11 setembro 2010

ALGUMAS REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE OS SONHOS


Desde que o homem existe os sonhos são cercados de mistérios. Para os povos antigos, eles carregavam algo de “sobrenatural”. Eram vistos como um meio de alguém receber orientações e mensagens do além, tanto das divindades quanto dos desencarnados. Atualmente, cada povo, cultura e tradição lida com o sonho de um modo particular, há os que não dão a mínima atenção para o assunto. E há aqueles que se dedicam a interpretá-los, numa tentativa de se tornar indivíduos melhores e de viver com mais equilíbrio.
Todavia, por que sonhamos? A resposta  continua emblemática. Talvez, entre as muitas variáveis, está a regulação de emoções e fatores aos quais damos importância, minimizando os sentimentos tensos. Nossos processos de pensamento trabalham 24 horas por dia e a atividade da mente não é interrompida quando dormimos (o sonho toma entre 20% e 25% do sono). No transcorrer do sono, são selecionadas  quais informações guardaremos na memória de longo prazo e o que será descartado. "Aparentemente, os critérios de seleção estão baseados em valores emocionais para a autopercepção, nossa idéia de quem somos e quem desejamos nos tornar"(1)
Será que no sono, a alma repousa como o corpo? “Não!”, ensinam os Espíritos, “pois a alma jamais está inativa.”(2) Quando adormecemos, o corpo descansa e os nossos sentidos vão enfraquecendo progressivamente à medida em que penetramos em estados de sono mais profundos. Aproveitamos o relaxamento progressivo dos órgãos físicos e vamos nos libertando gradualmente das amarras que o corpo físico nos cria. “Durante o sono, afrouxam-se os laços que nos prendem ao corpo e nos lançamos pelo espaço, entrando em relação mais direta com os outros Espíritos.”(3) “Pelos sonhos, quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro.”(4)
Médicos neurologistas defendem que as imagens que povoam a mente das pessoas no instante do sono são, muitas vezes, resultado de percepções e de memórias antigas que vêm à tona e se encaixam. Isso explicaria os sonhos que parecem trazer soluções para a vida real, como a história do físico alemão Albert Einstein, que concluiu a Teoria da Relatividade depois de um cochilo. Paul McCartney certa vez acordou com uma música maravilhosa na cabeça. Foi até o piano e começou a achar as notas. Tudo seguiu uma ordem lógica. Gostou muito da melodia e como havia sonhado com ela, não podia acreditar que tinha escrito aquilo. “Foi a coisa mais mágica do mundo”, disse o cantor. É dessa maneira que McCartney explicou a criação de "Yesterday", 45 anos atrás.
Não foi  apenas o vocalista dos Beatles que se beneficiou com os sonhos. A tabela periódica, segundo relato de seu inventor, o químico russo Dmitri Mendeleev, surgiu durante um sonho. Passagens de sonhos são recorrentes nas Escrituras. O Texto Bíblico  reúne mais de 700 citações de sonhos e visões. Grande parte do conteúdo do Corão, livro do Islã, foi revelada a Maomé em sonho. 
Como a psicologia, a neurociência e as religiões analisam as mensagens que vêm à tona durante o sono? Por que interpretá-las corretamente é fundamental para melhorar a vida de alguém? Para alguns analistas, interpretar corretamente o próprio sonho ajuda a perceber com o que estamos insatisfeitos ,para fazer pequenos ajustes ou iniciar grandes transformações pessoais. É fato que os sonhos sempre intrigaram e foram objeto de estudo, mas agora eles estão sendo levados mais a sério por neurologistas, psicanalistas e biólogos. Enquanto a biologia procura explicar quais são as estruturas cerebrais envolvidas, a psicanálise se põe a investigar seu conteúdo. Da união dessas duas disciplinas nasceu a neuropsicanálise, uma tentativa de entender os aspectos físicos e psíquicos do sonho.
