12 janeiro 2010

ESPÍRITA-CRISTÃO DEVE SER O CLARO OBJETIVO DE NOSSA INSTITUIÇÃO


Sabemos que Espiritismo tem por finalidade a nossa reforma íntima, porém, percebemos que, no Movimento Espírita brasileiro, coexistem interpretações diferentes sobre a rota segura de se lograr esse escopo. Não há dúvida de que essas diferenças fazem parte do processo, porém, precisamos estar atentos ao lidar com as divergências das práticas, considerando-se os múltiplos níveis de consciência.
É compreensível que confrades intelectualizados, ainda, não moralizados, ao ingressarem nas hostes espíritas, imponham seus pontos de vista, “racionalmente”, diversas vezes, em confronto com a Codificação. Porém, como o Espiritismo está muito acima das ilações academicistas, as discrepâncias metodológicas não chegam a afetar a Doutrina em si, em seu contexto já consolidado. Todavia, costumam gerar alguns óbices ao Movimento, que a superioridade das boas práticas doutrinárias culminará por superar, com o tempo, esses embaraços.
Observamos diversas vezes, entre os adeptos do Espiritismo, um comportamento encharcado de misticismos, profundamente clerical, na maneira de interpretar e de praticar a Doutrina Espírita. Essa postura inadequada tem gerado problemas complicados de serem contornados no seio do Movimento Espírita, como a ritualização de práticas bizarras, abuso de poder nas hierarquias das diretorias de Centros Espíritas, e outras dificuldades que desequilibram todo um conjunto.
Experimentamos uma conjuntura de difíceis transformações, pois o povo brasileiro herdou uma péssima educação religiosa ancestral. Bom seria se os cônscios adeptos do Espiritismo conseguissem extirpar, definitivamente, esse mal progressivo que acarreta prejuízo ao Movimento Espírita.
A visão contemplativo-religiosa da Doutrina, ainda, coloca-se como prioritária, para, supostamente, atender, mais de imediato, os sofrimentos morais, econômicos, sociais, emocionais, que açoitam a sociedade contemporânea. A visão de um Espiritismo sob o ângulo cientificista é compreensível, somente, para aqueles confrades de formação acadêmica e que se dedicam a eventuais experiências para, apenas, reconfirmarem os fatos que, desde o mestre lionês, já foram sobejamente provados.
Todavia, ao invés da ritualística mística, que tem minado o edifício doutrinário, e avesso aos embates extremos cientificistas que cristalizam o sentimento, cremos que o razoável será a entronização dos conceitos filosóficos doutrinários, ensejando, desse modo, um comportamento ético-moral saudável, no qual a conseqüência religiosa será inevitável, porém, distante das fórmulas que identificam as religiões utilitaristas, apresentando-se como seitas que já estão, de há muito tempo, superadas.
A Doutrina Espírita é pura e incorruptível. Porém, o Movimento Espírita, ou seja, a organização dos homens para praticá-la e divulgá-la é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Por muitas e justas razões, devemos ficar atentos aos que se tornam líderes esquisitos e esdrúxulos, com comportamentos alienados, procurando apresentar propostas de exaltação do seu ego e gerando, à sua volta, uma mística que, infelizmente, vem desaguando em determinadas posturas, absolutamente incompatíveis com o Espiritismo.
Conhecemos práticas estranhíssimas ao Projeto Espírita, a saber: dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, velórios (tudo no salão de palestras), além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos Centros, festival da caridade, tribuna para a propaganda político-partidária, preces cantadas, etc. Isso, sem nos aprofundarmos nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos pela “vidência": sobre doenças e obsessões, apometrias, desobsessão por corrente magnética, etc.
Preservar, portanto, o trabalho de divulgação doutrinária, corretamente, sem os infelizes desvios que se observam em alguns setores do nosso Movimento, é dever que devemos impor a nós mesmos, ou seja, fidelidade aos preceitos Espíritas.
O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecentes delas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira. A via mais segura, para esse desiderato, é a do esclarecimento, do estudo, do convencimento pela razão e pelo amor, jamais pelos anátemas, óbvio!...
Para os mais radicais, a pureza doutrinária é a defesa intransigente dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; para os não menos extremistas, é a rígida igualdade de tipos de comportamento, sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiam as pessoas. Á rigor, os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas precisam saber que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Que terão que reconstruir o que destruírem e responderão pelo mal praticado e harmonizarão o que desarmonizarem. É da Lei de Causa e Efeito!
Portanto, do exposto, reafirmamos que espírita-cristã deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres, consoante nos ensinam os Espíritos superiores.

