Jorge Hessen
Brasília -DF
A Terceira Revelação não estabelece dogmas e não impõe condenações eternas. Sua proposta é a da liberdade com responsabilidade, fundada na lei natural e na consciência.
No entanto, é um equívoco supor que, por não condenar, a Doutrina dos Espíritos aceite indistintamente todos os comportamentos. Inobstante não nos condenar, avalia nossos atos à luz das leis morais que regem a evolução do Espírito. Obviamente não há anátema e nem punição arbitrária, mas há efeito natural de nossas escolhas.
Somos livres para agir, mas colhemos inevitavelmente os resultados de nossas escolhas. Essa é a base da lei de causa e efeito. A Doutrina dos Espíritos não ameaça com a inócua advertência “Você será condenado”, mas esclarece “Você experimentará as consequências naquilo que fizer”.
Essa distinção é fundamental porque as religiões literalistas e dogmáticas frequentemente operam pela lógica da proibição e da condenação externa. Mas a Doutrina dos Espíritos , ao contrário, opera pela lógica da compreensão e da responsabilidade consciencial. Jamais proíbe, contudo, esclarece até por que não há espaço para ameaças inúteis só para a educação proativa, em face disso, a Doutrina não subjuga, todavia desperta e emancipa a consciência.
Contudo, essa emancipação não é permissividade moral, pois não legitima o erro, mas o explica como uma conquista para o aprendizado em face da ignorância espiritual. Com isso não justifica o mal mas o interpreta como expressão transitória de Espíritos ainda ignorantes. Nessa direção não preconiza absolvição automática, mas demonstra que a reparação do erro é parte natural do processo evolutivo.
Por isso, a Doutrina dos Espíritos é libertária, mas não é relativista. Pois reconhece a liberdade do Espírito, porém afirma a existência de leis morais universais. A verdadeira autoridade da Doutrina dos Espíritos não é institucional, mas é o Código Moral de Leis inscrito na consciência do ser humano.
Somos livres para sabotar essa lei, mas somos escravos de suas consequências educativas. E essa é a grande revolução moral proposta pela Doutrina dos Espíritos, ou seja, substituir o medo da condenação pelo entendimento da responsabilidade e suprir a obediência cega pela adesão consciente, para efetivamente transmutar a submissão exterior em mudança interior.
A Doutrina dos Espíritos não quer e nem precisa de “fiéis” submissos, mas convida ao despertamento da consciência. Portanto , a Terceira Revelação não constrange, não ameaça, não condena, somente educa e consola.
Em face disso, a Doutrina dos Espíritos não aceita tudo abertamente, até porque a verdade não é construída pela vontade humana e, principalmente, não condena ninguém por defender o princípio de que todo Espírito é destinado à pura e eterna felicidade (perfeição relativa).
