29 julho 2011

ABORTO, UMA PRÁTICA IMPIEDOSA





Os matadouros de bebês estão espalhados na sociedade (clínicas clandestinas) como hediondos balcões de trucidamento de nenéns. Seus donos estão endinheirados na Terra, no entanto indigentes ante o Código Divino. Entre 1995 e 2007, “a curetagem depois do procedimento de aborto foi a cirurgia mais realizada pelo SUS: 3,1 milhões de registros, contra 1,8 milhão de cirurgias de correção de hérnia.”(1) Isso significa um trágico impacto na saúde pública de nosso país. In existe lei atual que identifique de imediato o abominável aborto realizado nos redutos domésticos.
A taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Por essas e outras o Brasil ostenta o calamitoso título de campeão mundial da prática abortista.
Nesse dantesco cenário brotam grupos dispostos a convalidar o aborto, torná-lo simples, acessível, asseado, juridicamente adequado. Todavia, não nos enganemos, o aborto ilegal ou legalizado ad æternum (para todo o sempre) será um CRIME perante as Leis de Deus! Menos mal “o número de brasileiros que acham a prática do aborto muito grave aumentou de 61% para 71% e que, atualmente, apenas 3% dos brasileiros consideram o aborto moralmente aceitável.”(2)
Descriminalizar o aborto, sob quaisquer conjunturas, é e sempre será um significativo marco de estagnação espiritual na história do homem. Será que todos os obstetras estariam disponíveis à prática abortiva? Será possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que propõe valorizar a vida com uma medicina homicida? Não nos ludibriemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legitimaram o trucidamento do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei na terra que abrande essa situação ante a Lei de Deus.
Somente num caso a Doutrina Espírita admite o aborto: quando a gestação coloca em risco a vida da gestante; pois disseram os Espíritos a Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, questão 359, que é preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.
No caso específico de uma mulher ser violentada sexualmente redundando na gravidez, mas não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, entendemos que a legislação precisaria promover e instigar a adoção do ser que nasce nessas circunstâncias, ao invés d e agenciar o seu extermínio legal. O Espiritismo recomenda à mãe [violentada] levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele rebento, suplantando o traumatismo do abuso sofrido, porque o Espírito reencarnante terá, provavelmente, um endividamento passado com a progenitora.
As Leis naturais atuam inexoravelmente sobre os que alucinadamente provocam o aborto. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas os tenebrosos processos de resgate que podem conduzir a dolorosas moléstias, como a metrite, o vaginismo, a metralgia, o enfarte uterino ou a tumoração cancerosa, agora ou mais tarde. É imperioso também reconhecermos nos abortos delituosos um dos grandes determinantes das enfermidades de etiologia obscura e das obsessões arroláveis na patologia da mente (esquizofrenias), atravancando amplos setores de casas de saúde e presídios.
Não espalhamos aqui recriminação àqueles que jazem submersos no corredor tenebroso do desacerto já consumado, até para que não caiam na sarjeta profunda da desesperança. Apregoamos opiniões, cujo intuito é iluminá-los com o farol do esclarecimento, para que divisem mais adiante, elegendo por trabalhar em prol dos necessitados e, sobretudo, numa demonstração inconteste de amor ao próximo, acolhendo filhos abandonados que, hoje em dia, aglomeram-se nos orfanatos. Se já erramos, jamais esqueçamos que cometer erro é aprender. Todavia, ao invés de nos atermos à contrição, necessitamos consagrar a experiência como uma adequada ocasião para discernimento futuro.
A Lei de Deus não é caolha e nos seus dispositivos há espaços para reparações, proporcionando ensejo interminável para que todos possamos penitenciar-nos dos enganos cometidos. “É urgente abandonar o culto ao remorso imobilizador, a culpa autodestrutiva e a ilusória busca de amparo na legislação humana, procurando a reparação, mediante reelaboração do conteúdo traumático e novo direcionamento na ação comportamental, o que promoverá a liberação da consciência através do trabalho no bem, da prática da caridade e da dedicação ao próximo necessitado, capazes de edificar a vida em todas as suas dimensões.”(3)
Atuando assim, desviamo-nos de todas as sequelas melancólicas que o aborto desencadeia, ainda que acobertado por uma legalização ilusória. Certo é que “o amor cobre a multidão de pecados.”(4)
Jorge Hessen

