24 fevereiro 2012

NÃO HÁ EFEITO SEM CAUSA, LOGO, DEUS EXISTE!


Todos nós trazemos na consciência um importante e gigantesco espaço reservado para Deus. Há porém, pessoas que imaginam poder expulsá-Lo de suas vidas. Ao enumerar pensadores de ampla influência na sociedade, encontramos uma confraria de intelectuais, arautos do mote anti-Deus, qual Karl Marx, para quem a religião era o ópio do povo; Sigmund Freud que considerava a fé uma manifestação de infantilismo, Friedrich Nietzsche que teve a ousadia de decretar a “morte” de Deus.
Atualmente existem outros que permanecem recusando a existência do Criador, a exemplo do biólogo Richard Dawkins, que escreveu o livro “Deus, um delírio”. Nessa esteira ateia, o Diretor do Projeto Genoma, Francis Collins escreveu o livro “A linguagem de Deus”. A Ciência sempre negou o Deus “teológico” porque Ele seria um tipo de protótipo correspondente exclusivamente à criatura humana, a ponto de tê-la criado à sua imagem e semelhança, o que, por si, não recomenda nada este Criador. O homem teria sido feito a partir de um modelo cheio de defeitos desde os morais até os físicos.
Em 1921, inquirido pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, Albert Einstein redargüiu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens".(1)
No final do Século XIX, Kelvin, expoente e considerado o “Pai” da Termodinâmica(2), foi categórico em sua declaração: Acabou, Chegamos ao zênite! a ciência já sabe como estudar o movimento, a eletricidade e o magnetismo; não há nada além desses universos físicos. Entretanto, poucos anos depois desvendaram o átomo, o elétron e, já no começo do século XX, Albert Einstein instituiu a Teoria da Relatividade.(3) A cada desvendar científico sobre o ilimitado macro e micro cosmo assinala-se a certeza de que a vida universal oferece enigmas maiores e mais profundos sobre sua verdadeira essência, transtornando a hegemônica e materialista inteligência científica.
Como nem todo pesquisador é ateu, materialista e presunçoso, importa fazer referência a um livro de expressiva importância científica – “A Partícula de Deus” – publicado nos Estados Unidos pelo físico Leon Lederman, Prêmio Nobel em 1988, em que defende a tese de que Deus existe e está na origem de todas as coisas. O desempenho de investigação do físico holandês, Willem B. Drees, autor de “Além do Big Bang – Cosmologia Quântica e Deus”, demonstra com clareza que há um empenho crescente pela inquirição científica, fundamentado na certeza da existência de Deus.
Marcos Eberlin, presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas e membro da Academia Brasileira de Ciências(4), sustenta a Teoria do Design Inteligente. Assegura que adota uma metodologia científica robusta capaz de detectar sinais de inteligência na vida e no universo. Para ele, Deus é uma mente inteligente (causa primeira da vida) e consciente, único agente conhecido, necessário e suficiente para a vida e o Cosmo. Ou seja, o design detectado no universo e na vida não é aparente ou ilusório, mas real e inteligente. O físico americano Paul Davies, no seu livro intitulado Deus e a Nova Física, afirma, categoricamente, que o Universo foi desenhado por uma inteligente consciência cósmica.
Eberlin assume que a Vida é fenômeno de Deus, sobretudo ao nível molecular, em que constatamos ainda mais claramente as assinaturas da mente inteligente e consciente do Grande Regente (Deus), que orquestrou os diversos códigos e a informação zipada, encriptada e compartimentalizada do DNA, tipo hard-disk. A arquitetura top-down algorítmica da vida, sua lógica é estonteante e hiperotimizada.
A descoberta da "partícula de Deus" poderia completar os elementos essenciais do chamado Modelo Clássico da física, derivado da labuta de Albert Einstein e seus herdeiros no começo do século 20, e que abriu caminho para a "nova física". Nessa direção quase transcendental da física, os cientistas já conseguiram até mesmo capturar átomos de antimatéria por mais de 16 minutos. A antimatéria é um dos grandes mistérios ainda não completamente explicados pelas teorias modernas da física.
Um átomo se compõe de diversas partículas elementares (o elétron, o próton, o nêutron e outras mais), algumas leves e outras pesadas. A existência de méson (uma partícula intermediária) entre as leves (léptons) e as pesadas (hadrons), segundo se diz, tem a finalidade exatamente de estruturar o átomo. O méson (é um bóson) tem um comando para que possa atuar em sua devida função. Para Yukawa, descobridor do méson, este seria o elo entre a vida material do átomo e o seu respectivo estruturador.(5)
O bóson de Higgs, ou “Partícula de Deus”, supostamente garante massa a todas as demais; seria teoricamente a última fronteira não resolvida pela física. Explicaria como os átomos ganharam massa, dando origem à matéria. Para alguns aventureiros, se ficasse comprovada a existência do famigerado Bóson de Higgs, a teoria do “Deus criador” ruiria por terra, já que ficaria evidenciado que não haveria a necessidade de nenhum agente espiritual divino para a formação do mundo.
É atitude aparvalhada e destituída de sensatez a caça da partícula “Deus” nos confins da matéria e no interior do “Campo Higgs”. Ora, Deus não é episódio! Deus é Origem das coisas. Deus É! Puramente É!... Deus se revela em suas obras, como a de um pintor no seu quadro, elucida Allan Kardec, ilustrando que “as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.”.(6)
No século XIX, o ínclito Mestre de Lyon indagou aos Espíritos: "Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?”(7) Os Sábios do Além responderam: “Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá".(8)
Incontestavelmente, não há efeito sem causa, e para todo efeito inteligente tem que haver uma causa inteligente; como tal, a matéria não poderia existir sem que houvesse a Inteligência Suprema que atuasse sobre a energia cósmica amorfa e a modulasse, formando suas partículas desde as mais elementares às mais complexas, inclusive, as que permitem transformá-las em seres biológicos. Da megaestrutura dos astros à infra-estrutura subatômica, tudo está mergulhado na substância viva da mente de Deus.
Carl Gustav Jung, num programa de televisão americana, disse que não acreditava em Deus porque sabia que Ele existia!!! Voltaire afirmou que não acreditava nos deuses criados pelos homens, mas sim no Deus Criador do homem. Sócrates nomeava Deus como "A razão perfeita", e o seu educando Platão O designava por "Idéia do bem". "Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber".(9)
Com a ciência poderemos até mesmo adentrar na intimidade da estrutura atômica, fotografar a célula e extasiar-nos ante a genética. Entretanto, não alcançaremos, sem prejuízos psíquicos e emocionais, deslocar a idéia de Deus em um milímetro de rota. Deus representa claridade de um Sol que ilumina a Inteligência humana, e sem esse Astro Rei portentoso nas vias do conhecimento terreno, perderíamos contato com a magnífica construção da sabedoria.
Jorge Hessen

