09 junho 2011

NAS PRÉ-EXISTÊNCIAS FORJAM-SE OS GÊNIOS-MIRINS.

Temos visto crianças e jovens portando patrimônio moral e intelectivo que seria impossível terem sido adquiridos em um período de tempo de apenas uma existência física. É o caso do argentino Kouichi Cruz, nascido em Bahia Blanca, na província de Buenos Aires. Com apenas 13 anos de idade, é o aluno mais jovem da Faculdade de Matemática, Astronomia e Física (FAMAF) da Universidade de Córdoba. Ele estudará, simultaneamente, engenharia informática e ciências econômicas na mesma universidade. O reitor, Daniel Barraco, afirmou que é a primeira vez que um menino de 13 anos está entre os universitários dessa carreira. Como temos observado, a imprensa tem noticiado fatos dessa natureza com uma freqüência impressionante.
 Eventos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos estudiosos. Muitos cientistas atribuem esse fenômeno natural a “milagres biogenéticos”. Será que pela genética conseguimos explicar os admiráveis fatos de crianças precoces, "superdotadas", verdadeiros virtuoses da música, da pintura artística, das ciências etc. Diríamos que isso depende do organismo? Essa seria uma doutrina monstruosa e torpe. O homem não seria mais que uma máquina, joguete da matéria.
 Atribuir tais fenômenos a uma ocasional regalia genética é, no mínimo, extravagante. Admitamos ao contrário a reencarnação, ou seja, uma sucessão de existências anteriores progressivas e tudo estará aclarado, conforme a Justiça Divina. Deste modo, deduzimos que nas pré-existências (reencarnações) forjam-se os gênios-mirins.
Sem a pluralidade existências não há como se conceber o progresso humano. Há o caso do “jovem Maiko Silva Pinheiro que lia qualquer livro, sem dificuldade alguma, aos 4 anos; que aprendeu a fazer contas aos 5 e, aos 9 era repreendido pela professora porque fazia as divisões usando uma lógica própria, diferente do método ensinado na escola. Estudou economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais, sendo bolsista integral. Quando tinha 17 anos, os diretores do Banco Brascan disseram ter se surpreendido com sua capacidade lógico-matemática."(1)
O jovem sergipano, Carlos Mattheus, pobre estudante que estudou em escola pública, conseguiu um fato inédito em um dos melhores centros de formação da América Latina, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, onde obteve os títulos de mestre e doutor em matemática com 19 anos de idade.
 Wolfgang Amadeus Mozart, aos 2 anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos 3 anos; tirava sons maviosos do violino, aos 4 anos; apresentou-se ao público, pela primeira vez e já compunha minuetos aos 5 anos; escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, com apenas 12 anos de idade. Paganini dava concertos, aos 9 anos, em Gênova, Itália. Pascal, aos 12 anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos 16 anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles então responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma (...).”(2)
 Conhecendo e entendendo os mecanismos da reencarnação, tornam-se claras e explicáveis as emaranhadas investigações, que teimam em permanecer obscuras ante os apressados argumentos daqueles que não se dão ao trabalho de observar os fatos que a comprovam, mesmo porque, contra as evidências não há o que contra-argumentar.
A Física, a Genética, a Medicina e vários paradigmas da Psicologia vêm sendo convocadas para oferecer o contributo das suas análises. Os pesquisadoras Ian stevenson, Hemendra Nath Banerjee, Edite Fiore e outros, trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. Estamos convictos de que, nos próximos vinte ou trinta anos, assistiremos a Academia de Ciência declarando esta importante constatação como, há dois mil anos, Jesus ensinou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”.
 O físico francês Patrick Drouot pesquisa a reencarnação com a autoridade de quem se formou na Universidade de Nancy e fez doutorado em física teórica pela conceituada Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, e, ao presidir o Instituto de Pesquisas Físicas e da Consciência, em Paris, já tem catalogados mais de sete mil casos de regressão.
O professor de psicologia Erlandur Haraldsson, da Universidade de Iceland, e vários pesquisadores psiquiatras americanos revelaram, cientificamente, que a reencarnação é um fato consumado, graças aos processos de submersão no armazenamento psíquico das vidas anteriores, onde tudo está registrado. A cientista Hellen Wambach, que já fez 4500 pessoas regredirem na memória, fez pesquisa com uma senhora de 43 anos, cega de nascença, que descreveu ambientes da antiga Roma na época em que era esposa de um soldado. Ela foi capaz de falar, com toda precisão, das cadeiras, mesa, cama, das expressões faciais dos que a rodeavam, das luzes e das cores. Aliás, todos esses detalhes foram, historicamente, devidamente comprovados, segundo afirmou o Dr. James Pareyko, professor de Filosofia da Universidade Estadual de Chicago. Pareyko atesta que tal tipo de percepção numa pessoa que já nasceu sem enxergar é inexplicável sob o ponto de vista médico.
 Na máxima "nascer, morrer, renascer e progredir, incessantemente, tal é a lei", encontramos o mais arrazoado pensamento universal sobre o processo da evolução humana. É verdade!  Allan Kardec confirmou essa tese em “O Livro dos Espíritos”, declarando que somente com a Reencarnação entendemos melhor a Justiça de Deus e a Evolução da humanidade.