Referências:
(1) Pesquisa do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo.
(2) Publicado no Jornal Folha de São Paulo, de 07/10/2007.
(3) O Aborto na visão E spírita, publicado na Revista Reformador, disponível em acesso em 21/07/2011.
(4) Pedro, I Epístola, 4:8

13 julho 2011

LUTO E INTERNET, UMA REFLEXÃO ESPIRITA-CRISTÃ

 

Quase tudo que há alguns anos era armazenado em meio físico é agora arquivado em computadores, sejam os emails (substitutos das tradicionais cartas), fotos, vídeos ou outros tipos que talvez nem existissem sem a web. Atualmente é natural possuirmos uma “identidade” na internet – um perfil no twitter, no facebook, no buzz ou no blog. Um fenômeno intrigante tem surgido nesse ambiente virtual: a homenagem póstuma, ou seja, uma maneira de reconhecimento e congratulação realizada posteriormente à morte de um internauta.
Alguns murais do mundo internético têm-se transformado em memoriais aos finados. Escrevem-se mensagens de condolências para a família. Os comentários quase sempre são simples. Destaque-se que para alguns parentes de falecidos da rede são muito positivas as manifestações de carinho, por se tratar de um lugar que para “sempre” vai ser do extinto. Há quem compare esses avisos como visitas ao cemitério. Creem ser muito bom o túmulo ser assim, um lugar virtual onde o desencarnado já esteve e deixou um pouco de sua essência.
Surgiu um ponto curioso: quando desencarnarmos, quem atualizará nossos dados? Que novos elementos seriam esses? Será que nossa “identidade virtual” permanecerá congelada em um onipresente sem fututo? Há quem afirme que existem hoje mais de 5 milhões de falecidos na rede social. O que advém com o espólio digital depois que um internauta desencarna? Será que os dados (perfis) deles, mantidos nas redes sociais da internet, podem alterar o luto dos parentes?
Para alguns estudiosos, a permanência na internet de uma parte da identidade virtual da pessoa morta altera um pouco a forma como lidamos com a morte. As funcionalidades das redes sociais ganham outros significados: um espaço para troca de mensagens e links vira um espaço de homenagens póstumas e até de conversas transcendentais.
O luto(1), seja ele virtual ou real, pode variar muito dependendo das pessoas, do tipo de morte e da cultura, mas que o caminho mais comum é entender que a pessoa partiu e redefinir a vida com a ausência do ente querido. Uma das teorias mais consagradas para elucidar a reação humana durante o luto é a dos “cinco estágios”, desenvolvida pela psiquiatra suíça e reencarnacionista Elizabeth Kübler-Ross, em 1969. Segundo Kübler-Ross, até superar uma perda, as pessoas enlutadas passam por fases sucessivas de negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essa teoria entrou até para a cultura popular. Foi tema de um episódio recente do seriado americano Grey’s anatomy e serviu como conteúdo ilustrativo para demonstrar o funcionamento do novo aparelho da Apple, o iPad.
Talvez , em razão da imponderável vida virtual, os recentes estudos sinalizam que há outras maneiras de lidar com a “partida” de quem amamos. Cerca de 50% das pessoas lidam muito bem com a “perda” e volta à vida normal em semanas. Apenas 15 % de enlutados desenvolvem graves dificuldades que afetam a convivência social, possivelmente porque o “aceitar perdas”, especialmente aquelas referentes aos sentimentos é enormemente complexo e trabalhoso para tais pessoas.
Se o luto não é essencialmente tão insuportável quanto se concebia e se a maior parte dos enlutados conseguem suplantar bem uma “perda”, por que razão algumas pessoas não conseguem superar o trauma? Pois os 15% atravessam anos sobrevivendo como nos primeiros e mais complicados períodos do luto. Essas pessoas não conseguem retomar a vida. Cultuam a dor, em uma espécie de luto crônico, chamado pelos psiquiatras de “luto patológico” ou “luto complicado”. Nas mortes traumáticas, como acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada; a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade.

