14 abril 2026

​Esdrúxulo “kardequiologismo" rigoroso - padrão TICO & TECO

 





 

Jorge Hessen

Brasília -DF


Sob o pretexto de fidelidade à Codificação, cresce no movimento espírita um discurso cansativo  que desvirtua Allan Kardec, enfraquece a mediunidade e promove um racionalismo estéril travestido de “prudência doutrinária”.

Aponto um fenômeno silencioso , mas profundamente corrosivo , infiltrando-se no movimento espírita brasileiro: o surgimento de um grupelho de PhDs - “kardequiólogos tupiniquins” - que “defendem” Allan Kardec, mas o ridicularizam,  deturpam e o esvaziam da razão..

O discurso parece sofisticado. Fala em análise, em controle universal, em evitar a fé cega. Até aí, tudo certo. O problema começa quando, sob esse verniz intelectual, instala-se uma “lógica” que contraria frontalmente a própria Codificação.

E é preciso dizer com todas as letras a esses kardequiólogos de plantão  que isso não é rigor doutrinário , é anomalia da razão.

Uma das teses mais repetidas por esse rigor kardequiológico é a de que “o importante é a mensagem, não o médium”. Soa bonito. Parece tecnicamente legítimo. Mas é falso.

Em O Livro dos Médiuns, Allan Kardec é categórico: a moral do médium influencia decisivamente a comunicação.

Não existe médium neutro. Não existe “carteiro espiritual” imune ao próprio caráter. Espíritos elevados buscam instrumentos moralmente afinados. Espíritos inferiores exploram vaidade, orgulho e ignorância. Ignorar isso não é método , é ingenuidade ou má-fé.

Outro recurso recorrente é regurgitar o chamado “controle universal do ensino dos Espíritos” como se fosse um martelo para invalidar tudo que não se encaixa em uma leitura estreita kardequiológica tupiniquim.

Mas no Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec deixa claro: esse controle se aplica a princípios fundamentais, não a descrições acessórias. Transformá-lo em instrumento para rejeitar narrativas espirituais, ambientações ou detalhes de experiência é trapacear o método kardeciano.

Parece que há comichões no “TICO & TECO” desses sabichões com o mundo espiritual “organizado”. É aqui que o blá blá blá revela sua face mais insossa . Critica-se Nosso Lar por apresentar organização no plano espiritual , cidades, atividades, estruturas, relações. Alega-se: “isso é material demais”.

Mas o que diz Kardec?

Em O Livro dos Espíritos e em A Gênese, ele ensina que o perispírito é semimaterial e o mundo espiritual possui formas organizadas e as percepções espirituais se adaptam ao estado do Espírito. Ou seja: o erro não está na descrição , está na incapacidade de compreendê-la.

Coloquemos nossos neurônios em ação. Se o perispírito é uma "semimatéria" (termo de Kardec), logo precisa sobreviver de elementos "semimateriais" , mas o que seria uma semimatéria

Ou será que, após a nossa "viagem" para o "além", seremos uma névoa sem forma, sem cor e sem graça onde sobreviveremos na fumaça universal no enigmático vácuo quântico?

Há a coceirinha nas orelhas dos  “TICO & TECO” , com o argumento da “ausência de órgãos”: dizem que os Espíritos não possuem “órgãos”, logo, não poderiam alimentar-se nem interagir de modo semelhante ao mundo material. É um salto cognitivo apressado. Kardec jamais afirmou que a vida espiritual é um vazio funcional. Ao contrário: admite sensações, necessidades relativas e processos ainda não plenamente compreendidos. Negar qualquer forma de “alimentação” , ainda que fluídica ou simbólica , é reduzir o desconhecido a um esquema simplista tipo "TICO & TECO".

Kardec recomenda análise. Recomenda cautela. Recomenda evitar a aceitação cega. Mas nunca , absolutamente nunca , recomendou a negação preventiva de tudo o que desafia a compreensão imediata sobretudo do TICO e do TECO desocupados.

O que se vê hoje, em certos círculos, é a substituição da fé raciocinada por um ceticismo seletivo, que aceita o que cabe na própria dimensão do TICO, do TECO ou de ambos. Por isso, rejeita o que exige aprofundamento e ainda se autoproclama “fieis à Doutrina”. Mas isso não é Espiritismo. É racionalismo tupiniquim muito depauperado.

