06 dezembro 2009

FORÇA DA PALAVRA

Temos ciência do poder que uma expressão verbal exerce sobre nossas emoções. Uma simples palavra, quando dita nas ocasiões “certas”, seja ela de estímulo ou de desestímulo, provoca indícios, em quem ouve, de que pode reagir, positivamente, e modificar a sua maneira de pensar sobre determinada circunstância da vida. Por outro lado, a mera palavra pronunciada em momento “inadequado” pode ser motivo de grandes dores morais. Nós não estamos habituados a refletir, sensatamente, sobre a força atuante que as palavras têm. A palavra, como uma articulação de sons provenientes de um determinado pensamento ligado a emoções e sentimentos específicos, serve como um detonador prático de tudo ligado a ela.
Muitas pessoas creem que o xingar é, “apenas”, uma resposta instintiva para algo doloroso e imprevisto como, por exemplo, bater a cabeça na quina do armário, uma topada inesperada em algum obstáculo ou, ainda, quando nos vemos diante de alguma frustração ou aborrecimento. Esses são os momentos mais comuns de as pessoas apelarem para as expressões de baixo calão, e muitos pesquisadores acreditam que eles “ajudam” a aliviar o estresse e a dissipar energia, da mesma forma que o choro para as crianças.
Todos os povos e religiões antigas possuíam ou possuem palavras consideradas sagradas e outras malditas, palavras que apresentam um poder de carga vibratória, assumindo mesmo, em certos casos, uma irretroatividade da mensagem, uma vez proferidas. Todos os idiomas possuem palavras obscenas, mas as que são consideradas como tal, o que elas significam, e o impacto que elas causam quando pronunciadas, mudam com o passar do tempo, assumindo novos sentidos. Em muitas línguas, palavras que, antes, eram consideradas tabus se tornaram comuns e outras passaram a ser entendidas como obscenidades.
Um estudo da Escola de Psicologia, da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado pela revista especializada NeuroReport afirma que falar palavrão pode aliviar a dor física, posto que acelera o ritmo de batimentos cardíacos, o que pode diminuir a sensação de dor.(!?...) Para comprovar essa estranha tese, o psicólogo Richard Stephens decidiu investigar o papel das expressões ofensivas na resposta do corpo à dor, e propôs, a 64 voluntários, que colocassem suas mãos em baldes de água, cheios de gelo, enquanto falavam um palavrão escolhido por eles próprios. O batimento cardíaco dos voluntários foi medido durante a experiência e, realmente, mostrou-se mais acelerado quando eles falavam palavrões. Um estudo anterior, da Universidade de Norwich, tentou mostrar que o uso de palavrões ajuda a diminuir o estresse no ambiente de trabalho. Para tais estudiosos, falar palavrões provoca, não apenas, uma resposta emocional, mas, também, uma resposta física. Para tais estudiosos, falar palavrões existe há séculos e é quase um fenômeno linguístico humano universal. (!?..)
Afirmam que, no início da infância, o choro é uma forma aceitável de demonstrar as emoções e aliviar estresse e ansiedade. Conforme as crianças crescem, principalmente os meninos, a sociedade ocidental os desencoraja a chorar, principalmente em público, mas elas, ainda, precisam de um escape para as emoções mais fortes, e é aí que apelam para os palavrões. A sociedade considera que palavrão é coisa de homem e não de mulher. A impressão que se tem é a de que as mulheres, que falam palavrões e xingam, quebram mais tabus sociais do que os homens. Elas, também, são mais julgadas e condenadas pelo uso de palavras