24 abril 2012

O AMOR É A FORÇA MAIS ABSTRATA E MAIS PODEROSA QUE O MUNDO POSSUI (GANDHI)

O Evangelista João anotou na sua magna escritura que Deus é amor. O vidente de Patmos expôs que o Divino mestre indicou um novo mandamento: “Que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou, pois somente assim nos reconheceríamos como discípulos do Cristo.”.(1) Nas instruções dos Benfeitores, aprendemos que o amor e a sabedoria são duas asas que nos conduzem ao pináculo da evolução. Essas alegorias são identificadas como desenvolvimento moral e avanço intelectual; ambas são imperativas ao avanço espiritual, sendo lícito, porém, ponderar a ascendência do amor sobre a ciência, uma vez que o componente intelectivo sem amor pode proporcionar abundantes perspectivas de queda, na reprodução das provas, enquanto que o progresso moral nunca será demasiado, fortalecendo a essência mais admirável das potências espirituais.
A presente geração, amputada de maiores anseios espirituais, intrinsecamente hedonista, sensual, consumista, conferindo a si mesma as mais elevadas aquisições de caráter prático na província da razão, produziu os mais extensos desequilíbrios nos cursos evolutivos do planeta, com o seu imperdoável alheamento do amor.
Diz-se que “o amor é a força mais abstrata e, também, a mais poderosa que o mundo possui”, consoante afirmou Mahatma Gandhi, e nessa confiança, o iluminado da Índia conseguiu sozinho neutralizar o ódio de milhões de compatrícios jugulados sob o tacão do império britânico.
"A natureza deu ao homem a necessidade de amar e de ser amado".(2) Alguns estudiosos pragmáticos afirmam que o "amor" é a decorrência de ajustada reação química conduzida pelo cérebro. Nos argumentos inconsistentes, os "especialistas" propõem uma análise dos sentimentos apenas como resultante de um aglomerado de forças nervosas, movimentando células físicas geridas pela combinação de substâncias neurotransmissoras. Obviamente o amor não se traduz nisso.
Até porque o amor não se deixa decifrar, repelindo toda tentativa de definição. Por isso, a poesia, campo mítico por excelência, encontra, na metáfora, a tradução melhor da paixão, como se esta fosse o amor. Nesse imbróglio, o psiquiatra William Menninger, dos EUA, vociferou: "o amor é um sentimento que a gente sente quando sente que vai sentir um sentimento que jamais sentiu".(!) (3)
Esse vazio conceptual deve-se à dificuldade de manifestação do amor na forma de solidariedade e fraternidade no mundo contemporâneo. A ampliação dos centros urbanos cunhou a “Era da alienação”, a síndrome da multidão solitária, das adesões afetivas frágeis. As pessoas estão lado a lado, mas suas relações são de contiguidade e brutal desconfiança.
O verdadeiro amor é o convite para banir o egoísmo. Se a pessoa for muito centrada em si, não será capaz de ouvir o apelo do próximo. É a sublimidade dos bons sentimentos dirigidos ao outro, porém, sem que haja limites ou condições para que expressemos tais sentimentos de vínculo fraterno; é o abraço, o olhar sereno, o aperto de mão, as palavras de ânimo e respeito, os ouvidos atentos para ouvir serenamente; tudo isso em função do semelhante, contudo, sem que venhamos impor ao próximo que nos recompense; e, mais ainda, que todo esse sentimento possa alcançar as pessoas, não apenas nossos consanguíneos, mas também amigos próximos e companheiros de jornada humana.
Em síntese, tudo o que possamos idealizar sobre o amor pode se consubstanciar como parcela deste sentimento, mas ele é muito maior e mais abrangente, até porque o bem-querer, a bondade, a tolerância, a alegria, a proximidade só poderão ser um fragmento do amor quando não tiverem laços no apego, na imperiosa necessidade de permuta, no egoísmo que exigem sempre condições e regras.
Em suma, o amor só será verdadeiro e incondicional quando for dilatado por todos nós, a todas as coisas e a todos os seres que nos cercam, nessa estupenda experiência humana que é a própria vida.
Jorge Hessen
Referência bibliográficas:
(1)           (João:13 vs 34-35)
(2)           Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed FEB , 2000, questão 938-a
(3)           Menninger, William. ABC da psiquiatria, São Paulo: Editora IBRASA, 1973