Curiosamente, os mesmos que minimizam o papel do médium não hesitam em reconhecer a importância histórica de Chico Xavier. Ora, em que ficamos? Se o médium não importa, por que sua trajetória é exaltada? Se importa, por que sua produção mediúnica é colocada sob suspeita sistemática?

A incoerência é evidente e revela mais sanha do “TICO & TECO” do que método razoável. Pois o alvo real são os Espíritos André Luiz e Emmanuel. No fundo, o que se tenta fazer é relativizar , quando não desacreditar , a obra desses Espíritos.

Mas à luz de Kardec, o critério é claro: elevação moral, coerência doutrinária, ausência de contradições essenciais e isso suas obras possuem de sobra. Rejeitá-las por detalhes descritivos (ao nível “TICO & TECO”) é trocar essência por aparência.

O Espiritismo não precisa de defensores (tipo “TICO & TECO”) que o empobreçam em nome de um falso rigor. O que está em curso é preocupante: um discurso que “parece técnico”, mas é reducionista. Que “parece fiel”, mas é seletivo. Que “parece prudente”, mas é, na prática, negacionista.

Ser fiel a Allan Kardec não é transformar a Doutrina em um sistema fechado, árido e desconfiado de tudo. É justamente o contrário: É compreender que o mundo espiritual é vasto, complexo, dinâmico , e que a mediunidade, quando séria e moralmente orientada, é uma ponte legítima para sua compreensão.

O resto , por mais bem articulado que pareça , é apenas resistência disfarçada de método padrão “TICO & TECO”.

11 abril 2026

Os shows de "recados do além" no charco “mediúnico”




Retornamos aos ignóbeis shows populares das falsas cartas “mediúnicas” e ao silêncio cúmplice que abarca a liderança do movimento espírita brasileiro  e essa mudez precisa ser rompida.

Não estamos falando de ingenuidade. Não estamos falando de fato simplório. Estamos falando de um fenômeno mais grave: a construção deliberada de “autoridades mediúnicas” que, na própria  consciência, sabem que não são aquilo que o ​"povão​" inocente útil aplaude , mas continuam, sustentadas por ovações, pela cumplicidade febiana e pelo estelionato do luto transformado em picadeiro.

A questão não é apenas psicológica. É moral. Como funciona a mente de um falso médium que vive dessa comédia? Com certeza funciona, antes de tudo, pela degradação progressiva da consciência. A nefasta fraude mediúnica, quase sempre, nasce pequena: seja um detalhe inventado, seja uma mensagem “ajustada”, seja uma emoção encenada. O problema é que o ambiente espírita , quando fragilizado pela falta de estudo sério , não apenas tolera isso, mas premia. E recompensa com o que há de mais perigoso: prestígio “mediúnico” “igualzinho do honrado Chico Xavier”.

A partir daí, instala-se um mecanismo perverso: o falsário da mediunidade  percebe que a mentira gera acolhimento, fama, autoridade. E então ele cruza uma linha invisível , aquela em que deixa de apenas mentir… para precisar da mentira para existir.

É nesse ponto que a mente psicopatológica desse estelionatário do além entra em um estado de autojustificação crônica. Ele não diz mais: “estou enganando”. Ele passa a dizer: “Estou ajudando!” “Estou consolando!”“Deus sabe do meu coração!” e um rosário de mascaramentos hipócritas.

E assim, o fraudador espiritual deixa de ser apenas um vigarista  e passa a ser um crente da própria vigarice. Mas não nos enganemos: em todos os casos, há lucidez , há descaramento . Há momentos de perceptibilidade. Há instantes em que a enlameada consciência grita. Só que esses momentos são rapidamente soterrados pelo médium da carochinha por algumas  forças brutais: como o vício da admiração. A fama mediúnica é uma das mais intoxicantes que existem. Ser visto como “canal do além”, “mensageiro”, “instrumento dos espíritos”  que coloca o charlatão num pedestal quase inquestionável. E quanto mais alto o pedestal, mais devastadora será a queda. Então o embusteiro continua não por fé, mas por dependência psicológica da própria imagem.

Há a blindagem do grupo em que instituições, seguidores e até dirigentes passam a funcionar como escudo. Questionar tais vigaristas vira “falta de caridade”. Investigar vira “perseguição”. O pensamento crítico é demonizado. Cria-se uma bolha onde a mentira não apenas sobrevive , ela é protegida.

