07 abril 2011

DETERIORAÇÃO DA FAMÍLIA NUCLEAR




As relações familiais deveriam ser, acima de tudo, de ordem ética. Mas observa-se nelas uma deterioração emocional profunda e uma complexa malha de desestabilidades morais, que nos importa examinar sob a lupa doutrinária. Os novos modelos de relacionamentos deram origem a famílias diferentes do padrão tradicional. Nos idos dos anos 80, mais de 70% das famílias eram nucleares. Hoje, menos da metade é assim.
Há uma deterioração
da instituição familiar. Destarte, é quase impossível atualmente a formatação de uma árvore genealógica da família moderna, posto que ela está sob os guantes dos desarranjos domésticos, reflexos das separações, divórcios, novos casamentos, meio-irmãos, agregados etc. Está muito difícil a definição para o termo família considerando as novas formas de relacionamentos afetivos. Isso porque entre o namoro, o noivado e o casamento há inúmeras possibilidades de relacionamento que nem sequer constam no dicionário.
A estrutura familiar tem suas matrizes na esfera espiritual. Em seus vínculos, juntam-se todos aqueles que se comprometeram, no Além, a desenvolver na Terra uma tarefa construtiva de fraternidade real e definitiva. Precisamos "melhorar, sem desânimo, os contatos diretos e indiretos com os pais, irmãos, tios, primos e demais parentes nas lides do mundo para que a vida não venha nos cobrar novas e mais enérgicas experiências em encarnações próximas. O cumprimento do dever, criado por nós mesmos, é lei do mundo interior a que não poderemos fugir."(1)
A velocidade dessas mudanças comportamentais tem estremecido as estruturas fundamentais da família tradicional. Todavia, a família nuclear ainda é considerada por muitos como a ideal. Inobstante sabermos que a família clássica pode criar malfeitores, e um casal no segundo casamento pode se sair muito bem na educação dos filhos.
O casamento (união permanente de dois seres), não é contrário à Lei da Natureza, muito pelo contrário. Na Codificação, os Benfeitores espirituais foram cotegóricos ao afirmar que “é progresso na marcha da Humanidade.”(2) Ora, o casamento implica em um regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua.
Por essa razão, o Espírito Emmanuel explica: “essa união reflete as Leis Divinas que permitem seja dado um esposo para uma esposa, um companheiro para uma companheira, um coração para outro coração e vice-versa, na criação e desenvolvimento de valores para a vida”.(3) A família é a célula-máter do organismo social. Qual seria, para a sociedade, “o resultado do relaxamento dos laços familiares, senão o agravamento do egoísmo?”(4)
A família, para determinadas religiões e sociedades, é algo indissolúvel. Tempos atrás, a manutenção dessas famílias era somente para manter aparências de respeito e felicidade. Hoje, observam-se famílias se desfazendo por trivialidades. O que é o ideal? A família de "porta-retratos" ou a família que se dissolve na primeira "tempestade moral"?
Cremos que o Centro Espírita pode dimensionar os serviços de suporte à família atual, mas não de forma isolada. Deve integrar suas ações com outras instituições, tanto de caráter religioso como social, na busca da melhor qualidade do atendimento individual e coletivo, naturalmente, sem perder sua identidade doutrinária, mas, objetivando o resgate da ordem moral, que deve alicerçar a família como espaço de convivência. No clã familiar de tempos mais antigos, sem dúvida, encontrava-se um espaço de convivência maior entre seus membros, embora não se esteja discutindo sua "qualidade". Na atual arrumação familiar, pelo contrário, e apesar das menores dificuldades materiais, encontra-se um espaço menor de convivência.
Reflitamos com Emmanuel o seguinte: "ante a luta doméstica, devemos revestir-nos de paciência, amor, compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a fim de aprender a vencer, na luta doméstica.”(5)

Jorge Hessen


http://jorgehessen.net


Bibliografia:

(1) Vieira, Waldo. Conduta Espírita. Ditado pelo Espírito André Luiz. 21a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1998


(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 695


(3) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1972


(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1999, item n°. 775


(5) Xavier, Francisco Cândido e Vieira , Waldo.Leis de Amor, São Paulo: FEESP, 1981




28 março 2011

ADULAÇÕES ELOGIOSAS SÃO PEÇONHAS NA FORMA VERBAL



O que uma pessoa tende a valorizar mais: satisfação sexual, dinheiro, comida, álcool, amigos ou elogios? “Pesquisadores avaliaram os desejos e gostos de alguns estudantes universitários sobre uma série de desejos e gostos e os resultados, para surpresa dos estudiosos, indicaram que os voluntários dão mais valor a um elogio ou uma avaliação positiva do que comer sua comida preferida, satisfazer-se sexualmente, beber, receber o salário do mês e até encontrar um melhor amigo.”(1)
Portanto, embora surpresos, os pesquisadores confirmaram que o desejo de se “sentir valorizado”, através de elogios, triunfa sobre qualquer outra situação prazerosa. Cremos que estamos observando gerações em que uma parcela gigantesca de cidadãos é constituída de adultos condescendentes, imaturos para os obstáculos, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e dotados de uma alucinante certeza de que o mundo lhes deve algo, por isso, exigem ser adulados.
Não há dúvida de que a ausência de palavras e frases motivadoras, cada vez mais incomuns nos ambientes domésticos, prejudica a relação parental. Raramente observam-se muitos homens estimulando com palavras edificantes suas mulheres e vice-versa, não se constata regularmente chefes estimulando com sinceridade o trabalho de seus subordinados, não é muito comum pais e filhos estimulando-se com palavras afetuosas.
Óbvio que o bom profissional, inobstante não almeje, valoriza uma palavra e estímulo , o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe exultam de ser avaliados positivamente, o bom amigo, a boa dona de casa, a mulher que se cuida, o homem que se dedica, enfim, vivemos numa sociedade em que um precisa do outro; é impossível um homem viver sozinho, e as palavras motivadoras (que não pode resvalar para elogios) são a oxigenação de ânimo na vida de qualquer pessoa.
Desde que adentramos nos portais dos ensinos kardecianos, aprendemos que o elogio (ainda que bem intencionado) nos amolece e ilude. E nada existe de mais frágil que uma criatura iludida a seu próprio respeito. É verdade , os Benfeitores nos advertem a fim de que não percamos nossa independência construtiva a troco de considerações humanas (bajulações), posto que a armadilha que pune o animal criminoso é igual à que surpreende o canário negligente.
Até mesmo nos momentos de agruras de alguém, “nas horas difíceis, em que vemos um companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio.” (2) Sussurra a prudência cristã que nunca cederíamos campo à vaidade se não vivêssemos reclamando o deletério coquetel da lisonja ao nosso egocentrismo doentio.
Invariavelmente ficamos submissos às injunções sociais quando buscamos aprovação (bajulações) dos outros, “quando permanecemos na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-nos a viver sem usufruir de liberdade de consciência, submetendo-nos a ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.”(3)
O elogio nos arremessa à presunção, a afetação nos remete à vaidade. Nesse insofreável desejo de chamar a atenção alheia, queremos ser
aplaudidos e reverenciados perante os outros. Atualmente adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes incautos de elogiar e exaltar oradores em público. Essas pompas e grandiloquências, observadas à volta de alguns oradores famosos, é bem a repetição dos faustos do cristianismo sem o Cristo.
A rigor, se alguém vem a público dizer que um orador é "maravilhoso", "fantástico", "brilhante", "inesquecível", "insubstituível" e outras bajulices, logicamente está elogiando e jamais estimulando ou motivando tal “homenageado”.
Por essas razões, importa vigiarmos as próprias manifestações, não nos julgando
indispensáveis e preferindo a autocrítica ao auto-elogio, recordando que o exemplo da humildade é a maior força para a nossa transformação moral. “Toda presunção evidencia afastamento do Evangelho.” (4)
É imprescindível não elogiar (adular)  as pessoas que estejam agindo de conformidade com as nossas conveniências, para não lhes criar empecilhos à caminhada enobrecedora, embora nos constitua dever prestar-lhes assistência e carinho para que mais se agigante nas boas obras. O elogio (adulação) é peçonha em forma verbal. Por essa razão, não esqueçamos que “ainda quando provenha de círculos bem-intencionados, urge recusar o tóxico da lisonja, pois no rastro do orgulho, segue a ruína.” (5)