Referências Bibliográficas:
(1)           Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.
(2)           Genericamente, calor significa "energia" em trânsito, e dinâmica se relaciona com "movimento". Por isso, em essência, a Termodinâmica estuda o movimento da energia e como a energia cria movimento.
(3)           Muitos historiadores e físicos atribuem a criação da famosa fórmula que explica a relação entre massa e energia ao físico italiano Olinto De Pretto, que, segundo especulações, desenvolveu a fórmula dois anos antes que Albert Einstein, e que teria previsto o seu uso para fins bélicos e catastróficos, como o desenvolvimento de bombas atômicas. Apesar disso, foi Einstein o primeiro a dar corpo à teoria, juntando os diversos fatos até então desconexos e os interpretando corretamente.
(4)           Professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e autor de mais de 300 artigos científicos com mais de três mil citações. Realizou pós-doutorado na Purdue University, Estados Unidos
(5)           Hideki Yukawa Especializado em física atômica e familiarizado com as ferramentas quânticas, propôs em 1935 uma original teoria que explicava a natureza das forças nucleares fortes, fazendo uso de uma partícula, o méson, cuja massa se situa entre os valores do próton e elétron, uma teoria análoga à vigente em eletrodinâmica quântica, que explicava a interação entre cargas elétricas por meio de intercâmbio de fótons. acreditava em Deus, era reencarnacionista e admitia a vida espiritual fora da matéria.
(6)           Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1994, Questão 16
(7)           Questão 4
(8)           idem
(9)           Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed Feb, 2001, Cap. II - A Providência, item 34.