obscenas. A sociedade, em geral, também, considera imorais as mulheres que falam palavrões e usam gírias. Estudos demonstram que o hemisfério esquerdo do cérebro é responsável pela linguagem. O hemisfério direito cria o conteúdo emocional. O processamento da expressão verbal é uma "alta" função do cérebro e ocorre no córtex cerebral que possui áreas pré-motoras e motoras que controlam a fala e a escrita. A área de Wernicke processa e reconhece as palavras faladas. O córtex pré-frontal controla a personalidade e o comportamento social adequado.
Por sua vez, as emoções e instintos são "baixas" funções do encéfalo e ocorrem no interior do cérebro.  Muitos estudos sugerem que o cérebro processa os palavrões em regiões mais baixas, junto com as emoções e o instinto.
Cientistas concluíram que, em vez de processar um palavrão como uma série de fonemas, ou unidades sonoras que devem ser combinadas para formar uma palavra, o cérebro armazena os palavrões como unidades inteiras. Portanto, o cérebro não precisa da ajuda do hemisfério esquerdo para processá-las. Falar palavrões envolve, especificamente, o sistema límbico, que, também, hospeda a memória, as emoções e os comportamentos primários e o gânglio basal, que tem grande participação no controle de impulsos e funções motoras.
Estudos com ressonância magnética mostraram que as partes mais altas e mais baixas do cérebro podem brigar entre si quando uma pessoa xinga ou fala palavrão. “Por exemplo, cérebros de pessoas que se orgulham de ser educadas respondem a gírias e frases "ignorantes" da mesma forma que reagem a palavrões. Além disso, em estudos em que as pessoas devem identificar a cor em que uma palavra é escrita (no lugar da palavra correta), os palavrões distraem os participantes e os atrapalham no reconhecimento da cor.
Dizem os especialistas, que conseguimos lembrar de palavrões quatro vezes mais do que de outras palavras. Falar palavrões, também, pode ser um sintoma de doença ou um resultado de danos a partes do cérebro.(1)” Para muitos estudiosos, a tendência por falar coisas obscenas (palavrões), por qualquer motivo, é um indício de distúrbio, tanto  psíquico quanto moral. Em verdade, teoricamente falando, a aparelhagem fonética do ser humano evoluiu em uma direção: a ideal para nosso aprimoramento espiritual.
Dos sons guturais emitidos por nossos antepassados hominídeos, passamos a uma grande gama de vocábulos, cujos significados intrínsecos ou explícitos são muito amplos. Assim, uma oração, oriunda dos bons pensamentos e originada do mais elevado sentimento, é um instrumento para o bem, para a beleza e para a perfeição divina, atuante, em nós, no ambiente e em prol do interlocutor. Contudo, uma maledicência, ou uma acusação, ou, ainda, um xingamento, ou mesmo um termo chulo, consubstanciam uma onda negativa de formas- pensamento, que atuam em moto contínuo, alimentados pela mente e pelos sentimentos, vibratoriamente, similares.
Por isso, fujamos de palavrões! Que de nossa boca sejam, apenas, emitidas palavras voltadas ao bem e à paz. Para esse objetivo, devemos intensificar o treinamento constante, pois que na vida social estamos viciados a lidar com nossa expressão verbal muito levianamente. Lembremos, porém, que sempre seremos responsáveis pelas consequências, diretas e indiretas, das palavras que proferimos a esmo.
Quem tem sede de se aprimorar, espiritualmente, deve analisar, com critério, o que verbaliza, diariamente. Espíritos elevados não se expressam de forma vulgar, pois fazem uso, unicamente, do verbo elevado.