Jorge Hessen
Site http://jorgehessen.net
email jorgehessen@gmail.

SUPERDOTADOS, "MIRACULOSA" PREDISPOSIÇÃO BIOGENÉTICA OU REENCARNAÇÃO?


A Teoria das Múltiplas Inteligências, de Howard Gardner, propõe que a mente humana é multifacetada, existindo várias capacidades distintas que podem receber a denominação de "inteligência". O superdotado consegue perceber mais do meio-ambiente do que a maioria das pessoas. Assim sendo, esse tipo de pessoa tende a ser visto como exagerado ou, excessivamente, sensível.
Mas, quem é  o superdotado? O que faz na Terra? Qual é o seu porvir? Perguntas, essas, que somente podem ser respondidas, tendo a pluralidade das existências como verdade absoluta e mecanismo natural de evolução do Espírito. Sem a palingenesia não há como se conceber o progresso humano, senão, vejamos: “O jovem Maiko Silva Pinheiro lia, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; aprendeu a fazer contas, aos 5 e, aos 9, era repreendido pela professora, porque fazia as divisões, usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Hoje, estuda economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Aos 17 anos, os diretores do Banco Brascan dizem ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática". (1)
O mexicano Maximiliano Arellano começou a desenvolver a extraordinária memória, aos 2 anos de idade; aos 6 anos, Maximiliano diz querer ser médico. “Maximiliano deu uma aula de fisiopatologia e osteoporose com linguajar de um residente, segundo afirmativa do Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Autônoma do Estado do México, Roberto Camacho”. (2) Segundo a Revista Veja, "Os sinais da inteligência, fora do comum, do jovem americano, Gregory Robert Smith, começaram muito cedo. Com 14 meses, resolvia problemas simples de matemática; com 1 ano e 2 meses, ele resolvia problemas de álgebra; aos 2 anos, lia, memorizava e recitava livros, além de corrigir os adultos que cometiam erros gramaticais; três anos depois, no jardim-de-infância, lia Júlio Verne e tentava ensinar os princípios da botânica aos coleguinhas; aos 10,  ingressou na Faculdade de Matemática; aos 13, deve começar a pós-graduação", pois já terminou a faculdade”.(3) "Smith criou uma fundação internacional e foi indicado para o Nobel da Paz." (4)
Casos de crianças precoces sempre despertam a atenção. A Academia de Ciência não possui uma explicação vigorosa sobre o tema; atribui a uma "miraculosa" predisposição biogenética (!?...), potencializada por estímulos de ordem externa. Outra enorme dificuldade, encontrada pelos doutos da Academia, é a não concordância na definição do termo "superdotação". “Alguns pesquisadores distinguem superdotado, de talentoso, sendo o primeiro, considerado como aquele indivíduo de alta capacidade intelectual, ou acadêmica, e o segundo, como possuindo habilidades superiores nas áreas das artes, música, teatro”. (5)
célebre matemático francês, Henri a Poicaréque desencarnou em 1912, acreditava que osgênios matemáticos trazem um talento congênitoou seja: "já vêm feitos"que, de maneira sutil,consagra multiplicidade das vidas. O jovem sergipano, Carlos Mattheusde apenas 19 anospobreestudante da escola pública, que conseguiu um fato inédito em um dos melhores centros deformação da América Latina, Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicadaonde obteve ostítulos de mestre doutor em matemáticajá planeja ir a Paris, através de bolsa de estudopara umefeitoainda mais expressivo, ou seja: realizar cursos de pós doutorado.
Gabriel Dellane, em seu livro "Reencarnação"no Capítulo VIItrata das "experiências derenovação da memória"citando Allan Kardec; fala do perispírito que "sobrevive à morte” earquiva todas as experiências vividas em outras existências. (6) Um espírito que se dedicou,particularmentepor séculosao estudo da matemática, traz, como frisou Poincaré, esse “talentocongênito”impulso natural para prática de atividades que mais gosta.
