31 março 2026

Necessária restrição de acesso de menores às redes sociais

 

Jorge Hessen
Brasília -DF

A crescente proposta mundial de restringir o acesso de menores às redes sociais revela uma preocupação legítima com o desenvolvimento integral da criança e do jovem. À luz da Doutrina Espírita, essa discussão ultrapassa o campo social e alcança dimensões morais e espirituais profundas.

A infância é fase decisiva, na qual o Espírito reencarnado se mostra mais receptivo às influências educativas. É nesse período que se consolidam hábitos, valores e tendências. A exposição precoce a conteúdos superficiais, violentos ou sensualizados pode comprometer esse processo, gerando marcas e traumas  duradouras no psiquismo.

As redes sociais, orientadas por estímulos de vaidade, comparação e busca de aprovação, tendem a reforçar imperfeições morais ainda presentes no Espírito. Como advertem os Benfeitores espirituais, educar é direcionar o ser imortal para o bem, disciplinando inclinações e fortalecendo virtudes.

Sob a ótica espírita, ambientes moralmente desequilibrados favorecem a sintonia com entidades igualmente perturbadas. Sabemos que  as ligações espirituais se estabelecem pela afinidade vibratória. Assim, a imersão precoce em conteúdos negativos pode intensificar desequilíbrios emocionais e espirituais.

Nesse contexto, a restrição do acesso de menores às redes sociais não configura cerceamento, mas medida coerente de proteção. A família, conforme possui missão essencial na educação moral dos filhos, cabe-lhe orientar com firmeza e responsabilidade.

A sociedade igualmente deve proteger a infância e a juventude, inclusive por meio de normas que limitem a exposição a ambientes nocivos. Não se trata de negar a tecnologia, mas de subordiná-la aos valores que promovem o progresso moral.

Proteger a criança é garantir ao Espírito reencarnado condições adequadas de crescimento. Em tempos digitais, isso exige vigilância, discernimento e compromisso ético, para que a infância não seja abreviada por influências que não lhe pertencem.

Conclui-se que, apesar da responsabilidade pela proteção de crianças e adolescentes ser compartilhada entre família, sociedade e Estado, o papel dos pais é fundamental, uma vez que estes são os principais responsáveis legais pela orientação, educação e vigilância dos filhos.

A atuação dos pais vai além da simples imposição de regras: eles desempenham um papel ativo na construção de um ambiente digital seguro, sendo o principal instrumento para

evitar que as crianças e os adolescentes sejam expostos a riscos como cyberbullying, grooming, sexting, abuso sexual e outros crimes cibernéticos. O poder familiar lhes atribui a responsabilidade de educar e orientar os filhos sobre o uso adequado da internet, mostrando os perigos que estes podem enfrentar e como se comportar de maneira segura nas redes.

É necessário que os pais, conscientes dos perigos do mundo virtual, assumam uma postura de constante supervisão e de diálogo com os filhos. Ao estabelecer limites claros, como o tempo de uso das mídias digitais e o tipo de conteúdo permitido, os pais não apenas protegem seus filhos, mas também promovem uma relação de confiança, essencial para o desenvolvimento saudável da autonomia. O diálogo deve ser contínuo e aberto, permitindo que as crianças se sintam confortáveis em compartilhar suas experiências e dificuldades online.