Jorge Hessen
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jorgehessen@gmail.com


Referência:

 Disponível em http://pessoas.hsw.uol.com.br/palavroes-e-xingamentos4.htm

25 novembro 2009

ESPIRITISMO E A FAMÍLIA MODERNA - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Há 20 anos, havia, no Brasil, 38 milhões de famílias, com menos de dois filhos, em média, sendo que 18% das mulheres chefiavam os seus lares, com renda, em geral, de 0,5 a 5 salários mínimos, segundo o IBGE. Os dados mostraram um aumento do número de divórcios e de famílias unicelulares e uma queda acentuada do número de registros de casamentos, passando de um milhão, em 1985 para os 777 mil, em 1990. (1)
A provável explicação para a redução do número de casamentos e o aumento do número de separações e famílias unicelulares, com certeza, foi a inserção maciça de mulheres no mercado de trabalho, proporcionando-lhes maior independência, sob todos os aspectos. Até então, o núcleo familiar tinha o homem como o centro das decisões e a mulher se mantinha submissa, até mesmo, a grandes humilhações. Com o aumento da renda, gerado pelo trabalho da mulher, a ordem patriarcal desestruturou-se. Surgiram, a partir daí, os diversos conflitos, os quais, não resolvidos, satisfatoriamente, implicaram em separações. A rigor, a crise da família não é só econômica, há muitas outras dificuldades de relacionamento entre os membros de um lar. Quando as pessoas não conseguem comunicar os seus sentimentos, as suas aspirações e a sua maneira de ser, tangidos pelo monstro do egoísmo, irrompe-se o nódulo do desentendimento, levando, em muitos casos, à ruptura dessas relações.
As novas funções do casal, na família moderna, afetaram a estrutura tradicional do grupo doméstico. Na família tradicional, o homem detinha o poder e a mulher cuidava do lar e dos filhos. Atualmente, o homem (desempregado) passou a ser o cuidador do lar e a mulher foi ocupar espaço no mercado de trabalho. O modelo atual de (dês)arranjo familiar passou por mudanças e por (des)estruturações nos seus papéis, em que, como dissemos,  a mulher passou a ocupar maior espaço no mercado de trabalho e os homens assumiram, cada vez mais, o papel de cuidadores do lar. Dessa maneira, no instante em que o homem experimenta a função de cuidador do lar, sua condição de pátrio poder foi afetado(2), comprometendo  a vida do casal.
O casamento, considerando a união permanente de dois seres, não é contrário à Lei da Natureza, muito pelo contrário, os Benfeitores espirituais afirmaram, no século XIX, que “é progresso na marcha da Humanidade.” (3) Implica em um regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Consoante Emmanuel, “essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração ou vice-versa, na criação e desenvolvimento de valores para a vida”. (4)
O Mentor do Chico Xavier ainda elucida que “de todas as associações existentes na Terra, excetuando, naturalmente, a Humanidade – nenhuma delas, talvez, é mais importante, em sua função educadora e regenerativa, do que a constituição da família.” (5) Para o lúcido Emmanuel, “através do casal, estabelecido na família, funciona o princípio da reencarnação, consoante as Leis Divinas, possibilitando o trabalho executivo dos mais elevados programas de ação do Mundo Espiritual.” (6)
Casamentos entre homem e mulher, com adventos de filhos, sempre ocorrerão. Contudo, novos tempos têm apontado para outros modelos de núcleo familiar. A velocidade dessas mudanças comportamentais tem estremecido as estruturas fundamentais da família clássica. Devemos estar cientes para esta realidade do mundo moderno. Ante os revolucionários ventos comportamentais que dão vida à sociedade contemporânea, é urgente compreendermos e apoiarmos famílias comandadas por mães solteiras e pais solteiros, crianças criadas por avós, e parceiros (as) homoafetivos dignificados pelo reto comportamento, que deliberaram adotar uma criança.
Como observamos, a família está se modificando na sua constituição clássica. Por isso mesmo, os estudiosos ainda afirmam que a concepção de família, atualmente, é muito mais do que o tradicional grupo formado pelo pai, mãe, filhos e avós, porque há muitos solteiros que optaram por ter filhos sozinhos por adoção. (7) Para os cânones jurídicos, chama-se família monoparental aquela que a mãe ou o pai vive com o seu filho ou filha sem manter relacionamento afetivo com o outro. A Constituição de 1988 reconhece que a família é a base da sociedade e enumera três tipos de famílias que merecem proteção jurídica e do Estado. São as famílias advindas do casamento, da união estável e das relações de um dos pais com seu filho, ou seja, a família monoparental.
No que tange aos conflitos familiares, o Espiritismo fornece-nos meios para uma reflexão mais profunda. Em primeiro lugar, não podemos descartar os resgates familiares, pois muitos casamentos ainda são, na atualidade, uma tentativa de solucionar problemas não resolvidos em outras encarnações. Em segundo lugar, como quitar nossas dívidas, ante a contabilidade divina, se aos primeiros contratempos, dispersamo-nos com o divórcio? É por essa razão, que uma separação não deve ser cogitada como solução infalível, pois estaremos sempre desperdiçando uma excelente oportunidade de redenção e crescimento espiritual. A desagregação familiar, que as estatísticas mostram, é lamentável. É, sem dúvida, resultante de um apelo, eminentemente, utilitarista (materialista), transmitido pelos diversos meios de comunicação de massa, pela indução ao consumo inveterado, desde os produtos mais elementares até aqueles que incentivam as fantasias no campo da erótica. Nesse quadro, vão desviando o sentimento religioso, da fé e da esperança, que perdem terreno e diminuem, sensivelmente, a capacidade humana de suportar um sofrimento qualquer.
Enfim, para o Espiritismo, a família é a célula-máter do organismo social. Qual seria, para a sociedade, “o resultado do relaxamento dos laços familiares, senão o agravamento do egoísmo?” (8)