Encontramos essas mesmas tendências excepcionais em músicos, como Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez, e já compunha minuetos, aos 5 anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos 12 anos. Paganini dava concertos, aos 9 anos,em Gênova, Itália. Na literatura universalé ímpar fenômeno Victor Hugo queprecocemente,aos 13 anosarrebatou cobiçado prêmio da cidade de Tolosa. Goethe sabia escrever em diversas línguas, antes da idade de 10 anos. Victor Hugo, o gênio maior da França, escreveu seu primeiro livro, com 15 anos de idade. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de 8 anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a lhe ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...)”. (7)
Como temos observado, a imprensa tem noticiado fatos dessa natureza com uma constânciaimpressionante; fatos, esses, que desafiam a Ciência, por não encontrar uma explicação consistente sobre o tema. Nenhuma teoria humana foi capaz de, até hoje, esclarecer tais fatos. Casos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos cientistas, que atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenétios” (pasmem!).
O debate sobre o que é, realmente, a inteligência, nunca foi tão promissor, como atualmente. Muitas teorias têm ampliado o conceito de inteligência, fugindo à técnica ultrapassada de medição pelo "quociente de inteligência" (Q.I.), mediante aplicação do teste de Binet. O grande embaraço dos materialistas é desconsiderar o fato de a inteligência ser um atributo do Espírito, isto é, resultante da soma de conhecimentos e vivências de existências anteriores de cada indivíduo. Nesse sentido, admitindo-se a reencarnação, as idéias inatas são, apenas, lembranças espontâneas do patrimônio cultural do ser, em diferentes esferas de expressão; algumas em estado mais latente, em determinadas crianças-prodígio.. Desse modo, ficaria bem mais fácil compreender toda essa complexidade da mente humana. 
Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades que a nossa vista alcança. Fora dessa lei, indagar-se-ia, inutilmente, por que certos homens possuem talento, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só manifestam paixões e instintos grosseiros. A influência do meio, a hereditariedade e as diferenças de educação não são suficientes, obviamente, para explicar esses fenômenos. Vemos membros da mesma família, semelhantes pelo sangue, pelo histórico genético, educados nos mesmos princípios morais, diferençarem-se, profundamente, como pessoas.
O Doutor Richard Wolman, de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo.
Pesquisadores, como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Erlendur Haraldsson, Hellen Wanbach, Edite Fiore, e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista.
As pesquisas sobre a Reencarnação não cessam nas teses dessas personalidades apontadas. Estudos sobre esse tema crescem, constantemente. A Física, a Genética, a Medicina, e várias escolas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas pesquisas. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência, declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”. E Allan Kardec a confirmou em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos, melhor, a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade. 
Jorge Hessen



FONTES:
(1) Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006
(2) Publicado no Jornal Correio Braziliense de 12 de maio, 2006
    (3) Revista Veja, edição 1800, de 30 de abril de 2003, página 63 e edição de 28 de abril de 2004
    (4) Publicado na Revista Veja, edição de 28 de abril de 2004
    (5) Hessen, Jorge. Tese Reencarnacionista, artigo publicado em Reformador /FEB / janeiro 2005
    (6) Dellane, Gabriel. Reencarnação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1987, cap. VII
    (7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219