Aqui está o ponto mais grave — a exploração da dor humana. A falsa mediunidade não cresce sozinha ; ela se alimenta de algo: o luto, a saudade, o desesperoCartas “consoladoras”, mensagens “do além”, promessas de contato com entes queridos… tudo isso cria um vínculo emocional tão forte que neutraliza qualquer suspeita racional.

E então surge o cenário mais perturbador: pessoas sofrendo sendo usadas como combustível para a manutenção de uma charlatanice.

Isso não é apenas desvio de caráter. Isso é exploração criminosa do luto.

A Doutrina Espírita jamais foi ingênua sobre esse risco. O Livro dos Médiuns é categórico ao alertar contra mistificações, charlatanismo e fascinação , essa última, talvez a mais perigosa, porque cega tanto o médium quanto os que o seguem.

E aqui está o ponto que o movimento espírita brasileiro insiste em fingir desconhecer: há fascinação coletiva em curso. Não apenas indivíduos iludidos , mas grupos inteiros que preferem preservar ídolos de barro a preservar a verdade espírita. Porque para um “líder” espírita MORNO BONZINHO denunciar dói. Questionar desagrada. Expor fraudes abala estruturas de poder.

Todavia, não denunciar ou alertar os espíritas corrompe tudo. A mente do falso médium, portanto, não é um mistério insondável. Ela é o resultado de um processo: começa com concessões pequenas à verdade, evolui para justificativas morais, consolida-se na dependência da imagem e termina, muitas vezes, numa vida inteira sustentada por uma ficção cuidadosamente protegida.

E quanto mais tempo passa, mais difícil se torna sair. Porque, em determinado ponto, confessar não é apenas admitir um erro , é destruir uma identidade inteira. Mas há algo ainda mais grave do que a mente de quem engana. É o silêncio de quem percebe e não diz nada.

Enquanto o movimento espírita continuar confundindo caridade com conivência, humildade com omissão e respeito com blindagem de falsos ídolos, esse ciclo vai se repetir. E as vítimas continuarão sendo as mesmas: os sinceros, os aflitos, os que buscam consolo  e encontram o show no charco “mediúnico”.

 

06 abril 2026

As obras de André Luiz e Emmanuel uma defesa metodológica e kardeciana

 






As obras de André Luiz e Emmanuel, psicografadas por Chico Xavier, quando confrontadas com os princípios estabelecidos por Kardecnão violam a estrutura doutrinária do Espiritismo, mas a ampliam sob o critério da progressividade do conhecimento espiritual e passam pelo controle universal do ensino dos Espíritos e pelo crivo da razão.

Desde a publicação da obra  Nosso Lar têm-se suscitado debates acerca de sua legitimidade doutrinária. Análises recorrentes apontam supostas contradições com a Codificação Espírita, excesso descritivo do mundo espiritual e risco de dogmatização. Todavia, uma análise metodologicamente fiel ao Espiritismo exige o retorno às bases estabelecidas por Kardec, especialmente no que concerne ao caráter progressivo da doutrina.

O Espiritismo não é um sistema fechado e marchando com o progresso, jamais será ultrapassado...”
(A Gênese, cap.I) Esse princípio invalida a crítica de que toda informação posterior à Codificação seja, por definição, ilegítima. Ao contrário, admite-se a ampliação do conhecimento, desde que respeitados critérios rigorosos. As obras de André Luiz, nesse contexto, não se apresentam como substituição da base doutrinária, mas como desenvolvimentos descritivos.

Um dos pilares do método kardeciano é o “controle universal”, ou seja, “uma teoria só pode ser considerada verdadeira quando tiver recebido a sanção da concordância.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, Introdução)

Estudiosos sérios argumentam que os diversos relatos mediúnicos independentes descrevem estruturas espirituais organizadas, portanto,  há convergência temática (não necessariamente literal) sobre regiões espirituais diferenciadas e o conteúdo moral permanece coerente com o Evangelho.

Assim, ainda que detalhes variem, há núcleo de concordância suficiente para afastar a hipótese de pura invenção isolada. Os críticos à “semimaterialização” do mundo quintessenciado (espiritual) em André Luiz desconsideram um ponto fundamental: a limitação da linguagem humana. Ora, Kardec já advertia: “A linguagem humana é insuficiente para exprimir o que está fora do mundo material.” (O Livro dos Espíritos, questão 17)

Logo, descrições como “ministérios”, “casas” ou “cidades” podem ser compreendidas como analogias pedagógicas e não implicam literalidade material (porém quintessenciada), como adaptação didática à compreensão do encarnado. Essa chave hermenêutica dissolve grande parte das críticas de “excesso de concretude”.

