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  • sábado, 13 de junho de 2009

    BREVES REFLEXÕES SOBRE CASAMENTO, CELIBATO E SEXO



    Foi-nos sugerido escrever um texto sobre sexo, casamento e celibato e debruçamos sobre os temas com forte ênfase voltada para reflexões da energia sexual ou da libido (1), com isso, estamos falando de nossos desejos, de nossas sensações prazerosas, de nossa compreensão sobre a maneira como sentimos e lidamos com as questões que envolvem essas energias. 
    Antes de quaisquer arrazoados sejam arrojados ou tíbios evocamos Emmanuel quando recorda que em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade. Fora disso, é teorizar simplesmente, para depois aprender ou reaprender com a experiência. Sem isso, será enganar-nos, lutar sem proveito, sofrer e recomeçar a obra da sublimação pessoal, tantas vezes quantas se fizerem precisas, pelos mecanismos da reencarnação, porque a aplicação do sexo, ante a luz do amor e da vida, é assunto pertinente à consciência de cada um. (2)
    Cremos que os problemas recorrentes sobre o sexo antes do casamento formal, por exemplo, não estão nas questões do certo e do errado ou se é permissível ou não fazer isto ou aquilo. No estágio moral que nos encontramos, e cientes de que temos o livre arbítrio, os problemas fundamentais são de outra ordem e grandeza, como nos ensina ainda Emmanuel "quem estude os conflitos de sexo, na atualidade da Terra, admitindo a civilização em decadência, tão só examinando os absurdos que se praticam em nome do amor, ainda não entendeu que os problemas do equilíbrio emotivo são, até agora, de todos os tempos, na vida planetária".(3) A sexualidade como expressão de amor está ligada, de forma irreversível, ao poder e à posse. Mais do que isso, o amor validado pela sexualidade, acaba se tornando uma espécie de afeto espacial-geográfico. Eu gosto tanto mais do outro quanto mais eu possuo alguma coisa dele. Todavia, o amor representa a liberdade, e não o inconseqüente sentimento de posse. 
    É a lei de atração e de todas as harmonias conhecidas, sendo a força inesgotável, que se renova sem cessar e enriquece ao mesmo tempo quem dá e quem recebe.Os Espíritos ensinam que o estado de natureza é o da união livre e fortuita dos sexos.(4) O casamento constitui um dos primeiros atos de progressos nas sociedades humanas. O casamento será sempre um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, em aromas de alegria, paz e esperança aqueles que a vida aguarda para o trabalho do seu próprio aperfeiçoamento e perpetuação. A abolição do casamento seria regredir à infância da humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que lhe dão o exemplo de uniões constantes. Destacando-se, porém, que a indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito contrária à da Natureza. Mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis. (5) Há quem chega a esse exagero de manifestar propósitos relacionados com a extinção ou abolição do casamento, como se tratasse de costume desnecessário. Enganam-se os que assim pensam. 
    Claro que a construção da felicidade real não depende do instinto sexual satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa reconhecer que o intercâmbio de forças na constituição do lar não só permite a reencarnação dos Espíritos e, conseguintemente, resgate de faltas do passado, como representa a célula da família universal, unidade primeira da educação espiritual.Temos a convicção que os casamentos são sempre acertados, ou melhor, preparados na vida espiritual, em face dos desacertos, abusos, crimes ou incontinência moral praticados em encarnações anteriores. De modo que os Espíritos comprometidos com a lei divina, no passado, reencarnam com o fim de reparar esses males que envolveram, até mesmo, os que virão depois na condição de filhos.A Doutrina explica que há casamento de amor, de fraternidade, de provação, de dever, de missão e de interesse puramente sexual. 
    Em verdade a experiência do casamento é muita sagrada, não só a experiência do casamento, mas toda a experiência do sexo, por afetar profundamente a vida mental. Portanto toda a experiência sexual da criatura que já recebeu alguma luz do Espírito é acontecimento de enorme importância para si mesma porque afeta profundamente a vida da alma.Engana-se quem supõe que a normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é infinito em sua essência e manifestação." Urge afastar às aberrações e aos excessos; contudo, é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no Universo para amar e serem amados". Contudo, muitos fogem do casamento e optam pelo celibato(7) voluntário o que não representa um estado de perfeição meritório aos olhos de Deus. 
    E, os que assim optem, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo, exceto quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.(8) Portanto, o celibato em si mesmo, não é um estado meritório, exceto quando essa renúncia às alegrias da família é praticada em prol da humanidade. Uma vez que todo sacrifício pessoal, tendo em vista o bem e sem qualquer idéia egoísta, eleva o homem acima da sua condição material.Na manifestação do amor, certamente encontramos a sexualidade. No entanto não podemos dizer que na sexualidade está presente o amor. 
    O mal não está em que nós a aceitemos; o mal consiste em quase todos abusarem dessa experiência. Lembrando que o sexo reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e conseqüentemente no corpo físico, por santuário criativo de nosso amor perante a vida, e, em razão disso, ninguém escarnecerá dele, desarmonizando-lhe a forças, sem escarnecer e desarmonizar a si mesmo.(9) Enorme porcentual de espíritos encarnados na Crosta da Terra, de mente fixa na região dos movimentos instintivos, concentram suas faculdades no sexo, do qual se derivam naturalmente os mais vastos e freqüentes distúrbios de ordem emocionais e psicológicos.No dias atuais a desagregação familiar é resultante de um fenômeno eminentemente materialista, veiculada, sobretudo, pelos vários segmentos da mídia. 
    Quando à indução aos consumismos, desde os produtos mais básicos até aqueles que incentivam as fantasias sexuais, têm sido extremamente valorizados; a religiosidade, a fé, a esperança cedem terreno, diminuindo profunda e sensivelmente a nossa capacidade de suportar as aflições cotidianas. Destarte, urge higienizemos nosso reduto doméstico com o teor vibratório do nosso pensamento elevado, pois existem bacilos psíquicos que produzem tortura sexual, oriundos da insustentável sede febril de prazeres inferiores, e nesse ponto, o aguilhão da consciência, guardião da probidade interior, o adverte [pensamento] e sustenta; mas, muitas vezes se mostra impotente diante dos sofismas da paixão.(10)
    O aguilhoamento às excitações mentais em torno das energias sexuais não é problema que possa ser equacionado por sociólogos, médicos psicólogos a agir no campo exterior: É problema da alma, que exige atitude individual de soerguimento e cura, e sobre esta situação só o espírito solucionará nos escrínios do tribunal da própria consciência. Até porque o sexo é tesouro excelso em que o lar é refúgio santificante, lembrando, porém, que o amor e o sexo plasmam responsabilidades naturais na consciência de cada um e que ninguém lesa alguém nos tesouros afetivos, sem dolorosas reparações. (11)


