01 maio 2026

​Burocracia e estagnação e os eternos diretores federativos


 







Jorge Hessen

Brasília -DF

 

Avaliamos aqui a intolerável rigidez das estruturas federativas espíritas e a permanência prolongada de seus dirigentes. Circunstância que evidencia o contraste entre a natureza progressiva da Doutrina Espírita e práticas institucionais que tendem à cristalização. Sugerimos neste artigo uma revisão baseada na transitoriedade dos cargos e na renovação de lideranças.

Isso mesmo!! O movimento espírita deveria refletir, em sua organização, o dinamismo da Doutrina. Contudo, observa-se a consolidação de estruturas burocráticas rígidas, frequentemente associadas à permanência prolongada (eterna) das mesmas lideranças. Surge, então, um paradoxo: uma doutrina evolucionista  sustentada por práticas administrativas estagnadas.

Allan Kardec não instituiu hierarquias rígidas nem legitimou a perpetuação de poder. Ao contrário, valorizou a autoridade moral baseada no exemplo e advertiu sobre os perigos da vaidade nas funções.

Léon Denis alertou que o Espiritismo não deveria repetir os vícios das instituições religiosas tradicionais, sobretudo o apego à hierarquia das estruturas cristalizadas. Emmanuel enfatiza que toda função é transitória e que o verdadeiro servidor se define pelo trabalho, não pela posição institucional.

A estrutura federativa espírita  possui relativa relevância organizacional, mas torna-se problemática quando a burocracia se sobrepõe à finalidade espiritual. A repetição contínua de dirigentes — ainda que eleitos — pode limitar a diversidade de ideias e dificultar a adaptação às novas realidades.

Não se trata aqui de desqualificar pessoas, mas de reconhecer que a ausência de alternância favorece o engessamento institucional e, por vezes, o apego sutil ou descarado ao poder.

A superação desse quadro exige mudança de cultura: compreensão dos cargos como tarefas transitórias; formação de novas lideranças; redução de formalismos excessivos; abertura ao diálogo intergeracional. Mais do que ajustes administrativos, trata-se de transformação moral.

O Espiritismo é, por essência, progressivo. A permanência prolongada no poder, mesmo legitimada, deve ser confrontada com a finalidade maior da Doutrina. A questão central permanece: estamos servindo à causa espírita ou às estruturas hierárquicas que construímos?  Responder com sinceridade a essa indagação é condição para que o movimento espírita recupere sua vitalidade e coerência com os princípios que Allan Kardec nos legou.

 

Referências Bibliográficas:

KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2019.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. Rio de Janeiro: FEB, 2018.

DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 2017.

XAVIER, Francisco Cândido (psicografia). EMMANUEL. O Consolador. Rio de Janeiro: FEB, 2019.