09 janeiro 2010

DEFINIÇÃO DE GÊNERO, GENÉTICA E ESPIRITISMO



Durante toda a vida física, o corpo humano é palco de duríssima batalha interna. Os brigões são os genes do sexo masculino e feminino, que disputam a supremacia territorial. Essa afirmativa surgiu em face da conclusão de uma pesquisa conduzida pelo Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha. Isto porque, antes, acreditava-se que, uma vez determinado nosso sexo, ainda no embrião, este predominava absoluto. Todavia, os cientistas do Laboratório de Heidelberg conseguiram provar que a definição do gênero faz parte de um processo muito complexo. Eles transformaram ratinhos fêmeas em machos, por meio de uma alteração genética. Graças a uma técnica especial, os pesquisadores conseguiram desativar o gene Foxl2, presente nas células do ovário. Em dois dias, as células que guardam os óvulos em maturação e produzem hormônios femininos, adquiriram as características das células masculinas presentes nos testículos. A descoberta aponta para a direção de que a definição, entre macho e fêmea, é bem mais complexa do que a simples presença de um gene. 
A sexagem artificial não é contrária às Leis de Deus, embora, no Brasil, a legislação não permita essa técnica, exceto para prevenir doenças genéticas relacionadas ao sexo. No Século XIX, Kardec perguntou aos Espíritos se era contrário à lei da Natureza o aperfeiçoamento das raças animais e vegetais pela Ciência, e obteve a seguinte resposta: “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir seus fins. Sendo a perfeição a meta para que tende a Natureza, favorecer essa perfeição é corresponder às vistas de Deus.” (1) Portanto, é permitido ao homem intervir na Natureza. Contudo, sem esquecer que, por possuir livre-arbítrio para agir de acordo com seu pensamento e suas convicções, tem responsabilidade por todas suas ações. Destarte, o agir humano, seja em que campo for, especialmente na intervenção sobre a vida, deve estar norteado pelos valores morais superiores e intenções elevadas.
O alcance da engenharia genética é visto com naturalidade pelo Espiritismo. Entendemos, também, que não cabe, a nós, estabelecer qualquer juízo extremo, seja contra ou a favor desta ou daquela tecnologia no campo da genética, mas, tão somente, fornecer, no comentário, algumas reflexões doutrinárias, para que cada leitor forme a própria convicção, respeitando o livre arbítrio com que todos são dotados. 
Os espíritas sabem que “a genética não está submetida a leis puramente físicas, pois, encontram-se presididas por numerosos agentes psíquicos que a ciência humana está longe de formular, dentro dos acanhados postulados academicistas. Os genes (agentes psíquicos), muitas vezes, são movimentados pelos mensageiros do plano espiritual; encarregados dessa ou daquela tarefa junto às correntes da profunda fonte da vida. Eis por que, aos geneticistas, comumente, deparam-se incógnitas inesperadas, que deslocam o centro de suas anteriores ilações.”  (2)
