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  • 25 março 2026

    O Jornal e a TV Globo ante a abjeta exploração do luto


     

    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    Há reportagens tanto no jornal O Globo quanto nas investigações jornalísticas exibidas no programa Fantástico, da TV Globo, que reacenderam um tema delicado para o movimento espírita: a proliferação de supostas cartas consoladoras , acompanhadas de denúncias de fraude, exploração emocional e estelionato do luto contra pessoas fragilizadas pela dor da perda.

    A Rede Globo demonstra casos em que médiuns utilizavam dados de redes sociais para construir mensagens aparentemente convincentes, mas sem autenticidade espiritual.

    Diante desse cenário, torna-se necessário um posicionamento firme, doutrinário e ético, para que a prática espírita não seja confundida com charlatanismo nem utilizada como instrumento de exploração do sofrimento humano.

    Na codificação a mediunidade nunca foi apresentada como espetáculo público nem como atividade “circense”. Ao contrário, a literatura espírita adverte que a faculdade mediúnica deve ser exercida com humildade, estudo e finalidade moral.

    Quando cartas ditas consoladoras  são produzidas após coleta de dados da Internet, cria-se apenas uma simulação emocional, capaz de impressionar quem sofre, mas sem qualquer garantia de origem espiritual. Kardec advertiu que a mediunidade seria frequentemente alvo de mistificações, seja por engano sincero, seja por presunção, seja por interesse pessoal.

    Por isso, o critério espírita sempre foi claro, pois a mediunidade não é para espetacularização  e a comunicação espiritual não se encomenda; ademais, o fenômeno legítimo não se submete ao sensacionalismo.

    A dor da “perda” do ente querido torna as pessoas particularmente vulneráveis. Quem promete comunicação garantida com entes falecidos assume enorme responsabilidade moral, pois lida com sentimentos profundos, esperança e sofrimento.

    No campo jurídico, a posição brasileira tem sido cautelosa. O Superior Tribunal de Justiça já manifestou entendimento de que cartas psicografadas não possuem valor probatório, por não apresentarem confiabilidade verificável.

    Essa postura não julga a fé religiosa, mas preserva a segurança jurídica e evita que decisões judiciais se baseiem em elementos impossíveis de comprovação.

    Casos amplamente divulgados pela imprensa reforçam a necessidade de prudência. Em reportagens investigativas, realmente foram identificadas situações em que supostos médiuns pesquisavam perfis em redes sociais para inserir nomes, datas, placas de carro, CFPs  e fatos nas cartas mistificadas, criando a impressão de comunicação real.

    As reportagens do Grupo Globo citadas não devem ser vistas como ataque ao Espiritismo, mas como alerta necessário. Se há fraude, ela deve ser denunciada. Se há exploração do luto, deve ser combatida. Se há charlatanismo, deve ser repudiado.

    Defender a doutrina significa impedir que impostores usem o nome da doutrina para legitimar práticas impiedosas de falsas cartas consoladoras.

    O espiritismo sério não teme investigação, porque se apoia na razão, na moral e na responsabilidade. A comunicação espiritual, quando ocorre, não se submete ao espetáculo de circo, não se produz sob encomenda e jamais deve servir para explorar a dor humana.