21 abril 2010

MOMENTOS HISTÓRICOS DA PESQUISA CIENTÍFICA ANTE A PERSPECTIVA ESPÍRITA

A tecnologia está tão presente na vida cotidiana que não imaginamos o mundo sem a sua contribuição. Seja na informática (computadores), na telecomunicação (aparelhos celulares), na genética (pesquisas com células tronco), na biotecnologia (transgênicos), nas conquistas espaciais. A Ciência, propriamente dita, é uma conquista recente; não ultrapassa a três séculos, embora seus primeiros ensaios tenham começado na Grécia dos áureos séculos VI, V, IV a.C. Temo-la  representada por Arquimedes, em cujas  pesquisas deram base para a mecânica, por Pitágoras de Samos, por Tales de Mileto, por Euclides de Alexandria, no desenvolvimento da matemática e da estruturação numérica.

Encontramos na Escola Jônica pesquisadores como Leucipo, Demócrito e Empédocles que explicaram os fenômenos naturais calcados na redução da matéria aos elementos físico-atômicos, expressando o mais avançado materialismo(1). Destacamos o filósofo Sócrates que superou em inteligência o seu professor Anaxágora , legando para a humanidade discípulos da envergadura intelectual de Antístenes, Xenofonte e Platão. No contexto, Aristóteles forçou explicar os fenômenos astronômicos sob o viés do geocentrismo cosmológico de Eudoxo (ex-aluno de Platão), em contraponto a Aristarco que caminhou pela instigante tese do heliocentrismo.

Um milênio após essas apoteóticas realizações gregas, ocorreu, na Europa, a desagregação do Império romano, no século V, e a liderança cristã surgiu como elo de agregação dos “bárbaros invasores” e se transformou em Igreja soberana absoluta dos destinos “espirituais” no Ocidente. Nas suas hostes se destacaram pensadores quais Clemente, Orígenes, Tertuliano, Agostinho, ambos retomaram a filosofia platônica e contribuíram para a sustentação de uma ética rígida sob os auspícios da mística transcendente.

