19 outubro 2012

ENTREVISTA - JORNAL VERDADE E VIDA


                                                          Por Renata Girodo/São Paulo

Jornal Verdade e Vida: Defina mediunidade e os diferentes tipos que podem se apresentar.

 Jorge Hessen: Podemos definir mediunidade como a capacidade que temos de perceber a influência ou ensejar a comunicação dos Espíritos. Em o Livro dos Médiuns - cap. XIV, Allan Kardec assegura serem raros os que não têm essa percepção. Para Emmanuel, é aquela luz que seria derramada sobre toda carne. É atributo do Espírito, patrimônio da alma imortal, elemento renovador da posição moral da criatura terrena. Em algumas pessoas a mediunidade é ostensiva e precisa ser disciplinada; noutras jaz latente, podendo revelar-se episódica. Numa definição mais circunscrita, a mediunidade tem um aproveitamento mais limitado, aplicando-se às pessoas dotadas de uma capacidade intercessora, seja para a produção de efeitos físicos, seja para transmitir o pensamento dos Espíritos pela escrita ou pela palavra. Para o Codificador, a mediunidade de efeitos físicos são as materializações, curas, transfiguração, pneumatofonia, pneumatografia, e a mediunidade de efeitos intelectuais são a intuição, psicografia, psicofonia, vidência, audiência, dentre outras.



Jornal Verdade e Vida:
Em sua opinião, a mediunidade pode se apresentar em todas as religiões? Por que ainda existe uma resistência de outros credos ao termo mediunidade?


 Jorge Hessen: Sim! Relembremos que a mediunidade é a “luz que seria alastrada sobre toda carne”, consoante anunciado por Jesus. A oposição de outros credos quanto à mediunidade conferimos basicamente à superstição e a falta de informação correta sobre a fenomênica mediúnica. Cremos que, quando os seguidores de outras designações religiosas compreenderem que o Cristo sancionou a mediunidade para todos os seus seguidores, a partir de então as suas igrejas beberão nas fontes límpidas dos fenômenos psíquicos, beneficiando-se com as suas imarcescíveis luzes.



Jornal Verdade e Vida: Você acredita que ainda hoje médiuns que não entendem o seu dom podem ser enviados a clínicas de repouso, sendo considerados com problemas psicológicos e mentais?


 Jorge Hessen: Com certeza! Dificuldades psicológicas e mentais podem ter vinculação com a obsessão (mediunidade torturada) que, mormente altera-se em demência, não só porque a lei das provações também o decreta, como igualmente na suposição de o obsedado oferecer-se voluntariamente ao embaraço das forças negativas do além que o circundam, elegendo essa espécie de provas.

Jornal Verdade e Vida: Existe diferença entre a mediunidade natural e a desenvolvida?


 Jorge Hessen: Considerando que mediunidade é a “luz derramada na carne”, então ela é natural, e portanto inerente a todos os homens. Nenhuma pessoa necessitará forçar o “desenvolvimento” da mediunidade, até porque, nesse território, toda a espontaneidade é imperiosa. É extremamente importante expor que a mediunidade não pode ser produto de afoiteza em qualquer setor da atividade doutrinária, pois que, em tal contexto, avigoramos a lembrança de que toda a espontaneidade é imprescindível, ponderando-se sempre que as empreitadas mediúnicas são conduzidas pelos instrutores do plano espiritual.



Jornal Verdade e Vida: Como a mediunidade surge nas crianças e como ela deve ser tratada?


 Jorge Hessen: A mediunidade pode surgir espontaneamente em qualquer idade. Cremos que na criança há inconveniência do exercício da faculdade por ser muito perigoso, pois seu organismo frágil e delicado padeceria de sequelas. Por isso os pais prudentes devem afastá-las dessas ideias. Exceção feita, porém, segundo Kardec aclara no Cap. XVIII, as crianças que são médiuns inatos, quer de efeitos físicos, quer de escrita e de visões. Nesse caso, quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece quando é provocada e sobre-excitada. Note-se que a criança que tem visões geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. Mais tarde o fato lhe volta à memória e ela o explica facilmente, se conhece o Espiritismo.