22 fevereiro 2012

A CONVERTIDA DE MIGDOL, UMA APÓSTOLA


A biografia de Maria de Magdala é um dos mais admiráveis temas da história do Cristianismo, destacando-se como exemplos inesquecíveis sua sujeição na ilusão da beleza inóspita e sua posterior ternura aos hansenianos do Vale dos Imundos.
Segundo consta na tradição, a “mansão” daquela mulher, em Magdala ou Migdol (torre), hoje el-Mejdel, à época cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia, era procurada pelos príncipes das sinagogas, abastados comerciantes, bilionários senhores de terras e de escravos, funcionários de alta categoria da administração herodiana, que lhe assentavam no cofre moedas de ouro, jóias, dracmas de prata, perfumes raros, presentes exóticos.
Aquela mulher ficou conhecida como Maria Madalena, personagem que traz à tona discussões com interpretações dessemelhantes sobre sua vida. Destarte, optamos por esquadrinhar um consenso a propósito de determinadas questões fundamentais, para que nossa pesquisa não perdesse apropriada uniformização do seu conteúdo.
Há quem afirme que muito mais a tradição do que a realidade se encarregou de difundir a suposta má fama de Madalena. “O Talmud apresenta como casada com o judeu Pappus Benjudah, que abandonou para unir-se ao oficial de Herodes chamado Panther; não era necessariamente uma "pecadora pública" nem uma "viciada" como a descreve Gregório Magno”.(1) Muitos a identificam como endemoninhada (por sete obsessores), prostituta (as bases históricas dessa última afirmação parecem ser bastante frágeis para alguns exegetas). Sabe-se, com certeza, que a Maria difamada de Magdala não era feliz.
Alguns escritores e estudiosos contemporâneos, baseados nos Evangelhos Canônicos, nos livros apócrifos do Novo Testamento e nos escritos gnósticos, sobretudo Margaret George, Henry Lincoln, Michael Baigent e Richard Leigh, autores do livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada (1982), e Dan Brown, autor do romance O Código da Vinci (2003), apesar de proporem teses mirabolantes, descrevem Maria Madalena como uma apóstola.
Certa noite, instada por uma serva de confiança, permitiu um diálogo sobre um Excelso Peregrino que percorria as estradas da Galiléia e da Judéia. Entusiasmada, no dia seguinte, servindo-se de frágil embarcação, atravessou o lago para conhecer Jesus, em Cafarnaum. Os dias se passaram até quando o Cristo esteve em Magdala, a proprietária da famosa “casa nobre” tomou de um vaso de alabastro que continha o perfume do lótus, comprada a preço de ouro.
Era seu presente ao sublime Rabi da Galileu. Sabendo-O num banquete em casa de Simão, um rico comerciante da Galiléia, para lá se dirigiu.(2) Quase ao final da ágape, rompendo a segurança, a famosa e afamada de Magdala(3) irrompe na sala e se arroja aos pés do sublime Galileu. O endinheirado Simão, dono do casarão se enche de fúria, mas receia determinar expulsá-la.(4) O afetuoso Nazareno exalta o gesto daquela corajosa Madalena que ajoelhada a seus pés, rega-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus sedosos cabelos e os unge com o sobrenatural bálsamo que invade todo o recinto. O divino Senhor simplesmente diz: por esse gesto  te digo que os teus muitos pecados te são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama. Mulher, a tua fé te salvou; vai-te em paz.(5)
Avaliava o Mestre o coração daquela alma intensamente amorosa, transitoriamente fraquejada sob o guante da ilusão da beleza física desértica. Por isso investiu na sua recuperação, incentivando a modificar de vida, o que ela acolheu com a consistência adamantina da sua personalidade forte e iniciou um rumo novo, transformando-se, depois da Mãe de Jesus, no maior exemplo de Amor na face da Terra.
Na manhã subsequente a população de Magdala soube, surpreendida, a notícia da conversão da mulher, insígnia da iniquidade. Ela abrira mão de todos os bens materiais que possuía e, com o estritamente necessário, iniciara nova vida. Juntou-se discretamente aos que seguiam o Messias, mas infelizmente por várias vezes, recebeu a bofetada da suspeição.