No que tange a Emmanuel, a crítica de moralismo ignora a centralidade ética do Espiritismo. Kardec é explícito:“Fora da caridade não há salvação.”
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap.XV). As obras de Emmanuel reforçam responsabilidade individual além de promoverem disciplina moral e aprofundamento da vivência evangélica. Portanto, o tom exortativo emmanuelino não constitui desvio, mas continuidade da proposta moral da doutrina.

A ignóbil e pretensa acusação de falta de rigor científico nas descrições espirituais  de André Luiz exige distinção entre ciência material (experimental direta) e ciência espiritual (observação mediúnica). Kardec reconhece essa especificidade metodológica quando atesta que “O Espiritismo é uma ciência de observação.”
(O Livro dos Médiuns.) Nesse sentido as obras de André Luiz não pretendem substituir a ciência materialista, posto que operam no campo da fenomenologia mediúnica e obviamente antecipam hipóteses que exigem maturação investigativa.

Sabemos que há o risco real da idolatria e o uso incorreto dessas obras, daí a  crítica mais pertinente  e que deve ser acolhida  é o uso dogmático dessas produções mediúnicas. Até porque do ponto de vista doutrinário nenhuma obra psicografada possui autoridade absoluta, pois a Codificação permanece como referência básica e ademais tudo deve ser submetido ao crivo da razão. Portanto, a defesa séria não implica aceitação acrítica, mas uso criterioso.

Reenfatizamos que as obras de André Luiz e Emmanuel não violam os princípios fundamentais do Espiritismo e, ao contrário, ampliam demais a compreensão do mundo espiritual sob perspectiva pedagógica, porém exigindo-se uma leitura crítica e não dogmática. Até porque a postura doutrinariamente correta não é a rejeição sumária nem a adesão cega, mas a análise à luz dos critérios kardecianos que resumimos na sua universalidade, racionalidade e finalidade moral.

Referências Bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 2014.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2018.

XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar. Pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro: FEB, 2019.

XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 2018.

05 abril 2026

Páscoa? Ora, o Espiritismo não estabelece dogmas, cerimônias ou práticas exteriores como condição de religiosidade


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Jorge Hessen

Brasília-DF

 

Do ponto de vista espírita, para que  replicar o tradicional “FELIZ PÁSCOA”? Uma vez que a tal “Páscoa” não é uma data revestida de prescrição  ritual, nem possui caráter sacramental. A Doutrina Espírita é clara ao afirmar que o Espiritismo não estabelece dogmas, cerimônias ou práticas exteriores como condição de religiosidade. Trata-se de uma filosofia moral com base científica e consequências morais, centrada na transformação comportamental do ser humano.

A chamada “Páscoa”, tal como celebrada na tradição “cristã”, foi institucionalizada pela Igreja Romana como um rito que rememora a “ressurreição” de Cristo. No entanto, sob o olhar espírita, o mais relevante não é o evento em si tomado de forma literal ou miraculosa, mas o seu significado consciencial profundo.

Para o Espiritismo, a “ressurreição” deve ser compreendida à luz da imortalidade da alma, princípio fundamental amplamente desenvolvido pelo Espiritismo. O Cristo não “retorna à vida” no sentido biológico, mas manifesta-se após a morte do corpo físico, confirmando a sobrevivência do Espírito. Esse entendimento desloca a ênfase do fenômeno extraordinário para a lei natural que rege a vida espiritual.

Assim, a “Páscoa”, para o espírita consciente , pode ser interpretada simbolicamente como um convite à renovação interior. Mais do que celebrar um acontecimento histórico ou litúrgico, trata-se de refletir sobre a necessidade de “ressuscitar” moralmente , abandonando-se velhos vícios, egoísmos e imperfeições, e renascer para uma vida pautada no bem, conforme os ensinamentos do Evangelho.

Nesse sentido, a mensagem pascal aproxima-se do esforço contínuo de reforma moral, que é o verdadeiro eixo da vivência espírita. Não há necessidade de datas específicas para esse movimento, pois ele deve ocorrer diariamente, na consciência e nas atitudes.

Portanto, enquanto o rito pertence à tradição religiosa literalista, o conteúdo moral da “Páscoa” pode  e deve ser universalizado. Para o Espiritismo, a verdadeira celebração não está nos símbolos externos, mas na transformação real do Espírito rumo à luz.