Por outro lado, convenhamos que nesse campo, nenhuma doutrina oferece estudos e apresenta teorias consistentes, como o faz a Doutrina Espírita. O sono e os sonhos são estudados com profundidade por Kardec em O Livro dos Espíritos, 2a. parte, Capítulo VIII, onde o ex-sacerdote das antigas Gálias tece discussão a respeito do significado dos sonhos. Há também o livro A Gênese,capítulo XIV, em que o mestre lionês aborda bastante o assunto.
Pesquisas atestam que os sonhos podem evoluir naturalmente para o que alguns estudiosos chamam de “mastery dreams”, isto é,  a pessoa descobre uma forma de aliviar a dor ou o horror. Alguns terapeutas intervêm nos  comportamentos para reduzir os pesadelos, utilizando a mente consciente para controlar o ímpeto agressivo do inconsciente. No “sonho lúcido”, por exemplo,  “os pacientes são treinados para tornarem-se conscientes de que estão sonhando, enquanto sonham.”(5) Mas, será que uma pessoa que dorme pode ter consciência de que está sonhando? Sim, segundo o psiquiatra holandês Dr.Frederick Willem van Eeden, que teve a confirmação feita pelo Dr Stephan Laberge, na Universidade de Stanford(EUA). A mesma resposta era dada por Santo Agostinho e Tomás de Aquino sobre “sonhos lúcidos”.(6)
O que dizer dos pesadelos quando somos perseguidos, quando temos medo, e acordamos assustados? Em muitas situações, os espíritos menos felizes, aos quais estamos sintonizados por vários motivos, quando nos vêem sair do corpo nos perseguem fazendo-nos voltar, rapidamente, para nos “esconder” no nosso corpo físico. Acordamos cansados, coração aos pulos, pois, literalmente, corremos. “Os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas pusilânimes”conforme elucida o Espiritismo.
Leon Denis divide os sonhos em três categorias: "Primeiramente, o sonho ordinário, puramente cerebral, simples repercussão de nossas disposições físicas ou de nossas preocupações morais. A segunda categoria equivale ao primeiro grau de desprendimento do Espírito, quando este flutua na atmosfera sem se afastar muito do corpo; mergulha, por assim dizer, no oceano de pensamentos e imagens que rolam pelo espaço. Por último, vêm os sonhos profundos, ou sonhos etéreos.”(7)
Para os pesquisadores, aplicar na vida real o que acontece quando se está dormindo depende do entendimento sobre os próprios sonhos. Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo acreditar que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. “Essa linguagem não tem nada a ver com dicionários de simbologia, daqueles que associam sonhar que perdeu um dente com a morte de um conhecido e que uma cobra é sinônimo de traição. Esse entendimento é pessoal, baseado em um sistema de códigos individual, formado pelas experiências de vida de cada um. Aí cabe-nos analisar os medos, desejos, decepções, e tentar adaptá-los ao que sonhamos na noite passada.”(8)
Devemos registrar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-nos aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles. Segundo  André Luiz “precisamos aprender a extrair sempre os objetivos edificantes entrevisto em sonho.  Devemos fugir das interpretações supersticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades na existência em preocupação viciosa e fútil.” (9)
Kardec perguntou aos Espíritos se podem duas pessoas que se conhecem visitar-se durante o sono e os Benfeitores explicaram: “Que pode ocorrer o fato e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podemos ter, sem que  suspeitemos, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irmos encontrar-nos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conhecemos e que nos podem ser úteis, que quase todas as noites fazemos essas visitas.”(10) Mas, é de bom alvitre termos cautela com os sonhos com pessoas encarnadas pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara. Por isso, não podemos nos escravizar aos sonhos de que lembremos, embora possamos admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se origina de reflexos psicológicos ou de transformações relativas ao próprio campo orgânico.”(11)