Jornal Verdade e Vida: Qual o mecanismo de desenvolvimento de mediunidade nos nossos irmãos menores – os animais?


 Jorge Hessen: Os animais, por não possuírem a faculdade do raciocínio, não têm capacidades mediúnicas conforme entendemos. Apesar disso, determinados animais têm sensibilidades psíquicas rudimentares, harmônicas à sua condição evolutiva, pelo meio das quais podem “perceber” Espíritos. Em O Livros dos Médiuns, Cap. XXII, abeira-se do tema certificando que Espíritos podem tornar-se visíveis e tangíveis aos animais e, muitas vezes, o medo súbito que os animais denotam é determinado pela visão de Espíritos mal-intencionados em relação aos humanos presentes, lembrando porém, que nesse caso é sempre necessário o concurso, consciente ou inconsciente, de um médium humano, porque é imprescindível a união de fluidos magnéticos análogos, o que não existe nem nos animais (irracionais), nem na matéria grosseira. 


Jornal Verdade e Vida: Explique sobre o propósito da mediunidade, e como os médiuns auxiliam os encarnados e desencarnados.



 Jorge Hessen: O principal desígnio da mediunidade, sobretudo a ostensiva, é a correção dos desacertos praticados, nesta vida e noutras encarnações. Considerando que o médium precisa praticar os valores cristãos para ser leal ao seu programa espiritual, vai ajustando as tendências de reassumir os erros contidos no pretérito recente ou remoto. O atendimento pela psicografia, psicofonia, seja para orientação de encarnados ou de desencarnados, cura física e espiritual, clarividência ou clariaudiência ou qualquer outra manifestação mediúnica, está sempre permitindo ao médium a correção dos seus
defeitos, ao mesmo tempo m que traz consolo e ensinamento a todos os necessitados.. 


Jornal Verdade e Vida: O que você pensa a respeito de pessoas que se utilizam da mediunidade, cobrando para fazer intercessões ao mundo espiritual?


 Jorge Hessen: Se um médium resolve fazer da mediunidade uma fonte de renda material, será mais prudente olvidar suas potencialidades psíquicas e não se arriscar pelo chão delicado dos assuntos espirituais. A mercantilagem no trato dos capítulos intensos da alma institui um comércio delinquente, do qual o médium imprevidente precisará aguardar no amanhã os resgates mais sinistros.



Jornal Verdade e Vida:
Como o médium poderá controlar a manifestação de espíritos em ambientes não adequados?


Jorge Hessen: Depende da estatura moral do médium. O centro espírita, em tese, não pode ser apenas uma construção de cimento e tijolo. Não é o ambiente físico que influencia o exercício mediúnico, mas a postura moral do médium e do grupo. Uma Casa Espírita bem dirigida tende a se saturar das vibrações favoráveis para o intercâmbio com o além; porém, lamentavelmente há gravíssimos conflitos ideológicos e pessoais em vários núcleos espíritas, e nesses casos não recomendaria a prática mediúnica de nenhuma espécie, exceto a oração e o “jejum” mental.
Execramos o conceito do tal “fora do centro espírita não há salvação”. Nossas grandes inspirações para escrever ocorrem dentro de nossa casa. Os grandes médiuns desempenharam tarefas de psicografia fora do Centro Espírita - basta lembrarmos que O Livro dos Espíritos foi recebido em reuniões familiares. Se examinarmos médiuns como Ivone Pereira, Chico Xavier, Zilda Gama, Frederico Junior, e mesmo as obras da codificação, notaremos reuniões mediúnicas e recebimento de mensagens em lugares muito diferentes de um  Centro Espírita.
É bem verdade que para o médium ter um horário fixo, um grupo definido, um ambiente específico para essa finalidade, o centro pode facilitar a tarefa - não pela edificação material, mas pela disposição mental em que devem se achar os médiuns para isso. Naturalmente há tarefas complexas, como a desobsessão, por exemplo, que segundo creio, o ideal seja realizado impreterivelmente no Centro Espírita.