No transcurso dos meses, atingindo os momentos da traição de Judas, da prisão de Jesus, do julgamento arbitrário, ei-la, peregrinando para o Gólgota, acompanhando-O. A convertida de Magdala conservou-se ao pé da cruz, unida a Maria de Nazaré e ao jovem João Evangelista. No instante em que a fronte do Mestre pendeu pesada, ansiou abraçar-se outra vez aos Seus pés e osculá-los com soberana veneração, porém se sentiu imobilizada.
No domingo (três dias após o martírio da Cruz), chegando ao túmulo do Mestre ao lado de Joana de Cusa, Maria (mãe de Marcos) e outras mulheres (6), deparou com a pedra do sepulcro deslocada, dobrados os lençóis de linho que lhe haviam envolvido o corpo e o sepulcro vazio. Madalena teve receio que os fanáticos judeus houvessem furtado e escondido o corpo do Príncipe da Paz.(7) Enquanto as demais mulheres retornaram a Jerusalém, a fim de noticiar o sucedido, Madalena conservou-se no jardim adjacente, a chorar.
A nostalgia feita de agonia lhe enxovalhava o coração, quando escutou a dúlcida voz do Crucificado, chamando-a: - Mulher! “[Gyne]”(8) Ela se volta, e mal consegue avistar um vulto, os olhos ainda embaciados pelas lágrimas e as pupilas dilatadas pela escuridão do sepulcro. Seria o jardineiro? Teria ele ocultado o corpo do Divino Amigo? Então, os ouvidos descobrem o que os olhos não podem desvendar: a voz torna a chamá-la, mas desta vez pelo nome: Maria! Quando a filha de Magdala ouve aquela voz transcendente chamando: “- Maria!”, ocorre uma transformação admirável: ela reconhece o suave Rabi redivivo, e exclama: “- Raboni(9), meu Mestre!” E, literalmente, tenta abraçá-lo, todavia não era momento para tocá-lO.(10)
Interessante meditar “por que razões profundas deixariam o Divino Mestre tantas figuras mais próximas de sua vida para surgir aos olhos de Madalena, em primeiro lugar? O gesto de Jesus é profundamente simbólico em sua essência divina. Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta violência a si mesmo para seguir o Salvador, como a inesquecível obsedada de Magdala.”.(11) A ex-vendedora de ilusões difamada pelos madalenos, em quem se costumava atirar injúrias, no encontro com o Mestre materializado redescobre sua identidade e até amplia seu horizonte existencial. Ao reconhecer Jesus, imediatamente O coloca acima, chamando-O Raboni. O Cristo estava ali, redivivo, radioso como a madrugada recém nascida.
Madalena foi anunciar o episódio aos apóstolos, que não acreditaram. Por que haveria Jesus de aparecer logo para ela? No entanto, Maria de Nazaré a abraçou e lhe pediu detalhes. Os dias que se seguiram foram de saudades e recordações. As notícias auspiciosas chegavam-lhe aos ouvidos.
Soube que naquele mesmo dia, indo dois discípulos para suas residências situadas nos arrabaldes (Emaús), distante de Jerusalém sessenta estádios(12), os discípulos enquanto conversavam, o Cristo se lhes juntou e se pôs a caminhar com eles (Jesus havia tido seus pés dilacerados na crucificação); - mas não O reconheceram. “Ao aproximarem-se de suas casas, o Crucificado queria ir adiante. Os dois disseram-Lhe: - Fica conosco, que já é tarde. Ele entrou com os dois. Estando com eles à mesa, dividiu o pão, abençoou-o e lhes deu. Abriram-se-lhes ao mesmo tempo os olhos e ambos O reconheceram; Jesus, porém, lhes desapareceu das vistas.
Madalena soube que Jesus apareceu também para “Simão Pedro ,Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos à margem do mar de Tiberíades.”.(13)
Depois disso, “Jesus os conduziu para Betânia e, tendo levantado as mãos, os abençoou, e, tendo-os abençoado, se separou deles e foi arrebatado ao infinito. Quanto a eles, depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém, cheios de alegria.”.(14)