Jorge Hessen
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/


Fontes:
(1)    Rosalind Cartwright, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Rush, em Chicago
(2)    Kardec, Allan. O  Livro dos Espíritos , Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 questão 401
(3)    Idem, questão 401
(4)    Idem, questão 402
(5)    Barry Krakow, médico do Centro Maimonides de Artes e Ciência do Sono, em Albuquerque, Novo México, autor de “Sound Sleep, Sound Mind”, ajudou a desenvolver uma terapia de ensaio de imagens.
(6)    Loureiro, Carlos Bernardo. Visão Espírita do Sono e dos Sonhos, São Paulo: Casa Editora O Clarim. Matão, 2000
(7)    Denis, Leon. No Invisível, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1985
(8)    Matéria publicada na Revista Galileu, em maio de 2009
(9)    Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000
(10)    Kardec, Allan. O  Livro dos Espíritos , Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000 questão 414
(11)    Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000

05 setembro 2010

O PODER DA ORAÇÃO SOB O ENFOQUE ESPÍRITA




Existem pesquisas sobre os efeitos da prece na saúde das pessoas. Uma delas foi realizada pelo Laboratório de Imunologia Celular da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, com a participação ativa de mais de cinqüenta e dois estudantes de medicina durante o período de 2000 a 2003. A pesquisa, segundo divulgação no final de outubro, nos principais jornais do País, apresentou resultados positivos que se materializam no aumento da estabilidade celular dos indivíduos que receberam a prece.De acordo com o estudo em foco um dos principais mecanismos de defesa do organismo - a fagocitose(1) - pode ter a função estabilizada com preces feitas à distância.
A prece atua sobre indivíduos sadios, influenciando o sistema imunológico, segundo estudo pioneiro realizado no ano de 1988, no Hospital Geral de São Francisco, na Califórnia. Nesse hospital foi possível comprovar que os pacientes que receberam preces apresentaram significativas melhoras, necessitando inclusive de menor quantidade de medicamentos.(2)
André Luiz, que foi médico em sua última reencarnação terrena, com absoluta convicção afirma “ – Ah ! se os médicos orassem”. A exclamação consta no capítulo intitulado “Em aprendizado”, que revela o apoio que os benfeitores espirituais dão aos médicos que se disponham a abrir os seus canais de sensibilidade. “Todos os médicos, ainda mesmo quando materialistas de mente impermeável à fé religiosa, contam com amigos espirituais que os auxiliam. Nossa colaboração [dos espíritos] não pode ultrapassar o campo receptivo daquele que se interessa pela cura alheia ou pelo próprio reajustamento. Entretanto, realizamos sempre em favor da saúde geral quanto nos é possível.” (3)
Os médicos americanos como os doutores William Reed(4) e Roger Youmanas, quabrando os paradigmas e axiomas acadêmicos, defendem a necessidade da oração na hora da cirurgia. Para Reed o poder da oração pode garantir o sucesso de um cirurgia, na atmosfera tensa de uma sala de operação. Quando uma enfermeira lhe  passa um instrumento, o médico diz que faz sempre uma prece. Pede a Deus que o guie, de acordo com os seus desígnios. Para o cirurgião, a oração cria o clima de calma, necessário para o trabalho. “Reed e Roger citam o caso de hemorragias subitamente controladas ou paradas cardíacas prontamente resolvidas. E o próprio Dr. Reed teve prova disso com seu filho de dois anos. A criança estava com pneumonia e de repente parecia que ia morrer. Salvou-o com respiração artificial, depois que pediu a Deus para que não tirasse a vida de seu filhinho.  O Dr. Roger Youmanas, cirurgião da Califórnia, confirma que sempre reza durante 30 segundos quando se vê diante de um caso difícil. Acredita que a prece em favor de um doente pode ajudar. E acredita que um cirurgião possa fazer uma operação melhor se tiver inspiração divina.”(5)
 
Para nós, espíritas, a oração se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece Allan Kardec, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.”(6)
Considerando-se a propriedade do fluido magnético para que nos influenciemos mutuamente, e reconhecendo-se a capacidade do fluido magnético para que as criaturas se influenciem reciprocamente, com muito mais amplitude e eficiência atuará ele sobre as entidades celulares do Estado Orgânico - particularmente as sanguíneas e as histiocitárias -, determinando-lhes o nível satisfatório, a migração ou a extrema mobilidade, a fabricação de anticorpos ou, ainda, a improvisação de outros recursos combativos e imunológicos, na defesa contra as invasões bacterianas e na redução ou extinção dos processos patogênicos. Muito se tem dito a respeito da prece, mas muito pouco ainda conhecemos do seu mecanismo de funcionamento. Muitas vezes surgem aqueles que contestam a eficácia da prece, alegando que, pelo fato de Deus conhecer as necessidades humanas, torna-se dispensável o ato de orar, pois sendo o Universo regido por leis sábias e eternas, as súplicas jamais poderão alterar os desígnios do Criador.
O mestre lionês dava tanta importância ao ato de pensar que um dia escreveu no livro A Gênese: “O pensamento produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral: é isso unicamente o que o Espiritismo poderia fazer compreender.É o pensamento que dá qualidade curativa aos fluidos, que existem em estado natural ao nosso redor.”(7) A mente é fonte de energia curativa ou de energia destruidora.
A prece é, sem dúvida, um dos meios pelos quais a cura de um mal pode ser alcançada. Destarte, cremos que a temática prece deveria se constituir em matéria de constante estudo nos centros espíritas, porém, estudo sério e não se tornar objeto de considerações puramente místicas, que impedem alcançar a sua essência e importância.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Fontes:

(1)    Incorporação de partículas sólidas por uma célula mediante o envolvimento daquelas por esta. [Esse processo não implica penetração da membrana celular e serve à nutrição e de defesa contra elementos estranhos ao organismo.
(2)    Artigo de Kátia Penteado intitulado Efeitos da Prece na Saúde : a Ciência confirma a Doutrina Espírita - Nov/2004
(3)    Xavier, Francisco Cândido.  Libertação, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1990
(4)    William Reed é presidente a Fundação Médica Cristã  que possue mais de 3.000 médicos associados
(5)    Publicado na Revista  O Espírita setembro / dezembro   de 2001, nº 110 Ano XXIII
(6)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, questão 662
(7)    Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Cap.XIV