Jorge Hessen
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Fontes:
(1) A taxa de casamentos desde 1995 aumentou um pouco segundo a pesquisa anual  Estatísticas de Registro Civil do IBGE, disponível em www.ibge.gov.br/censo, acessado em 19 de novembro de 2009.
(2) O antigo Pátrio Poder mudou no novo Código Civil para Poder Familiar. Na época do antigo Código Civil (1916) quem exercia o poder sobre os filhos era o pai e não se falava no poder do pai e da mãe (pais). Mas esta situação mudou e hoje a responsabilidade sobre os filhos é de ambos.
(3)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 695
(4)    Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1972
(5)    idem
(6)    idem
(7)    A “Revista O Globo” de 12/10/2008, traz, em reportagem de capa, a história do médico Sérgio D’Agostini, um bem-sucedido homem solteiro de 43 anos, morador da Zona Sul carioca. Sérgio adotou um menino recém-nascido, filho de uma moradora de rua, portador de várias doenças herdadas dos pais. Em três tempos, pôs a vida do garoto em dia, mas pôs a sua de cabeça para baixo e descobriu a saudável rotina de ser pai solteiro.
(8)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 775

24 novembro 2009

O ESPÍRITA ANTE À SINDROME DO MEDO

Em uma situação de crise, seja de ordem econômica ou agravamento da insegurança pública, como sói ocorrer nos dias de hoje, as relações sociais, pessoais e familiares se alteram. Diante desse quadro, é perfeitamente normal que sintamos medo. Na verdade, sentir medo nos leva à imobilização, pois essa fobia aumenta, consideravelmente, a incerteza do que uma atitude poderá causar. Pensar que não conseguiremos enfrentar uma doença, nossos erros, a perda do emprego ou dos bens, a velhice, a solidão, a perda de um amor e assim por diante, amedronta-nos, causa-nos ansiedade e desconforto psicológico. 
Se tivéssemos certeza do sucesso das atitudes a tomar, não teríamos medo de coisa alguma. Não devemos, pois, desconsiderar nossos medos, mas, antes, valorizá-los como fonte de transformações a serem realizadas dentro de nós mesmos. Quando usados como instrumento de coerção, controle e exercício do poder e de autoridade sobre os outros, compromete-se a consciência dos indivíduos, criando, neles, a necessidade de mentir. É quando professores e pais usam os medos e ameaças para limitarem seus alunos e filhos. Contos e histórias infantis, que podem ser usados como armas para amedrontar e controlar as crianças, estão ajudando a realizar a tarefa da antipedagogia. É o antiensino. É a deseducação. 
André Luiz ensina que “o corajoso suporta as dificuldades, superando-as. O temerário afronta os perigos sem ponderá-los.” (1) É verdade!  Há  atitudes que, frente aos medos, podem ser fruto da nossa irresponsabilidade. Trata-se de um erro de percepção ou da nossa incapacidade de julgamento. Sem medir as conseqüências dos nossos atos, seja qual for a razão, enfrentamos a ameaça e o perigo, sem, antes, analisá-los. Somos, muitas vezes, inconseqüentes nos nossos atos, não avaliarmos a imprudência que cometemos. Exemplos comuns de irresponsabilidade são as atitudes impulsivas ou exibicionistas praticadas por quem não pensa em correr quaisquer riscos com tais atitudes. A morte e a vida lhe são indiferentes. 
Por essas razões é preciso que aceitemos nossos próprios medos, a fim de darmos início ao nosso autoconhecimento. Consiste, isso, em admitir que temos medos. Admitir também que todos têm medos. É o primeiro e decisivo passo para iniciar o caminho que nos levará a superá-los e, conseqüentemente, a superação de si mesmo.
