Jorge
Hessen
Brasília
-DF
Não estamos na Terra por
mero acaso, tampouco submetidos a acontecimentos destituídos de significado
espiritual. A vida representa uma grandiosa escola de aperfeiçoamento, na qual
cada experiência, cada relacionamento e cada desafio oferecem oportunidades de
aprendizado e crescimento da consciência.
A evolução é uma lei
universal e inexorável. Todos os Espíritos, sem exceção, foram criados simples
e ignorantes, destinados à perfeição relativa, mediante o desenvolvimento
progressivo de suas potencialidades intelectuais e morais. Ninguém permanece
eternamente aprisionado à ignorância, ao egoísmo ou à imperfeição.
Essa compreensão modifica
profundamente nossa maneira de interpretar a existência. A vida não é um
castigo divino, nem o sofrimento representa uma condenação imposta por um Deus
vingativo.
A dor, nesse contexto,
assume uma função educativa e corretiva. Quando o orgulho nos impede de
reconhecer nossos equívocos, quando o egoísmo nos torna insensíveis às
necessidades alheias e quando a vaidade nos faz acreditar que somos superiores
aos demais, frequentemente precisamos enfrentar experiências capazes de abalar
nossas ilusões.
Isso não significa
glorificar o sofrimento, tampouco considerar que toda dor seja necessariamente
uma expiação ou consequência de faltas anteriores. Existem sofrimentos
relacionados às próprias condições biológicas, sociais e naturais da
existência.
Todavia, existe uma
diferença fundamental entre conhecer as verdades espirituais e incorporá-las à
própria existência. Podemos estudar durante décadas os ensinamentos de Jesus,
conhecer profundamente as obras de Allan Kardec, citar princípios elevados e discorrer
com desenvoltura sobre a imortalidade da alma.
O conhecimento ilumina o
entendimento, mas é o amor vivenciado que transforma a consciência.
Jesus não nos convidou
simplesmente a conhecer o amor, mas a praticá-lo. A recomendação de amar o
próximo como a nós mesmos não constitui uma abstração filosófica, mas uma
diretriz de transformação moral.
O amor verdadeiro não é
sentimentalismo, dependência afetiva ou submissão. É uma conquista da
consciência que nos permite superar o egoísmo e reconhecer a dignidade
espiritual do outro.
O perdão, nesse processo,
representa uma das mais importantes expressões do amor. Perdoar não significa
apagar a memória, justificar injustiças ou renunciar à responsabilidade.
Significa retirar do ressentimento o poder de controlar nossa vida.
É nesse movimento de
autoconhecimento, reforma íntima e vivência do amor que nos aproximamos do
autoencontro. Descobrimos que a verdadeira plenitude não está na acumulação de
bens, no reconhecimento público, na superioridade intelectual ou na satisfação irrestrita
dos desejos pessoais. Está na harmonização progressiva entre aquilo que
pensamos, sentimos e fazemos.
O autoencontro acontece
quando deixamos de fugir de nós mesmos, reconhecemos nossas sombras sem
desespero e assumimos a responsabilidade pela construção de nossa realidade
interior. É quando a consciência deixa de procurar culpados para suas
dificuldades e começa a identificar, em cada experiência, uma oportunidade de
transformação.
Allan Kardec, em O Livro
dos Espíritos, especialmente nas questões 115 e 132, apresenta fundamentos
importantes para compreendermos a destinação evolutiva dos Espíritos e o
sentido da existência corporal.
Portanto, a pedagogia divina nos ensina que ninguém está condenado à estagnação, que nenhuma imperfeição é definitiva e que nenhuma experiência precisa ser desperdiçada. A evolução é inevitável, mas a velocidade e a qualidade da nossa caminhada dependem do esforço consciente que fazemos.
A dor pode despertar-nos,
o conhecimento pode orientar-nos, mas somente o amor efetivamente praticado é
capaz de promover a libertação profunda da alma.
A grande finalidade da
existência não é simplesmente acumular conhecimentos sobre a vida espiritual,
mas transformar o conhecimento em sabedoria, a dor em aprendizado, o perdão em
libertação e o amor em nossa maneira permanente de existir.
É assim que,
gradualmente, rompemos os grilhões do passado, reencontramos nossa essência
espiritual e caminhamos, sob a orientação das leis divinas, rumo à plenitude do
ser.
Referências
bibliográficas
KARDEC, Allan. O Livro
dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Federação Espírita
Brasileira. Especialmente questões 115, 132, 621, 919 e 922.
KARDEC, Allan. O
Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília:
Federação Espírita Brasileira. Especialmente os capítulos V, XI e XII.
DENIS, Léon. O problema
do ser, do destino e da dor. Brasília: Federação Espírita Brasileira.
EMMANUEL (Espírito).
Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Pensamento e vida. Brasília:
Federação Espírita Brasileira.