04 setembro 2010

A “DROGA” DIGITAL E OUTRAS DROGAS - ANTE OS EXEMPLOS QUE DAMOS AOS NOSSO FILHOS

As “drogas” digitais sonoras (e-drugs) estão invadindo a rede mundial de computadores e se proliferam rapidamente nas redes sociais. Criada nos Estados Unidos, a "droga" em referência não é de beber, fumar, cheirar ou injetar, mas de ouvir: sim, (pasmem!) OUVIR!!! são “pílulas” sonoras digitais, que, com simples batidas combinadas, obrigam o cérebro a tentar equilibrá-las. Daí surgiria o "barato". É uma ação neurológica que consiste na emissão de sons diferentes em cada ouvido (zumbidos, mesmo!), supostamente estimulando o cérebro e produzindo sensações de “euforia”, “estados de transe” ou de “relaxamento”. Tais drogas digitais invadiram a França nos últimos dois meses e, por enquanto, seus efeitos são desconhecidos. (1)
Na terra de Kardec ainda não há estudos realizados sobre o assunto. Mas, neuropsicológos  creem que os sons podem ter fins terapêuticos para algumas doenças como o “autismo”. Todavia, em determinadas frequências estimulam a imaginação ou a criatividade e podem provocar disfunções cerebrais, o que levaria às alucinações ou uma experiência “psicodélica”. Outros afirmam que seus efeitos não passam  de auto-sugestão e não acreditam que existam riscos de dependências. 
O que são , afinal  as “i-doses” ou “e-drugs”? são arquivos de áudio para computador que geram supostos efeitos alucinógenos. “São baseadas em hipótese e vendidas como fatos concretos”(2) Certamente a “e-drugs” tenha um efeito placebo, isto é, pode provocar alguma reação porque a pessoa acredita que aquele ruído pode levar a estado alterado de consciência. Mas não há evidência científica sobre essa reação psíquica.
A explicação dessas “e-drugs” são baseados na técnica bineural beats, ou seja, consiste na reprodução do som com duas frequências distintas, mas muito parecidas, uma em cada ouvido. Isso forçaria o cérebro a produzir uma terceira frequência, que iria equilibrar os outros dois estímulos. Ao criar essa terceira frequência, ele desencadearia sensações parecidas com as de entorpecentes.(?!...) Mas, profissionais especializados em drogas e toxicodependência indicam que não existam riscos de dependências.
Há “trabalhos técnicos mostrando que as regiões cerebrais ativadas durante a audição de um ruido [a música por exemplo] que causa prazer à pessoa são as mesmas envolvidas em estímulos indutores de excitação, prazer e uso de drogas de maneira geral.”(3) Mas, "não há registro de alterações significativas com estímulo sonoro. Já estímulos visuais ou alterações na frequência de luz podem causar uma alteração neurológica, como desencadear uma crise epilética"(4)
 
Sob qualquer hipótese , quando o assunto é "droga", percebemos que há um número bastante significativo de pessoas que, instantaneamente, associam essa palavra aos produtos cujo consumo não nos é lícito, quais sejam: a maconha, a cocaína, o crack, até mesmo as pílulas digitais , etc.. 
No entanto, esquecem-se de que, tanto do ponto de vista físico quanto espiritual, outros produtos tóxicos, e de livre comércio, são tão prejudiciais ou mais perniciosos do que  citados, exemplos: a bebida alcoólica, o cigarro, as drágeas confeccionadas em laboratórios, etc
Quantos lares são desfeitos e quantos crimes são cometidos, cuja causa provém de estados de embriaguês? Quantas doenças incuráveis são diagnosticadas em pessoas que se lançaram à autocrueldade, pela dependência da nicotina? Portanto, o fato de ser uma “droga eletrônica” ou qualquer  substância legal ou ilegal pode não ter uma relação direta com o perigo que oferece.
Os filhos que já se iniciaram nos maus vícios, mas que ainda não estabeleceram um nível de intimidade maior com as drogas, os pais podem e devem ampará-los com serenidade, ajudando-os, fundamentalmente, a não se tornarem dependentes. Os pais devem ensinar-lhes  a manterem acesa a chama da esperança, incutindo neles a idéia de que todas frustrações pessoais são passageiras e que são, apenas, momentos difíceis de ajuste da alma para o crescimento pessoal.
Em verdade, os filhos, quando crianças, registram em seu psiquismo todas as atitudes dos pais, tanto as boas quanto as más, manifestadas na intimidade do lar. Crescem, observando os adultos utilizando tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo e, quase que imediatamente, presenciam os primeiros sinais de “serenidade e acalmia” exercidos pela ação do medicamento.  São atentos, igualmente, às atitudes dos pais dos amigos com os quais se relacionam e a contradição, então, transparece, posto que muitos deles têm maneiras diversas de lidar com um filho. Alguns são totalmente contra o uso de quaisquer drogas, legalizadas ou não, mas a maioria considera socialmente aceitável o consumo de bebidas alcoólicas, o vício do cigarro, o uso de "energéticos", etc.. Isso tudo, sem falar no grave problema dos benzodiazepínicos, barbitúricos e metadona, cuja ingestão permanente pode causar dependência como qualquer outra droga alucinógena.