Transportando o sentimento para a família, o luto pode provocar uma grave crise doméstica, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma confusão, pois essa crise pode estancar o desenvolvimento dos parentes, fator que pode definir o processo de um luto crônico coletivo.
Sigmund Freud, em “Luto e Melancolia”, nos remete para ponderações razoáveis sobre o desencadear patológico da “perda” afetiva pela desencarnação. Entre outras teses, o pai da psicanálise assegura que o luto é a resposta emocional benéfica, adequada para a ocorrência da “perda”, já que há necessidade do enlutado de reconhecer a morte como evento, como realidade que se apresenta e que, naturalmente, suscita constrangimento. O luto nos coloca diante do fato, nos oferece condições de obter dentro de nós mesmos esse impulso frente ao que nos origina ansiedade; ele é, consequentemente, uma maneira de reorganização psíquica.
Freud afiança que na melancolia o enlutado identifica-se com o morto e, ao deparar com essa “perda”, a pessoa entende que parte dela também está indo; há uma identificação patológica com o “de cujus”. Vemos então que no enlutamento melancólico há o que Freud chama de estado psicótico, em que o ego não suporta essa ruptura e adoece gravemente.
Para nós espíritas, a morte tem outro significado, sobretudo para os que aqui permanecem. Temos consciência da imortalidade, da vida além-tumulo. Allan Kardec nos remete a Jesus, e com o Meigo Rabi certificamos que o fenômeno da morte é totalmente diferente. “No túmulo de Jesus não há sinal de cinzas humanas. Nem pedrarias, nem mármores luxuosos com frases que indiquem ali a presença de alguém.
Quando os apóstolos visitaram o sepulcro, na gloriosa manhã da Ressurreição, não havia aí nem luto nem tristeza. Lá encontraram um mensageiro do reino espiritual que lhes afirmou: não está aqui. Os séculos se esvairam e o “túmulo [de Jesus] continua aberto e vazio, há mais de dois mil anos” (2)
Seguindo, pois, com o Cristo, através da luta de cada dia, jamais encontraremos a angústia do luto por causa da morte de pessoa amada, e sim a vida incessante.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referencias:
(1) Luto [do latim luctu] – 1. Sentimento de pesar ou de dor pela morte de alguém. 2. A exteriorização do referido sentimento ou o tempo de sua duração. 3. Consternação, tristeza.

 (2) Xavier, Francisco Cândido. Alvorada Cristã, cap. 1, ditada pelo Espírito Neio Lucio, Rio d e Janeiro: Ed. FEB, 1991

O ESPIRITISMO E A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA , DESAFIOS E REFLEXÕES