Jorge Hessen
 http://jorgehessen.net


Referências:
 (1)       Publicada na Revista Época, edição de 15 de maio, 2006
 (2)       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, perg. 219

06 junho 2011

COMO DEVEMOS UTILIZAR UMA TRIBUNA ESPIRITA?

O orador ao valer-se da tribuna, em nome de Jesus, precisa lembrar que toda palestra deve ser uma ferramenta sublime de disseminação do amor e da humildade. Através da tribuna, a mensagem espírita cristã tem chegado, diariamente, ao grande público, nos milhares de Centros e outras  Instituições Espíritas existentes neste País. Uma palavra inadequada pode macular a bandeira mais nobre, por isso o orador precisa “calar qualquer propósito de destaque, silenciar exibições de conhecimentos, usar simplicidade, evitar alarde, sensacionalismo.”(1) Tudo que o palestrante disser ou fizer repercutirá, ante os seus ouvintes, em favor ou descrédito para o Espiritismo. Todas as propostas poderão malograr, caso o expositor não se esforce para praticar o que pregue.
“O orador é responsável pelas imagens mentais que plasme nas mentes que o ouvem”(2) No uso da palavra (maior veículo de comunicação entre os homens), há necessidade de muito equilíbrio e sensatez. Importa  falar sem dramaticidade, sem pieguismo, sem afetação, sem arrogância, sem empáfia, sem ostentação, pois, do contrário, o público mudará a atitude receptiva inicial e tornar-se-á refratário e até hostil ao final da palestra. Por essa razão, é crucial falar com doçura e firmeza, sem imitação de gestos, voz, fraseado ou o estilo de outro orador, mostrando-se simples e atencioso, vibrando simpatia e benevolência.
Conquanto precise batalhar incansavelmente no esclarecimento geral, usando processos justos e honestos, não pode esquecer que “a propaganda principal é sempre aquela desenvolvida pelos próprios atos da criatura, através da exemplificação eloqüente da reforma íntima, nos padrões do Evangelho.”(3) Deve falar com o coração trasbordante de fé luminosa e pura, agir de forma natural e entusiasta, impregnado daquela força que o ideal superior e a assistência dos Bons Espíritos os transmitem. “O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os aspectos”(4) Óbvio que não se pode decretar que seja perfeito, pelo simples fato de ser palestrante, pois é um ser  humano caracterizado por muitas imperfeições. Entretanto, é necessário que todos aqueles que pregam a Doutrina empreendam os maiores esforços para exemplificar aquilo que ensinam.
Aos palestrantes, candidatos ao estrelismo, importa que não “decorem simplesmente” quaisquer textos de livros espíritas para recitá-los, quais palradores, pois a expressão maquinal não agrada a quem ouve e, sobretudo, a Deus. Os espíritos nos recomendam nas palestras o “governo das próprias emoções, sem azedume, sem nervosismo e sem momices”(5), mas, alguns são abusivamente "satíricos" (visando fazer gargalhar os ouvintes na platéia), outros não conseguem despir-se das ostentações, santificações, endeusamentos e euforia proselitista. Alguns “deuses da tribuna” forçam palavras “mansas, melosas” que chegam a ficar pálidos em face do hercúleo esforço para demonstrar mansidão, outros carregam um eterno sorriso com dentes trincados (pressionando com força os de baixo com os de cima) na tentativa de demonstrar simpatia forçada. Tudo isso precisa ser evitado urgente.
No insofreável desejo de chamar a atenção alheia, muitos oradores querem ser aplaudidos e venerados perante os outros. Atualmente adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes incautos de exaltar oradores em público. Essas magnificências e grandiloquências, observadas à volta de alguns oradores famosos, é bem a repetição dos esplendores do cristianismo sem o Cristo. Há oradores que fazem palestras nos centros espíritas, congressos, seminários e outros “encontrões”, que veneram espalhar autógrafos, locupletando-se de ovações que às vezes têm conferido auréola de quase oráculos sagrados. Infelizmente vão se iludindo, criando a efígie de intocáveis, "emissários da paz", "embaixadores do bem". Não será impossível alguns centros “espíritas” edificarem altares  em suas homenagens em futuro próximo.
A liderança do atual movimento espírita acredita que agenciando muitos congressos e seminários estará multiplicando a divulgação, como se isso fosse a necessidade imediata do Espiritismo, e ainda cobra taxas para esses eventos. Todavia, jamais esqueçamos que “a direção do Espiritismo, na sua feição do Evangelho redivivo, pertence ao Cristo e seus prepostos [espirituais], antes de qualquer esforço humano, precário e perecível.”(6)  O Espiritismo em seus valores cristãos “não possui finalidade maior que a de restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo. A obra definitiva do Espiritismo é a da edificação da consciência profunda no Evangelho de Jesus Cristo.” (7)

