29 julho 2011

O “NADA” E A “SORTE” EXPLICAM O UNIVERSO?

 

 A cada desvendar científico sobre o infinito Cosmo, assinala-se a certeza de que o Universo oferece enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, transtornando a inteligência acadêmica. Se analisarmos, com serenidade, a rica história da evolução da Física, descobriremos que já houve diversos momentos em que se imaginou ter ela (a pesquisa científica) se esgotado, ou seja, nada mais havendo que desvendar.
No final do Século XIX, Kelvin, o Pai da Termodinâmica, foi peremptório na sua afirmação: "acabou!" Já se sabia como estudar o movimento, a eletricidade e o magnetismo, e ele acreditava que nada havia além daquilo que já se conhecia. Porém, logo depois descobriram o átomo, o elétron e, já no começo do século XX, Einstein desenvolveu a Teoria da Relatividade.(1)
Atualmente, o misterioso bóson de Higgs(2), tipo de partícula decisiva no estudo da física quântica, chamada de “partícula da criação”, ou “partícula de Deus”, que supostamente transformou matéria dispersa em estrelas e planetas nos primórdios do universo, continua incógnito para os  cientistas. Alguns estudiosos acreditam que a emblemática "partícula” surja em 2012. O Grande Colisor de Hádrons (acelerador de partículas), um projeto de 10 bilhões de dólares, inaugurado em 2008, com o objetivo de "recriar" o Big Bang, a maior máquina construída da Terra, já realizou mais de 70 milhões de colisões de partículas, contudo nenhuma delas foi capaz de identificar o bóson de Higgs.
A descoberta da "partícula de Deus" poderia completar os elementos essenciais do chamado Modelo Clássico da física, derivado da faina de Albert Einstein e seus herdeiros no começo do século 20, e que abriu caminho para a "nova física". Nesse norte quase metafísico da física os cientistas já conseguiram capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente explicados pelas teorias modernas da ciência.
Por definição, a ant imatéria é idêntica à matéria, a não ser pelo fato de possuir carga oposta - por isso, as duas se aniquilam no momento em que entram em contato. A teoria atual indica que durante o Big Bang matéria e antimatéria teriam se formado em quantidades iguais. Se elas tivessem se aniquilado, nosso universo material não existiria. Então, o que ocorreu? Mistérios que a ciência não consegue responder.
Será que descartando a existência de Deus o Universo explica o Universo? Irrisão! Há cientistas famosos que nem sob dor profunda se eximem da prepotência materialista e continuam negando a existência do Criador.
É o caso do astrofísico Stephen William Hawking, considerado um dos mais brilhantes cientistas modernos, que afirmou não existir razão para evocar Deus a fim de explicar a criação do Universo. No livro de sua autoria intitul ado Uma Breve História do Tempo, Stephen Hawking assegura que "há um modelo que descreve a origem do Universo. Isso significa que existe um conjunto de equações que descrevem seu surgimento, mas, essa não é a questão fundamental. O crucial é saber de onde vêm essas equações, de onde vêm as leis da Física, que ajudam a explicar o Universo.” Stephen reiterou sua opinião de que tudo se resume à sorte - “sorte(?!)” O astrofísico declarou que a ciência prevê que muitos universos podem ser criados espontaneamente do nada - “nada”(?!), e que é questão de sorte - “sorte”(?!) em qual deles estamos.
Stephen, com 70 anos de idade, passou a maior parte da vida na iminência da desencarnação. Aos 20 anos foi diagnosticado com uma esclerose lateral amiotrófica, uma rara doença degenerativa que paralisa os músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais, que o obrigou a utilizar uma cad eira de rodas e um aparelho para a fala. Mesmo sob o jugo da decomposição muscular, que poderia diminuir-lhe a morféia da vaidade, Stephen Hawking não aprendeu a apequenar-se sem perder altura, infelizmente! De caráter bisonho, infectado de insensata vaidade, encharcado por um endeusamento acadêmico, discorre sobre a “sorte” para explicar o Universo. É deplorável tanta criancice espiritual!
Como nem todo pesquisador é néscio, vale citar um livro de significativa importância científica, intitulado A Partícula de Deus, publicado nos Estados Unidos, do físico Leon Lederman, ganhador do Prêmio Nobel, em 1988, defendendo a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O desempenho de investigação do físico holandês, Willem B. Drees, autor do livro Além do Big Bang - Cosmologia Quântica e Deus - comprova com nitidez que há um empenho crescente pela investigação científica, fundamentado na certeza da existência de Deus.
Na análise sobre o Criador do Universo, topamos com o atestado lógico e cientificamente provado sobre a Sua essência, quando concluímos que tudo aquilo que não é obra do homem, logicamente, tem que ser obra de Deus, consoante elucidam os Espíritos, há mais de 150 anos. O físico americano Paul Davies, no seu livro intitulado Deus e a Nova Física, afirma categoricamente que o Universo foi desenhado por uma inteligente consciência cósmica. E finalmente, para martírio do obtuso Stephen Hawking, queira ele ou não, Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. E ponto final!