Estamos na era da alienação, do estar sozinho e das uniões frágeis, e isso tem facilitado a desestrutura da família. Vivemos dominados por um grave fenômeno: o alheamento em massa. Nessa c ircunstância as pessoas são estranhamente alheias aos fenômenos hodiernos que as cercam; são bloqueadas mentalmente de maior reflexão ou sensibilidade social; consideram dispensável qualquer tipo de exercício mental ou espiritual; alegram-se em direcionar todos os empenhos de suas vidas ao lazer, prazer e divertimento. Vivem o fenômeno da substituição do Ser pelo Ter. A necessidade de espiritualização está sendo sobrepujada pelo vício em diversão. Entretenimentos que giram quase sempre em torno de erotismos e violências. Quando os valores cristãos perdem significado, aguçamos o egoísmo e esfacelamos a felicidade.
A família vem-se transformando através dos tempos, acompanhando as mudanças religiosas, econômicas e sócio-culturais do contexto em que se encontram inseridas. Presentemente há novas formas de relacionamentos afetivos tornando muito complexa a acepção para o termo família. Entre o namoro, o noivado e o casamento há inúmeras probabilidades de relacionamento que nem sequer constam no dicionário.
Existem famílias com uma estrutura de pais únicos ou monoparental, tratando-se de uma variação da estrutura nuclear tradicional devido a fenômenos sociais, como o divórcio, óbito, abandono de lar, relações extraconjugais ou adoção de crianças por uma só pessoa. Existem também as denominadas de famílias alternativas, sendo elas as famílias comunitárias e as famílias homossexuais. Neste último caso, existe uma ligação homoafetiva que pode incluir crianças adotadas ou filhos biológicos de um ou ambos os parceiros.
Historicamente, o casamento começou a receber atenção na Roma antiga, onde se achava perfeitamente organizado. Inicialmente havia a confarreatio, casamento da classe patrícia, correspondendo ao casamento religioso. O termo “família” é derivado do latim famulus, que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada. No direito romano clássico a "família natural" é baseada no casamento e no vínculo de sangue, constituído apenas dos cônjuges e de seus filhos, tendo por base o casamento e as relações jurídicas dele resultantes.
Com a queda do império romano e o surgimento da era medieval, a família é desfigurada, instante em que os filhos são entregues à Igreja e ao senhor feudal, combalindo por séculos o caminhar da humanidade. “Aos enciclopedistas foi reservada a grandiosa missão de, em estabelecendo os códigos dos direitos humanos, reestruturarem a família em bases de respeito para a felicidade das criaturas. (1)
Com a Revolução Industrial, tornaram-se frequentes os movimentos migratórios para cidades maiores, construídas em redor dos complexos industriais. Essas mudanças demográficas originaram o estreitamento dos laços familiares e as pequenas famílias, num cenário similar ao que existe hoje em dia. Com a Revolução Francesa surgiram no Ocidente os casamentos laicos (só no civil). Sobre isso, rememoremos que o casamento não é avesso à lei da natureza; ao oposto disso: “é um progresso na marcha da humanidade.” (2)
O homem é um ser social, monogâmico por natureza, geralmente somente se realiza quando compartilha necessidades e aspirações na conjuntura elevada do lar. Mas o que é lar? Não pode ser configurado como a construção material, para abrigar os que aí residem, isto porque o concreto, os tijolos, o teto, os alicerces e os móveis são a residência. O lar, todavia, são a renúncia e a dedicação, o silêncio e o zelo que se admitem àqueles que se atrelam pelo grupo familiar. E a família, mais do que o resultante consanguíneo, são os ideais, os sonhos, as lutas, os sofrimentos e as tradições morais elevadas.
Atualmente paira grande ameaça sobre a estabilidade familiar, e quando a família é ameaçada, por qualquer razão, a sociedade perde a direção da paz. A dialética materialista, os hodiernos conceitos e promoções sensualistas, têm investido contra a organização familiar, dilacerando o matrimônio (monogamia) e sugerindo o amor livre (poligamia promíscua).
“O maior número de casais humanos é constituído de verdadeiros forçados, sob algemas.” (3) “Na família, quando um dos cônjuges se transvia para uma relação extraconjugal, a tarefa é de luta e lágrimas penosas; porém, ainda assim, segundo Emmanuel, “no sacrifício, toda alma (vítima) se santifica e se ilumina.”(4) Advirta-se que o Espiritismo esclarece aos aventureiros que “não escapará das equações infeli zes dos compromissos sentimentais, injustamente menosprezados e que invariavelmente resgatará em tempo hábil, parcela a parcela, pela contabilidade dos princípios de causa e efeito.”(5)
Alguns autores classificam os casamentos como: “acidentais (por efeito de atração momentânea, precipitada e sem qualquer ascendente espiritual); provacionais (reencontro de almas para reajustes); sacrificiais (reencontro de almas iluminadas com almas inferiorizadas, com o objetivo de redimi-las); afins (reencontros de almas amigas); transcendentes (reencontro de almas que se buscam para realizações imortais).” (6)
Nesse contexto, urge aprimorar os contatos diretos e indiretos com os pais, irmãos, tios, primos, avós e demais parentes, a fim de que a vida não venha nos cobrar novas e mais enérgicas experiências em encarnações próximas. Até porque a família é a célula-mãe da sociedade, e qual seria, para a vida social, “o resultado do relaxament o dos laços familiares, senão o agravamento do egoísmo?” (7)