Muitos palestrantes ficam submissos às imposições sociais quando buscam adesão (bajulações) dos outros, “quando permanecem na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-os a viver sem usufruir de liberdade de consciência, submetendo-os a ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.”(8)
O orador deve assimilar, com reverência e humildade, toda análise crítica, procurando ponderar, com atenção, o seu trabalho e, assim, aperfeiçoar, cada vez mais, a tarefa que lhe cabe. Deve reagir com todas as suas forças contra os “confetes” e lisonjas, para que a vaidade não lhe venha toldar o próprio campo de ação, e mais ainda, nunca deve julgar-se indispensável ou excepcional, criando exigências ou solicitando considerações especiais.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas:
(1)       Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Na Propaganda
(2)       Idem - Cap. 14).
(3)       Idem  Na Propaganda
(4)       Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, perg. 122).
(5)       ______, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1991, Na Tribuna
(6)       _______, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, perg. 218
(7)       Idem  perg. 219
(8)       Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”, ditado pelo espírito Cornélio Pires , SP: Editora CEU, 1996

23 maio 2011

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

 Uma jovem desencarnou após ter recebido 80 chibatadas em Bangladesh, como punição por ter tido um relacionamento extraconjugal com um primo (casado). A sentença foi decretada por um tribunal religioso de Shariatpur, no sudoeste do país, a 56 quilômetros da capital, Daca. A adolescente desmaiou enquanto recebia as chibatadas e chegou a ser levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo seis dias após ter sido internada.
O clérigo muçulmano Mofiz Uddin foi o responsável pela fatwah (sentença) contra Hena, que foi presa juntamente com outras três pessoas. Os religiosos disseram à polícia que Hena teria sido pega em flagrante. Porém, Dorbesh Khan, o pai da adolescente dissse: “Que tipo de justiça é essa? Minha filha foi espancada em nome do fanatismo religioso. Se tivesse sido julgada por um tribunal do Estado, minha filha jamais teria morrido”. Em verdade, punições realizadas em nome da sharia (legislação sagrada islâmica) e decretos religiosos foram proibidos em Bangladesh, por isso, um grupo de moradores de Shariatpur foi às ruas em protesto contra a fatwa e contra os autores da sentença.
Para comentar o fato sob o viés kardeciano, é importante destacar que em qualquer análise que façamos sobre o comportamento sexual dessa ou daquela pessoa, somos obrigados a lembrar sempre de Deus, “que julga em última instância, que vê os movimentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censuramos, ou reprova o que relevamos, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembremo-nos de que nós, que clamamos em altas vozes anátemas, teremos quiçá cometido falta mais grave” (1) do que a pessoa que censuramos.
No caso Hena, alguns dizem que ela sofreu violência sexual, contudo há os que afirmam que houve o adultério cometido pelo primo. De qualquer modo, o episódio remete-nos aos Códigos de Jesus, que proclamou a sentença: “atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”(2). Essa advertência faz da comiseração uma obrigação para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. “Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.”(3) É importante observar que Jesus, avaliando equívocos e quedas, nas aldeias do espírito, haja selecionado aquela da mulher, em falhas do sexo, para emitir a sua memorável sentença: "aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra".