Jornal Verdade e Vida: Todos os médiuns conseguem ouvir e ou enxergar os seus guias espirituais, ou essa ação é variável?


Jorge Hessen: Há os que ouvem espíritos através de uma espécie de voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo, mas há os que podem ouvir a voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa encarnada. Nesse caso, podem até mesmo travar conversação com os Espíritos. Para o Codificador, essa faculdade é muito agradável quando o médium ouve apenas Espíritos bons; já não o é quando um Espírito mau se lhe agarra, fazendo-lhe ouvir a cada instante as coisas mais desagradáveis e não raro as mais inconvenientes.
Quanto aos médiuns videntes, alguns poucos gozam dessa faculdade em estado normal, quando perfeitamente acordados. Kardec ressalta no Livro dos Médiuns que raro é que a vidência se mostre permanente – quase sempre é efeito de uma crise passageira. A faculdade de ver os Espíritos pode ser desenvolvida, mas é uma das de que convém esperar o desenvolvimento natural, sem o provocar, em não se querendo ser joguete da própria imaginação. Para o Codificador, médiuns videntes propriamente ditos são raros e há muito que desconfiar dos que se inculcam possuidores dessa faculdade. É prudente não se lhes dar crédito, senão diante de provas positivas. E fora de dúvida que algumas pessoas podem enganar-se de boa-fé, porém outras podem também simular essa faculdade por amor-próprio ou por interesse.



Jornal Verdade e Vida: O tipo de mediunidade mais popular é a psicografia? Você acredita que Chico Xavier foi o principal divulgador dessa técnica?


Jorge Hessen: Entendemos que a mais notória das mediunidades seja a psicografia, e Francisco Cândido Xavier o mais admirável médium psicógrafo de todos os tempos.



Jornal Verdade e Vida: Como diferenciar experiências fora do corpo e as viagens ao plano espiritual dos sonhos?


Jorge Hessen: Pronunciam os Espíritos que uma experiência fora do corpo pode ser natural ou provocada. Deste modo, através do desdobramento podemos “percorrer” espaços imensuráveis com a velocidade do pensamento e nos deslocar para confins remotos (Europa por exemplo, e visitarmos um parente encarnado). Entretanto, qualquer “viagem” para as chamadas colônias espirituais, acreditamos ser tarefa mais intricada – urge um “passaporte” dos Benfeitores que outorgam ou não o acesso, e o fato pode advir durante o sono.



Jornal Verdade e Vida: Por que comer carne vermelha pode trazer prejuízos à energia do médium no momento do passe ou da ajuda aos desencarnados na mesa mediúnica?


Jorge Hessen: Conquanto os Benfeitores não desaprovem a alimentação animal, segundo questão 723 do Livro dos Espíritos, não recomendamos a ingestão de carne nos dias de tarefas mediúnicas. Os Bons Espíritos corroboram nossa assertiva quando ilustram na questão 724 que é importante privar-nos de comer carne em benefício dos outros. Emmanuel explana no item 129 do livro O Consolador que o consumo de carne é um vício de nutrição de enormes consequências, por isso devemos trabalhar pelo advento de uma Nova Era em que dispensaremos a alimentação dos despojos sangrentos dos animais.



Jornal Verdade e Vida: No mundo de regeneração pelo qual a terra passará você acredita que a ciência comprovará a existência da mediunidade?


Jorge Hessen: A comprovação da mediunidade será a grandiosa tarefa da ciência. Cremos que será uma das profundas conquistas científicas, objetivando despertar e iluminar a consciência humana, de modo que o homem se recomponha como ser integral (matéria e espírito) e próspero período de vida social se exprima na Terra, em lares espiritualizados, para a nova era da Humanidade.



Jornal Verdade e Vida: Deixe uma mensagem final aos leitores do Jornal Verdade a Vida.