19 abril 2012

ESPIRITISM0 - 155 ANOS (ALGUNS COMENTÁRIOS)


Meio século após a Revolução Francesa, também no palco da grande demanda popular, o professor Rivail, com o aporte dos luminares Benfeitores do além, publicava o livro que apontaria o alvorecer de distinta, porém ampla revolução aos franceses e ao mundo. Desta vez, uma insurreição intrínseca, sucessiva e silenciosa, por consubstanciar na intimidade de cada indivíduo.
Estava sendo oferecido à Humanidade O Livro dos Espíritos, numa clara manhã de primavera sob o pulsar da Estrela Maior, regente do sistema planetário, que alberga a humanidade. Era o dia 18 de abril de 1857, no majestoso Palais Royal, na Rua de Rivoli, Galeria d' Orleans, número 13, exatamente na Livraria E. Dentu, que é publicado o primeiro livro espírita, contendo os excelsos postulados da Terceira Revelação. Ante este espetáculo transcendente surgia a Doutrina Codificada pelo gênio de Lyon, Allan Kardec.
O Livro dos Espíritos é acatado pelos estudiosos como a insigne literatura da mais avançada Filosofia que se tem notícia na História terrestre, pois aborda temas que raiam todas as províncias do conhecimento. Com o notável livro inaugura-se a Era do Espírito e da Fé Racional.
Um dos pontos culminantes da extraordinária obra espírita é o preceito da lei das vidas sucessivas (reencarnação), recomendando abonar a realidade de que não encarnamos uma só vez, mas, tantas e quantas forem necessárias a fim de nos tornarmos seres perfeitos e portadores das mais nobres qualidades intelectuais, morais e espirituais.
Cento e cinquenta e cinco anos se esvaíram, e nesta quadra em que a badalação na mídia, em especial no cinema e na televisão, se destaca como fator de publicidade doutrinária, constituindo em novo campo de disputa no espaço público, o Espiritismo vem alargando sua inserção social entre as camadas de classe sociais de todos os segmentos.
Doutrina de educação moral e de liberdade, propõe a revisão de modelos comportamentais, assumindo-se valores verdadeiros e imorredouros, como humildade, honestidade, dignidade, amor ao próximo e outras virtudes como sendo a fórmula revolucionária de melhoria progressiva da Humanidade.
Nesses 155 anos, quando muitos confrades e instituições se movimentam para comemorações ao longo de 2012, cabível advertir que não bastam as manifestações exteriores alusivas ao Espiritismo e as reuniões de congraçamento de grande número de pessoas. Mais importante de tudo será o alcance em profundidade que essa mensagem de renovação e de esperança se dê em nós, para que movimente-nos a intimidade, impulsionando-nos no dia-a-dia para uma vivência em plena consonância com as proposições de Jesus.
Para esse mister torna-se imperioso mantermos o Espiritismo com a pureza essencial, aos moldes do Cristianismo nascente, sem permitir que sejam incorporadas práticas estranhas ao projeto dos Espíritos Superiores.
A unidade doutrinária foi a única e derradeira divisa de Allan Kardec, por ser a fortaleza intransponível do Espiritismo. Para tornarmos o Espiritismo inexpugnável, urge munir-nos contra a infiltração nas fileiras espíritas de ideologias discutíveis, ligadas a movimentos incompatíveis com os sãos princípios e com as finalidades essenciais da Doutrina. Por essa razão, e por não ser tarefa das mais fáceis, os chamados órgãos “unificadores” ainda encontram extremas dificuldades em realizar o ideal sonhado por Bezerra de Menezes na Pátria do Evangelho. Isto porque as trevas são extremamente poderosas e organizadas, e assestam suas armas para destruir o projeto doutrinário, incrementando, por exemplo, a publicação de livros “espíritas” que jamais deveriam existir nas hostes doutrinárias.
Recordemos que por força dos interesses aristocráticos, financeiros e de poder pessoal, a mensagem do Cristo sofreu no decorrer dos séculos um desgaste irreparável. A atual liderança do Movimento Espírita permanece claudicando, rejeitando e desviando o Projeto do Espiritismo, promovendo pomposos e ricos congressos não GRATUITOS, eventos em que “escritores” insignificantes (mascates de livros), expõem vergonhosamente seus livros via “noites de autógrafos”, mirando projetar seus “nomes” definitivamente na galeria da fama.
Infelizmente alguns líderes espíritas vão adequando a proposta doutrinária às suas ambições e prepotências, corrompendo os textos da codificação, escondendo o tirocínio histórico do mestre lionês e dos seus cooperadores, acarretando para as instituições espíritas comportamentos autoritários, contagiados caprichos e vaidades pessoais. São seres dominados por um dissimulado ranço clerical, ciumentos, intolerantes, e quais vinhos acres e frutos deteriorados, contaminam os mais caros celeiros doutrinários.
Porém, tão estáveis são os fundamentos espíritas que, apesar desses desmandos pessoais, a Doutrina Espírita permanecerá com o homem, sem o homem e apesar do homem. Anos se passaram de convite ao amor e à instrução à luz da Terceira Revelação. Atualmente são milhões, em todos os quadrantes do Globo, aqueles que aceitam a convocação, penetram o conhecimento da vida em sua máxima amplitude e grandeza, e estão trabalhando proficuamente para a grande reforma moral, numa revolução silenciosa, porém constante, rendendo preito de gratidão ao Espiritismo, por tudo o que ele já fez e continua fazendo a cada dia pela humanidade.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

