de sentimentos elevados contribuem para a saúde integral. A biologia confirma a interdependência; o Espiritismo revela-lhe o sentido transcendente.

     

    Referencias Bibliográficas:

    1          KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2019, questões 63–70.

    2          LUIZ, André. Missionários da Luz. Psicografia de Chico Xavier. Rio de Janeiro: FEB, 2018, cap. 12.

    3          DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 2017, cap. XX.

    4          ÂNGELIS, Joanna de. Plenitude. Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2000, cap. 5.