Jorge Hessen


Referências bibliográficas:

(2) Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000,  Cap 37
(3) Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”, ditado pelo  espírito Cornélio Pires , SP: Editora CEU, 1996
(4) Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1972,  Cap 18
(5) Idem cap 20

21 março 2011

OS GÊMEOS SIAMESES NUMA ANÁLISE ESPÍRITA




Sobre os Espíritos encarnados na condição de gêmeos siameses ou xifópagos (1), lembramos que tradicionalmente o termo siamesa surgiu no século XIX, no ano de 1811, com o primeiro caso no mundo ocorrido com os irmãos Chang e Eng Bunker (origem de Siamesa, atualmente Tailândia) – decorre daí o termo siameses. Chang e Bunker foram conduzidos para a Inglaterra e posteriormente para os Estados Unidos. Por uma questão de programação espiritual, e nem poderia ser diferente, os dois desencarnaram no mesmo dia, com poucas horas de diferença, aos 63 anos, estabelecendo um recorde de sobrevida entre os gêmeos siameses.

Pelas leis reencarnatórias, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. Todavia, no caso dos seres siameses, existem dois espíritos em corpos unidos biologicamente (grudados), com dois cérebros (dicéfalos), dois indivíduos, duas mentes.(2)

Nas reencarnações os Espíritos simpáticos aproximam-se por analogia de sentimentos e sentem-se felizes por estar juntos. Os seres que não se toleram nesse caso se repulsam e são infelizes no convívio. É da Lei! Nos casos dos gêmeos siameses, do ponto de vista reencarnatório, que razões levariam a justiça divina permitir tais anomalias físicas? Por que esses espíritos necessitam permanecer algemados biologicamente, compartilhando órgãos e funções orgânicas, sabendo que nada nos é mais intrínseco (íntimo) e pessoal que o organismo físico?



Os xifópagos, via de regra, são dois espíritos ligados por cristalizados ódios, construídos ao longo de muitas reencarnações, e que reencarnam nestas condições, raramente por livre escolha e nem por punição de Deus (aliás, Deus não pune, nem castiga, apenas corrige suas criaturas), mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei de Ação e Reação (Causa e Efeito), que os hindus denominam de “karma”. Alternando-se as posições como algoz e vítima e, também, de dimensão física e extrafísica, constrangidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e culminam se reaproximando em condições comoventes, que os obriga a compartilhar até do mesmo sangue vital e do ar que respiram.

A vida física dolorida possibilitará que ambos os espíritos, durante a experiência  anômala no corpo carnal, finquem laços de união e sustentação moral, catalisando sentimentos de amizade, fraternidade e início  provável de reconciliação pelo perdão.

Ainda mesmo entre espíritos afins ou simpáticos, a experiência descrita deverá ser uma vivência muito dolorosa, inobstante ambos aceitarem, ou serem forçados a cumprir juntos, visando amenizar traumas morais do passado para robustecer a reaproximação necessária agora e no futuro.

Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões cruciais de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da alma enferma.