28 março 2012

SERÁ QUE FOI UM PUERIL DEVANEIO?..

 
 Em face da publicação do artigo o “Mundo do Faz de Conta”, leitores residentes na Europa enviaram-me mensagens inquietantes; vejamos: “Estou plenamente de acordo com tudo quanto afirma e acho até que ficou aquém, pois muito mais haveria para você dizer (...).” “O movimento Espírita europeu “adoeceu” já algum tempo. Diversos e distintos diagnósticos poderíamos fazer. Há competição entre os médiuns, ausência de conhecimento do Evangelho e o pior de todos: o nefasto ideário do “EU SOU O MAIOR” (síndrome de grandeza). Nos últimos 5 anos, instalou-se uma desordem, pois não sabemos diferenciar o JOIO  do TRIGO. Recebemos aqui com frequencia espantosa alguns palestrantes que mais fazem turismo nas terras EUROPÉIAS do que difundir Espiritismo. O pior é que esses “oradores” vêm, usufruem da hospedagem e boa vontade e da simplicidade, mas abusam da ingenuidade de alguns confrades anfitriões.”
“Desculpe é um desabafo! Aqui temos o culto aos “deuses médiuns” aquele que é o maior. Vendem milhares de livros por aqui, e o que é mais trágico as obras da Codificação são substituídas pelos livros dos “deuses da oratória”, que objetivam muito mais a vendagem de livros da sua lavra. É um “salve-se quem puder”. Uma hora de palestra e 30 minutos de publicidade e vendagem de livros, CDS, DVDs, revistas. São os mascates estrangeiros que encontram aqui um paraíso de FÉRIAS (de graça) e vendas dos seus produtos.”
Fui dormir preocupado com tudo isso e tive mau sonho. Sonhei que estava imerso em um mundo estranho onde testemunhei fatos que anseio jamais aconteçam no mundo de vigília.
No cenário “onírico” identifiquei esforços para “unir” espíritas, entretanto algo distante de uma programação kardeciana sensata. As representações das trevas empregavam astúcias e encaminhavam seus emissários para cargos de direção dos órgãos federativos.
Os obsessores, como sempre, mostravam-se perspicazes, influentes, instrumentalizados e impetravam desinteligências no movimento doutrinário. Ao oposto de perseguirem articulista inexpressivo tal qual sou, que nenhuma influência exerce no movimento espírita, assestavam, óbvio! Suas armas contra as instituições coordenadoras do movimento doutrinário, e aí transformavam suas vítimas em prestigiosos “diretores”. Deste modo, seus representantes adquiriam mais poder de comando perante os espíritas ignorantes e cometiam irreparáveis estragos ao programa doutrinário.
Só para se ter uma pálida idéia, tais “diretores” ofereciam cartelas de bingo, a R$ 25,00; defendiam Ramatís, como espírito superior; afirmavam que tudo é parte de Deus, inclusive a matéria; Kardec era desconhecido, mas divulgavam pesquisas da ciência como hologramas, Stephen Hawking etc., menos, é claro, o próprio codificador.
Lamentavelmente, as obras espíritas arruinavam-se ao acolher a enxertia dos conceitos e práticas anômalos à singeleza que lhes vigoravam no alicerce. Percebi que adulavam líderes megalomaníacos, encharcados de arrogâncias, que se arvoravam como benfeitores da construção e difusão doutrinárias. No letargo do sonho, ainda consegui perceber que “somente os viajores irresponsáveis escolhiam perlustrar atalhos perigosos e desfiladeiros obscuros, espinheiros e charcos, no labirinto de aventuras marginais, ao longo da estrada justa.” (1)