A convertida de Magdala experimentou solidão e abandono e, para suavizar a imensa saudade do Rabi, passou a andar pelas longas praias que tanto O relembravam. Numa dessas tardes, encontrou leprosos que vinham da Síria a fim de buscar o socorro da cura. Ela os abraçou, dizendo-lhes que Jesus foi crucificado. Deteve-se por horas a falar, saudosa, do que aprendera com quem era o Caminho, a Verdade e a Vida. Depois, seguiu com eles ao vale dos imundos (leprosos).
Alguns anos após, devorada pela lepra, sentindo que ia desencarnar, desejou rever Maria de Nazaré e foi a Éfeso. Após três dias de delírios, sentiu-se repentinamente expulsa do corpo, na praia onde encontrara os leprosos sírios e, sua aparência era de quando jovem e bela. Nesse momento vê caminhar sobre as águas a figura de Jesus que lhe disse:
- Vem Maria, já atravessaste a porta estreita. Todas as tuas culpas estão perdoadas porque muito amaste e muito sofreste. Eu estava a tua espera. Agora dorme. Eu te escolho para que venhas ao meu reino! Madalena adormeceu nos braços de Jesus.
Jesus realizou duas hierarquias de “ressurreição”: “ressurreição” do corpo, e “ressurreição” do espírito. “Ressuscitou” Lázaro, e “ressuscitou” Madalena. Aos olhos do mundo, a primeira dessas duas maravilhas assume maiores proporções, mas, aos olhos de Deus, o segundo prodígio é mais belo, mais valioso. O corpo de Lázaro veio a morrer após aquela “ressurreição”. Madalena nunca mais morreu, porque o que nela ressurgiu não foi a carne, foi o espírito. O mundo se maravilha na “ressurreição” de Lázaro. O Mundo Espiritual Superior se extasia da “ressurreição” de Madalena.
Especula-se que após essa encarnação dos tempos apostólicos, Maria de Magdala ainda teve outras encarnações, até chegar a encarnar pela última vez como Madre Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) cujo nome verdadeiro era Teresa de Cepeda Y Ahumada, uma revolucionaria religiosa nascida na Espanha em 1515 e falecida em 1582.(15) “Se non è vero, é ben trovato”.(16)
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Referência bibliográfica:
(1)           Pastorino, Carlos T. Sabedoria do Evangelho , Rio de Janeiro: Ed Sabedoria, 1964
(2)           Não deve ser confundido com outra cena semelhante, ocorrido mais tarde (em abril do ano seguinte) na casa de Simão, ex-leproso, em Betânia (Mat. 26:6-13, Marc. 14:3-9 e João, 12:1-8), quando Maria de Betânia, irmã de Marta, executou o mesmo gesto.
(3)           Alguns exegetas não reconhecem  Maria Madalena como sendo a mulher da narrativa de Lucas.
(4)           Por delicadeza, Marcos  omite o nome da mal-afamada. Esse silêncio fez com que na igreja antiga se desenvolvesse uma interpretação extremamente confusa.
(5)           Lucas, VII, 47 e 48
(6)           De acordo com Lucas e Marcos, o objetivo, para as mulheres se dirigirem ao túmulo, foi embalsamar o corpo de Jesus com especiarias
(7)           A pilhagem de sepulturas era algo bem comum na Palestina, onde as tumbas ficavam acima do chão. Diante disso, um crime devia ser esperado, uma vez que Jesus foi sepultado num túmulo emprestado, de um rico doador.
(8)           Em grego, mulher é gyne, de onde derivam as palavras portuguesas “gene”, “genética”, “gênero”, “gênesis”
(9)           O termo "Raboni" é mais solene que o habitual "Rabi"
(10)        Na narrativa joanina , Madalena ela é destacada como primeira testemunha do túmulo vazio (20:1-10) e como a primeira pessoa a quem o Senhor ressurrecto apareceu (20:11-18), em contraposição aos Sinópticos, onde ela dividiu estas experiências com várias outras mulheres (Mat. 28:1-10; Mar. 16:1-8; Luc. 24: 1-11
(11)        Xavier, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap.  92)
(12)        O estádio romano valia 625 pés romanos ou seja 185 metros
(13)        Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 59
(14)        Lucas, cap. XXIV, vv. 50 -53 e At :9-12
(15)        Disponível em http://feparana.com.br/parolima.comacesso em 16/02/2012
(16)        "Se não é verdade, é bem contado."