Jorge Hessen: Instruem-nos os Benfeitores que o médium sem Evangelho pode prover os mais erguidos subsídios para a filosofia e ciência humanas; mas não poderá ser um missionário pelo coração. O médium evangelizado consegue aperfeiçoar a modéstia no amor às empreitadas do cotidiano, na tolerância iluminada, na diligência educativa de si mesmo, conseguindo também erguer-se para a defesa da sua tarefa de amor, protegendo a verdade sem contemporizar com os princípios no momento oportuno. O apostolado mediúnico, segundo Emmanuel, exige o trabalho e o sacrifício do coração, onde a luz da comprovação e da referência é a que nasce do entendimento e da aplicação com Jesus-Cristo. Obrigado!

16 outubro 2012

PALESTRAS REALIZADAS NA INTERNET (PALTALK)

 
PALESTRAS REALIZADAS NO PALTALK-CLIQUE NOS LINKS

PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE1 CLIQUE AQUI


http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-1.zip
PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE2 CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-2.zip

 PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE3 CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-3.zip

PALESTRA FIXAÇÃOMENTAL PARTE4 CLIQUE AQUI
http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-4.zip



PALESTRA FIXAÇÃO MENTAL PARTE 5 CLIQUE AQUI


http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-fixacao-mental-5.zip



PALESTRA SOBRE PRATICAS UMBANDISTAS CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen-praticas-umbandistas-no-centro-espirita.zip



PALESTRA SOBRE A MAE E A FAMILIA CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_mae_e_familia.zip



PALESTRA SOBRE MEDIUNIDADE CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_mediunidade.zip



PALESTRA SOBRE SUICIDIO CLIQUE AQUI


http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_suicidio.zip

 

PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 1  CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_1.zip

 

PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 2 CLIQUE AQUI

http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_2.zip

 

PALESTRA SOBRE VIDA E SEXO PARTE 3 CLIQUE AQUI


http://jorgehessen.net/paltalk/hessen_vida_e_sexo_3.zip


PALESTRA REALIZADA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
http://jorgehessen.net/paltalk/camara-dos-deputados-palestra-parte-1.mp3


 