Alguns dados mostram um aumento do número de separações e uma queda acentuada do número de registros de casamentos. A explicação pode ser a inserção maciça de mulheres no mercado de trabalho, proporcionando-lhes maior independência, sob todos os aspectos. Ela, a mulher, deve conciliar o papel de mãe e esposa, por vezes, deixado um pouco de lado.
Todo grupo familiar necessita de apoio religioso (evangelho) para alcançar seu equilíbrio moral. Não se deve permitir que a competição do casal, as buscas do status, do dinheiro e dos destaques sociais roubem o equilíbrio que a felicidade da família requer. Como se não bastassem tantos óbices, há muitas famílias vivendo agressividades múltiplas, influenciadas pela televisão, em face da violência que é diariamente veiculada pelos noticiários, pelos documentários, pelos filmes, pelas t orpes telenovelas e pelos programas de auditório (cada vez mais obscuros de valores éticos). Familiares assimilam, subliminarmente, essas informações e, no quotidiano, reagem, violentamente, diante dos desafios da vida ou perante as contrariedades corriqueiras.
Há os que vêem no cônjuge um verdadeiro teste de paciência, pois os seus santos não se cruzam. Mas a família é a base dos reflexos agradáveis ou desagradáveis que o passado nos devolve. E não é demais lembrar que o lar não existe para a contemplação egoística da espécie, porém, “para santuário onde, por vezes, exigem-se a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.”(8)
Sobre a educação dos filhos, recordemos que os pais espíritas “devem conduzir energicamente os filhos para a evangelização espírita, pois, qualquer indiferença nesse particular, pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.” (9) Desde os primeiros anos, devemos ensinar os filhos a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhes as atitudes, pois que essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida.
Coincidentemente, ou não, os jovens mais agressivos são aqueles que tiveram extrema liberdade na infância e foram pouco estimados pelos pais, sentiram-se rejeitados no grupo familiar ou se consideraram pouco atraentes (baixa auto-estima). Mas quando os filhos são rebeldes e incorrigíveis, impermeáveis a todos os processos educativos, como devemos educá-los? Ora, “depois de movimentarmos todos os processos de amor e de energia no trabalho de orientação educativa é justo que sem descontinuidade da dedicação e do sacrifício, esperemos a manifestação da providência divina para o esclarecimento dos filhos incorrigíveis, compreendendo que essa manifestação deve chegar através de dores e de provas acerbas, de modo a semear-lhes (nos f ilhos), com êxito, o campo da compreensão e do sentimento.” (10) A dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos, onde a linfa do amor não conseguiu brotar.
Em certas circunstâncias da vida, faz-se mister que estejamos revestidos de suprema resignação, “reconhecendo no sofrimento que persegue nossos filhos a manifestação de uma bondade superior, cujo buril oculto, constituído por sofrimentos, remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.”(11)
No grupo familiar temos os vínculos de ascensão e exultação que já conseguimos tecer, por intercessão do amor vivido, mas também temos “as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.” (12)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referências Bibliográficas

(1) Franco, Divaldo Pereira. Estudos Espíritas, ditado pelo espírito de Joanna de Angelis, Rio de Janeiro: Ed FEB , 1970.

(2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB perg. 695

(3) Xavier, Francisco Cândido. Nosso Lar, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2008, cap. 20.

(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, perg 14

(5) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, cap. 15

(6) Peralva, Martins. Estudando a Mediunidade, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1989

(7) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB perg. 775

(8) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espà ­rito Emmanuel, Rio de Janeiro; Ed. FEB, 2000, perg. 113

(9) Idem perg. 113

(10) Idem perg. 190

(11) Idem perg.191

(12) Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed; FEB, 1971, cap. 12