No século IX, o imperador Carlos Magno incrementou as bases culturais fundando escolas e templos, e, a partir do século XI, são disseminadas, na Europa, universidades que se tornaram núcleos de reflexões filosóficas.  No século XIII, Tomás de Aquino se destacou, propondo a síntese do cristianismo vigente com a visão aristotélica do mundo. Em suas duas Summae(2), sistematizou o conhecimento teológico e filosófico de então. No século XIV, a Igreja romana, sob os guantes tomasistas, entronizou uma teologia (fundada na revelação) e uma filosofia (baseada no exercício da razão humana) que se fundiram numa síntese definitiva: fé e razão, unidas em sua orientação comum rumo ao Criador. A tese de Aquino afirmava que não podia haver contradição entre fé e razão e estabeleceu o pensamento filosófico-teológico manifesto na truculenta filosofia do “Roma locuta causa finita”.
Durante os séculos XV e XVI, intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença. Enquanto nos séculos anteriores a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), a partir dos séculos XV e XVI, o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo). Os pensadores criticaram e questionaram a autoridade dessa autoritária Igreja romana. Nessa conjuntura a apropriação do conhecimento partia da realidade observada pela experimentação, pela constatação, e, por fim, pela teoria, decorrendo uma ligação entre ciência e técnica. No século XVII, a primeira grande teoria que se tem notícia na moderna ciência versou sobre a gravitação universal elaborada por Newton, desmembrada das leis dos movimentos planetários de Kepler e na Lei de Galileu sobre a queda dos corpos.
No século XIX Marx Plank propôs a teoria do Quantum. No século XX, Albert Einstein resignificou a teoria da relatividade (3) e outros pressupostos das teses newtonianas sobre a gravitação universal, chegando a conclusões inusitadas na abordagem sobre as realidades do micro ou do macrocosmo, sobretudo no que reporta a tempo e espaço na dimensão material. Até então, a física tradicional era considerada a chave das respostas da vida no mundo palpável, estribada no determinismo mecanicista. Todavia, na década de  1920, as pesquisas de Brooglie, no universo da física quântica, redirecionaram o pensamento científico na formulação heisenberguiana do “princípio da indeterminação ou da incerteza” e com ele irrompeu-se um “irracionalismo” na ciência redimensionando a distância do homem das realidades naturais da vida.
O pesquisador não podia mais afirmar que nada existia na vida que a ciência não explicasse e que todas as coisas, fenômenos e ocorrências poderiam ser esclarecidos através de causas materiais. Em meio a essas trajetórias históricas,  surge, no cenário terrestre, no século XIX, a personalidade  luminosa  de Allan Kardec, que, inspirado pelos Benfeitores do Além, sentenciou: “Fé verdadeira é a que enfrenta frente a frente a razão em qualquer época da humanidade”, esclarecendo os enigmas que desafiavam as inteligências daqueles mesmos que confiavam nos determinismos tecnicista do nec plus ultra acadêmico.
Quem somos? Por que nascemos? Donde viemos e para onde vamos após a desencarnação? Eram questões que o racionalismo acadêmico não respondia na época. O Espiritismo surgiu num momento de descobertas científicas e desequilíbrios morais, trouxe luz à própria razão que estava nublada momentaneamente pelos excessos dos seus arautos.  Os primórdios da investigação científica tiveram início com a revolta contra a intolerância e o dogmatismo religioso, mas a arrogância do racionalismo fê-la camisa de força do conhecimento, arremessando-a nos mesmos descaminhos trilhados pelo agressivo e alienante dogma da Igreja.
O mestre de Lyon afirmou em outras palavras que “o Espiritismo independe de qualquer crença científica ou religiosa e não propõe fora do Espiritismo não há salvação; tanto quanto não pretende explicar toda verdade, razão pela qual não propôs - fora da verdade não há salvação”(4). Os preceitos kardecianos consubstanciam-se no manancial mais expressivo das verdades eternas. A missão da Doutrina Espírita perpassa pelo processo de reerguimento do edifício desmoronado da crença cristã.
Distante dos conflitos ideológicos, resultantes de batalhas estéreis no campo intelectual com o objetivo de endeusar o racionalismo para justificar “certezas” das chamadas ciências “exatas”, a lição espírita, como ciência da alma, representa o asilo dos aflitos que ouvem aquela misericordiosa exortação do Mestre: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”. Porém, para que sejamos consolados, urge estarmos dispostos acompanhar o Cristo tomando-Lhe a cruz e seguindo Seus passos.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Fonte:
(1)    O materialismo teve seu berço  na escola dos Charvacas, na Índia.
(2) São elas a Summa Theologiae e a Summa Contra Gentiles
(3) Segundo alguns estudiosos ,citando livros como o Sears e autores como Mc Kelvey, Howard e outros
, a teoria da relatividade (hoje conhecida como clássica) é de Galileo Galilei e data do séc. XVIII, Einstein propôs em 1905, o generalização da Teoria da relatividade para o espaço sideral, já que os estudos de Galileu se resumiam ao espaço dito newtoniana, daí, ser conhecida como "Teoria da Relatividade Generalizada". Dez anos depois, é que ele, estudando  certos fenômenos, escreveu um novo tratado ao qual deu o nome de "Teoria da Relatividade Restrita".
(4) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000,  cap 15 item 9