O panorama dos sonhos estava totalmente contaminado de práticas doutrinárias irregulares e não havia nenhuma perspectiva de melhora; ao contrário, modelos estavam sendo consolidados e havia uma epidemia de expositores afetados surgindo em cada centro espírita, dispostos a copiar o comportamento do endeusado líder-chefe. Foi extenuante testemunhar as sempre passivas idolatrias a esse guia, cheio de autoridade moral, um condutor completamente intocável, cujas sentenças tornavam-se regra definitiva para os dirigentes incautos.
A proeminente e tenaz tática do chefe-famoso era a injunção de um legado espetaculoso de palestras ostentosas, motivo pelo qual os outros copistas permaneciam rasos de conteúdos, hipnotizados sob os grilhões da vaidade. Mas, graças a Deus!, Havia espíritas prevenidos que inquiriam após cada palestra espetacularizada: Falaram de quê? Abordaram que conteúdo?
O adorado líder tinha a empáfia de batizar com o título “PURITANOS” todos defensores da gratuidade dos eventos espíritas , ou seja dos que defendiam um Espiritismo para todos e ao alcance de todos. Tal líder ignorava  que na sua ética, Paulo de Tarso não permitiu o mercantilismo do Cristianismo. Pregou o Evangelho gratuitamente (2) e justificou tal atitude: “Pregamos o Evangelho a vocês, trabalhando de dia e de noite, a fim de não sermos  peso para ninguém”.(3)
Na contramão da  advertência do Convertido de Damasco, os pretensos expositores, em seguida aos shows das palestras (cantadas, recitadas, declamadas, gritadas etc... etc... etc. ) , quais  ambulantes de feira livre, punham à venda seus DVDs, CDs, livros etc., enfim, com toda a tralha para a comercialização, gastavam tempo precioso promovendo suas quinquilharias “doutrinárias”, muitas vezes em centros espíritas pobres, simples, escassos de recursos. Entretanto, curiosamente,  os dirigentes de tais centrinhos sentiam-se orgulhosos porque trouxeram um nome “famoso” para a instituição que dirigem.
Nos imagos oníricos, portanto, lidava-se com os egos de dirigentes e palestrantes, e pouquíssimas exceções estavam sintonizados com os Benfeitores. Infelizmente os oradores modestos, despretensiosos, sinceros, importantíssimos para o engrandecimento do Espiritismo eram desprezados. Quase todos os pregadores encontravam-se instilados pelas presunções, pelas ribaltas e holofotes da glória, sobretudo pelos aplausos inférteis. Sem nenhum pudor os mais famosos exigiam reverências e bajulações desenfreadas.
Não era assegurada a simplicidade e a pureza dos princípios espíritas nos núcleos e associações doutrinários, por isso suas atividades não atingiam a meta da libertação espiritual dos frequentadores. Estes contemporizavam com todo tipo de profissionalismo religioso e nem se atreviam a arguir porque, se interrogassem o líder-venerado, estariam questionando os que o apoiam, sabiam que perderiam amigos e, por isso, silenciavam. Ou ainda porque lhes interessava algum lucro divulgando os “produtos” do líder-mor, seja lucro financeiro ou mesmo o que vem da pura vaidade, da notoriedade, pois quem adentrasse o meio espírita, se não citasse o líder-chefe, se não divulgasse os eventos de que ele fazia parte, se não apoiasse quem o apoiava, transformar-se-ia em proscrito, deixado de lado por todos os idólatras.
