Jorge Hessen
Brasília -DF
O episódio envolvendo a condenação de uma criança de dois anos e sua família à prisão perpétua na Coreia do Norte, em razão da posse de uma Bíblia, não é somente uma violação jurídica: é a expressão extrema de um sistema cruel e desumano que pretende controlar a consciência que é a dimensão mais íntima do ser. À luz do pensamento espírita, tal fato não pode ser analisado apenas como execrável abuso político, mas como grave atentado às leis divinas que regem a liberdade de pensar e crer.
O Codificador, ao abordar a liberdade de consciência em O Livro dos Espíritos, é categórico ao afirmar que a crença não pode ser imposta. A repressão religiosa, portanto, não apenas falha em seu objetivo , ela produz a selvageria, o medo e o atraso intelecto moral. O caso em questão revela exatamente isso: um Estado (se é que podemos nominar a Coreia do Norte como Estado) que, incapaz de convencer, recorre à violência para sufocar e “sepultar” o espírito humano. Kardec veria nesse cenário a negação do progresso, pois onde há coerção, não há evolução legítima do pensamento.
Sob a ótica de Léon Denis, a liberdade é condição essencial para o desenvolvimento da alma. Em suas obras, ele sustenta que o espírito cresce pela experiência e pela escolha. Ao punir uma família inteira — inclusive uma criança — por um ato de fé, o regime não apenas comete injustiça social, mas interfere brutalmente no processo educativo do espírito. Ainda que a lei humana imponha sofrimento, a lei divina não chancela tais abusos, e cada consciência responderá, em momento oportuno, por seus atos.
Emmanuel, ao refletir sobre os regimes autoritários, destaca que toda forma de poder que tenta substituir Deus pela força está fadada à ruína moral. A tentativa de controlar a fé revela insegurança moral e desconhecimento das leis superiores. O sofrimento imposto não destrói a crença; ao contrário, muitas vezes a fortalece silenciosamente no íntimo das vítimas, transformando dor em resistência moral.
Todos os atos de opressão geram débitos graves perante a lei de causa e efeito. A perseguição religiosa, especialmente quando atinge inocentes, configura comprometimento profundo do agressor, que responderá não apenas pelos atos externos, mas pelas intenções de domínio e violência.
O episódio norte-coreano expõe, assim, um paradoxo fundamental: pode-se encarcerar corpos, mas jamais aprisionar consciências. A história espiritual da humanidade demonstra que a fé, quando autêntica, resiste às mais severas perseguições. O Espiritismo, ao afirmar a imortalidade da alma e a liberdade de pensamento como direito natural, posiciona-se de forma inequívoca contra o comunismo (ateísmo materialista) que tem mantido o ideal de controlar a crença cristã pela violência.
Mais do que indignação, o caso exige reflexão: toda ideologia que cerceia a liberdade espiritual compromete seu próprio futuro, pois bloqueia o principal motor do progresso — a consciência livre. E, conforme preconiza a Doutrina Espírita, nenhuma estrutura baseada na opressão (ateísta/materialista/comunista) se sustenta indefinidamente diante das leis eternas.
Referências Bibliográficas:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Brasília: FEB, 2019.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Brasília: FEB, 2018.
XAVIER, Francisco Cândido. Fonte Viva (pelo Espírito Emmanuel). Brasília: FEB, 2016.
XAVIER, Francisco Cândido. Nosso Lar (pelo Espírito André Luiz). Brasília: FEB, 2015.