Nessas reflexões doutrinárias não há como desconsiderar que os pais são invariavelmente co-participantes do processo, até porque são os vínculos solidários do passado que os impõe a experienciar o drama da vida atual com os filhos. Não podemos afirmar que são vítimas ingênuas de uma lei natural injusta e arbitrária. O reencontro comum pelas afinidades que atraem pais e filhos por simbiose magnética apenas retrata os lídimos mecanismos da lei de causa e efeito à qual todos estamos submetidos.

A proposta espírita da questão aponta para algumas soluções que podem contribuir cientificamente com a psicologia e a medicina de hoje e de amanhã, considerando o tratamento. A prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para eles (xifópagos) se descortinam eficazes, iluminando-lhes a consciência para a necessidade da efetiva reconciliação, arrostando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor.


Jorge Hessen

http://jorgehessen.net



Notas:


(1)           A nomenclatura provém de xifóide que é o apêndice terminal do osso esterno (com s ), situado na frente do tórax onde se unem as costelas, isto porque muitos dos xifópagos estudados eram unidos por esta parte do corpo.

(2)           Quando dois espíritos são jungidos à psicosfera materna e ulteriormente ao fluido vital do óvulo, ocorrendo a fecundação, o zigoto (óvulo fecundado) sob a influência das energias espirituais diferentes tende a se repartir. No início da embriogênese quando o ovo inicia sua multiplicação, há em face da presença de dois espíritos, a separação em duas células que formarão dois corpos-filhos. Na circunstância normal quando há duas entidades espirituais ligadas ao ovo (óvulo fecundado), a dita separação determina o surgimento de gêmeos idênticos (univitelineos). Todavia, em se tratando de  xifópagos, ambos permanecem grudados  durante a gestação consubstanciando na ligação física entre os dois corpos.  Muitas vezes essa ligação  pode se efetuar através de  órgãos vitais obstando a intervenção cirúrgica sem risco de morte para os xifópagos.