 
Na verdade, as drogas não deveriam ser avaliadas, tendo por base produtos químicos ou eletrônicos, ilegalidade ou legalidade, mas pelos malefícios que elas acarretam ao ser. Os adultos inventam sempre "desculpas esfarrapadas" e formas de justificar seus comportamentos paradoxais. Contudo, trata-se de um modelo de comportamento que não serve de referencial a alguém, muito menos àqueles que são adeptos aos moldes que Jesus nos veio ensinar.
Quantos pais que ao menor sinal de angústia, de desconforto, lançam mão de um "remedinho", de uma "cervejinha", de um "cafezinho", de um "cigarrinho", para aplacar a ansiedade de forma quase que instantânea. Esse é o princípio básico de paradigma de comportamento dependente, que observamos em um imenso número de adultos e pais, no qual, sem "desconfiômetros", estão mergulhados.
Tais pessoas, introjetam no inconsciente dos filhos, alunos, e jovens em geral, a idéia de que os problemas podem ser resolvidos, como que por um passe de mágica, com a "ajudazinha" de uma "substanciazinha", destilada ou fermentada; de uma "plantinha" inocente, do gênero nicotiana (solanaceae), conhecida por tabaco, de um "alcaloidezinho",também inofensivo, conhecido por cafeína, e assim por diante. Porém, todos atuam sobre o sistema nervoso central e alteram todo o metabolismo do indivíduo, igualmente.
Os pais devem estar sempre atentos e, incansavelmente, buscando um diálogo franco com os filhos, sobretudo, amparando-os moralmente, independentemente, de como se situam na escala evolutiva. Os pais não se devem desesperar, mormente no mundo de hoje. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas exercem será estimular os jovens a experimentar formas não-químicas (obviamente, exceto as sonoras) de obtenção de prazer. Os "baratos" podem ser obtidos através de atividades religiosas, intelectuais, artísticas, esportivas, etc.. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas, mas dando-lhes exemplos de sobriedade.
É importante que os pais ensinem seus filhinhos a manterem permanente vigilância pela oração embasada numa fé raciocinada, nesse caso o Espiritismo propõe, dentre outras bênçãos, o fortalecimento e o equilíbrio mental. Uma coisa é certa: o Espiritismo não propõe soluções específicas, reprimindo ou regulamentando cada atitude, nem dita fórmulas mágicas de bom comportamento aos jovens. Prefere acatar, em toda sua amplitude, os dispositivos da lei divina, que asseguram a todos o direito de escolha (o livre-arbítrio) e a responsabilidade conseqüente de seus atos.

Exerçamos a cofiança em Deus, primeiramente, e optemos pela drágea do afeto, o comprimido do carinho, a e-drugs da compreensão, a gota de renúncia, o chá do amor em família,  por serem os mais eficazes remédios na cura das patologias de quaisquer procedências. Esses medicamentos consubstanciam-se em maior atenção dos pais para com os filhos, demonstrados pela sadia preocupação que têm com a formação moral deles e o suprimento de suas necessidades afetivas.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net



Fontes:

(1)    http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-drugs-o-novo-fenomeno-da-internet-invadem-a-franca
(2)    Alexandre Pills, psicólogo integrante do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC.
(3)    Tereza Raquel Alcântara Silva, musicoterapeuta e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG)
(4)    Arthur Kummer, psiquiatra especialista em criança e adolescente e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