15 outubro 2012

DEUS É O AGENTE INILUDÍVEL PARA A EXPLICAÇÃO DA VIDA


Abraham Lincoln, o 16° presidente dos Estados Unidos, disse certa vez: “impossível compreender que alguém, contemplando o céu numa noite estrelada, possa dizer que não existe um Criador”. Felizmente há pensadores sensatos que não veem contradição entre a busca para entender as leis da natureza e a fé em uma divindade superior.
Em 1921, Albert Einstein foi perguntado pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus e redarguiu: "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens. Essa convicção, profundamente emocional na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível universo, é a ideia que faço de Deus". (1)
Em que pese desgostar os ateus, encorparemos mais alguns depoimentos de grandes sábios da ciência humana: O genial Isaac Newton afirmou que “a maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isso fica sendo a minha última e mais elevada descoberta". Voltaire falou para alguns fanáticos de seu tempo: “Eu creio em Deus, apesar de tudo que me dizem para acreditar nele.” O filósofo da Crítica da Razão Pura – Emmanuel Kant – aclamou: “Não creio no Deus que os homens criaram, mas no Deus que criou os homens”.
Max Planck, fundador da teoria quântica, proferiu o seguinte: “após minhas pesquisas sobre o átomo concluí que toda matéria é originada e composta por uma única força. Temos que aceitar um Espírito consciente e inteligente atrás desta força. Não me envergonho em denominar este Criador misterioso do mesmo modo, como foi em todos os antigos povos civilizados da terra das eras passadas: DEUS. Thomas Alva Edison, inventor da lâmpada e com 2.332 patentes registradas, declarou: "tenho enorme respeito e a mais elevada admiração por todos os engenheiros, especialmente pelo maior deles – Deus". Wernher Von Braun, principal pesquisador no desenvolvimento de foguetes, admitiu: “quanto mais compreendesse a complexidade da estrutura atômica, a natureza da vida ou o caminho das galáxias, tanto mais encontrava razões novas para se assombrar  diante dos esplendores da criação divina".
Deparamos outros contextos possantíssimos para comprovação da existência de Deus. Consideremos a obra “Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By” (Sete razões pelas quais um cientista acredita em Deus) de autoria do cientista Abraham Cressy Morrison, ex-presidente da Academia de Ciências de Nova York, livro bastante sondado por expositores de várias religiões, inclusive oradores espíritas. No livro, Cressy argumenta: “será que a Terra, a Lua, o Sol, o mar são decorrências do acaso? Por meio do princípio matemático podemos demonstrar que o mundo foi projetado e executado por uma Grande Inteligência de engenharia. Há uma coerência matemática para o equilíbrio e manutenção da vida. A Terra tem inclinação de 23 graus, evento que permite as 4 estações; se não fosse inclinada, massas de ar oceânicas deslocariam de norte a sul e gelos antárticos escorreriam pela crosta, levando tudo de roldão, transformando o planeta em continentes de gelo.”(2)
A Terra gira em seu eixo a 1.600 km por hora no Equador; se girasse 160 km por hora, nossos dias e noites seriam dez vezes mais longos e o Sol possivelmente incineraria a vegetação de dia enquanto a noite longa congelaria qualquer broto que resistisse. Se por acaso a distância da Lua não fosse de aproximadamente de 380 mil km, mas de tão somente 150 mil km, a vida seria impossível na Terra, porque a pressão magnética que o satélite exerce sobre os mares faria levantar ondas tão elevadas, banhando os picos mais altos do Himalaia, as marés e preamares destruiriam inteiramente a vida terrena.
“A camada atmosférica tem uma espessura de aproximadamente 80 km (3); se fosse mais estreita 10 km, a vida no orbe seria impraticável, pois são arremessados sobre a Terra diariamente cerca de 50 milhões de aerólitos e meteoritos, que se não fossem desintegrados no cinturão atmosférico ocorreriam incêndios e destruições inomináveis, e a vida na Terra seria impossível. Bastaria que o fundo do mar fosse mais profundo apenas 3 metros e a vida seria impossível, porque o oxigênio do ar seria absorvido e se, por acaso, fosse mais raso 2 metros o gás carbônico , o argônio, o xenônio e o neônio seriam absorvidos pelas águas oceânicas, eliminando toda forma de vida.” (4)
A extensão que separa a Terra do Sol é de quase 150 milhões km, possibilitando-nos apropriada sensação de calor, nem insuficiente, nem demasiada para a vida, porque o Sol tem uma temperatura superficial de 6.648º centígrados. Assim, se a Terra estivesse mais próxima, seria destruída pelo calor; se estivesse mais afastada, seria destruída pela falta do calor, dos raios ultravioletas e infravermelhos, que mantêm o equilíbrio metabólico na vida orgânica.
A Existência de Deus é justificada pela Lei da exuberância da vida. Mas o que é a vida? Bem, a vida é um arquiteto admirável, que alça nas profundezas submarinas os castelos de algas e de corais. A vida é um formidável escultor, que constrói cada folha e talha ramículos e contornos jamais repetidos em qualquer outra flor ou folha encontrada na Terra. A vida é um químico sublime, que confere a cada fruta o seu sabor peculiar e inconfundível, e através das raízes entranhadas nos solos consegue converter água em açúcar e madeira. A vida é um perfumista primoroso que transforma o húmus em fragrância.
