20 fevereiro 2013

SOB A DEVASSIDÃO DAS DROGAS, É IMPERIOSO FORÇA DE VONTADE E FÉ EM DEUS

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

 Os impulsos irresistíveis, o receio, o contentamento que surgem com cada dia sem ajoelhar-se às drogas, têm inspirado a criação de páginas virtuais pelos “escravos químicos”. Há viciados conectados a redes com dezenas de blogueiros que explanam seus dramas para inúmeras pessoas que sofrem das mesmas agruras. Os históricos gravados nos espaços cibernéticos expõem o progresso de alguns e o desfalecimento de outros. Uma súbita interrupção de comentários na página pelo criador do blog, por exemplo, é explicada como recaída ao vício.
Abonam os especialistas que quando os dependentes químicos compartilham experiências, na web por exemplo, guardam conexão com as mesmas terapias de grupos existentes nos Narcóticos Anônimos (NA) e Alcoólicos Anônimos (AA). (1) Na verdade, há viciados portadores da ansiedade social, fobia social ou sociofobia (aversão social), razão pela qual não conseguem se expressar em grupo de autoajuda. Por isso os blogs podem amparar dependentes químicos que não conseguem dividir experiências em público. Nesses ciberespaços são comentadas as experiências e as angústias de uns e o triunfo de outros (ex-dependentes).
Muitos blogs igualmente são construídos pelos “codependentes” (expressão empregada para mencionar parentes e familiares que passam a (con)viver em função dos viciados). Os parentes dos adictos, habitualmente adoecem. Há uma pressão psicológica muito intensa sobre a família, que sobrevive sob constrangimento. Nesse caso, expressar relatos nos blogs pode ajudá-los a desvendar que não são os únicos a passar por esse tipo de situação. Compreenderão que outras famílias convivem com dificuldades semelhadas.
Aproveitando o importante debate sobre o desempenho dos blogs para confabulações entre os dependentes químicos, é oportuno salientar, no contexto, que é mais fácil evitar a instalação do vício do que lutar posteriormente pela sua supressão (como proferem os membros dos AA’s: não há ex-alcoólatra). A questão assenta raízes profundas na sociedade, animando medidas curadoras e profiláticas nos círculos religiosos, médicos, psicológicos e psiquiátricos, necessitando de imperiosa assistência de todos os segmentos sociais para (talvez) minimizar seus efeitos calamitosos. Assim, faz-se cogente assentar a questão da dependência química (principalmente a alcoofilia) no foco dos debates públicos. Até porque o problema da consumação das drogas lícitas e/ou ilícitas precisa ser atacado sem trégua, a fim de que sejam encontradas soluções para a complexa epidemia da químio-dependência.
Óbvio que é importante a utilização de um espaço virtual para desabafos sobre as aflitivas lutas contra o vício. Por falar em terapêuticas, existem várias maneiras paralelas de ajuda aos que dependem da droga: tratamento médico, terapias cognitivas e comportamentais, psicoterapias, grupos de autoajuda (Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos etc.). Na opinião dos especialistas da área, o tratamento do dependente de drogas não requer internação, na grande maioria dos casos, pois as respostas não têm sido favoráveis a que eles apresentem melhora nessas condições de isolamento, distantes do convívio familiar. Muito pelo contrário, constatam a ineficiência do tratamento nessas condições, com um significativo aumento do consumo a que os dependentes se lançam após saírem da clínica.
Para todo dependente químico existe um tratamento específico. Quando a dependência é única e exclusivamente física, esta é anunciada nas crises de abstinência com reações de menor expressão, e a cura é relativamente fácil. Porém, quando a dependência é psicológica, as reações são bem mais agressivas e a cura requer muito mais tempo. Daí a necessidade da compaixão, da renúncia e do irrestrito afeto familiar.
Apresentando ao tema uma abordagem espírita, compreendemos que muitos que desencarnam sob o guante da dependência química permanecem presos ao vício nas deprimidas regiões do além-tumba. Normalmente tais infelizes seres acoplam-se aos seus afins (os usuários de drogas encarnados), imantando-se aos seus perispíritos a fim de sugar as emanações perniciosas derivadas do consumo das drogas.
As energias deletérias dos viciados do além podem, em longo prazo, causar nos viciados encarnados distúrbios orgânicos graves, tais como: câncer de pulmão, problemas no fígado, no aparelho circulatório, no sangue, no sistema respiratório, no cérebro e nas células, principalmente as neuronais (2), devido ao enfraquecimento dos centros vitais do viciado, ainda encarnado. Portanto, os efeitos destruidores dessa subjugação são tão intensos que extrapolam os limites do organismo físico da vítima de “cá”, alcançando e danificando substancialmente o equilíbrio e a própria funcionalidade do seu perispírito.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec indagou à Espiritualidade se o homem poderia, pelos seus próprios esforços, vencer suas inclinações más. Os Espíritos, de maneira objetiva, responderam afirmativamente, esclarecendo que “o que falta nos homens [sobretudo os dependentes químicos] é a força de vontade e a legítima fé em Deus.”(3)
Pelo exposto, sugerimos a todos os sobrepujados pelos vícios (de “cá” e do “além”) o estudo e o exercício do bem, tendo como roteiro os códigos do Evangelho de Jesus. Rememoremos que Ele mesmo disse: “vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (4)