30 agosto 2010

ESPÍRITO E MATÉRIA ANTE A LEI DE EVOLUÇÃO

A Doutrina Espírita preceitua que existem dois elementos gerais no Universo: “matéria e Espírito e, acima de tudo Deus.” (1) Emmanuel elucida que “pela vontade divina, condensou-se a matéria cósmica no Universo sem fim. A matéria produziu a força, a força gerou o movimento, o movimento fez surgir o equilíbrio da atração e a atração se transformou em amor.”(2) Desta maneira, identificam-se todas as dimensões da vida em face da lei de unidade estabelecida pelo Criador. Considerando-se que na Terra “todos os movimentos de evolução material e espiritual se processaram, como até hoje se processam, sob o patrocínio de Jesus.”(3)
A fonte de energia para todos os núcleos da vida planetária é o Sol , isso é fato! e “todos os seres recebem a renovação constante de suas radiações através da chuva incessante dos átomos solares.”(4) Destarte, “as primitivas agregações moleculares, obedeceram ao pensamento divino dos prepostos do Cristo, quando nas manifestações iniciais da vida sobre a Terra”(5) e nos “primórdios da organização planetária, encontraram, no protoplasma(6) o ponto de início para a sua atividade realizadora, tomando-o como base essencial de todas as células vivas do organismo terrestre.”(7)
Alguns concebem que no seres inorgânicos tudo é “cego”, passivo, fatal; jamais se verifica “evolução”; não há mais que mudanças de estados na natureza intrínseca da substância. Argumentam que os minerais não têm forma própria, ao passo que os “seres vivos” possuem forma específica. Os seres brutos apresentam composição química simples, ao passo que a “substância viva” é complexa. Os minerais não apresentam um ciclo vital (não nascem e nem morrem) - sua duração é ilimitada. Mas, acredito que nas atrações moleculares, ainda que não identifiquemos manifestações de espiritualidade, como princípio de inteligência, estou convencido de que “os fenômenos rudimentares da vida em suas demonstrações de energia potencial estão presentes em face da evolução da matéria em seus infinitos aspectos dimensionais.
Desse modo, a matéria “bruta” não é estanque e evolui. Albert Einstein, a partir da Teoria da Relatividade afirmou que matéria e energia são as duas faces de uma mesma moeda. A matéria é energia condensada e a energia uma forma de apresentação da matéria. Endossando essa tese o Espírito Emmanuel, considerando o processo radioativo  identifica a “evolução” da matéria, pois “é nesse contínuo desgaste que se observam os processos de transformação das individualizações químicas, convertidas em energia, movimento, eletricidade, luz, na ascensão para novas modalidades evolutivas, em obediência às leis que regem o Universo.”(8) A rigor, as individualizações químicas possuem a sua rota para obtenção das primeiras expressões anímicas.  Lembrando que na constituição das vidas no reino vegetal e animal, encontramos os elementos minerais.
Há obviamente algumas controvérsias teóricas a respeito de quando o Princípio Inteligente se individualizaria; se tal ocorreria já a partir do reino mineral, ou somente a partir do reino vegetal. Uns defendem a primeira hipótese, outros sustentam a segunda tese. Junto-me à primeira corrente, respaldado em  Kardec  que explana: “se se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente.”(9)
Sobre a questão da individualização, essa situação não se confunde com a criação “individual” do Princípio Inteligente, apenas diz respeito ao seu estado de particularização. O termo empregado na Codificação, significa aquilo que o Ser (princípio) agregou de experiências para que ele pudesse literalmente ser identificado , quanto a outros seres da criação , como um indivíduo. Porém, quanto à “consciência do eu” (que é um estágio avançado, mais elaborado e aperfeiçoado da individualização), somente se dá no estágio do “reino hominal”, pois que anteriormente a inteligência permanecia em estado latente, nos reinos imediatamente anteriores. À propósito sobre isso,  Kardec aduz que “a alma dos animais(...)conserva sua individualidade; quanto à consciência do eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente”.(10)
No universo da vida organizada (ser orgânico) sabe-se haver um princípio especial, ainda inapreensível e que ainda não é bem definido pelos estudiosos: o Princípio Vital. Presente no ser vivente, inexiste nos minerais.“É um estado especial, uma das modificações do Fluido Cósmico Universal, pela qual este se torna princípio de vida.”(11) O Princípio Vital é um só para todos os seres orgânicos, modificado segundo as espécies.  É força motriz da estrutura orgânica e “ao mesmo tempo em que o agente vital estimula os órgãos, a ação deles [dos órgãos] mantém e desenvolve a atividade do agente vital, quase do mesmo modo como o atrito produz o calor".(12) É importante considerar que, apesar de ser matéria diferenciada, distinta dos níveis, digamos, materiais, tal origem não invalida a matriz celular do fluido vital, principalmente por seu papel diferenciado e intermediário.



O princípio vital forma um terceiro elemento constituinte do universo?

Como dissemos Espírito e matéria são dois elementos constituintes do Universo. O Princípio Vital formaria um terceiro? Não! Pois  trata-se de um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas ele mesmo tem sua fonte na matéria primordial modificada. “É um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio que, entretanto, não são elementos primitivos, embora tudo isso proceda de um mesmo princípio.”(13)  Será que realmente a vitalidade é um atributo permanente do agente vital ou apenas se desenvolve pelo funcionamento dos órgãos? À rigor, esse agente sem a matéria não é a vida, “é preciso a união das duas coisas para produzir a vida. Infere-se disso que a “vitalidade está em estado latente, quando o agente vital não está unido ao organismo.”(14)
Para haver vida orgânica é preciso existir o protoplasma, componente das células, formado principalmente por proteínas. Na Terra, só pôde surgir a vida orgânica no momento em que, na atmosfera, por meio das descargas elétricas, uniram-se metano, amônia, água e hidrogênio, formando-se os primeiros aminoácidos.(15) Estes se combinaram, formando proteínas, as quais se aglomeraram nos coacervados(16) e destes originaram as células. Todas as células têm cromossomos e ADN, que não existem nos minerais, o fluido universal, combinado com a ação do elemento inteligente, é responsável pela coesão e as qualidades gravitacionais da matéria. Lembando aqui que a inteligência é um atributo essencial do espírito”(17) que por sua vez é o elemento inteligente do universo, individualizado, com moralidade própria. Embora reconheço que  “a natureza íntima do elemento inteligente, fonte do pensamento, escape completamente às [atuais] investigações.” (18)