Porém, onde está a vida? A vida está no ar, na terra, no mar, nas montanhas, nas flores, nas estrelas. A vida está no protoplasma, uma gota gelatinosa invisível a olho nu, que na cabeça de alfinete comportaria 1 milhão de gotículas. Se por acaso toda a vida – animal, vegetal, humana – desaparecesse da face da Terra e ficasse um só protoplasma e um raio de sol, o heliotropismo (5) restabeleceria a vida através da lei da cissiparidade, e essa única gotícula se multiplicaria sucessivamente, e em breve estariam os campos e prados reverdecidos, os mares e rios povoados, a Terra povoada, na ninharia de alguns milhões de anos apenas. Ah! o processo do surgimento de seres humanos deu-se há aproximadamente 50 mil anos, e apesar disso pode ser considerado um tempo curto, comparado aos 600 milhões de anos quando surgem os primeiros seres unicelulares.
Deus decorre da inexplicabilidade do instinto dos animais. Vejamos: O João-de-barro, por exemplo, quando chega a época do acasalamento, sobe a árvore e ali ergue o seu ninho; mas antes de assentar a porta, ele empoleira no galho mais alto e embica na direção dos ventos, para descobrir de qual direção emanarão os ventos invernais a fim de instalar a porta do lado oposto ao do vendaval, visando preservar a sua prole. E não erra nunca a direção dos ventos.
O salmão vive anos no mar, depois retorna para o próprio rio onde nasceu. Se for alterado o afluente ele saberá corrigir a rota e encontrar o lugar certo. O que o dirige? E o prodígio das enguias (são peixes em forma de serpente?). As enguias só se reproduzem em águas profundas e frias. Quando vão procriar abandonam todos os mares, o lagos, os rios do mundo e nadam na direção das águas abissais das Ilhas Bermudas. Ali procriam e morrem. Mas seus descendentes sabem, por instinto, de onde vieram seus pais e fazem a viagem de volta para habitar as águas de onde vieram seus antepassados. Os piscicultores e pescadores atestam que nunca localizaram extraviadas “enguias americanas” em águas europeias e vice-versa. (6)
O Homem tem algo mais que instinto animal – o poder da razão. Nenhum outro animal alguma vez deixou um registro de sua habilidade para contar dez ou até mesmo entender o significado de dez. Onde está o instinto, como em uma única nota de uma flauta, bonita, mas limitada, o cérebro humano contém todas as notas de todos os instrumentos na orquestra. Graças à razão humana podemos contemplar a possibilidade que nós somos o que somos porque temos uma centelha da Inteligência Universal. As provisões para todos os seres são vistas como nas maravilhas dos genes. Tão minúsculos são os genes (cromossomos) que, se cada um dos seres humanos fosse reduzido a um cromossomo, e todos fossem colocados juntos, caberiam num dedal de costureira. No dedal seriam colocadas todas as características individuais de 7 bilhões de humanos. A concepção de Deus veio de uma faculdade divina do homem, única como o resto do nosso mundo – a faculdade da imaginação. Deus é cientifica e imaginativamente comprovado.
O Sol tem um volume de 1.300.000 vezes maior que a Terra; a Lua dista em torno de 380 mil quilômetros; Marte está a cerca de 56.000.000 de quilômetros distante da Terra na época de sua maior aproximação; Capela é 5.800 vezes maior do que o nosso planeta; Canópus tem um brilho oitenta vezes superior ao Sol. Somente se enxergam a olho nu 5 mil estrelas, ou melhor, 2.500, porque as outras 2.500 estarão do outro lado do planeta; se usarmos de um binóculo poderemos ver 15 mil estrelas; se usarmos de um telescópio doméstico, poderemos ver 150 mil estrelas e se usarmos o telescópio de Monte Palomar, poderemos ver 30 milhões de estrelas em nossa Via Láctea.
Através do observatório de radioastronomia da Alemanha, observamos que a nossa Via Láctea tem mais de 100 bilhões de estrelas. Existem trilhões de galáxias maiores do que a nossa. A luz do Sol, viajando a uma velocidade de cerca de 300 mil km/s, chega até aqui aproximadamente 7 minutos e 8 segundos depois de ter partido de lá. Alpha de Hércules é uma estrela 80 mil vezes maior do que o Sol. Um quasar chega a ter uma radiação 300 bilhões de vezes mais potente que a do sol; a sua luz percorre mais de 15 bilhões de anos-luz para chegar até nós!
Impossível explicar a vida sem a crença na existência de um Planejador Consciente. Seria não científico e irracional conferir à vida uma procedência aleatória. As características do universo e dos seres vivos são racionalmente esclarecidas através de um Agente Inteligente, e não por normas físicas e processos casuais inteiramente fortuitos. A Doutrina dos Espíritos recusa a fé cega e defende, com contextos, a fé racional, conduzindo as pessoas a não crerem, simplesmente por terem uma crença qualquer, mas, a saber, porque creem em algo. Uma das básicas questões espíritas é demonstrar científica e filosoficamente a existência de Deus.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net/blog