Os Benfeitores elucidam que a “natureza do orbe vem melhorando o homem, continuadamente, nos seus processos de seleção natural. Nesse sentido, a genética só poderá agir, copiando a própria natureza material. Se essa ciência, contudo, investigar os fatores espirituais, aderindo aos elevados princípios que objetivaram a iluminação das almas humanas, então poderá criar um vasto serviço de melhoramento e regeneração do homem espiritual no mundo, mesmo porque, de outro modo, poderá ser uma notável mentora da eugenia, uma grande escultora das formas celulares, mas estará sempre fria para o espírito humano, podendo transformar-se em títere abominável nas mãos impiedosas dos políticos racistas.” (3)
Será que as combinações de “genes”, conseguidas pela genética, podem imprimir, no ser humano, certas faculdades ou certas tendências? A tese emmanuelina diz que “alguns cientistas da atualidade proclamam essas possibilidades, esquecendo, porém, que a vocação ou faculdade é atributo da individualização espiritual, inacessível aos seus processos de observação. Os geneticistas podem realizar numerosas demonstrações nas células materiais; todavia, essas experiências não passarão dessa zona superficial, em se tratando das conquistas, das provações ou da posição evolutiva dos Espíritos encarnados.” (4)
É urgente uma ética para a genética, estabelecendo limites e cerceando o desenvolvimento de sonhos trágicos que tornam o ser humano cobaia para experimentos inescrupulosos. Quando a Ciência, através dos nobres investigadores, assenhorear-se da realidade do Espírito, compreenderá a necessidade de ser estabelecido um código de respeito à vida, destarte, necessita de uma bioética fundamentada na reverência e na dignidade da criatura humana.
O homem nada cria, apenas descobre formas de manipular o que está na natureza e transforma os elementos disponíveis. Desse modo, o cientista pode aproximar, artificialmente, dois gametas humanos, colocando, juntos, óvulos e espermatozóides em uma placa de cultivo. Pode, até, conseguir que se efetive a fusão inicial de gametas, mas, sem a presença do Espírito. Isso não passará de um amontoado de células amorfas, incapaz de desenvolver-se até a formação de um ser humano. 
A escolha do sexo do futuro filho é, hoje, uma possibilidade da Genética, ofertada aos pais. “Cumpre-lhes, não obstante, respeitar, obviamente, os desígnios divinos, considerando que, desde o primeiro homem na face da Terra, tal decisão é divina.” (5) Deus pode delegar, ao homem, esse poder, “desde que se processe em clima de profunda reflexão e prece, para que a intuição flua do Plano Maior.” (6)
Não se pode esquecer que, desde antes da fecundação, o espírito reencarnante, ligado ao óvulo, expressa a sua polaridade sexual por uma vibração típica. Em função dessa característica, de suas energias, passará a atrair e conduzir, com equilíbrio e precisão, o espermatozóide mais credenciado à formação do sexo do futuro ser, quer seja masculino (espermatozóide Y) quer feminino (espermatozóide X). Isso, porque a sede real do sexo não se acha no veículo físico, mas, sim, no ente espiritual. O sexo é, portanto, mental em seus impulsos e manifestações, transcendendo quaisquer impositivos da forma em que se manifeste e "reside na mente, a expressar-se no corpo espiritual e, conseqüentemente, no corpo físico.” (7)
Sabemos que é um tema instigante, mas lembremos que, se a própria reencarnação, através da fecundação assistida, obedece aos planos do Mais Alto, como duvidar de que os demais progressos da engenharia genética, também, estão chegando ao planeta Terra sob supervisão do Bem?