A mônada

Há os que dedicam ao estudo da mônada,(19) Para os quais,  vertida do plano espiritual sobre o plano físico, a mônada atravessou os mais rudes crivos da adaptação e seleção, assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, do instinto, da sensibilidade, da percepção e da preservação própria, penetrando, assim, pelas vias da inteligência mais completa e laboriosamente adquirida, nas faixas inaugurais da razão.”(20)
O ponto principal do pensamento de Leibniz é a teoria das mônadas. É um conceito neoplatônico, que foi retomado por Giordano Bruno e Leibniz desenvolveu. As mônadas (unidade em grego) são pontos últimos se deslocando no vazio. Leibniz chama de enteléquia e mônada a substância tomada como coisa em si, tendo em si sua determinação e finalidade. Para Leibniz, a mônada significa substância simples, ativa, indivisível, de que todos os entes são formados. Segundo o filósofo, todos os seres são constituídos por substâncias simples entre as quais reina uma harmonia preestabelecida.
O Espírito André Luiz explica melhor dizendo que a mônada é “o Princípio Inteligente em suas primeiras manifestações”, isto é, na primeira fase de evolução do ser vivo “germes sagrados dos primeiros homens.”(21) Trabalhadas, “no transcurso de milênios, pelos operários espirituais que lhes magnetizam os valores permutando-os entre si, sob a ação do calor interno e do frio exterior, as mônadas exprimem-se no mundo através da rede filamentosa do protoplasma.”(22)

O Éter

Evoco en passant, na discussão dos princípios (material e espiritual) aqui expostos,  o Éter termo que significa a substância que os cientistas acreditavam que existia em todo o universo, mas sem massa, volume e indetectável, pois não provocaria atrito. Os físicos do séc. XIX sabiam que a luz tinha natureza ondulatória, e imaginavam portanto que essa deveria precisar de um meio para propagar-se (daí o Éter). Para o Espírito Emmanuel o éter é quase uma abstração um fluído sagrado da vida, que se encontra em todo o cosmo; fluído essencial do Universo, que, em todas as direções, é o veículo do pensamento divino.

Agente  vital ,   causa ou efeito?

Não há consenso entre alguns pontos próprios como tampouco há um entendimento por parte da maioria dos espíritas sobre o fluido vital. Seria uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em determinadas circunstâncias? Lembremos que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força dure. Para Kardec o fluido vital “é criado pelo metabolismo corporal”.(23) Segundo essa maneira de ver, o Princípio Vital não seria mais do que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos e cuja produção cessa, quando da morte, por se extinguir tal ação. No entanto, como  vimos acima,  os espíritos discutem o assunto e apontam que o Princípio Vital é uma transformação da matéria primordial do Universo - o Fluido Cósmico Universal.

Princípio inteligente e evolução

Em face da escala evolutiva da inteligência,  Leon Denis afirma que: “na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente; à partir daí, o progresso, de alguma sorte fatal nas formas inferiores da Natureza, só se pode realizar pelo acordo da vontade humana com as leis Eternas.” (24) Por outro lado, a Doutrina Espírita explica que as diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Nesse tópico nem todos pensam a mesma coisa a respeito das relações que existem entre o homem e os animais. Segundo alguns, o Espírito só alcança o período de humanidade após ter sido elaborado e individualizado nos diferentes graus dos seres inferiores da Criação; segundo outros, o Espírito do homem teria sempre pertencido à raça humana, sem passar pela experiência animal. O primeiro desses sistemas tem a vantagem de dar um objetivo ao futuro dos animais, que formariam assim os primeiros anéis da cadeia dos seres pensantes; o segundo está mais de acordo com a dignidade do homem.(25)
“Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano.”(26) Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do Princípio Inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou.
O Princípio Inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias das primeiras horas do protoplasma na Terra “milhões de séculos, a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os Espaços Cósmicos.”(27) Emanam do mesmo Princípio Inteligente a alma dos animais e do homem, com a diferença que a do homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal, elaboração esta feita numa série de existências que precedem o período de Humanidade.(28)
“Uma tese que os Espíritos rejeitam de maneira mais absoluta é a da transmigração da alma do homem para os animais e vice-versa.”(29) Entre os Espíritos há divergência quanto às origens da alma do homem e dos animais, acreditando alguns que o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. Segundo esta linha de pensamento, cada espécie constituiria, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um haurindo da fonte universal a quantidade do Princípio Inteligente que lhe seja necessário.(30)
Porém, identificamos alguns pontos doutrinários apontando para a tese da elaboração progressiva do Princípio Inteligente à partir do reino mineral, passando pelo reino vegetal, animal, até finalmente individualizar-se como Espírito, quando passa a encarnar somente no reino hominal, continuando sua ascensão na escala do progresso intelectual e moral, através de encarnações sucessivas, com a finalidade de atingir o máximo grau de perfeição relativa (somente Deus detém a perfeição absoluta).
Entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma que é dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras: é a espécie humana. Aí o fluido vital funciona como um sistema energético que age como um intermediário entre o perispírito e o corpo físico durante a reencarnação, e é o que dá vitalidade à matéria. 
Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, o liga ao gérmen que o atrai por uma força irresistível, desde o momento da concepção. À medida que o gérmen se desenvolve, o laço se encurta. Sob a influência do princípio vito-material do gérmen, o perispírito, que possui certas propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que o Espírito, por intermédio do seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra. Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior. “Por um efeito contrário, a união do perispírito e da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do Princípio Vital do gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende, molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito.”(31)