O sábio Espírito Emmanuel explica que “no rol das defecções, deserções, fraquezas e delitos do mundo, os problemas afetivos se mostram de tal modo encravados no ser humano que pessoa alguma da Terra haja escapado, no conjunto das existências consecutivas, aos chamados "erros do amor".”(4) Penetremos cada um de nós nos recessos da própria alma, e, se conseguimos apresentar comportamento irrepreensível, no imediatismo da vida prática ante os dias que correm, indaguemo-nos, com sinceridade, quanto às próprias tendências. “Quem não haja varado transes difíceis, nas áreas do coração, no período da reencarnação em que se encontre, investigue as próprias inclinações e anseios no campo íntimo, e, em sã consciência, verificará que não se acha ausente do emaranhado de conflitos, que remanescem do acervo de lutas sexuais da Humanidade.”(5)
Por essas razões, personalizando na mulher sofredora a família humana, Jesus pronunciou a inesquecível sentença “atire-lhe a primeira pedra”, convocando os homens, supostamente puros em matéria de sexualidade, a lançarem sobre a mulher infeliz a primeira pedra.
Em verdade, quando respeitarmos nosso semelhante em seu foro íntimo, os conceitos de adultério se farão distanciados do cotidiano, de vez que a compreensão apaziguará o coração humano e a chamada desventura afetiva não terá razão de ser, ou seja,  ninguém  trairá  ninguém em  matéria afetiva.
Abstenhamo-nos, sob qualquer hipótese, de censurar e condenar seja lá quem for em matéria de comportamento sexual. Recordemos que estamos emergindo de um passado longínquo, em que estivemos mergulhados nos labirintos dos desequilíbrios na área afetiva, a fim de que as bênçãos do aprendizado se nos fixem na consciência a Lei do amor. Achamo-nos muito longe da pureza do coração , por isso mesmo, se alguém nos parece cair, sob enganos do sentimento, não critiquemos , ao invés disso silenciemos e oremos a seu benefício.
Para com qualquer pessoa que se nos afigura desmoronar em delito sentimental, sejamos caridosos!.Nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual a dimensão da experiência afetiva que nos espera no futuro. Silenciemos ante as supostas culpas do próximo, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros.
Jamais esqueçamos que todos somos componentes de uma só família (encarnada e desencarnada), operando em dois mundos, simultaneamente. Somos incapazes de examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. “A vista disso, muitos de nossos erros imaginários no mundo são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!... Abençoai e amai sempre. Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei.”(6)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências bibliográficas:
(1)       Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 16, do Cap. X, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991
(2)       João Cp. 8:7
(3)       ______, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, item 13, do Cap. X, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1991
(4)       Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap. 22
(5)       Idem
(6)       Idem Cap. 26

17 maio 2011

OS FINS NÃO JUSTIFICAM OS MEIOS


 Claudia Gelernter         
claudiagelernter@uol.com.br


“As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.”
Jesus  (Mateus, 8:20)