A instabilidade psíquica e emocional faz parte da rotina de todos. É necessário ter “nervos de aço” para sobreviver nas grandes cidades modernas. Embora o medo seja um sentimento natural, a drástica realidade do cotidiano está transformando, em patologia crônica, um sentimento que é fundamental para nossa sobrevivência. “Ninguém poderá dizer que toda enfermidade esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podem garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças”. (2) O medo é normal quando é moderado. Quando excessivo, torna-se doença, passa a prejudicar a nossa vida.
“Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre a engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento”.(3) O medo excessivo (fobias) é o mesmo que semear espinheiros magnéticos  e adubá-los no solo emotivo de nossa existência, é intoxicar, por conta própria, a tessitura da vestimenta corpórea, estragando os centros de nossa vida profunda e arrasando, conseqüentemente, sangue e nervos, glândulas e vísceras do corpo que Deus nos concede com vistas ao desenvolvimento de nossas faculdades para a Vida Eterna.
Para Sigmund Freud, uma emoção como o medo, por exemplo, “é uma preparação para enfrentar o perigo. É um estado biologicamente útil, já que, sem ele, a pessoa se acharia exposta a conseqüências graves. Dele derivariam a fuga e a defesa ativa. Quando, porém, o desenvolvimento de certos estados vai além de determinados limites, passa a contrariar o objetivo biológico e dá lugar às formas patológicas”. (4)
Os ansiosos (estressados) visitam, cinco vezes mais, médicos que uma pessoa normal. O sintoma crônico do medo está gerando problemas físicos e emocionais, tais como infarto do miocárdio, úlcera e insônia. Essa  síndrome repercute no organismo de várias maneiras. No cérebro, pode provocar insônia e depressão. No coração, surgem as arritmias e a hipertensão. O sistema endócrino pode sofrer baixa taxa de açúcar no sangue e problemas com a tireóide; no sistema gastrointestinal, indigestão e colite. Portando, o stress(5) do medo desenvolve a úlcera, a ansiedade, as tristezas e os pânicos.  “O medo [patológico] é um dos piores inimigos da criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças mais profundas”.(6)
Para nós, estudiosos do Espiritismo, a solução para o medo é, sem dúvida, o exercício "da fé que remove montanhas” (7), mostrando-nos o rumo da vitória. É, igualmente, a certeza da reencarnação, a convicção de que a vida terrena não é mais do que um longo dia perante a eternidade real da vida do Espírito. Somos seres pensantes e imortais e, ante essas verdades, podemos enriquecer a nossa atividade mental, indefinidamente, rumo aos objetivos superiores. Podemos desenvolver recursos que nos conduzam a um relacionamento humano e social mais saudável, através do trabalho solidário e fraternal, aprendendo a entender as dores e angústias dos nossos companheiros, a ter compaixão, e, finalmente, "a amar o próximo como a nós mesmos”. (8) 
Fundamentalmente, a fé deve apoiar-se na razão, para não ser cega. Por isso, fé não é um "dom" fornecido por Deus para alguém em especial, seja por essa ou aquela atitude exterior, mas sim o produto da nossa conquista pessoal na busca da compreensão do caminho correto, das verdades que permeiam a essência das nossas próprias vidas, por meio do conhecimento, da vivência da experiência, das reflexões pessoais e pelo esforço que fazemos em nos modificar para viver com mais amor, por entender que o amor é a causa da vida, e a vida é o efeito desse amor. Na mensagem do Mestre, aprendemos a lição da coragem, do otimismo vivo, fatores psicológicos, esses, capazes de renovar nossos pendores, obstando que o medo, a depressão e a angústia se apossem de nossa mente. 

