Jorge
Hessen
Brasília
-DF
Observamos que os
romances psicografados pelo Espírito Emmanuel, através da mediunidade de
Francisco Cândido Xavier, ocupam posição de destaque no movimento espírita.
Tal observação não
constitui exagero nem simples manifestação de admiração afetiva. Trata-se de
uma constatação baseada na natureza, no conteúdo e nos objetivos dessas obras.
Allan Kardec estabeleceu
os fundamentos doutrinários do Espiritismo mediante um criterioso trabalho de
observação, análise e comparação dos ensinos dos Espíritos. Sua missão
consistiu em organizar os princípios da Doutrina Espírita, edificando uma
estrutura filosófica, científica e moral sólida e coesa.
Todavia, a assimilação
dos princípios espíritas não se limita ao conhecimento intelectual. O próprio Codificador
advertiu que o verdadeiro espírita é reconhecido por sua transformação moral e, nesse
contexto, a obra de Emmanuel surge como valioso complemento educativo,
oferecendo exemplos concretos da aplicação dos ensinos evangélicos à vida
cotidiana.
Romances como Há Dois Mil
Anos, Cinquenta Anos Depois, Ave, Cristo! E Paulo e Estêvão transportam o
leitor para cenários históricos onde a luta entre o orgulho e a humildade,
entre o egoísmo e o amor, entre o poder terreno e os valores espirituais é apresentada
de forma viva e envolvente. Não se trata de mera ficção religiosa. São
narrativas que com certeza absoluta conduzem à reflexão moral, ao
autoconhecimento e ao aprimoramento espiritual.
Emmanuel não altera um
único princípio codificado por Kardec. Ao contrário, desenvolve, ilustra e
exemplifica os fundamentos doutrinários já estabelecidos. Seus livros não
competem com a Codificação; antes, funcionam como instrumentos pedagógicos que
facilitam a compreensão dos ensinamentos espíritas e evangélicos.
Alguns PhDs “sabe-tudo”
alegam que Kardec teria sido excessivamente rigoroso na análise de comunicações
mediúnicas e, por isso, não acolheria facilmente a literatura produzida décadas
após sua desencarnação. Entretanto, tal objeção dos “sabichões” ignora
um aspecto essencial: Kardec jamais rejeitou obras mediúnicas por preconceito.
Exigia apenas coerência doutrinária, elevação moral, utilidade prática e
concordância com os princípios da razão.
Exatamente por atenderem
a esses critérios, os livros de Emmanuel alcançaram extraordinária repercussão.
Neles não encontramos misticismo vazio, promessas miraculosas ou dogmatismos
sectários. Encontramos, sim, a exaltação do trabalho, da responsabilidade
individual, da reencarnação, da lei de causa e efeito, da imortalidade da alma
e da vivência do Evangelho de Jesus.
Por essa razão, é
razoável concluir que Allan Kardec seguramente veria nessas obras um poderoso
recurso de educação moral. Se aprovou comunicações espirituais que promoviam o
progresso da humanidade, dificilmente desaprovaria uma literatura que, há
décadas, vem inspirando milhões de pessoas ao estudo, à reforma moral e à prática do bem.
Os romances de Emmanuel
constituem, assim, uma extensão literária dos princípios espíritas, transformando
conceitos doutrinários em experiências humanas palpáveis. São páginas que
esclarecem a inteligência, sensibilizam o coração e convidam-nos à renovação
espiritual, exatamente como propõe o Espiritismo em sua finalidade maior.