Presenciei um palestrante implorando junto ao público uma colaboraçãozinha de recursos financeiros a fim de "ajudá-lo" nos projetos “assistenciais”, visando adquirir microfones, tripés de luz, computadores e quejandos. Tal palestrante fazia um showzinho particular com direito a jogos de imagens e músicas, para “agradar” a todos, passando a idéia de apurado bom gosto, mas na realidade estava querendo “encher linguiça” (como se diz na gíria popular), com várias cantorias e apresentações.
Lá não se tinha o alcance moral para entender que zelo pela pureza e simplicidade doutrinária não é intolerância, fanatismo e nem rigorismo de espécie alguma, porquanto, agir de outro modo é o mesmo que “devolver um mapa luminoso ao labirinto das sombras, após séculos de esforço e sacrifício para obtê-lo, como se também, a pretexto de fraternidade, fôssemos obrigados a desertar do lar para residir nas penitenciárias; a deixar o caminho certo para seguir pelo cipoal; a largar o prato saudável para ingerir a refeição deteriorada e desprezar a água potável por líquidos de salubridade suspeita.” (4)
Havia uma neurastenia generalizada em torno das temáticas: “terra em transição”, “final dos tempos”, cujos enredos catastrofistas atrofiavam mentes fanatizadas. Alguns neuróticos esquadrinhavam respaldo (acreditem!) no célebre clichê: “Chico Xavier me contou” para corroborar as afirmações ( supostamente“reveladas” pelo médium de Uberaba nos colóquios íntimos), sobre bizarras profecias espalhafatosas, com datações e outras pérolas sobre o trági(cômico) amanhã da Humanidade.
De manhãzinha, ao despertar do sono, identifiquei que a experiência onírica evidenciava muitas práticas indesejáveis que é urgente se evitem na Terra. E se tais práticas ocorrerem, alguém precisa denunciar, para não ser apenado por omissão. “Todos os espíritas que, de coração, vigiam para que a Doutrina não seja comprometida, devem, sem hesitação, denunciá-las [práticas estranhas], tanto mais porque, se algumas delas são produtos da boa-fé, outras constituem trabalho dos próprios inimigos do Espiritismo, que visam desacreditá-lo e poder motivar acusações contra ele. Eis porque é necessário que saibamos distinguir aquilo que a Doutrina Espírita aceita daquilo que ela repudia”. (5)
Somos daqueles que preferem a análise construtiva para quaisquer tarefas doutrinárias, e não cultivamos paternalismo ou mimos impróprios, não aveludamos consciências junto a irmãos de nosso convívio, “em vista de reconhecermos que nenhum bem se fará sem trabalho disciplinado; entretanto, não podemos esquecer que muitos companheiros se marginalizam nos compromissos por não conseguirem suportar o malho da injúria, o frio da desconsideração e do abandono, a supressão de meios justos para o exercício das funções a que foram chamados e as lutas enormes, decorrentes das armadilhas de sombra, de que muitos não conseguem escapar, hipnotizados pelos empreiteiros da obsessão. (6)
 
