Brasília -DF
A ciência contemporânea demonstra que o corpo humano abriga trilhões de microrganismos que vivem em interação constante com nossas células, formando a chamada microbiota. Essa constatação levou pesquisadores a descreverem o organismo como um verdadeiro “ecossistema vivo”. À luz do Espiritismo, essa realidade biológica adquire significado ainda mais profundo: o corpo físico é instrumento complexo da alma, estruturado sob leis sábias e finalísticas.
A vida orgânica, segundo os Espíritos, obedece a leis específicas que regem a matéria animada. O corpo, portanto, não é simples reunião casual de células, mas organização harmônica submetida à inteligência divina. (1) A existência de trilhões de microrganismos cooperando para a manutenção da saúde revela um nível de interdependência que confirma a unidade das leis naturais.
O organismo como “máquina divina” ajustada sob direção espiritual (2). Portanto, o corpo físico é sustentado por energias sutis e cada célula responde a comandos do perispírito. Se cada órgão já é um universo funcional, o conjunto da microbiota amplia essa visão: somos, de fato, um “mundo habitado”, onde múltiplas formas de vida cooperam sob supervisão superior.
Tal concepção harmoniza-se com a certeza de que o universo inteiro é solidariedade em movimento (3). Nada vive isolado; tudo se encadeia em rede de relações. O corpo humano, entendido como bioma, expressa essa solidariedade microscópica: microrganismos e células humanas convivem em simbiose, beneficiando-se mutuamente.
A desarmonia — seja por excessos, vícios ou desequilíbrios emocionais — repercute nesse delicado ecossistema, produzindo enfermidades. Nossas emoções perturbadoras alteram o campo energético predispondo o organismo a disfunções (4). Se pensamentos e sentimentos influenciam o perispírito, e este modela o corpo físico, compreende-se que o equilíbrio moral também repercute sobre a microbiota. O corpo-bioma responde não apenas à alimentação, mas ao clima psíquico que o envolve.
Não somos apenas um ecossistema biológico, mas um ecossistema bioespiritual. A convivência harmoniosa entre trilhões de microrganismos simboliza a própria lei de cooperação que rege o progresso das almas. Cuidar do corpo, portanto, é dever moral, pois ele é instrumento sagrado da experiência reencarnatória.
O entendimento do corpo como bioma convida à responsabilidade: equilíbrio alimentar, higiene física e mental, disciplina dos pensamentos e cultivo de sentimentos elevados contribuem para a saúde integral. A biologia confirma a interdependência; o Espiritismo revela-lhe o sentido transcendente.
Referencias Bibliográficas:
1 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2019, questões 63–70.
2 LUIZ, André. Missionários da Luz. Psicografia de Chico Xavier. Rio de Janeiro: FEB, 2018, cap. 12.
3 DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB, 2017, cap. XX.
4 ÂNGELIS, Joanna de. Plenitude. Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Salvador: LEAL, 2000, cap. 5.