11 abril 2010

CRISTIANISMO SEM O CRISTO E O ESPIRITISMO

Atualmente, muitos religiosos se enfrentam ferozmente. São os judeus e palestinos que se matam; são os seguidores de Buda e hinduistas quem se mantêm em luta milenar; são pseudocristãos que se aniquilam em guerras absurdas, como se a Bíblia, o Evangelho, o Bhagavad Gita e o Alcorão fossem manuais de violência e, não, roteiro de iluminação espiritual.
A defecção moral, da atual liderança religiosa, demonstra que a moralidade pregada reverbera como “melosa e hipócrita”, como disse Nietzsche. Sem líderes religiosos honestos, as propostas religiosas afastam pessoas, que sabem pensar, do sentimento de religiosidade superior e dão margem a que surjam críticos vigilantes, que desnudam seus erros, esmaecendo a esperança de almas primárias para a legítima fé.
Historicamente, sabemos que Sigmund Freud colocou, na berlinda, antigos e violentos conceitos CRISTÃOS e “afirmou ser o Cristianismo um movimento inútil, um infantilismo das massas.” (1) O pai da psicanálise fez, das crenças, meros paliativos para neuroses individuais. O materialista Karl Marx, ao conhecer os “cristãos” (não o Cristo!), em sua profunda indignação, afirmou que o Cristianismo era o “ópio do povo” (2), ou seja, uma emanação do sistema de exploração da massa (capitalismo).
Embora a Igreja Romana e as seitas protestantes reivindiquem a herança do Cristianismo dos primeiros cristãos, que seguiam mais de perto os ensinamentos do Cristo, esse Cristianismo puro já não existe há muitos séculos. O Cristianismo, que talvez exista em nossa sociedade, é, apenas, residual.
O legítimo Cristianismo não chegou ao Século IV, exatamente, como em seus primeiros tempos, todavia, foi nesse período, sobretudo no Concílio de Nicéia, que recebeu um golpe de misericórdia. A partir de então, o decadente Império de Roma passou a reconhecer a Igreja oriunda desse Concílio, que, logo, tornou-se a religião oficial dos romanos, por decisão do Imperador Constantino e obrigatória, tanto para um terço dos cristãos, quanto para dois terços dos não-cristãos (bárbaros) do Império.
O Cristianismo entrou em um mundo no qual nenhuma religião, até então, havia penetrado com tanta força. Nesses dois mil anos de dominação cristã, no Ocidente, vimos “uma fé caolha”, aliás, uma fé ser diluída, corrompida, deformada, e metamorfoseada em outra coisa, senão, negar a essência original, o Cristo.
Foram dois mil anos de busca desenfreada do poder, de privilégios, de controle de reis e de príncipes, de usos e abusos da máquina pública em seu próprio favor, sempre, aliando-se ao que haveria de vencer. A História registra que muitos colocaram as máscaras de cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes e pastores, a fim de se esconderem, enquanto faziam atrocidades inimagináveis contra o próximo. O Cristianismo, sem Cristo, exerceu controle sobre a massa, cobrando impostos através dos dízimos; controle sobre os homens, promovendo o medo pelas punições eternas e temporais; controle sobre a devoção, manipulando esses sentimentos, transformando-os em um suposto temor a Deus.
Atualmente, estamos assistindo ao surgimento de u’a máquina pseudorreligiosa. Máquina, como nunca fora criada antes. Máquina de comunicação, de manipulação do “sagrado”, de venda de favores divinos (“milagres”), de hipnotização das pessoas ao poder e máquina que transforma a população, sem instrução, em um “rebanho de alienados”. Apropriou-se, indevidamente, do nome de Jesus para ludibriar os fiéis, mantendo Maquiavel como mentor dos seus preceitos ambiciosos. Nessa atrofia religiosa, eis que surge a Doutrina Espírita, propondo a reconstrução do edifício desmoronado da fé, exaltando a verdadeira moral do Cristo que, durante séculos, permaneceu perdida, precisando, mais que nunca, ser preservada. Com o Espiritismo, Jesus ressuscita das cinzas desse “igrejismo” decadente e é entronizado como meigo condutor dos sentimentos, cujas valiosas lições de amor brilham como archote transcendente de verdades perenes.
O espírita, para colaborar na definitiva transformação moral do planeta, precisa pautar-se pelo desapego, pela humildade, pela simplicidade, lembrando, aos comprometidos com a tarefa de “unificação”, que não será com construções de Centrões Espíritas luxuosos; com disputas de cargos para militância político-partidária; com brigas por cargos de destaque na Casa Espírita; com o vedetismo nas tribunas; com as questiúnculas dos simpósios e congressos “grandiosos”, atualmente, vilmente, industrializados; ou, furtando-se ao estudo de Kardec e ao serviço da caridade, que iremos mudar a opinião de agentes formadores de opinião, seguidores de Freud, Marx, Nietzsche e outros.
Todos nós necessitamos palmilhar pela fé racional, a fim de compreendermos melhor o Espiritismo, todavia, reconhecemos, também, que não é a destruição inapelável dos símbolos religiosos aquilo de que mais necessitamos para fomentar a harmonia e a segurança entre as criaturas, mas, sim, a nova interpretação deles, até porque, “sem a religião, orientando a inteligência, cairíamos, todos, nas trevas da irresponsabilidade, com o esforço de milênios, volvendo, talvez, à estaca zero, do ponto de vista da organização material da vida do Planeta.” (3)


Jorge Hessen
www.jorgehessen.net


Fontes:
(1)    Freud Sigmund. O Futuro de uma Ilusão, Rio de Janeiro: Editora Imago, 1997  
(2)    Marx Karl. O Capital, São Paulo: Ed. Centauro, 1997
(3)    Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier, em Uberaba/MG, na tarde de 18/08/71, para a reportagem da revista O Cruzeiro, do Rio de Janeiro, publicada na edição de 1/09/71.

09 abril 2010

ESPETACULARIZAÇÃO DA FÉ



A questão do custo de inscrição em eventos espíritas, bem assim a de captação de recursos financeiros, em geral, para esses mesmos eventos, retorna à ordem do dia, pois está sendo motivo de sérias discussões, atualmente, no nosso meio.

No meu entendimento, essa questão apresenta dois aspectos mais relevantes, dentre outros.