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net
jorgehessen@gamil.com



Fontes:

(1) Kardec, Allan, O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB 1999, perg. 692.

(2) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB 1999, perg. 35
(3) idem perg 36
(4) idem perg 37
 (5) Disponível no portal http://www.espiritismoegenetica.espiridigi.net
(6) idem
(7) Xavier, Francisco Cândido. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB 1998,



PRÁTICAS EXÓTICAS (republicação)




Sabemos que a Doutrina Espírita é pura e incorruptível. Porém, o movimento espírita, ou seja, a organização dos homens para praticá-la e divulgá-la é suscetível dos mesmos graves prejuízos que dificultaram a ação do cristianismo tradicional, hoje bastante fracionado. Observamos com tristeza muitas diretorias das casas espíritas que se mantêm sob uma incômoda e rígida hierarquia (aquela do aqui mando e quero ser obedecido!). São dirigentes contaminados pela prepotência no exercício do cargo e totalmente vazios de consciência sobre os seus encargos. Destarte, permanecem bastante longe da prática evangélica, inventando um “Espiritismo” estranho ao projeto da Terceira Revelação.
Como não se pode imaginar o espírita com duas condutas divergentes, a conduta do homem e a conduta do espírita, também não se pode imaginar o movimento espírita, ora acontecendo segundo os preceitos espíritas, ora segundo outros preceitos duvidosos, aceitos equivocadamente no seu contexto em nome da tolerância piegas.
Kardec é único. Espiritismo também, por conseguinte. O mestre lionês sempre preconizou a unidade doutrinária. Não há o menor espaço para compor com outras idéias que não sejam, ou convergentes e em uníssono com as suas, ou reflexos resplandecente destas. Unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza inexpugnável do Espiritismo. Por isso, necessita ser o nosso lema, o nosso norte, a nossa bandeira.
Muitas vezes os Centros Espíritas transformam-se em ilhas de isolamento, por falta de estudo sério, aprofundado e metodizado da Doutrina, donde surgem inúmeras interpretações equivocadas sobre os seus postulados, em prejuízo da verdade doutrinária. Se abraçamos o Espiritismo, por rota de crescimento espiritual, não podemos negar-lhe fidelidade. Porém, é a lamentável falta de fidelidade aos conceitos e princípios do Espiritismo, que são difundidos de forma truculenta por dirigentes ignorantes, que têm isolado as casas espíritas, tornando-as ilhadas e desérticas de consolação!...
O compromisso do Centro Espírita e dos dirigentes é com a Doutrina Espírita. A adoção de teorias e práticas exóticas, ou não afinadas com a simplicidade e pureza dos trabalhos espíritas, comprometem o objetivo da Casa Espírita e desorientam seus freqüentadores e assistidos. Quando citamos a palavra pureza, os “vanguardistas de plantão” arregalam os olhos o coçam as orelhas, exclamando: AH! Lá vem esse purista!! Cabe salientar, porém, que André Luiz, em “Conduta Espírita”, não deixa margem para dúvidas sobre isso, senão vejamos: "A PUREZA DA PRÁTICA DA DOUTRINA ESPÍRITA DEVE SER PRESERVADA A TODO CUSTO".(1)
Infelizmente, o despreparo e os atavismos de muitos indivíduos, que colaboram de boa vontade nas fileiras espíritas, fazem com que certas práticas, pouco condizentes com a pureza doutrinária, se implantem em diversas instituições e acabem mesmo divulgadas em palestras, livros e periódicos ditos espíritas. Quem compreende essa situação deve trabalhar para modificá-la. A via mais segura, para isso, é a do esclarecimento, do estudo, do convencimento pela razão e pelo amor, jamais pelos anátemas, óbvio!...
Para os mais apressados, a pureza doutrinária é a defesa intransigente dos postulados espíritas, sem maior observância das normas evangélicas; para os não menos afoitos, é a rígida igualdade de tipos de comportamento, sem a devida consideração aos níveis diferenciados de evolução em que estagiam as pessoas. Sabemos que o excesso de rigor na defesa doutrinária pode levar a graves erros, se enredarmos pelas trilhas do fundamentalismo injustificável, posto que redundará em divisão inaceitável em face dos impositivos da fraternidade. Se tivermos que nos equivocar, que seja com atitudes e jamais por omissão. Nesse tópico, veio-me à mente (como estranha moral!), porém, sublime advertência cristã: “NÃO PENSEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER PAZ, MAS ESPADA.”