Referencias bibliográficas:

1    Disponível em http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/em-blogs-viciados-em-drogas-relatam-hist%C3%B3rias-e-medos, acessado em 19/02/2013.
2    Os neurônios guardam relação íntima com o perispírito, segundo André Luiz em "Mecanismos da Mediunidade”.
3•    Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977.
4    Mateus 11:28-30

18 fevereiro 2013

COGITAÇÃO ESPÍRITA A PROPÓSITO DA MEMÓRIA


Jorge Hessen
http://jorgehessen.net



Permanecer sem comer um ou dois dias por semana pode resguardar o cérebro contra doenças degenerativas como mal de Parkinson ou de Alzheimer, segundo estudo efetivado pelo National Institute on Ageing (NIA), em Baltimore, nos Estados Unidos. Para Mark Mattson, líder do laboratório de neurociências do NIA, “reduzir o consumo de calorias poderia ajudar o cérebro, mas fazer isso simplesmente diminuindo o consumo de alimentos pode não ser a mais perfeita maneira de ativar a memória. É melhor alternar períodos de jejum, em que não se ingere praticamente nada, com períodos em que se come o quanto quiser.” (1)
Nessa linha de pesquisa, os cientistas japoneses do Instituto Metropolitano de Ciências Médicas de Tóquio, no Japão, também afiançam que “passar fome” pode ampliar a memória. Embora necessitem de mais tempo para extrair conclusões categóricas, demonstram, porém, que a “fome desejada” queima toxinas corporais, acorda um hormônio redutor da glicose no organismo e ativa uma proteína no cérebro adequada para auxiliar a memória. Declaram distintos estudiosos que durante o estágio da fome almejada (jejum) a mente fica mais desperta e as percepções aumentam a audição, a visão, o olfato; tudo fica mais fulgente. Isso pode ser um indicativo de que ocasiões de fome programada podem ser benéficas à memória e ao organismo como um todo.
É conveniente desdobrar e comentar esses curiosos elementos para apreciação do papel desempenhado pela tal memória; ir mais adiante, a fim de levantar pontos para estudo, sem a ingênua pretensão de oferecer a palavra final nesta anotação. Afinal, o que é a memória? Para o dicionarista, memória é faculdade pela qual o espírito conserva ideias ou imagens, ou as readquire sem grande esforço.(2) Onde a sede da consciência e do pensamento? Do que são feitas as “vozes” e imagens da reminiscência? Onde enxergamos as imagens produzidas pela recordação? O que é o inconsciente e de onde brotam as lembranças antes de as termos conscientemente? O que é a mente e o que anima o corpo? São questões que o orbe academicista não dá conta de explicar.
A mente é o espelho da vida em toda parte e o cérebro é o centro de suas sinuosidades, originando a força do pensamento que tudo move, instituindo e alterando, destruindo e recompondo para acrisolar e sublimar. “Comparemos a mente humana (espelho vivo da consciência lúcida) a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço. Aí permanece o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros ainda que definem os investimentos da alma.”(3)