Jorge Hessen
www.jorgehessen.net


Nota:
(1) Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente.
(2) Homenagem ao nome do físico britânico Peter Higgs, que afirmou ser esse foi o agente que transformou em massa a matéria expelida pelo Big Bang há 13,7 bilhões de anos, permitindo assim o surgimento da vida material.

CONCISA EXPLANAÇÃO A PROPÓSITO DESSA TAL FELICIDADE


O pesquisador inglês Richard Layard (1) escreve sobre a dificuldade que a ciência atual encontra para pronunciar-se a propósito da felicidade e de como obtê-la. Para ele, “a "ciência acadêmica" é muito eficiente em lidar com as coisas físicas e com o controle da natureza. Mas o que se relaciona à "alma humana", ou ao "espírito humano", é muito diverso, pois para a ciência cartesiana, pessoas são resultados de processos ainda não completamente entendidos do cérebro, com corpos e comportamentos ditados por suas disposições genéticas, e tudo o que são, ou expressam, resulta de suas interações com o ambiente e de seus próprios arranjos ou desarranjos biológicos.” (2)

Desde a década de 80 do século XX há uma chamada "ciência da felicidade", e alguns pesquisadores, ainda no universo do paradigma oficial utilitarista, estão tentando criar um índice econométrico, a tal “Felicidade Interna Bruta”, capaz de medir o nível de felicidade dos cidadãos de um país. Os estudos apontam, por exemplo, que a riqueza não consolida a felicidade das pessoas no mundo desenvolvido. “Defender um crescimento econômico contínuo não é o mesmo que ter como objetivo uma sociedade mais feliz.” (3)

Alguns acadêmicos "descobriram" que a felicidade é uma obra coletiva e, como tal, ela se fundamenta muito mais nas relações que temos com as outras pessoas do que nas relações que temos com os bens e utensílios que utilizamos no nosso dia-a-dia. Para Layard: "há um lado profundamente egoísta na nossa natureza, mas é o trabalho de cultura apoiar o nosso altruísmo natural contra o nosso egoísmo natural.” (4) Um dos conceitos básicos da Revolução Francesa, marco da moderna sociedade ocidental, é que o objetivo da sociedade deveria ser a felicidade geral. Na Constituição americana, já na segunda linha está escrito que todo homem tem o direito inalienável à vida, à liberdade e à busca da felicidade.

Historicamente, a felicidade - expressão por excelência do espírito humano - foi o objeto de discussão das propostas filosóficas. Na Grécia, por exemplo, Epicuro procurou demonstrar que a sabedoria era a chave da felicidade. Antes dele, Diógenes, "O Cínico", estabelecia que o homem deveria desdenhar todas as leis, exceto as da Natureza, vivendo de acordo com a própria consciência e com total desprezo pelas convenções humanas e sociais. Há 2.400 anos, Sócrates , considerado o pai da ciên cia moral, em sua dialética, a expressar-se não raro de forma irônica, combatia os males que os homens fomentam para gozarem de benefícios imediatos, objetivando, com essa atitude de reta conduta, o bem geral, a felicidade comunitária. A idéia socrática expõe um debate que permanece até hoje: o que é felicidade? Como atingi-la? Até então, os gregos acreditavam que dependiam basicamente dos desígnios dos deuses.