Pensemos nisso!


 

04 abril 2026

Enquanto o assédio judicial for imposto a trapaça mediúnica no Brasil granjeará alento

 

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Jorge Hessen

Brasília -DF

 

Há um fato inquietante que vem se intensificando no movimento espírita brasileiro: a atuação de pessoas que se apresentam como “médiuns”, mas que reagem com hostilidades, intimidações pessoais e assédios judiciais quando são questionados. Esse comportamento, por si só, já demonstra o embuste.

A mediunidade, conforme estabelecida por Allan Kardec, nunca foi colocada acima do crivo da razão. Ao contrário, no Livro dos Médiuns, o codificador é categórico ao afirmar que toda comunicação espiritual deve ser submetida ao exame rigoroso, à lógica e à concordância universal. Onde não há transparência, onde não se admite questionamento, há cenário de suspeição.

O verdadeiro médium não teme análise. Não se sente ofendido pela dúvida honesta. Não ameaça, não AMORDAÇA, não constrange. A autenticidade mediúnica  se sustenta pela coerência, pela humildade e pela submissão ao controle doutrinário. Já o médium desonesto reage com agressividade, pois sabe que sua credibilidade é inócua e depende da ausência de questionamento.

Fácil de observar a farta utilização das redes sociais para a prática de supostas “cartas consoladoras”, todas elas claramente baseadas em informações públicas, obtidas de perfis digitais de pessoas enlutadas. Trata-se de uma opressão emocional desumana, que transforma a dor alheia em espetáculo e, não raramente, corre muita dinheirama nesses ambientes fora a projeção pessoal do embusteiro.

Mais alarmante ainda é quando esses embusteiros recorrem à intimidação jurídica como estratégia de blindagem. Ao invés de apresentarem provas, submeterem-se à análise séria ou aceitarem o contraditório, optam por ameaçar judicialmente os críticos, estudiosos e até familiares que ousam duvidar. Essa postura não apenas revela ludíbrio, mas também configura um desvio ético profundo — incompatível com qualquer princípio espírita.

É preciso dizer com todas as letras: tais práticas não são mediunidade — são conto do vigário. Não são caridade — são exploração da fé dos inocentes úteis. Não são mediunidades — são charlatanismo.

A liderança do movimento espírita brasileiro, já tão marcado por omissões institucionais em diversos momentos históricos, não pode continuar indiferente. A ausência de posicionamento firme apenas fortalece esses agentes do crime lesa-deus. O silêncio, nesse contexto, torna-se cumplicidade.

Denunciar nesse contexto é abrigar o bom nome do Espiritismo. É preservar a integridade da doutrina, é resguardar os mais vulneráveis, é impedir que a fé seja transformada em instrumento de logro. A crítica continuada e  responsável, fundamentada e necessária e corajosa é um dever moral de todo espírita consciente.

Se queremos um Espiritismo sério, comprometido com a verdade e com o progresso moral, precisamos rejeitar com veemência toda forma de charlatanice mediúnica — especialmente aquelas que se blindam atrás de discursos emocionais e se sustentam pelo assédio judicial.

Todo cuidado é pouco. Médium que tem medo de questionamento está ocultando sua farsa. E onde há ameaça (assédio judicial) para calar a busca da verdadeira mediunidade , há urgência em denunciá-la para desmascará-la.

03 abril 2026

O surto do ajuizamento moral nos “feudos espíritas”

 

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Jorge Hessen

Brasília -DF

 

Há uma distorção grave em curso no movimento espírita brasileiro e o mais inquietante é que muitos não a percebem. Grupos espíritas (feudos) que deveriam funcionar como escolas de consciência têm, gradativamente, assumido a postura de tribunais morais. Aí, não se acolhe para educar; julga-se para desqualificar. Não se orienta com empatia, mas corrige-se com aspereza. Não se constrói consciência, mas impõe-se conduta padronizada.

E tudo isso em nome de uma suposta “fidelidade” doutrinária. Obviamente é preciso dizer com clareza que  isso não é Espiritismo. É certo que a Doutrina jamais propôs a eliminação do julgamento. Julgar faz parte da estrutura racional do ser, pois nos permite discernir, escolher e evoluir. Sem julgamento, não há ética. Sem ética, não há progresso. Porém, o que se observa hoje não é o uso saudável dessa faculdade, mas sua perversão.

