Jorge Hessen
Brasília -DF
O dicionário define
pornografia como representação que fere o pudor e os bons costumes. A
sexualidade, entretanto, acompanha a humanidade desde tempos longínquos.
Registros arqueológicos mostram imagens de nudez e de conjunção carnal desde a
pré-história, muitas vezes com significado ritualístico ou simbólico. Na
atualidade, porém, a pornografia perdeu qualquer conotação espiritual e
transformou-se em poderosa indústria voltada à exploração do instinto,
amplamente difundida pela internet, pelo cinema e pelas redes sociais.
A Doutrina Espírita
ensina que os instintos são necessários à conservação da vida, mas devem ser
disciplinados pela razão. Conforme adverte Allan Kardec, o abuso das paixões
aproxima o homem da animalidade e o afasta de sua destinação espiritual
(KARDEC, 2013). O sexo, quando reduzido a objeto de excitação contínua, perde
sua função elevada e passa a gerar perturbações morais e emocionais.
Estudos modernos indicam
que o consumo compulsivo de pornografia pode produzir dependência psíquica,
dificultando relacionamentos afetivos equilibrados. A visão espírita confirma
tal realidade ao afirmar que o pensamento cria estados vibratórios que influenciam
o comportamento. Segundo Léon Denis, a mente é campo de forças que atrai
entidades em sintonia com nossos desejos; pensamentos inferiores aproximam
Espíritos igualmente inferiores, fortalecendo tendências viciosas (DENIS,
2012).
A literatura mediúnica
reforça esse ensinamento. O espírito Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier,
ensina que o pensamento é energia viva, capaz de criar hábitos e determinar
destinos. A invigilância mental abre campo para influências perturbadoras,
enquanto a disciplina interior favorece o equilíbrio (EMMANUEL, 2006). O abuso
das excitações sensoriais, portanto, não é apenas problema social, mas também
espiritual.
O educador espírita Eurípedes
Barsanulfo destacava que a formação moral começa no lar. Pais que não vigiam a
própria conduta dificilmente conseguirão orientar os filhos. A exposição
precoce de crianças e adolescentes a conteúdos erotizados compromete o
desenvolvimento emocional e favorece vícios difíceis de corrigir.
Sob a ótica espiritual, a
pornografia pode favorecer processos obsessivos. Espíritos ainda presos às
sensações materiais encontram sintonia em pensamentos lascivos, estimulando
imagens e desejos que se repetem, formando verdadeiro circuito de dependência.
A libertação exige vigilância, educação moral e cultivo de ideias elevadas.
A sociedade contemporânea
vive a banalização da sexualidade, convertida em espetáculo permanente. A arte
e os meios de comunicação frequentemente substituem valores estéticos pela
exploração do corpo, e a pornografia tornou-se mercado altamente lucrativo,
muitas vezes associado à exploração humana. Diante desse quadro, a omissão
representa grave responsabilidade.
Emmanuel ensina que o
pensamento gera atitudes, hábitos e destinos (EMMANUEL, 2006). Se a mente se
fixa em imagens degradantes, cria desequilíbrio; se se eleva, constrói
harmonia. O Evangelho de Jesus permanece como roteiro seguro, convidando ao
domínio das paixões e ao respeito ao próximo.
A liberdade não dispensa
responsabilidade. A Doutrina Espírita recorda que a felicidade verdadeira nasce
do equilíbrio entre instinto e consciência, entre desejo e dever. Educar a
sexualidade, sem repressão e sem libertinagem, é caminho necessário para o
progresso moral do indivíduo e da sociedade.
Referências Bibliográficas:
KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. Brasília: FEB, 2013.
KARDEC,
Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Brasília: FEB, 2019.
DENIS,
Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Brasília: FEB, 2012.
XAVIER,
Francisco Cândido; EMMANUEL. Pensamento e Vida. Brasília: FEB, 2006.
XAVIER,
Francisco Cândido; EMMANUEL. Vida e Sexo. Brasília: FEB, 2010.
BARSANULFO,
Eurípedes. Lições de Moral Cristã. Uberaba: edições diversas.