15 fevereiro 2012

SUICÍDIOS NA EUROPA – ALGUNS APONTAMENTOS ESPÍRITAS

A Grécia tem sido notabilizada ao longo dos séculos como um dos berços da civilização ocidental. Aos gregos são atribuídas realizações legendárias nas áreas da filosofia, das artes plásticas, do teatro, da política, da gastronomia e da organização de cidades. Entre as maiores contribuições está a mitologia. E as mais conhecidas e notórias narrativas mitológicas estão contidas nas duas grandes obras de Homero – “A Ilíada” e “A Odisséia”. Alguns dos expoentes gregos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Péricles e Sólon (entre muitos) são considerados patrimônio eterno da sabedoria humana.
Os milênios esvaíram-se nos labirintos dos anos. Hoje a Grécia atravessa momentos de flagelo econômico, com drásticas consequências psicossociais. Ondas de suicídios adensam a psicosfera grega. Nos cinco primeiros meses de 2011 houve um aumento de 40% nos suicídios na república helênica, em semelhança a período homólogo, conforme dados do Ministério da Saúde. Sob o ponto de vista sociológico, o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas(1), em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis.
O pensador Émile Durkheim teoriza que a "causa do suicídio, quase sempre, é de raiz social, ou seja, o ser individual é abatido pelo ser social. Absorvido pelos valores [sem valor], como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não ser um perdedor, de ser o melhor, de não falhar, o jovem se afasta de si mesmo e de sua natureza.
Segundo avaliação dos estudiosos, alguns países do Velho Continente precisam de um plano nacional para a prevenção de suicídios, pois é assustador o número de mortes auto-infligidas. A taxa de autocídio aumentou em toda a Europa desde o início da crise financeira em 2008, e de acordo com um estudo recente do jornal médico britânico The Lancet, a Grécia é um dos países que sofreu o maior impacto da crise.

Na França, como se não bastasse o preocupante “Dia nacional de prevenção ao suicídio”, a Justiça francesa está investigando a onda de suicídios na operadora de telefonia France Telecom. Nos últimos anos, 46 funcionários da companhia se mataram – 11 deles apenas em 2010, segundo dados da direção da empresa e dos sindicatos.
Até mesmo no Novo Mundo, nos EUA, a Universidade de Cornell, no estado de Nova York, lançou recentemente uma campanha de prevenção ao suicídio. A Universidade já carrega há muito tempo a fama negativa de ser uma escola marcada por suicídios. Entre 2000 e 2005 houve 10 casos de suicídio confirmados nessa instituição.
O suicídio é um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas. Os nexos causais são numerosos e complexos. Os determinantes do suicídio patológico estão nas inquietações mentais, desesperanças, tristezas, desequilíbrios emocionais, delírios crônicos etc.
Existem os processos depressivos, em que há perda de energia vital no organismo, desvitalizando-o e, consequentemente, interferindo em todo o mecanismo imunológico do indivíduo. O suicida é, especialmente, um deprimido, e a depressão é a doença da modernidade. A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas asseveram que ninguém tem o direito de abreviar, voluntariamente, a vida. Por que não se tem esse direito?
Ao Espiritismo estava reservado comprovar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral – consideração essa de pouco peso para certos indivíduos – mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica. A Doutrina dos Espíritos adverte: o suicida, além de sofrer no plano espiritual as dolorosas consequências de seu gesto extremo, de revolta diante das leis da vida, ainda renascerá com todas as sequelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar, novamente, a mesma situação provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiram o êxito existencial.
A rigor, não existe pessoa "fraca" a ponto de não suportar um problema, por julgá-lo superior às suas forças. O que de fato ocorre é que essa criatura não sabe como mobilizar a sua vontade própria e enfrentar os desafios. Na Terra, é preciso ter calma para viver, até porque não há tormentos e problemas que durem uma eternidade. Recordemos que Jesus nos assegurou que "O Pai não dá fardos mais pesados que nossos ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo”.(2)
Situação grave que merece ser avaliada é a obsessão. Há suicídios que se afiguram como verdadeiros assassinatos, cometidos por perseguidores desencarnados (e encarnados também). Esses seres envolvem de tal forma a vítima que a induzem a se matar. Obviamente que o suicida nesse caso não estará isento de responsabilidade, porque um obsessor não obriga ninguém ao suicídio. Ele sugere telepaticamente o ato, porém a decisão será sempre de quem o pratica.
Refletindo sobre a grave questão em "O Livro dos Espíritos", Kardec indaga aos Espíritos: “que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?”. Os Benfeitores da Codificação Espírita redarguiram: "Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!"(3); “A vida na Terra foi dada como prova e expiação, e depende do próprio homem lutar, com todas as forças, para ser feliz o quanto puder, amenizando as suas dores”.(4)
 

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Referência:

(1)    Anomia é um estado de falta de objetivos e perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno (1)    Cf.  informa a edição online do jornal de Hong Kong South China Morning Post
(2)    MT. 24:13
(3)    Kardec , Allan, O Livro dos Espíritos, RJ: Ed FEB, 2001, perg. 945
(4)    idem perg. 920

06 fevereiro 2012

MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, UMA REFLEXÃO ESPÍRITA

Ao realizar a vasectomia em comum acordo com a esposa, tendo dois filhos e sem projetos para outros e considerando que a consorte, por recomendações médicas, não pode tomar pílula anticoncepcional, perguntou-nos certo leitor, se ele lesaria o perispírito? Dissemos que a questão é complexa e deve ser analisada conforme cada caso. Explicamos que não se pode ter uma visão simplista do assunto, até porque as situações e casos devem ser abordados em particular e individualmente, por pessoas preparadas e com conhecimento desses tópicos para melhor orientar os envolvidos.
Todavia, em face da insistência do nobre leitor para que opinássemos, dissemos a ele que temos o direito de fazer o nosso planejamento familiar e essa decisão está atrelada ao livre arbítrio dos casais. Sem colidir com a coerência doutrinária, explicamos que a prole é programada no mundo dos Espíritos, considerando as determinações de crédito e débito, oriundas das vidas pregressas, antes da incursão no corpo físico. Portando, “planificamos a formação da família antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos.”.(1)
Há escolhas que antecederam o planejamento reencarnatório, bem como aquelas no decorrer da encarnação – são conhecidas como momentos de decisão. Será então que “podemos proceder à escolha de nossas provas, enquanto encarnados? Sim, é possível. Mesmo na vida material, há sempre momentos em que nos tornamos independentes da matéria que serve-nos de habitação.”.(2)
Os filhos derivam de pactos asilados antes do processo reencarnatório pelos futuros pais, visando erguerem a família de que carecem para a inevitável evolução. Mas é de boa lembrança não deixar as coisas por conta da natureza – pode ser insensatez e imprudência. O Criador nos deu o uso do raciocínio no bom emprego das leis naturais. Não fosse assim, em que pese os prévios compromissos pactuados no “além”, teríamos que procriar indefinidamente, durante toda a existência física, o que obviamente não seria uma atitude racional.
Na literatura básica do Espiritismo não há referência específica sobre os métodos contraceptivos da vasectomia e da laqueadura de trompas. Não obstante, analisando O Livro dos Espíritos, no capítulo sobre a “Lei de Reprodução”, encontramos alguns subsídios importantes para discutir o tema. Aprendemos com os Espíritos que se pode controlar a natalidade, sem abusos. Porém, advertem-nos os Benfeitores que se o objetivo for a sensualidade, onde a predominância do lado animal esmague os anseios do espírito, acarretará gravíssimas conseqüências morais. E quanto mais nos sentimos culpados por alguma coisa, igualmente isto nos afeta o campo emocional.
Há os que fazem vasectomia ou a laqueadura de trompas apenas para evitar as complicações oriundas de uma gravidez indesejada. Todavia, permanecem abusando da sensualidade. Estes, naturalmente, terão na mente culpada os reflexos perversos, acicatando a consciência. A culpabilidade é de contínuo uma nesga de sombra eclipsando-nos a visão. O sentimento de Culpa é sempre um colapso da consciência e, através dele, sombrias forças do mal se insinuam.
O controle da natalidade precisa ser verificado à luz da finalidade de quem o pratique. Se o intuito for de levar a cabo um planejamento familiar que se ajuste às realidades do casal, sobretudo de ordem financeira, nada encontramos nas orientações kardecianas que o desaprove. Se contudo a finalidade é puramente física, de nutrir a sensualidade, de ter uma atividade sexual voltada precipuamente para o prazer, aí a circunstância muda de silhueta. Neste caso, estará sendo contrariada a Lei Natural e a implicação será a obrigatória retificação numa reencarnação subsequente, de forma bastante dolorosa.