O julgamento, em muitos ambientes “espíritas”, deixou de ser instrumento de lucidez para se tornar mecanismo de poder. Pois julga-se para constranger,  para controlar e, sobretudo, para sentir-se acima. E aqui está o ponto central que muitos evitam encarar. O que se apresenta como “rigor moral” é, frequentemente, apenas orgulho bem articulado. Portanto, não se trata de defesa da doutrina, mas de vaidade espiritual.

Cria-se, então, um ambiente tóxico. As pessoas passam a medir cada palavra, cada atitude, não por consciência, mas por receio do olhar alheio, da crítica velada e da exclusão silenciosa. O resultado é previsível: consciências reprimidas, culpas infladas, relações superficiais e uma crescente necessidade de parecer aquilo que ainda não se é.

Isso tem nome: hipocrisia moral. E isso não é exagero. É consequência direta de um modelo onde a aparência de virtude vale mais do que o esforço sincero de transformação.

Enquanto isso, a base moral do Espiritismo vai sendo esvaziada na prática. A advertência do Cristo, relembrada em O Evangelho segundo o Espiritismo  “Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado” — tornou-se, para muitos, apenas uma citação decorativa (KARDEC, 2018).

Porque, na vivência real, as pedras continuam sendo lançadas com impressionante facilidade. O mais preocupante é que essa cultura se perpetua sob o silêncio de lideranças “oficiais” que, por responsabilidade doutrinária, deveriam se posicionar. A omissão, nesse caso, não é neutra ,  ela legitima o desvio. E assim, o movimento segue, pouco a pouco, se afastando de sua essência.

É preciso interromper esse processo. O Espiritismo não forma juízes, mas  Espíritos em aprendizado e não exige perfeição imediata, mas esforço contínuo. Porque Kardec não legitima a dureza, mas ensina a caridade. Que não é condescendência com o erro, mas compreensão de quem erra. Sem isso, tudo o que resta é uma caricatura da doutrina: rígida, fria e incapaz de transformar realmente o ser humano.

Fica, portanto, uma pergunta incômoda , mas necessária: estamos formando consciências livres ou apenas reproduzindo tribunais disfarçados de grupos espíritas? Ora, se a resposta não vier acompanhada de autocrítica sincera, o risco é evidente: continuaremos chamando de Espiritismo aquilo que, na prática, já se afastou da Terceira Revelação.

 

Referências Bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Brasília: FEB, 2019.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2018.

XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB, 2016.

DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 2017.

Como atuaria uma FBISCC - Federação Brasileira de Intermediários Simulados de Cartas “Consoladoras”?


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Jorge Hessen

Brasília -DF

Quando o consolo vira espetáculo, a mediunidade se desfigura e a doutrina é traída em seus fundamentos mais abençoados. Há provocações que não nascem do desejo de ferir, mas da urgência de despertar. Indagar se um dia surgirá uma FBISCC - Federação Brasileira de Intermediários Simulados  de Cartas “Consoladoras”   pode soar burlesco — mas, em essência, denuncia um problema gravíssimo, real e crescente: a institucionalização informal da fraude mediúnica sob o disfarce da consolação dos enlutados.

O que se observa, com inquietante frequência, é a transformação da mediunidade — faculdade sublime— em instrumento de espetacularização circense, comércio emocional e manipulação da dor alheia (estelionato do luto). As chamadas “cartas de parentes desencarnados”, que deveriam representar, quando autênticas, um fenômeno raro, espontâneo e profundamente moral, têm sido convertidas em produto previsível, condicionado a informações prévias, coleta de dados virtuais e, não raramente, verdadeiros roteiros emocionais extraídos de redes sociais.

Tal prática não apenas fere a ética — ela afronta diretamente os princípios codificados por Allan Kardec. Em O Livro dos Médiuns, Kardec é categórico ao advertir que a mediunidade séria não se presta a espetáculos nem se submete à curiosidade ou ao interesse material. Afirma ele:

“Toda faculdade mediúnica que se afasta de seu fim providencial, que é o aperfeiçoamento moral da humanidade, degenera e se torna instrumento de mistificação.”(KARDEC, 1861)

Mais grave ainda é o abuso da dor dos enlutados como matéria-prima para encenações emocionais (deboche). O consolo verdadeiro não se constrói com frases genéricas bem elaboradas, mas com a autenticidade espiritual que escapa a qualquer método humano de fabricação. Quando há pré-inscrição, coleta de informações e previsibilidade, há, no mínimo, indício de teatro do mediunismo — e, no máximo, exploração consciente do doloroso luto.