Referências bibliográficas:

(1)           Citado em Golgher, I. O Universo Físico e humano e Albert Einstein, B.H: Oficina de Livros, 1991, p. 304.

(2)           Morrison ,Abraham Cressy.  Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível  nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012

(3)           Atmosfera - atmos (gás) + sfera (esfera) ou seja , esfera gasosa, que envolve a Terra. Alguns documentos estimam sua espessura em 800 km. Exerce um papel fundamental na manutenção da temperatura, e da vida planetária. Ao nível do mar, é constituída de 78% de nitrogênio, 21% de oxigênio e apenas 1% de outros gases (argônio, xenônio, neônio, gás carbônico), etc., além de poeira. Está estruturada em três camadas mais ou menos quentes, separadas por duas camadas relativamente frias. Uma das divisões mais aceita de suas camadas é: troposfera (16 km de altitude) , estratosfera (espessura de cerca de 40 km), mesosfera (estende-se até aproximadamente 85 km de altura), ionosfera (cerca de 80 km de altitude) e exosfera (começa após uns 500 km e continua até se confundir com o espaço interplanetário.).

(4)           ________ ,Abraham Cressy.  Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível  nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012

(5)           É um tipo de fototropismo, resposta de um organismo a uma fonte de luz.

(6)           ________  ,Abraham Cressy.  Seven Reasons Why a Scientist Believes in God By , Former President of the New York Academy of Sciences, Matéria publicada no Jornal Americano "The State", Carolina do Sul e "The Daily Ardmoreite", Oklahoma, USA, disponível  nos sites < http://www.sivanandadlshq.org/messages/sciblgod.htm> e acessos em 08/10/2012

DOUTORES? AH, SIM! OS DOUTORES!.....

 Sentimo-nos constrangidos quando empregamos o vocábulo “doutor” antes do nome de um médico ou de um advogado, mormente ser for um espírita. Ajuizamos que o termo “doutor” é uma erva daninha inflexível que reflete muito sobre um Brasil tupiniquim. Nossa rejeição ao extemporâneo “doutor” é um ato consciente. Dia virá (queira Deus, o quanto antes!) em que os filólogos e bons dicionaristas definirão a palavra “doutor” como “um arcaísmo usado no passado pelos subordinados (pobres) para acercar-se dos mais presunçosos (ricos), a fim de limitar a dominação especialmente de médicos e advogados, entretanto, com a abolição da desigualdade socioeconômica e a conquista dos direitos de cidadania, essa definição desmoronou em desuso”.

A tradição impôs o termo “doutor” em nossa sociedade como uma maneira de abordar os superiores na divisão socioeconômica. O “doutor” não se instituiu em nosso idioma como uma expressão inocente, porém como um abismo, ao propagar na linguagem uma diferença vivida na realidade do dia-a-dia que deveria ter nos envergonhado desde o século XIX.

Os causídicos de plantão defendem o “Dr.” porque estaria numa licença régia no qual D. Maria, de Portugal, avaliada como “a louca”, teria concedido o título de “doutor” aos advogados. Mais tarde, em 1827, o “Dr.” teria sido garantido aos bacharéis de Direito por um decreto de D.Pedro I, ao instituir os primeiros cursos de Ciências Jurídicas e Sociais no Brasil. Ora, supostamente o decreto imperial não foi “derrogado”, assim, ser “doutor” seria parte do “direito” dos advogados (pasmem, mesmo com a inauguração da República!).

