Jorge Hessen
Brasília-DF
Do ponto de vista espírita, para que replicar o tradicional “FELIZ PÁSCOA”? Uma vez que a tal “Páscoa” não é uma data revestida de prescrição ritual, nem possui caráter sacramental. A Doutrina Espírita é clara ao afirmar que o Espiritismo não estabelece dogmas, cerimônias ou práticas exteriores como condição de religiosidade. Trata-se de uma filosofia moral com base científica e consequências morais, centrada na transformação comportamental do ser humano.
A chamada “Páscoa”, tal como celebrada na tradição “cristã”, foi institucionalizada pela Igreja Romana como um rito que rememora a “ressurreição” de Cristo. No entanto, sob o olhar espírita, o mais relevante não é o evento em si tomado de forma literal ou miraculosa, mas o seu significado consciencial profundo.
Para o Espiritismo, a “ressurreição” deve ser compreendida à luz da imortalidade da alma, princípio fundamental amplamente desenvolvido pelo Espiritismo. O Cristo não “retorna à vida” no sentido biológico, mas manifesta-se após a morte do corpo físico, confirmando a sobrevivência do Espírito. Esse entendimento desloca a ênfase do fenômeno extraordinário para a lei natural que rege a vida espiritual.
Assim, a “Páscoa”, para o espírita consciente , pode ser interpretada simbolicamente como um convite à renovação interior. Mais do que celebrar um acontecimento histórico ou litúrgico, trata-se de refletir sobre a necessidade de “ressuscitar” moralmente , abandonando-se velhos vícios, egoísmos e imperfeições, e renascer para uma vida pautada no bem, conforme os ensinamentos do Evangelho.
Nesse sentido, a mensagem pascal aproxima-se do esforço contínuo de reforma moral, que é o verdadeiro eixo da vivência espírita. Não há necessidade de datas específicas para esse movimento, pois ele deve ocorrer diariamente, na consciência e nas atitudes.
Portanto, enquanto o rito pertence à tradição religiosa literalista, o conteúdo moral da “Páscoa” pode e deve ser universalizado. Para o Espiritismo, a verdadeira celebração não está nos símbolos externos, mas na transformação real do Espírito rumo à luz.
Pensemos nisso!