Existindo motivo genuinamente justo, podemos limitar nossa prole, principalmente se já possuímos filhos e não desejamos ter outros. Percebemos nessa suposição corretamente admissível que podemos evitar a concepção. Se alguém escolhe fazer vasectomia ou laqueadura de trompas apenas como forma preventiva de se livrar de filhos e se despreocupar para ter uma vida sexual intensa e inconsequente, a conotação e a implicação serão uma. Se, ao contrário, em razão de uma patologia grave pela qual seria arriscado gerar filhos sob pena de vir a mãe desencarnar, a consequência será outra. A rigor, o que vai definir se haverá ou não transgressão às Leis Naturais será a intenção que motivou a decisão de fazer a cirurgia.
Chico Xavier, que não era avesso aos anticoncepcionais, disse: “acreditamos que o anticoncepcional é um recurso que nos foi concedido na Terra pela Divina Providência para que a delinquência do aborto seja sustada, uma vez que a criatura humana, por necessidade de revitalização de suas próprias forças orgânicas, naturalmente precisará do relacionamento sexual entre os parceiros que estão compromissados no assunto, mas usarão esse agente anticoncepcional para que o crime do aborto seja devidamente evitado em qualquer parte do mundo.”.(3) O “Mineiro do Século” afirmou que “os anticoncepcionais não estarão invadindo a Terra sem finalidade justa. Pessoalmente, acreditamos que o casal tem direito de pedir a Deus inspiração para que não venha a cair em compromissos nos quais eles, os cônjuges, permaneçam frustrados.”.(4)
Sabemos que  há métodos e métodos contraceptivos. Sobre a vasectomia ou a laqueadura de trompas, cremos que a atual tecnologia detém outras maneiras menos traumáticas para se evitar a procriação, que não precisam de procedimentos invasivos (cirúrgicos) nem ocasionam qualquer lesão física. Tais métodos de contracepção, por serem menos hostis, podem ser utilizados. Os procedimentos cirúrgicos precisam ser repensados, adiados e/ou impedidos por serem medidas extremas, definitivas e com altos índices de irreversibilidade.
A orientação espírita permite-nos contemplar a gestação como uma série de episódios que extrapolam em muito os aspectos físicos. Dessa forma, a eleição de métodos contraceptivos abarca encargos morais superiores aos que possamos imaginar. E nada mais prudente do que a informação para nos auxiliar em nossas deliberações. A possibilidade de recorrer a métodos eficazes para planejar adequadamente o nascimento dos filhos é umas das melhores contribuições da ciência. Por essa razão, os métodos contraceptivos precisam ter a restrição e a recomendação apropriada pela medicina terrena a fim de se evitar a esterilidade irreversível.
Em razão da prorrogação definitiva de uma reencarnação pré-agendada, ocorrerá sim acicates conscienciais, ferindo o perispírito. É importante considerar o grau de consciência do ato deliberado e da sua intenção, pois esses são vetores importantes que podem amenizar ou ampliar patologias emocionais, neuroses, psicoses, infertilidade, doenças sexuais diversas, compressão mental através de perseguição espiritual produzida pelos “filhos” rejeitados de “lá”.
Por esses motivos, pode-se recorrer a diversos outros métodos menos traumáticos ao corpo psicossomático. Cremos que o ideal é o emprego de métodos anticoncepcionais capazes de apenas impedir a fecundação. Ou seja, controle feito através de métodos naturais como a tabelinha, a ovulação, o muco cervical, cópula descontínua e a temperatura, ou métodos artificiais como preservativo de látex, espermicida, diafragma, pílula anticoncepcional. Somos impetuosamente contrários ao uso da pílula do dia seguinte e fazemos ressalvas ao DIU , pois 
na área da medicina muitos ginecologistas têm debatido se ele é ou não abortivo.  Obviamente se não é abortivo, é um método válido para contracepção. A vida inicia na concepção, se o DIU age após a fecundação , visando interromper o processo da gravidez é absolutamente  contrário aos preceitos espíritas.
Em suma, sobre o assunto, cada caso é um caso. Todavia, desaconselhamos a utilização rotineira e indiscriminada de medidas contraceptivas, exceto que haja um pretexto lícito e doutrinariamente aceitável, lembrando, nesse contexto, que os ditames da Lei de Deus encontram-se no âmago da consciência de cada um.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net



Referência Bibliográficas:

(1)    Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo , ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap 17
(2)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000,  questão 267
(3)    Disponível  no portal http://www.editoraideal.com.br/chico_ler_perguntas.php?id=21, acessado em 05/02/2012
(4)    Chico Xavier em Goiânia, págs. 49, 64, 65 e 66)