Outro problema no estudo da felicidade é que o termo não comporta definições precisas. É bem-estar? É satisfação? É êxtase? É a serenidade da contemplação? O conceito de felicidade é incerto. Modifica-se de acordo com a ocasião e a concepção social, econômica e espiritual de cada um. Pode se expressar, momentaneamente, em uma viagem, na saúde, numa festa de aniversário, na companhia de um amigo e noutras situações. Mas, será que "pode o homem gozar de completa felicidade na Terra? Os Espíritos afirmam que "não! Por isso que a vida nos foi dada como prova ou expiação. “Depende de cada um a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.” (5) Não podemos esquecer que a Terra é um mundo atrasado sob o ponto de vista moral. Por isso, a felicidade total não se encontra aqui no orbe, todavia em mundos mais evoluídos. Em nosso planeta, a felicidade é relativa, conforme encontramos descrito no item 20 do capítulo V de "O Evangelho segundo o Espiritismo”. (6)

Confundir felicidade com cobiça e bel-prazer é uma distorção proposta inicialmente pelo epicurismo, pelo cinismo, pelo estoicismo. (7) Ainda hoje, acredita-se que a felicidade está na satisfação da vaidade e dos desejos. Por isso, são tão valorizados e idolatrados o silicone, o botox, a roupa de grife, a plástica estética e o carrão zerado. O mundo exige que as pessoas estejam permanentemente “bonitas”, “alegres” e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac. Muitas mulheres fazem análise justamente porque são muito bonitas e têm dificuldade de lidar com a beleza.

Em uma sociedade feliz, onde o homem fosse consciente da vontade de Deus, isto é, da prática do bem, não haveria violência, drogas, sequestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras; e mais, não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando, em razão de quedas morais. As teorias atuais sobre o bem-estar em Psicologia e Economia deixam ainda a desejar. Urge que novas propostas teóricas interpretem a felicidade em termos de valores mais duradouros. Astrólogos, quiromantes, místicos e embusteiros de toda sorte também enriquecem às custas da ingenuidade alheia, fomentando a ilusão de uma fórmula mágica para a prosperidade. A felicidade não é resultante de privilégios biogenéticos (cerebrais) e de personalidade, nem mesmo pode ser adquirida pela obtenção de um bem de consumo.

Cremos que a felicidade depende, exclusivamente, de cada criatura. Esguicha da sua intimidade, depende de seu interior, como instruiu o Mestre dos Mestres: "o reino dos céus está dentro de vós.”.(8) A legítima felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma. Estabelecendo, conforme o Eclesiastes, que a verdadeira "felicidade não é deste mundo”,(9) Jesus preconizou que o homem deve viver no mundo sem pertencer ao mundo, facultando-lhe o autodescobrimento para superar o instinto e sublimá-lo com as conquistas da razão, a fim de planar nas asas da angelitude.

A felicidade se expressa no bem que se faz ao próximo. Quando o "eu" egoísta de cada ser tiver cedido lugar ao amor pelo seu semelhante, iremos presenciar uma comunidade equilibrada, harmônica e feliz z. O Espiritismo nos dá suporte moral e outras diversas motivações, revelando-nos a imortalidade, a reencarnação e a lei de causa e efeito. Explica-nos que a felicidade é possível e que se constrói no dia-a-dia pelo esforço continuado, fortalecendo-nos para a luta contra as nossas tendências inferiores.

Aprendamos a notar o mundo pelo prisma do espírito e sejamos felizes, compreendendo a vida como um dom de Deus.

Jorge Hessen


Referências:
(1) Richard Layard, renomado economista britânico e que integra a Câmara dos Lordes é diretor do Centre of Economic Performance da London School of Economics..
(2) Disponível em acesso em 25/07/11
(3) idem
(4) idem
(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2000, perg 920
(6) Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2003, item 20, Cap. V
(7) Primeiras escolas de filosofia gregas a pensar a moral de forma individual
(8) [6] (Lucas 17:20-21).
(9) (Eclesiastes 6:1-5)