Jorge 
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email jorgehessen@gmail.com


Fontes:

(1) Xavier, Francisco Cândido. Agenda Cristã , ditado pelo Espírito André Luiz , Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001
(2) idem
(3) idem
(4) ABBAGNANO, N., citado por. Dicionário de Filosofia. Sigmund Freud (1856-1939). Nascido na Áustria de família judia. Foi o fundador da Psicanálise, tendo formulado os conceitos de inconsciente, libido, o método da livre associação no tratamento psicanalítico, etc., cujos fundamentos teóricos colaboraram para a compreensão do psiquismo humano
(5) O stress pode ser causado pela ansiedade e pela depressão devido à mudança brusca no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a ocorrer doenças, especialmente cardiovasculares.
(6) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Capítulo 42, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001
(7) Cf. Mt. 21.18-22
(8) Cf. (Mateus 9:20-22; Marcos 1:40-42; 7:26, 29, 30; João 1:29)

18 novembro 2009

IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS DOUTRINÁRIOS NO CENTRO ESPIRITA

O Centro Espírita é núcleo formador da educação moral e espiritual do homem, além de ser santuário de prece e de trabalho. “Os candidatos ao exercício mediúnico precisam estar bem conscientes de que se encontram diante de um dos mais sérios compromissos espirituais com a vida.” (1) Antes mesmo de serem inseridos nos grupos mediúnicos, que os Centros Espíritas organizam para o cumprimento dessa bela e radiosa faculdade, os médiuns devem cientificar-se, com segurança e discernimento, do que seja a Doutrina Espírita. Será que os candidatos à tarefa mediúnica conhecem os princípios fundamentais deixados por Allan Kardec nas obras basilares e nas instruções complementares? Isso equivale afirmar que se pode falar em ensino espírita, se partirmos dos seus pressupostos básicos, ou seja, do acervo que existe nos livros da Codificação.

Nosso ponto de partida, nessa discussão, tem que ser o Sábio de Lyon, pois foi ele quem sistematizou o Projeto do Paracleto e criou os termos Espiritismo e Espírita. Destarte, no “Projeto 1868”, Kardec esclarece que “um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver princípios de Ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos e capazes de espalhar as idéias espíritas, além de desenvolver grande número de médiuns. “Considero esse curso de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências”. (2)

O Movimento Espírita brasileiro, através da Casa-mater (FEB), criou o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita-ESDE, lançando, na década de 1980, uma campanha nacional para a adoção de um programa a ser cumprido nos Centros. Decorrido algum tempo, o ESDE não somente foi adotado com entusiasmo nas Casas Espíritas, como, atualmente, a FEB vem propondo um estudo mais aprofundado do conteúdo Espírita. Diversas casas espíritas implantaram esse programa e constataram sua praticidade, facilitando e melhorando a qualidade dos estudos. A rigor, em uma Casa Espírita equilibrada, o estudo doutrinário deve ter prioridade número UM. Essa é a ÚNICA forma de os grupos espíritas funcionarem de forma harmônica. O estudo sério não pode ser feito, proveitosamente, senão por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de uma firme e sincera vontade de chegar a um resultado satisfatório e, consequentemente, equilibrado. Quem se dispõe a dominar uma Ciência deve estudá-la de maneira metódica, começando pelo básico e seguindo o seu encadeamento de idéias. O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dê. Acontece o mesmo em nossas relações com os Espíritos. Se desejamos aprender com eles, temos de seguir-lhes o curso; mas, como entre nós, é necessário escolher professores e trabalhar com assiduidade”.(3)

Na Pátria do Evangelho, um grande impulso para os bons estudos doutrinários aconteceu com o aparecimento do médium Chico Xavier, onde destacamos, em meados do século passado, os 16 livros da série "A Vida no Mundo Espiritual". Pois é! André Luiz não deve ser apenas lido. Para um melhor aprendizado, suas obras devem ser estudadas em profundidade. Não podemos deixar de mencionar, também, as contribuições valiosas de Yvonne A. Pereira, Pedro Franco Barbosa, Deolindo Amorim, Divaldo Franco, Francisco Thiesen e Juvanir Borges.

O Espírito Emmanuel define o Centro Espírita como a universidade da alma, o que nos leva a refletir que a atitude, tanto de quem ensina como de quem aprende, deve ser a de formar almas compenetradas de suas responsabilidades perante si mesmo e perante os outros. Os coordenadores dos cursos doutrinários devem evitar, a todo custo, o autoritarismo. Não pode dizer ao aprendiz: “Você é médium e tem que desenvolver a mediunidade”; nada mais ridículo que isso. Desenvolver a mediunidade não é receber Espíritos; é estar cada vez mais em sintonia com os bons Espíritos que nos acompanham, e para que isso aconteça, os médiuns têm que primar pela boa conduta, aprimorando-se moralmente.

