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  • quinta-feira, 25 de novembro de 2010

    DESONESTIDADE E ESPIRITISMO NÃO SE COADUNAM




    Quando o tema diz respeito à HONESTIDADE de dirigentes e trabalhadores das hostes cristãs, o assunto é muito preocupante, ante as evidências que identificamos aqui ou alhures. Uma delas, das mais dramáticas, refere-se a líderes religiosos que adquirem muitos bens para si a custa do dinheiro arrecadado dos frequentadores.
    O que vamos narrar (omitindo nomes de instituição e de pessoas, obviamente) são fatos verídicos que estão veiculados na imprensa mineira desta semana. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou por estelionato e formação de quadrilha os réus envolvidos no processo de uma instituição “kardecista”. O grupo é acusado de extorquir os frequentadores, induzindo-os a pagar por serviços em troca de ajuda espiritual.
    Na sentença, o juiz aplicou a pena de três anos de reclusão por estelionato e de dois anos por formação de quadrilha à presidente, considerada responsável pela atividade na instituição.
    O fato é o seguinte: em 2007, os promotores de Justiça apresentaram a denúncia contra os dirigentes do centro em questão. De acordo com o que foi apurado por eles, as vítimas faziam uma espécie de “consulta” com a presidente da casa. Ela então determinava o encaminhamento da pessoa para um “tratamento” composto de passes e participação em campanhas assistenciais diversas pelo período aproximado de nove a dez meses.
    Ao finalizar a primeira parte do “tratamento”, as pessoas permaneciam na instituição na condição de membros voluntários ou efetivos. Para isso, tinham de participar de treinamento.
    Na lista de “tratamentos” oferecidos pela instituição consta o “pó da vida” vendido por R$ 10; o “chá da família”, por R$ 10; feijoada (a ingestão do alimento ajudava no funcionamento do intestino e na saúde como um todo), também por R$ 10; seresta dançante (auxiliava no equilíbrio da área emocional) por R$ 10; aquisição de um “Kit Limpeza” (cujos produtos magnetizavam e livravam a casa de maus espíritos) por R$ 15; e até um salão de beleza em que a utilização de seus serviços ajudava a fortalecer as unhas e os cabelos, (aumentando o campo magnético), o preço varia entre R$ 20 e R$ 40.
    Não sou o primeiro, o único, ou o último a divulgar esse cortejo de vícios, mas a mídia, frequentemente, anuncia e expõe tais fatos, francamente, abomináveis e com grande repercussão negativa. É indispensável haver transparência na prestação de contas, mensalmente, com os contribuintes da casa espírita.
    Cremos que é simples obrigação afixar, no 'quadro de avisos' ao público, a comprovação da correta aplicação dos recursos recebidos. Os dirigentes, que assim procedem, vêem patenteadas a credibilidade da instituição que administram e a pureza de suas intenções. Por outro lado, evitam-se rumores, do tipo: -"fulano(a) está cada vez mais rico(a)"; -"sicrano(a) construiu uma mansão com o dinheiro doado ao centro" e, -"beltrano(a) comprou um carro do ano, caríssimo", olhem só pra isso!
    Será que os meios justificam os fins, quando os dirigentes são omissos em relação à prestação de contas? Se não devem, não têm o que temer, não é verdade? É evidente que ficamos atônitos e envergonhados quando sabemos, pela imprensa, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações, etc.. Há centros que até dão uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... imaginem! Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos, etc., e os dirigentes se apropriam deles, com a maior naturalidade.
    Recordamos , ainda, que os "proprietários" de alguns centros - centros esses onde os donos se eternizam nas alternâncias da direção -, na ocasião que ouviram a nossa palestra sobre o teminha instigante, fizeram um grande barulho na consciência, ficaram alvoroçados, realizaram reuniões solenes e privadas, é claro, para avaliarem a obsessão que tomou conta do orador. Ah! Ele está sendo muito influenciado pelas trevas, pois ele não está respeitando os que buscam o centro espírita pela primeira vez, ao dar tanta ênfase à desonestidade. Oh! Podem pensar até que a mensagem é para a nossa diretoria.
    As falanges das trevas se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores são inteligentes, organizados e vão dando um passo de cada vez, pois conhecem muito bem nossos pontos vulneráveis. Nesse caso, não cremos que advertir sobre a obrigatoriedade da conduta honesta seja artimanha das trevas, mas sim que o ideal espírita seja cada vez mais ético, transparente, consoante os preceitos evangélicos.

    Jorge Hessen
    http://jorgehessen.net

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