Jorge  Hessen
http://jorgehessen.net


Referência:
 
(1)           Xavier , Francisco Cândido e Vieira Waldo. Opinião Espírita, ditados pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, São Paulo, Editora: Boa Nova  - 1ª edição agosto/2009, Item  25 - PRÁTICAS ESTRANHAS
(2)           1Cor 9,18
(3)           4 1Ts 2,9
(4)           idem
(5)           (Allan Kardec, Viagem Espírita em 1862. Instruções Particulares. VI.)
(6)           Xavier, Francisco Cândido. Companheiros, ditado pelo Espírito Emmanuel, São Paulo: IDE 1977, cap. MÉDIUNS NA TERRA

12 março 2012

MOVIMENTO ESPÍRITA NO “MUNDO DO FAZ DE CONTA”

 Este artigo advém do imaginário do autor, razão pela qual qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais terá sido mera coincidência. Concebamos um panorama confuso do movimento espírita do “mundo DO FAZ DE CONTA”.
Aí notamos exercício doutrinário mesclado de ideologias cognominadas “neo-esotéricas” (ufologia, astrologia, tarô, cristais, orientalização, cromoterapias, apometrias). É óbvio que toda essa carga morta esmaga o movimento doutrinário e abre as suas portas para a infestação de exorcismos inócuos (desobsessões que mais parecem os inocentes exorcismos, “choques anímicos” por correntes magnéticas(!), festival caricato de mensagens psicografadas dos parentes desencarnados.
Nos imagos “DO FAZ DE CONTA”, pasmem! Estão imitando os trabalhos que Chico realizava com sobriedade. Substituem a simplicidade e a espontaneidade dos fenômenos mediúnicos por promessas de supostas consolações advindas do “além”. Para denunciar tal fantasia uma pessoa informou ter pedido a comunicação de um inventado avô “falecido”, e “conseguiu” a mensagem do tal avô. Há instituições que criaram trabalhos de passes para todos os gostos e interesses, ou seja, passe normal (para os inconvenientes “papa-passes”), passe forte (com direito a incorporações na presença do obsedado), passe superforte (para doentes, obsedados e “papa-passes”), passe "virtual"(!?...).
No “FAZ DE CONTA” há o extravagante Espiritismo da “prosperidade”, do “cure o seu corpo” e da “paz mental e emocional”. Inventaram cursos, palestras e workshops a R$.1.600,00 per capta sobre os temas da auto-ajuda realizados  em hotéis de luxo. Nesse mistifório tramaram o movimento da “nova era” (neoespiritismo!?) , das sugestões das surradas querelas sobre a coqueluche da moda “planeta em transição”, da paracientífica psicologização, pedagogização, espiritização(!?), filosofização, academização, idolatria de oradores, endeusamento de médiuns, palestrantes cover que querem ser famosos a qualquer cotação, para esse escopo fazem shows teatrais de oratória com direito a burlescas e afetadíssimas declamações poéticas e posteriores incorporações de ilustres velhinhos falecidos, cujas vozes arrastadas mais parecem personagens criadas pelo Chico, não o Xavier de Uberaba, mas o Anísio da “Escolinha do Professor Raimundo”.
Nessa tendência mística popular, carregada de superstições seculares, no “FAZ DE CONTA” observamos a proliferação de pregadores santificados, tribunos de voz empostada e gesticulação ensaiada. Lá os órgãos “unificadores” pretendem a “união”, aplaudindo oradores empavonados, personalistas, visivelmente obsedados que encontram espaços nas diretorias das federativas para manipularem e ditarem a espetacularização e a comercialização de congressos ditos “espíritas”. Além disso, os congressos são marcados pela erudição acanhada, oratória plagiada e retórica de auto-ajuda e infelizmente ausência de trabalhos mais urgentes e debates coerentes, pois renunciam aos critérios da lógica e da razão propostos por Kardec.
