Jorge Hessen
Brasília -DF
Persistirei
no tema que para mim é extremamente grave sobre as assombradoras falsas
cartas consoladoras. Relembro que na
atualidade, a ampla exposição de dados pessoais nas redes sociais e nos bancos
de dados virtuais criou um ambiente propício para novas formas de
mistificação, mormente no movimento espírita brasileiro. Informações como
nomes, fotografias, preferências, vínculos familiares e registros públicos são
divulgadas com facilidade na internet e estão sendo utilizadas de maneira vil
por pessoas mal-intencionadas que se apresentam como “médiuns” (padrão Chico(a)
Xavier da Disneylândia).
Tais recursos virtuais têm favorecido a atuação de farsantes da sagrada mediunidade que produzem comunicações (recados) artificiais, elaboradas a partir de dados previamente obtidos nas redes sociais, simulando mensagens de parentes desencarnados. O problema é gravíssimo, porquanto as supostas “psicografias” são dirigidas a pessoas enlutadas, explorando de forma desumana a fragilidade emocional em nome de um falso consolo ou de um estelionato do luto.
Segundo Allan Kardec,
a primeira garantia contra o erro nas comunicações espirituais é o uso da razão
e do exame rigoroso. Em O Livro dos Médiuns, o Codificador adverte que a
mediunidade está sujeita à mistificação e que nem todos os que se dizem médiuns
o são de fato, recomendando prudência, controle e verificação constante das
mensagens. Kardec afirma que a credulidade irrefletida abre caminho para abusos
e compromete a seriedade da Doutrina Espírita. (1)
Também Léon Denis
ensina que a mediunidade é faculdade respeitável, mas pode ser desvirtuada
quando associada à vaidade ou ao interesse material. Em suas obras, Denis
alerta que o verdadeiro médium deve agir com humildade, desinteresse e
responsabilidade moral, pois a exploração do fenômeno mediúnico conduz ao
descrédito da causa espírita.(2)
No mesmo sentido, Emmanuel,
pela psicografia de Chico Xavier, recorda que a mediunidade é tarefa de
serviço e renúncia, jamais instrumento de promoção pessoal. O mentor espiritual
ressalta que o trabalhador sincero não transforma a faculdade mediúnica em meio
de lucro, nem busca notoriedade, mantendo disciplina moral e fidelidade aos
princípios do Evangelho. (3)
Diante disso, é dever dos
líderes do movimento espírita manter vigilância permanente. A facilidade
tecnológica não pode substituir o critério doutrinário. Mensagens mediúnicas
devem ser analisadas com serenidade, confrontadas com os princípios da
Codificação e observadas à luz da lógica e da moral espírita.
É necessário separar o
joio do trigo, reconhecendo que existem médiuns sérios e dedicados, mas também
indivíduos que utilizam a aparência de mediunidade para obter vantagens
materiais ou prestígio pessoal nas redes sociais. A advertência de Kardec
permanece atual: sem exame, sem controle e sem bom-senso, a mediunidade pode
transformar-se em instrumento de engano.
Assim, devemos denunciar as
fraudes, esclarecer os confrades e exigir fidelidade às obras básicas e isso
não constitui atitude de intolerância, mas sim dever de consciência para com a
Doutrina Espírita e para com todos aqueles que buscam nela consolo e verdade.
Referências Bibliográficas:
1 KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns.
Rio de Janeiro: FEB.
2 DENIS, Léon. No Invisível. Rio
de Janeiro: FEB.
3 XAVIER, Francisco Cândido. O
Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB.