Ah! No Brasil se dá um jeitinho em tudo e o título de “Dr.” foi “espontaneamente” esticado para os médicos em décadas posteriores (acreditem!). No caso dos médicos, a contemporaneidade e a insistência do título de “doutor” devem ser abrangidas no contexto de uma sociedade enfermada, na qual as pessoas se decidem em grande monta por seu check-up ou por suas patologias. De ordinário, o “doutor” médico e o “doutor” advogado (promotor, procurador, delegado) têm algo em comum: o império sobre os indivíduos. Um pela lei, o outro pela medicina, eles normatizam a vida de todos os outros.

Etimologicamente, o vocábulo "doctor" procede do verbo latino "docere" ("ensinar"). Significa, pois, "mestre", "preceptor", "o que ensina". Da mesma família é a palavra "douto” que significa "instruído", "sábio”.(1) Infelizmente, a maioria dos “doutores” médicos e dos “doutores” advogados estimula e até exige o título no dia a dia, mesmo que não sejam doutores.

DOUTORES (com maiúsculas) somente são os que tenham defendido uma tese diante de uma banca de notáveis. E diga-se que os autênticos DOUTORES (com maiúsculas) em geral, quase sempre nenhum deles é chamado de Doutor na vida cotidiana, seja na sala de aula, seja na rua.

Por essas razões, não podemos concordar com líderes espíritas que fazem questão de manter em seus nomes a sigla "doutor" e se vangloriam desse pronome de tratamento (2) nos eventos de que participam em nome do Cristo. Como dissemos acima, o emprego ultrapassado de "doutor" é comum entre os pobres, os sem instrução que associam a palavra a um status social ou a um nível de autoridade superior ao seu. Estratificações sociais que não se coadunam com o Evangelho.

Enquanto houver líderes espíritas que não se reconheçam como indivíduos comuns e acreditem merecer o tratamento cerimonioso, submetido às formalidades dos protocolos sociais, com cuidadosa discriminação em vários graus de adequação e propriedade, indiscutivelmente refletirá a prova de seu "potencial doutrinário" e "superioridade moral", incentivando comportamentos distorcidos das propostas cristãs.

É bastante conhecida a influência que os endinheirados desempenham nos diferentes domínios da sociedade, e também no movimento espírita. Fragmentos dos poderosos acabaram assumindo postos de autoridade nas federações e centros espíritas. E como idolatram os prestígios sociais, os títulos e o assentar-se nos principais espaços dos eventos o desfile do inchaço da vaidade passa a ser apenas um espelho adequado desse antiespiritismo bem em voga dos dias de hoje, onde a barganha pública de “meiguices” é tão somente o verniz da moléstia moral dos que detêm as rédeas do movimento espírita.

Os expositores-“doutores" não deveriam olvidar que Chico Xavier, Ivone Pereira, Zilda Gama, Frederico Junior, tanto quanto no passado Léon Denis, não poderiam participar desses congressos pagos conduzidos pela importância dos títulos acadêmicos, sob pena de se perceberem desambientados e constrangidos, por nunca terem possuído uma titulação conferida pelas universidades do mundo. Isso para não citar o próprio Cristo, que não passou da condição de modesto carpinteiro.

Por mais respeitáveis os títulos acadêmicos que detenhamos, não hesitemos em nos confundir na multidão para aprender a viver, com ela, a grande mensagem. Não é admissível prosseguirmos escutando expositores espíritas, aplaudidos pelo tratamento de doutores, realizarem preleções jactanciosas de prosperidade enquanto a humanidade estertora na penúria da ignorância das letras.

 Jorge Hessen
jorgehessen.net/blog
 
Referencias bibliográficas:

(1)           Nos países de língua inglesa, os médicos são chamados de "doctor". Quando escrevem artigos, ou em seus jalecos, no entanto, não empregam o termo, mas apenas o próprio nome, acompanhado da abreviatura M.D. (medical degree), isto é, "formado em Medicina", "médico".

(2)           O “Aurélio” define os pronomes de tratamento como "palavra ou locução que funciona tal como os pronomes pessoais". Os gramáticos, por sua vez, ensinam que esses pronomes são da terceira pessoa, substituindo o "tu" da segundo pessoa