A Doutrina Espírita não legitima atalhos emocionais. O consolo que ela oferece está fundamentado na compreensão da imortalidade da alma, na lei de causa e efeito e na certeza do reencontro e jamais em supostas mensagens produzidas sob encomenda.

Além disso, há um silêncio da “liderança” institucional que agrava o cenário. A ausência de posicionamentos firmes por parte de entidades representativas contribui para a proliferação dessas práticas. O silêncio, nesse contexto, deixa de ser neutralidade e passa a ser conivência indireta.

A questão, portanto, não é apenas denunciar tais fatos, mas preservar a integridade da Doutrina. O Espiritismo não necessita de espetáculos para se sustentar; sua força reside na coerência entre razão, moral e espiritualidade. Quando essa tríade é rompida, o que resta é apenas virtude afetada e tal aparência não consola, somente ilude.

É preciso restabelecer critérios. A mediunidade legítima é discreta, gratuita, desinteressada e, sobretudo, subordinada à moral evangélica. Fora disso, há risco evidente de ser falseada.

Se um dia vier a existir, ainda que jocosamente, uma “associação” dos que aleijam a mediunidade, ela não precisará de estatuto formal, bastará a continuidade do silêncio, da omissão e da falta de discernimento coletivo.

Mas ainda há tempo de agir. O compromisso do espírita consciente não é com fenômenos, mas com a verdade. E a verdade, embora por vezes desconfortável, é o único caminho seguro para o consolo real , portanto, aquele que não engana, que  não é estelionatário do luto , não precisa de encenação para atingir a consciência profunda da imortalidade.

 

Referências  Bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2009.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2013.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2012.

 


01 abril 2026

Um Olhar Espírita sobre a Simplicidade do Bem





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Jorge Hessen

Brasília-DF

A vivência do bem, muitas vezes, é percebida sob a ótica da obrigação, como um dever moral rígido que impõe ao indivíduo uma postura artificial diante da vida. No entanto, a Doutrina Espírita convida à reflexão sobre uma moral mais profunda, fundamentada na transformação íntima e na naturalidade das ações. Nesse contexto, simplificar a conduta e agir com base na reciprocidade espontânea revela-se caminho mais autêntico para o progresso espiritual.

Segundo os ensinamentos codificados por Allan Kardec, a verdadeira moral não reside apenas na prática exterior das boas ações (fazeção de coisas para os outros), mas na intenção que as origina. O bem praticado por imposição perde parte de seu valor espiritual, enquanto aquele que nasce da consciência desperta reflete o avanço do Espírito em sua jornada evolutiva.

A ideia de “ser bom” como um peso revela ainda um estágio de transição moral, no qual o indivíduo reconhece o valor do bem, mas ainda não o incorpora plenamente ao seu modo de ser. À medida que ocorre o amadurecimento espiritual, o bem deixa de ser obrigação e passa a ser expressão natural da alma.

A Doutrina Espírita apresenta a lei de causa e efeito como um dos pilares da justiça divina. Tal lei não deve ser interpretada como mecanismo punitivo, mas como instrumento educativo que promove o equilíbrio das ações humanas.

Nesse sentido, a reciprocidade natural pode ser compreendida como manifestação dessa lei: aquilo que o indivíduo emite — pensamentos, sentimentos e atitudes — retorna a ele de forma correspondente. Quando o bem é realizado com leveza e sinceridade, cria-se ao redor um campo vibratório harmônico, favorecendo experiências igualmente equilibradas.

Essa dinâmica pode ser comparada a um “efeito bumerangue”, em que as energias lançadas ao mundo retornam ao emissor, não como castigo ou recompensa arbitrária, mas como consequência natural da sintonia estabelecida.

Simplificar a conduta significa libertar-se das expectativas externas e das imposições sociais que, muitas vezes, distorcem o sentido do bem. A prática da caridade, nesse contexto, deixa de ser uma performance de fazeção de coisas  e passa a ser uma vivência genuína.

A leveza nas ações está diretamente relacionada ao desapego do reconhecimento e à ausência de interesse pessoal. Conforme ensina o Espiritismo, a verdadeira caridade é aquela praticada sem ostentação, com humildade e discrição, refletindo o amor ao próximo em sua forma mais pura.

