10 outubro 2026

Epilepsia: História, Ciência e a Visão Espírita






Jorge Hessen

Brasília -DF

 

A epilepsia acompanha a humanidade desde a Antiguidade. Registrada no Código de Hammurabi e conhecida na Grécia Antiga como a "doença sagrada", acreditava-se que os acometidos eram possuídos por divindades ou demônios. Na Roma Antiga, era denominada morbus comitialis (doença comicial). Foi Hipócrates quem iniciou a desmistificação dessa patologia ao postular que a causa da enfermidade residia no cérebro. Posteriormente, Galeno contribuiu para o avanço da medicina ao propor a primeira classificação sistemática das formas da doença.

Apesar de tais avanços científicos, o estigma e o preconceito associados à epilepsia persistiram ao longo dos séculos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 50 milhões de pessoas convivam com a condição em todo o mundo. A perspectiva contemporânea, contudo, é promissora: cerca de 70% dos casos podem ser devidamente controlados por meio do tratamento farmacológico com anticonvulsivantes. Para os quadros de epilepsia refratária — que correspondem a aproximadamente 20% a 30% dos pacientes —, intervenções cirúrgicas e técnicas de neuromodulação consolidam-se como alternativas eficazes, impulsionadas pela evolução dos exames de imagem e da tecnologia médica.

Sob a ótica da Doutrina Espírita, a epilepsia é reconhecida fundamentalmente como uma condição neurológica que exige acompanhamento e tratamento prioritário pela medicina terrena. Torna-se imperativo, portanto, evitar a equívoca associação de crises epilépticas com o dever de desenvolvimento mediúnico ou com processos de mera possessão.

A Doutrina ensina que, embora a crise se manifeste no cérebro somático, sua gênese nem sempre é exclusivamente física. Trata-se, por vezes, de uma enfermidade da alma: sentimentos de remorso e reajustes decorrentes de encarnações passadas geram distonias no perispírito, as quais se refletem no corpo físico por intermédio das predisposições hereditárias e genéticas.

Somando-se às causas perispirituais diretas, as obras de Allan Kardec e André Luiz esclarecem que processos obsessivos intensos e prolongados são capazes de gerar reflexos neurofisiológicos e até lesões orgânicas, resultantes da impregnação e atuação de fluidos espirituais nocivos sobre o organismo do encarnado.

Os quadros de epilepsia podem ter origem exclusivamente orgânica, exclusivamente obsessiva ou mista. Por essa razão, a terapêutica espírita — composta por passes, preces, água fluidificada e reuniões de desobsessão — atua como um recurso complementar e altamente eficaz para o reequilíbrio holístico do enfermo. Contudo, essa abordagem espiritual jamais deve substituir o tratamento médico especializado ou a interrupção dos fármacos prescritos.

 

Referências Bibliográficas

  1. HIPÓCRATES. Da doença sagrada. Tradução de Henrique Cairus. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2005.
  2. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Epilepsy: a public health imperative. Geneva: World Health Organization, 2019. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241515931. Acesso em: 10 out. 2026.
  1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 93. ed. Brasília: FEB, 2013.
  2. KARDEC, Allan. A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 53. ed. Brasília: FEB, 2013.
  3. XAVIER, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 36. ed. Brasília: FEB, 2011.