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  • 20 março 2026

    Pornografia e desequilíbrio moral numa breve reflexão espírita

     

    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    O dicionário define pornografia como representação que fere o pudor e os bons costumes. A sexualidade, entretanto, acompanha a humanidade desde tempos longínquos. Registros arqueológicos mostram imagens de nudez e de conjunção carnal desde a pré-história, muitas vezes com significado ritualístico ou simbólico. Na atualidade, porém, a pornografia perdeu qualquer conotação espiritual e transformou-se em poderosa indústria voltada à exploração do instinto, amplamente difundida pela internet, pelo cinema e pelas redes sociais.

    A Doutrina Espírita ensina que os instintos são necessários à conservação da vida, mas devem ser disciplinados pela razão. Conforme adverte Allan Kardec, o abuso das paixões aproxima o homem da animalidade e o afasta de sua destinação espiritual (KARDEC, 2013). O sexo, quando reduzido a objeto de excitação contínua, perde sua função elevada e passa a gerar perturbações morais e emocionais.

    Estudos modernos indicam que o consumo compulsivo de pornografia pode produzir dependência psíquica, dificultando relacionamentos afetivos equilibrados. A visão espírita confirma tal realidade ao afirmar que o pensamento cria estados vibratórios que influenciam o comportamento. Segundo Léon Denis, a mente é campo de forças que atrai entidades em sintonia com nossos desejos; pensamentos inferiores aproximam Espíritos igualmente inferiores, fortalecendo tendências viciosas (DENIS, 2012).

    A literatura mediúnica reforça esse ensinamento. O espírito Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier, ensina que o pensamento é energia viva, capaz de criar hábitos e determinar destinos. A invigilância mental abre campo para influências perturbadoras, enquanto a disciplina interior favorece o equilíbrio (EMMANUEL, 2006). O abuso das excitações sensoriais, portanto, não é apenas problema social, mas também espiritual.

    O educador espírita Eurípedes Barsanulfo destacava que a formação moral começa no lar. Pais que não vigiam a própria conduta dificilmente conseguirão orientar os filhos. A exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos erotizados compromete o desenvolvimento emocional e favorece vícios difíceis de corrigir.

    Sob a ótica espiritual, a pornografia pode favorecer processos obsessivos. Espíritos ainda presos às sensações materiais encontram sintonia em pensamentos lascivos, estimulando imagens e desejos que se repetem, formando verdadeiro circuito de dependência. A libertação exige vigilância, educação moral e cultivo de ideias elevadas.

    A sociedade contemporânea vive a banalização da sexualidade, convertida em espetáculo permanente. A arte e os meios de comunicação frequentemente substituem valores estéticos pela exploração do corpo, e a pornografia tornou-se mercado altamente lucrativo, muitas vezes associado à exploração humana. Diante desse quadro, a omissão representa grave responsabilidade.

    Emmanuel ensina que o pensamento gera atitudes, hábitos e destinos (EMMANUEL, 2006). Se a mente se fixa em imagens degradantes, cria desequilíbrio; se se eleva, constrói harmonia. O Evangelho de Jesus permanece como roteiro seguro, convidando ao domínio das paixões e ao respeito ao próximo.

    A liberdade não dispensa responsabilidade. A Doutrina Espírita recorda que a felicidade verdadeira nasce do equilíbrio entre instinto e consciência, entre desejo e dever. Educar a sexualidade, sem repressão e sem libertinagem, é caminho necessário para o progresso moral do indivíduo e da sociedade.


    Referências Bibliográficas:

    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Brasília: FEB, 2013.

    KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2019.

    DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Brasília: FEB, 2012.

    XAVIER, Francisco Cândido; EMMANUEL. Pensamento e Vida. Brasília: FEB, 2006.

    XAVIER, Francisco Cândido; EMMANUEL. Vida e Sexo. Brasília: FEB, 2010.

    BARSANULFO, Eurípedes. Lições de Moral Cristã. Uberaba: edições diversas.