Uma das bênçãos concedidas a nós pelo Pai Celestial, o livre-arbítrio, permite-nos avaliar caminhos, ponderar alternativas e escolher o que entendemos ser o melhor para o momento. Sublime instrumento evolutivo, através dele tornamo-nos responsáveis por nosso destino e por toda influência por nós exercida no meio que nos envolve. É nas tessituras das relações que vamos montando o grande tapete da vida, no qual cada fio vai se envolvendo a outros fios, dentro do divino caminho da construção de nós mesmos e do mundo que habitamos.
Jesus, assim como nós, exerceu seu livre-arbítrio, desde antes a sua vinda ao plano carnal. Programou o local, a época de Seu nascimento e Sua missão, ensinando-nos através de suas escolhas, o melhor roteiro para nossas próprias decisões.
Poderia ter escolhido o berço intelectual da antiga Grécia para enriquecer-nos com sua filosofia excelsa. Poderia, ainda, ter optado pelo berço rico da pomposa Roma, estando próximo aos “senhores do mundo”, que imperavam absolutos no tempo antigo. Mas não. Preferiu a manjedoura, numa cidade de pouca expressão, sob domínio de outra civilização, num país árido e descontente, em uma época de grandes dificuldades em diversos setores da vida humana. Diz-nos Emmanuel que ninguém mais humilde que Ele, o Divino Governador da Terra. Podia eleger um palácio para a glória do nascimento, mas preferiu sem mágoa a manjedoura simples. Podia reclamar os princípios da cultura para o seu ministério de paz e redenção; contudo, preferiu pescadores singelos para instrumentos sublimes do seu verbo de luz”. (EMMANUEL, p. 43)
Através das escolhas de Jesus, podemos sondar nossas próprias escolhas.
Foi Ele o exemplo de simplicidade, de humildade, de fé. Não buscava destaques, embora sua Luz nunca tenha passado despercebida. Utilizava-se da natureza para ensinar, conduzindo seu rebanho pelos caminhos da Boa Nova, indicando que deveriam guardar o tesouro do coração nos bens imperecíveis do Espírito imortal. 
Lançou ao mundo a maior de todas as Doutrinas, pedindo aos companheiros que confiassem no Pai amoroso, pois que nada lhes faltaria pelo caminho desértico da divulgação daquelas sublimes idéias.  
Com Ele aprendemos que todo o homem inclinado ao Bem, é e sempre será socorrido pelas forças do bem, sendo que o bem não se alia ao mal para seus fins. O Mestre não defendeu a utilização de comércio na Casa do Pai para justificar os gastos da Casa material. Também não aconselhou que seus seguidores juntassem dinheiro para seguirem pregando, em Seu nome, pelo mundo antigo. Tampouco optou por conchavos com os Fariseus para que a Boa Nova fosse aceita. Proclamou que o Reino dos Céus é para os simples, os humildes, os mansos.
Nós, os Espíritas da atualidade, na certeza de que aqui estamos com o objetivo maior de fazer reviver o Cristianismo Primitivo, precisamos focar a imprescindibilidade da vivência dos exemplos de Jesus.Os tempos são modernos, mas a verdade é única!” (PEREIRA, 2010). Não podemos divulgar a Doutrina que abraçamos, utilizando-nos, para isso, de meios antidoutrinários, anticristãos.
Muitos Espíritas, no afã de angariarem fundos para a manutenção das Casas onde atuam, com a  idéia de que devem aumentar as fontes para a ajuda das pessoas financeiramente carentes, esquecem-se de preceitos básicos, abraçando a prática de rifas, bingos, palestras cobradas, congressos gigantescos e caros, venda de livros não espíritas que trazem conceitos estranhos ao Espiritismo, etc.
Como poderíamos justificar o uso de jogos de azar para soerguimento de recursos para manutenção de uma Casa Espírita?
Como poderíamos defender a idéia de se cobrar de um irmão do caminho determinado valor para que ele possa conhecer as Leis de Deus?
Como poderíamos admitir personalismos deprimentes dentro do Movimento, diante dos exemplos deixados por Jesus? Teria Ele destacado algum de seus seguidores?
Disse-nos, ao contrário, que aquele que quiser ser o primeiro que seja o ultimo e que aquele que quiser ser o maior, que seja o mais humilde...