Conclusão
O Princípio Espiritual estagiou por todos os reinos desde a sua criação, tanto que é um dos elementos fundamentais e constitutivos dela; porém, se individualizou após o conhecimento das leis da mesma criação, de como elas atuam, inclusive as de atração, coesão e outras que vigoram nos primários reinos, incluindo o mineral.
Em tese não há que se falar qual dos dois (Princípio Inteligente ou Princípio Material) foi criado primeiro. Filosoficamente falando, para alguns,  “se o  Princípio Inteligente foi criado perfectível, e, para isso, tem de atuar na Matéria, deduz-se que ele foi criado como uma individualidade para atuar (imediatamente) no primeiro reino da natureza [matéria por excelência], e, a partir dali, ganhar experiências que o tornariam identificável no futuro.”(32)
O progresso é a lei da natureza. A essa lei todos os seres da criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. Segundo Allan Kardec “tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo. Admirável lei de harmonia, de que o vosso espírito limitado ainda não pode abranger o conjunto”.(33)
Constata-se assim a aceitação geral – “tanto por autores encarnados como também pelos Espíritos de escol que nos transmitem seus ensinamentos por via mediúnica - da teoria da dualidade: Elemento Espiritual/Elemento material criados simultaneamente por Deus, sendo que o Elemento Espiritual, desde suas primeiras manifestações, acumula sempre as experiências adquiridas em seu trajeto até o estado de Espírito, sem jamais retrogradar, enquanto que a matéria - criada para a manifestação do Elemento Espiritual que a dirige - pela sua própria natureza está sujeita às transformações, que incluem, nos três reinos, o nascimento, crescimento, decrepitude e morte com a conseqüente destruição (assim entendida como retorno aos elementos constitutivos), para formar novas formas manifestadas pelo Espírito em sua trajetória rumo à Perfeição.”(34)

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Fontes:

(1)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 27
(2)    Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo espirito Emmanuel , Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 21
(3)    Idem questão 265
(4)    Idem questão 10
(5)    Idem questão 12
(6)    Toda a substância ou mistura de substâncias em que se manifesta a vida nas suas características de metabolismo, reprodução e irritabilidade
(7)    Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo espirito Emmanuel , Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 6
(8)    Idem questão   9
(9)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Introdução, item XVII
(10)    idem questão607
(11)    Idem questão 598
(12)    Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
(13)    Idem
(14)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão  64
(15)    aminoácido é uma molécula orgânica formada por átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio, e nitrogênio unidos entre sí de maneira característica. Alguns aminoácidos também podem conter enxofre.
(16)    Coacervado é um aglomerado de moléculas protéicas envolvidas por moléculas de água, em sua forma mais complexa. Essas moléculas foram envolvidas pela água devido ao potencial de ionização presente em alguma de suas partes. Acredita-se, portanto, que a origem dos coarcevados (e consequentemente da vida) tenha se dado no mar.
(17)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão  24
(18)    Allan Kardec, Revista Espírita, ano: 1866 páginas 78 e 79. Editora EDICEL
(19)    ser formado pela união do princípio inteligente e seu corpo mental, imperecíveis, integrantes e inseparáveis um do outro, qualquer que seja o mundo em que viva e o grau evolutivo em que se encontre
(20)    Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo.  Evolução em Dois Mundos, ditado pelo espírito André Luiz capítulo III , Rio de Janeiro: Editora FEB, 1977
(21)    Idem
(22)    Xavier, Francisco Cândido. O consolador, ditado pelo espirito Emmanuel , Rio de Janeiro: Ed FEB, questão 20
(23)    Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
(24)    DENIS, Léon. O problema do ser, do destino e da dor, Rio de Janeiro: 21ª ed. Ed.  FEB, , 1999 às pág. 122/123
(25)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questão 613
(26)    Idem questão  613
(27)    Xavier, Francisco Cândido e Vieira Waldo.  Evolução em Dois Mundos, ditado pelo espírito André Luiz capítulo III , Rio de Janeiro: Editora FEB, 1977.
(28)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Questões 606/607
(29)    Idem questão 613, Comentários
(30)    Idem questão 222
(31)    Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
(32)     Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. III, item 19, Progressão dos Mundos, Santo Agostinho-Espírito - 1864
(33)     Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Nota de Kardec à questão 540, e RE, 1860, julho, pg. 226, p. 2º, item 8.
(34)    Cf. Joel Matias , artigo “Considerações a Respeito do Princípio Material e Princípio Inteligente” Publicado no Boletim GEAE Número 440 de 02 de julho de 2002