Os espíritas não são proibidos de coisa alguma, mas sabendo que devem arcar com a responsabilidade de todos os atos, conscientes do desequilíbrio que possam praticar. Que terão que reconstruir o que destruírem e responderão pelo mal praticado e harmonizarão o que desarmonizarem, etc. Não podemos fingir que tudo está em ordem e harmônico às mil maravilhas ou que somos sublimes cristãos. Em verdade, existem inúmeras práticas não compatíveis com o projeto doutrinário que, por isso, urge sejam combatidas à exaustão, porque nas pequenas concessões é que vamos desestruturando o edifício kardeciano e descaracterizando o projeto da Terceira Revelação. Por isso, é óbvio que estejamos atentos contra ideologias estranhas aos objetivos espíritas, em nome da mais legítima fraternidade, até porque: QUEM AVISA AMIGO É!!!
O Espiritismo não aceita “donos da verdade”, até porque a espiritualidade e Kardec ensinam que a Revelação Espírita é progressiva, não estando completa em parte alguma e nem precisamos fazer um esforço descomunal para nos cientificarmos de que são raros os centros espíritas que podem se dar ao luxo de praticar a mediunidade na sua mais pura acepção. Muito melhor, e mais prudente, seria que os núcleos e grupos espíritas despreparados intensificassem as reuniões de leitura, meditação e comentários racionais para as conclusões seguras, fugindo de um inoportuno e prematuro intercâmbio com as forças do além. Até porque, prática mediúnica sem uma robusta base cultural e moral será, inevitavelmente, uma incursão permanente no mundo das sombras.
Por isso, insistimos - e temos publicado no “meu site” - o tema sobre centros espíritas que propõem aplicações de luzes coloridas (cromoterapias) para higienizar auras humanas e curar (acreditem!!!): azia, cálculo renal, coceiras, dores de dente, gripes, soluços em crianças, verminose, frieiras. Se não bastasse, recomenda-se até carvãoterapia (?!) para neutralizar "maus-olhados". Nesse sentido, segundo crêem, é só colocar um pedaço de tora de carvão debaixo da cama e estaremos imunes do grande flagelo da humanidade - o "olho comprido". Não satisfeitos, ainda têm aqueles que “engarrafam” literalmente os obsessores.
Difunde-se, por aqui, (DF), a coqueluche da moda: uma tal de desobsessão por corrente mentoeletromagnética (sic), com as mais extravagantes proposições. Há as inusitadas piramideterapias, gatoterapia(???) (conheço pessoa que possui cinco gatos em casa para “atrair” as energias negativas), cristalterapias, apometrias e mais uma dezena de terapias bizarras, isso sem esquecermos que, na mística Brasília, aplicam-se, até, passes magnéticos nas paredes dos centros para “descontaminá-las”. Há casa espírita, por aqui, que evoca “ET” para um contato imediato(!?)
Conhecemos outras práticas estranhíssimas ao projeto espírita, a saber: dirigentes promovendo casamentos, crismas, batizados, velórios (tudo no salão de palestras), além das sempre “justificadas” rifas e tômbolas nos centros, festival da caridade, tribuna para a propaganda político-partidária, preces cantadas. Isso, para não aprofundar nos inoportunos trabalhos de passes com bocejos, toques, ofegações, choques anímicos (?), estalação dos dedos, palmas, diagnósticos pela “vidência": sobre doenças e obsessões, etc... Dias atrás, entrei numa certa Federação Espírita (fora de Brasília) e observei vários cartazes, convidando para cursos e palestras sobre a “kundaline”, a força da "mandala", etc... Ufa!!!
Para entendermos a mediunidade, em seus conceitos básicos, temos que separar o fenômeno, em si mesmo, da Doutrina Espírita e definirmos o aspecto fenomênico, apenas por matéria de observação e Espiritismo como a luz que esclarece os fatos. Em todos os cantos da Terra existem manifestações medianímicas, pois elas não ocorrem somente nos núcleos espíritas. Por isso, na sua real interpretação, podemos assegurar que, no atual estágio do projeto espírita, os fenômenos não são prioritários, mas secundários. A questão fenomênica não mais constitui ponto de partida para o atual objetivo do Espiritismo na Terra.
Destarte, para evitarmos determinadas práticas perfeitamente dispensáveis em nome da pureza doutrinária, entendamos que prática de fidelidade aos preceitos kardecianos é processo de aprendizagem, com responsabilidade nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer laivos de fanatismo, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas. Porém, não olvidemos que espírita-cristão deve ser o nosso caráter, ainda mesmo que nos sintamos em reajuste, depois da queda. Espírita-cristã deve ser a nossa conduta, ainda mesmo que estejamos em duras experiências. Espírita-cristão deve ser o nome do nosso nome, ainda mesmo que respiremos em aflitivos combates íntimos. Espírita-cristão deve ser o claro objetivo de nossa instituição, ainda mesmo que, por isso, nos faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net