Um primeiro aspecto, que, a igual tempo, constitui um tema de fundo, diz respeito à própria natureza religiosa de Igrejas, movimentos e correntes que, em comparação com a prática da Doutrina Espírita, na experiência brasileira atual, leva a reflexões comparativas dessa prática com a daquelas Igrejas, no campo da comunicação mercadológica, midiática e massiva, com cultos em grandes espaços abertos ou fechados, inclusive com a presença de artistas e músicos, pastores-âncoras, exibições com depoimentos de pessoas, supostamente beneficiadas com curas, conquistas materiais de toda sorte, a corrida ao ouro das contribuições ensacadas. É tudo a espetacularização da fé. É, nem tanto assim, a demonização do demônio. É a vitória na vida à custa da cegueira da crença e de um, progressivamente, elevado custo do prêmio do “seguro” da realização dos anelos materiais em calorosas e fortes manifestações de esperança-espiral-espiritual.

As mais fortes e consolidadas dessas Igrejas e movimentos usam e abusam da televisão própria ou de tempo de televisão alheia, locado com o dinheiro de crentes, irmãos e fiéis.

Nada disso faz parte do “show” dos espíritas e do Espiritismo. Ao contrário, estes primam pela discrição, pela reflexão silenciosa. Os “améns”, as “aleluias” e os “vivas” não reverberam nos Centros Espíritas, verdadeiros templos de estudos, orações, forças do pensamento, do sentimento, do sensorial, do cativo-sensitivo-humanista. Quer dizer, o Espiritismo é a pregação de pequenos cultos do homem pelo homem, enquanto homem feito carne, mas, conscientemente, pronto a se fazer Espírito.

A espetacularização disso é o antiespiritismo. Seria um Espiritismo, caminhando para viver de “shows” de comunicação em grandes auditórios. Cobra-se uma “contribuição compulsória” dos participantes; em tudo ele passaria a concorrer com as Igrejas do mercado, que sugam a fé, a esperança, pior, a necessidade de quem, por esta própria natureza, necessita mais do que não necessita. E quem seriam os “pastores” da comunicação? Os palestrantes, os conferencistas, doutrinadores nacionais e estrangeiros? Ora, que venham estes, se quiserem, trazer sua contribuição “superior” ao desenvolvimento do permanente processo de “superiorização” daqueles que se entregam às missões individuais e sociais espíritas.

Chegam a ser grosseiras algumas manifestações daqueles que propõem o caminho da tendência da espetacularização do Espiritismo. É a tendência para o “ter”, superando a inclinação para o “ser”.

Um segundo aspecto, que é um contraponto do primeiro, é a humildade, o despojamento, o desprendimento, a descida ao nível dos participantes, a interlocução, o diálogo, tudo isso é o Espiritismo, praticado e ensinado, principalmente, pelos cultores e divulgadores da Doutrina Espírita, à voz surda dos livros, ou à voz baixa das pregações.

Aliás, o verdadeiro espírita tende a ser um pobre rico. Os espíritas vaidosos, orgulhosos, que adotam o lema do “custe o que custar”, tendem a ser ricos pobres. Nenhum espírita convicto, nenhum médium verdadeiro, nenhum teórico da doutrina pode ou, ao menos, deve discrepar dessa realidade na qual seu perfil de espiritista e espiritualista está traçado.

Se preferirem uma posição mais encorpada de adeptos espíritas, não completamente desafetos de poucas e específicas alternativas de custeio a eventos espíritas, creio que a posição adotada pela Federação Espírita do Paraná seja, plenamente, aceitável.

Nada além disso, sob pena de desconstruirmos, aos poucos, o Espiritismo no Brasil. Nossos crentes podem vir a se transformar em descrentes.

Estejamos, pois, de prontidão para agir contra idéias que denigram a pureza doutrinária espírita, pois atrás de nós vêm nossos herdeiros, a enfrentar um mundo em momentos de grande e maior inquietação moral, e, para esse enfrentamento, deverão estar bem apoiados na fé raciocinada, ou seja, na Doutrina Espírita, única com texto religioso, filosófico e científico capaz de elevar as consciências em desajuste a planos superiores.

Vania Borges Camargo
vaniabc@brturbo.com.br




08 abril 2010

JOSE PASSINI COMENTA SOBRE INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS”

CARO JORGE HESSEN

Concordo plenamente com o que você diz.
O Espiritismo chegou até aqui, íntegro, sem nada disso que se faz atualmente. Sinto não ter a minha assinatura nesse oportuno e excelente trabalho sobre INDUSTRIALIZAÇÃO DE EVENTOS ESPÍRITAS "GRANDIOSOS”
É um alertamento que ficará na história.
Avante, prossigamos!

Abraço,

José Passini
LEIA O ARTIGO REFERIDO POR PASSINI NA ÍNTEGRA. ACESSE OS LINKS  ABAIXO
 item 14/2010 do site www.jorgehessen.net
e blog 
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2010/03/industrializacao-de-eventos-espiritas.html