Lembra o Espírito Verdade: “Espíritas: amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo”.(4) Entretanto, a obrigatoriedade pelo estudo deve ser relativizado , pois muitos confrades não sabem ler e nem escrever. A relação ensino-aprendizagem é de grande utilidade, tanto para o educador como para o educando. Contudo, não transformemos o ensino-aprendizagem doutrinário em um acúmulo de informações e raciocínios, sem qualquer vínculo com as necessidades prementes do Espírito imortal.

Estudar Espiritismo requer atenção contínua, observação profunda e, sobretudo, como, aliás, todas as ciências humanas, a continuidade e a perseverança. Necessitamos de anos para fazer um médico medíocre e três quartas partes da vida para fazer um sábio, mas muitos querem obter, em algumas horas, a Ciência do infinito! Que ninguém, portanto, se iluda: “O estudo do Espiritismo é imenso; liga-se a todas as questões metafísicas e de ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós. Será de espantar que exija tempo, e muito tempo, para a sua realização?” (5) Os Centros, normalmente, adotam cursos ditos “básicos”, com dois anos ou três de duração. Na esmagadora maioria deles, a carga horária média semanal é de uma hora e meia, perfazendo seis horas por mês. Levando-se em conta que metade dos meses de dezembro e fevereiro, e os meses inteiros de janeiro e julho são destinados às férias, temos nove meses de efetivo curso, o que equivale a 54 horas por ano. “Mas os que desejam conhecer completamente uma ciência devem ler, necessariamente, tudo o que foi escrito a respeito, ou pelo menos o principal, não se limitando a um único autor. Devem mesmo ler os prós e os contras, as críticas e as apologias, iniciar-se nos diferentes sistemas a fim de poder julgar pela comparação. Neste particular, não indicamos nem criticamos nenhuma obra, pois não queremos influir em nada na opinião que se possa formar”. (6)

Há aqueles que crêem, unicamente, no trabalho de assistência social para ser considerado um respeitável espírita e um bom médium. Porém, vale refletir o seguinte trecho da obra “Paulo e Estêvão”: Há dois mil anos Paulo diz: “É justo não esquecer os grandes serviços da igreja de Jerusalém aos pobres e aos necessitados, e creio mesmo que a assistência piedosa dos seus trabalhos tem sido, muitas vezes, sua tábua de salvação. Existem, porém, outros setores de atividade, outros horizontes essenciais. Poderemos atender a muitos pobres, ofertar um leito de repouso aos mais infelizes; mas sempre houve e haverá corpos enfermos e cansados, na Terra. Na tarefa cristã, semelhante esforço não poderá ser esquecido, mas a iluminação do espírito deve estar em primeiro lugar. Se o homem trouxesse o Cristo no íntimo, o quadro das necessidades seria completamente modificado”.(7) (grifei). Os Benfeitores reenfatizam o impositivo do estudo, a fim de que a luz do entendimento nos ensine a caminhar com segurança e a viver proveitosamente. Eles estabelecem o confronto entre a fome e a ignorância – dois dos grandes flagelos da Humanidade. Qualquer pessoa pode atender à fome. Raras criaturas, porém, conseguem socorrer a ignorância. Para sanar a fome, basta estender o pão. Para extinguir a ignorância é indispensável fazer luz.  

Jorge Hessen

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jorgehessen@gmail.com

Fontes:

(1)  Francisco Cândido Xavier. Lições de Sabedoria. São Paulo: Editora Jornalística Fé, 1997, p.140

(2)  Kardec, Allan. Obras Póstumas, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, p. 342

      (3)  Kardec, Allan. “O Livro dos Espíritos”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002, Introdução, cap. VIII – Perseverança e seriedade.

      (4)  Kardec, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap. VI – O Cristo Consolador, Espírito de Verdade.

      (5)  Kardec, Allan. “O Livro dos Espíritos”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2002, Introdução, cap. XIII – As divergências de linguagem.

(6)  Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns”, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1996, 1ª parte, cap III – Método, item 35

      (7)  Xavier, Francisco Cândido. Paulo e Estêvão,  Ditado pelo Espirito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1978,  pág 326