Meus irmãos! Acordemos! Mais que isso: Confiemos! Deus nunca nos desampara na causa do Bem! Deixemos de lado a ilusão de que precisamos de meios escusos para realizar o bem no mundo! O próprio Mestre nos deu as diretrizes com relação a estas questões: “Também vós não indagueis o que comer, o que beber; não estejais inquietos. Pois estas coisas as nações do mundo buscam, mas vosso Pai Celestial sabe que necessitais disto. Todavia, buscai primeiramente o Reino Dele, e estas coisas vos serão acrescentadas”. (Lucas, 12: 29 a 31)
 Chico Xavier, nos primórdios de seu apostolado mediúnico e caritativo, quando visitado pela Benfeitora Espiritual, Isabel de Aragão, que lhe pediu para que doasse pães aos pobres daquela cidade, sentiu medo. “- Senhora, sou pobre e nada tenho par dar.  Que auxílio poderei prestar aos mais pobres do que eu mesmo?” . – (...) quase sempre não tenho pão para mim. Como poderei repartir pães com os outros?... A dama sorriu e esclareceu:  "Chegará o tempo em que você disporá de recursos. Você vai escrever para as nossas gentes peninsulares e, trabalhando por Jesus, não poderá receber vantagem material alguma pelas páginas que você produzir, mas vamos providenciar para que os Mensageiros do Bem lhe tragam recursos para iniciar a tarefa. Confiemos na Bondade do Senhor". (NETO, 1992).  Nunca lhe faltou recursos para manter a Casa onde realizou abençoada tarefa durante todos os anos de sua vida. Nunca soubemos de Chico vendendo cartelas de rifas, bingos ou participando de palestras cobradas para realizar seu trabalho. Escrevia livros e doava seu esforço cristão ao bem. Defendia a literatura barata, o livro simples, a pureza doutrinária, os encontros à sombra do abacateiro. Auxiliou verdadeiras multidões, mantendo-se dentro da simplicidade, sua marca inconfundível de trabalhador do Cristo.
 Jorge Hessen, comentando sobre a grave questão das palestras espíritas pagas, diz-nos que “é evidente que essas práticas, em nome de Kardec, têm fragilizado as bases da Doutrina dos Espíritos, provocando rachaduras no edifício doutrinário. Há desmesurada distância entre aqueles simples bancos e cadeiras de madeira do Grupo Espírita da Prece de Uberaba e os soberbos hotéis que servem de tablado para espetáculos de oradores que, absortos em suas insânias dinásticas, veiculam temas decorados apoiados nas suas memórias privilegiadas”. (HESSEN, 2011)
Ponderemos que, assim como o saudoso Chico, Francisco de Assis, Gandhi, Buda, Yvonne Pereira, irmã Dulce e tantos outros exemplos a serem seguidos, nos deram seu recado de confiança e postura do verdadeiro filho de Deus.
Estudemos estes Espíritos. Estudemos Kardec! Estudemos Jesus!
Deixemos de lado as práticas complicadas. Não precisamos destes caminhos para realizarmos o bem. O bem é simples e puro. Ele é confiança e calma.
Auxiliemos com o recurso de que dispomos. Sempre que for o momento do trabalhador sincero e atento agir, o campo lhe será apresentado. Trabalhemos confiantes, exercitando nosso livre-arbítrio com sabedoria, com sensatez. Pois, assim como nos alerta o confrade Jorge Hessen,menos pesa na consciência o epíteto de puritanos do que de vendilhões das coisas santas! (HESSEN, 2011)
  

Referências Bibliográficas:
CRISTIANO, E./ Yvonne Pereira; A Pena e o Trovão; A Importância do Conhecimento Espírita, p. 46; Campinas, SP, Ed. Allan Kardec, 2010.
HESSEN, J.  Puritanos ou Vendilhões? Eis a questão! Artigo disponível em blog, através do endereço: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/2011/05/puritanos-ou-vendilhoes-eis-grave.html, acessado 16 de maio de 2011.
LUCAS,  12: 29 a 31. O Novo Testamento, tradução do grego para o português por Haroldo Dutra, Ed. CEI, Brasília, DF, 2010
MATEUS, 8:20. O Novo Testamento, tradução do grego para o português por Haroldo Dutra, Ed. CEI, Brasília, DF, 2010
NETO, G. L.; Chico Xavier - Mandato de Amor, Ed. União Espírita Mineira, 1992.
XAVIER, C. F. Antologia Mediúnica do Natal; Humildade Celeste, pelo Espírito Emmanuel, Ed. FEB, Brasília, DF, 4ª edição, 1998.