No país “DO FAZ DE CONTA” os idólatras desprevenidos aplaudem a presença de palestrantes estrelinhas que comercializam caridosamente os DVDs da palestra filmada, cantada, recitada etc, perturbando a credibilidade da Doutrina. Lembremos que aqui ou no “FAZ DE CONTA” comercializar uma palestra, além de deplorável, é uma estultícia moral.
No “país DO FAZ DE CONTA” percebemos impulsos incontidos do culto à personalidade de tal ou qual médium. São os notáveis adoradores das gloríolas mundanas, médiuns que se ufanam com os galanteios do “reconhecimento social”, de preferência com vassalagens e construções de museus destinados a preservar sua memória enquanto estão “encarnados”.
Que escárnio! Tais idolatrados no país do “FAZ DE CONTA” têm consciência da fatalidade biológica (morte física). Sabem que ao receberem a visitinha inevitável da “dama desencarnação” haverão de prestar contas na contabilidade do Criador, porém têm ciência que o seu cofre estará vazio de humildade, motivo pelo qual assumirão colossal dívida por terem encenados na ribalta das ilusões, das luzes dos holofotes da fama estéril, enquanto estão fazendo turismo no corpo físico.
No mundo  “DO FAZ DE CONTA” há pessoas que idolatram tais espíritas famosos, pois são seus amigos pessoais. Contudo, escudados nessa “amizade” não têm a dignidade de adverti-los quando cometem erros. Tais amigos, que são mais “amigos da onça” do que do idolatrado, sabem dos seus lapsos doutrinários, mas silenciam, cruzam os braços, colocam vendas nos ouvidos, na boca e nos olhos para não se comprometerem e muitas vezes  se agastam com os que têm a altivez de admoestar direta ou indiretamente tais médiuns purpurinados.
Graças a Deus esse elenco de disparates só acontece no universo do “FAZ DE CONTAS”.  Todos os fatos do FAZ DE CONTA”  nos mostram que a Doutrina Espírita aqui na vida real também ainda não chegou a ser conhecida pelos seus próprios adeptos. Herculano Pires asseverou que “expor os temas fundamentais da Doutrina não é falar bonito, com tropos [tons] pretensamente literários, que só servem para estufar vaidade, à maneira da oratória bacharelesca do século passado. É incrível a leviandade com que oradores e articulistas espíritas tratam de certos temas, com uma falsa suficiência de arrepiar, lançando confusões ridículas no meio doutrinário. Temos de compreender que isso não pode continuar. Chega de arengas melífluas nos Centros, de oratória descabelada, de auditórios parvos, batendo palmas e com palavreado pomposo. Nada disso é Espiritismo. Os conferencistas espíritas precisam ensinar Espiritismo - que ninguém conhece - mas para isso precisam primeiro aprendê-lo.”(1)
Se abraçamos o Espiritismo por ideal cristão, não podemos negar-lhe fidelidade. É inegável que na vida real existem inúmeras práticas não compatíveis com o projeto doutrinário que urge sejam combatidas à exaustão, nas bases da dignidade cristã, sem quaisquer pecha de intolerância, tendente a impossibilitar discussão sadia em torno de questões controversas. “Jesus ensinou a orar e vigiar; recomendou o amor e a bondade, pregou a humildade, mas jamais aconselhou a viver de orações e lamúrias, santidade dissimulada, disfarçada em vãs aparências de humildade, que são sempre desmentidas pelas ambições e a arrogância incontroláveis do homem terreno.”(2)
A verdadeira prática Espírita é a expressão da moral cristã, consubstanciada no Evangelho do Mestre Jesus. No Espiritismo, o Cristo desponta como excelso e generoso condutor de corações e o Evangelho brilha como o Sol, na sua grandeza mágica.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net


Referência bibliográfica:
(1)    Pires, José Herculano. O Centro Espírita, São Paulo, Editora Pandeia, 1970
(2)    idem