17 março 2011

SEMITAS DE DUAS REGIÕES COM VÁRIAS HISTÓRIAS



Como analisar o conflito entre judeus e palestinos? Se seguirmos a lógica de quem chegou primeiro à região, então os palestinos (antigos filisteus) estão com a razão, pois estavam lá muito antes de Isaque. Neste caso, os judeus deveriam abandonar a Palestina e voltar a ser um povo errante, como era Jacó e seus filhos, ou então deveriam pedir cidadania iraquiana e se mudarem para o Iraque, que é onde ficava a cidade de Ur, de onde saiu Abraão (que também foi pai de Ismael).
A questão de utilizar o critério de quem chegou primeiro à região pode gerar dúvidas, pois em que pese os filisteus (antepassados dos atuais palestinos), habitarem aquela terra muito antes dos israelitas, é possível que outros povos tenham sido expulsos pelos filisteus a fim de tomarem o seu lugar. Destarte, os palestinos podem se basear no argumento, não de quem estava primeiro na terra, mas de quem a conquistou. O nó da questão está aí, pois nesse caso, o direito passou para os judeus atuais, que conquistaram a terra dos povos que os antecederam.
A rigor, o conflito contemporâneo tem suas matrizes no movimento sionista e na criação do Estado de Israel, não reconhecido pelos palestinos. A situação se intensificou a partir da Primeira Guerra Mundial, quando se deu o fim do Império Otomano, e a Palestina, que fazia parte dele, passou a ser administrada pela Inglaterra. A região possuía 27 mil quilômetros quadrados e abrigava uma população árabe de um milhão de pessoas, enquanto os habitantes judeus não ultrapassavam 100 mil. A Inglaterra apoiava o movimento sionista, criado no final do século 19 com o objetivo de fundar um Estado judaico na região palestina, considerada o berço do povo judeu. Após a guerra ocorreu uma grande migração de judeus para o local.
Na década de 30, com a ascensão do nazismo na Alemanha e o aumento das perseguições contra os judeus na Europa, a migração judaica para a região cresceu vertiginosamente. Terminada a Segunda Guerra Mundial e o fim do Holocausto, que levou ao extermínio de 6 milhões de judeus, a crescente demanda internacional pela criação de um estado israelense fez com que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovasse, em 1947, um plano de partilha da Palestina em dois Estados: um judeu, ocupando 57% da área, e outro palestino (árabe) com o restante das terras.  Como percebemos, essa partilha desigual em relação à ocupação histórica, desagradou os países árabes em geral. É compreensível que além da questão religiosa, os atuais conflitos tenham também a ver com a territorialidade, com a economia e com relações sociais concretas.
Nesse funesto cenário, ficamos apreensivos diante da espetacularização televisa  em horário nobre, exibindo os dramas reais que vêm ocorrendo na região, protagonizados por semitas  eliminando-se uns aos outros, em atitudes de vindita por complexas causas. Nessa luta desigual os filhos de Isaque detêm o poderio material, possuem armas de guerra potentes, esmagando inapelavelmente os filhos de Ismael, que por deterem apenas pedaços de pedras, apelam para uma espécie de haraquiri com bombas.
O reverso dessa situação encontramos na Pátria do Evangelho, posto que árabes e judeus fazem uma competição a serviço do bem. Em São Paulo, por exemplo, essa inteligente rivalidade efetiva-se através da edificação de duas instituições primorosas: o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital Albert Einstein. Quando será que na região da Palestina, árabes e judeus travarão uma competição para o bem, em vez de ficarem jogando bombas e pedras uns nos outros?
Buscando lá atrás o histórico dos árabes e palestinos, saberemos que descendem de Ismael, filho bastardo de Abraão com Agar, a escrava egípcia de Sara (esposa de Abraão e estéril à época), lembrando aqui que a gravidez foi consentida por Sara. Mais tarde, a esposa de Abraão engravidou e deu à luz Isaque, do qual são descendentes os judeus.
Folclórico ou não, pelo fato de possuírem mães diferentes, Isaque (Sara) e Ismael (Agar) deixaram para os descendentes duas nações, dois povos com índole de aversão, que vêm brigando um com o outro desde os mais recuados primórdios das gerações oriundas deles, ou seja, há mais de 3.500 anos.
Narra-se que por ocasião do desmame de Isaque, seu pai Abraão fez uma grande festa para comemorar o fato, oportunidade em que Ismael cismou de fazer gracejos contra o seu irmão. Sara não aprovou a situação familiar, exigindo de Abraão que rejeitasse Agar e Ismael. Desde então, mãe e filho foram para o escaldante deserto e caminharam por tortuosas rotas de sofrimento.
Na tradição bíblica esse episódio está consignado da seguinte forma: “Porque por Isaque será chamada a tua descendência”.(1) Entretanto, há uma referência de benesses divinas igualmente para Ismael, o bastardo. Vejamos: “Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está. Ergue-te, levanta o menino e pega-lhe pela mão, porque dele farei uma grande nação."(2)
De que maneira a humanidade atual poderá ajudar palestinos, filhos de Ismael, e Judeus, filhos de Isaque, a solucionar esses dilemas históricos? Seria através dos canais diplomáticos da ONU, da ação dos que lutam pela Justiça, pela Dignidade Humana, pela Paz?
Cremos que judeus e palestinos podem conviver, no respeito recíproco, trocando o fuzil pelo abraço, trocando a exclusão pela partilha, trocando a incompreensão pela tolerância. Quem sabe o Espiritismo, nessa conjuntura, possa levar-lhes a Mensagem do Evangelho, consubstanciado na lei do amor, da fraternidade, do perdão, da reencarnação, da comunicabilidade dos desencarnados, transformando gradualmente a lei mosaica e do alcorão, justificados pela lei de talião (olho por olho, dente por dente), que têm gerado, cada vez mais, ódio sobre ódio, tal como estamos assistindo no proscênio dessa estúpida guerra do Oriente Médio!

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referência:
(1)           Gênesis 21. 12
(2)           Gênesis 21:17