    Jorge Hessen

    FONTES:1- Libido vem do latim e quer dizer "desejo violento ou luxúria" Mas no sentido psicanalítico - a psicanálise foi criada por Freud - temos a energia motriz dos instintos de vida, portanto da conduta ativa e criadora do homem. Assim nos explica de forma bem acessível o dicionário Aurélio.2- Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 1999.3- Op. Cit4- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2004, Pergs. 335 a 6965- Op. Cit. Pergs 335 6966- Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1999, Cap.11 "Sexo".7- Um professor jesuíta da Universidade de Harvard, o padre Fischler, descobriu que 92% do clero norte-americano sugeria que os sacerdotes pudessem escolher livremente se queriam ser casados ou solteiros. Outro sacerdote e psicoterapeuta, o padre Sipe, revelou que só 2% desse clero cumprem o celibato; 47% o fazem ''relativamente''; e 31,5% vivem uma relação sexual, das quais um terço homossexual. Diante disso, vários bispos têm solicitado que se elimine o celibato para o clero latino, já que o oriental - inclusive o ligado a Roma - não tem essa obrigação e é, normalmente, casado. Até mesmo o Concílio Vaticano II louvou o sentido espiritual do sacerdote casado do Oriente, in A obscura história do celibato clerical, Extraído - Correio Braziliense E. Miret Magdalena , teólogo disponível no site http://www.cacp.org.br/cat_celibato.htm , acesso em 19/06/20058- Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2004, Pergs. 335 a 6969- Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed. FEB, 2002, pág. 56, II10- KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, São Paulo: IDE, 1984, item 7, no Cap. XVII. 11- Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 6 ª edição 1999.

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