Ao agir com simplicidade, o Espírito encontra maior sintonia com sua própria consciência, estabelecendo uma conexão íntima com as leis divinas que regem a vida. E a consciência, no entendimento espírita, é o reflexo da lei divina inscrita no íntimo de cada ser. Quando o indivíduo age em harmonia com essa lei, experimenta paz interior e equilíbrio emocional.

A substituição do peso da obrigação pela leveza da compreensão moral representa um avanço significativo na evolução espiritual. Nesse estágio, o bem não é mais uma meta externa, mas uma realidade interior consolidada.

Assim, a reciprocidade deixa de ser apenas um mecanismo de retorno e passa a ser expressão da unidade entre o indivíduo e o universo moral em que está inserido.

À luz da Doutrina Espírita, compreende-se que o verdadeiro progresso não está na rigidez moral, mas na transformação moral que conduz o indivíduo a agir espontaneamente em conformidade com as leis divinas. Nesse sentido, viver o bem com leveza é, antes de tudo, viver em sintonia com a própria consciência.

 

Referências Bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: FEB, 2019.

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2018.

XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. Brasília: FEB, 2016.

DENIS, Léon. Depois da Morte. Rio de Janeiro: FEB, 2017.


 

31 março 2026

Necessária restrição de acesso de menores às redes sociais

 

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Jorge Hessen
Brasília -DF

A crescente proposta mundial de restringir o acesso de menores às redes sociais revela uma preocupação legítima com o desenvolvimento integral da criança e do jovem. À luz da Doutrina Espírita, essa discussão ultrapassa o campo social e alcança dimensões morais e espirituais profundas.

A infância é fase decisiva, na qual o Espírito reencarnado se mostra mais receptivo às influências educativas. É nesse período que se consolidam hábitos, valores e tendências. A exposição precoce a conteúdos superficiais, violentos ou sensualizados pode comprometer esse processo, gerando marcas e traumas  duradouras no psiquismo.

As redes sociais, orientadas por estímulos de vaidade, comparação e busca de aprovação, tendem a reforçar imperfeições morais ainda presentes no Espírito. Como advertem os Benfeitores espirituais, educar é direcionar o ser imortal para o bem, disciplinando inclinações e fortalecendo virtudes.

Sob a ótica espírita, ambientes moralmente desequilibrados favorecem a sintonia com entidades igualmente perturbadas. Sabemos que  as ligações espirituais se estabelecem pela afinidade vibratória. Assim, a imersão precoce em conteúdos negativos pode intensificar desequilíbrios emocionais e espirituais.

Nesse contexto, a restrição do acesso de menores às redes sociais não configura cerceamento, mas medida coerente de proteção. A família, conforme possui missão essencial na educação moral dos filhos, cabe-lhe orientar com firmeza e responsabilidade.

A sociedade igualmente deve proteger a infância e a juventude, inclusive por meio de normas que limitem a exposição a ambientes nocivos. Não se trata de negar a tecnologia, mas de subordiná-la aos valores que promovem o progresso moral.

Proteger a criança é garantir ao Espírito reencarnado condições adequadas de crescimento. Em tempos digitais, isso exige vigilância, discernimento e compromisso ético, para que a infância não seja abreviada por influências que não lhe pertencem.

Conclui-se que, apesar da responsabilidade pela proteção de crianças e adolescentes ser compartilhada entre família, sociedade e Estado, o papel dos pais é fundamental, uma vez que estes são os principais responsáveis legais pela orientação, educação e vigilância dos filhos.

A atuação dos pais vai além da simples imposição de regras: eles desempenham um papel ativo na construção de um ambiente digital seguro, sendo o principal instrumento para

evitar que as crianças e os adolescentes sejam expostos a riscos como cyberbullying, grooming, sexting, abuso sexual e outros crimes cibernéticos. O poder familiar lhes atribui a responsabilidade de educar e orientar os filhos sobre o uso adequado da internet, mostrando os perigos que estes podem enfrentar e como se comportar de maneira segura nas redes.

É necessário que os pais, conscientes dos perigos do mundo virtual, assumam uma postura de constante supervisão e de diálogo com os filhos. Ao estabelecer limites claros, como o tempo de uso das mídias digitais e o tipo de conteúdo permitido, os pais não apenas protegem seus filhos, mas também promovem uma relação de confiança, essencial para o desenvolvimento saudável da autonomia. O diálogo deve ser contínuo e aberto, permitindo que as crianças se sintam confortáveis em compartilhar suas experiências e dificuldades online.