Sob o guante das teses materialistas, porém, a memória somente advém dos miolos encefálicos. O que está registrado no cérebro provém dos sentidos. A percepção dos sons, imagens, odores, sabores, pressões, aflições, frio, calor, equilíbrio e todas as outras possíveis sensações não se dão nos órgãos sensoriais, mas no cérebro, que interpreta as sensações com base em tudo que tem registrado. Atestam os academicistas que a consciência é a operação cerebral de municiar a pessoa do conhecimento de algo percebido ou processado. Para eles, inexiste o tal espírito.
Para esses defensores, o "eu" é a consciência de si próprio, isto é, uma operação exclusiva do cérebro em reconhecer-se a si mesmo e ao organismo que o contém como algo distinto do resto do mundo. Tudo isso é gravado nas conexões neuronais que formam a memória. Afirmam os catedráticos que todas as operações psíquicas, como pensar, sentir, querer são procedidas sobre os registros da memória, que incluem não só imagens de sensações, mas também registro de operações. Tudo isso pode perfeitamente ser reproduzido em aparato artificial, capaz de ter consciência, emoções etc.
Será que são razoáveis tais assertivas dos arautos do materialismo contemporâneo?
Do ponto de vista espírita, “o cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria. No entanto, na vontade, temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento; a inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade; a imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.”(4)
Na verdade, a comunidade científica já comprovou que o pensamento, aliás, os pensamentos são correntes eletromagnéticas - eletricidade e magnetismo, portanto energia! Para aqueles que arrazoam que o pensamento ocorre dentro do cérebro - precisam aceitar que são apenas aparelhos eletromagnéticos e que os pensamentos vêm de fora e não do interior da cachola física. No arcabouço perispirítico, a memória tudo armazena, e pelo mecanismo da criptomnésia(5) são guardadas as conquistas da própria memória, conservando, provisoriamente apagadas, as lembranças de outras vidas pretéritas, por exemplo, o que não significa dizer que não se pode ter acesso a esses acervos de forma natural ou provocada.
Mas será que verdadeiramente a reminiscência do Espírito está armazenada na contextura perispiritual? Memória é a aptidão de evocar informações guardadas em nosso “cérebro psissomático”. Mas como essas imagens ou sensações são arquivadas? Há espíritas que negam tal probabilidade, assegurando serem o corpo físico e o perispírito apenas os veículos de manifestação do espírito. Alegam que o corpo físico não pensa, não raciocina, não memoriza, e portanto a memória não está sediada no corpo físico nem no perispírito, mas reside exclusivamente no próprio espírito, pois o perispírito apenas reflete o pensamento do espírito. Contudo, avaliando que todos os espíritos possuirão para sempre um envoltório perispiritual, até mesmo os espíritos puros (que conterão um invólucro mais divinizado), a questão da sede essencial da memória ainda não estaria elucidada.
Entendemos que os subsídios que adquirimos nas experiências de vidas pregressas, os fatos que desvendamos incorporam-se à nossa memória, cujos registros fundamentais se localizam no “cérebro perispiritual”, e, conquanto gravadas no ocaso do dito inconsciente, jazem ali, à nossa disposição. Quão mais informações tenhamos alcançado no pretérito, mais simplificado se torna decidir com êxito as circunstâncias novas, porque trazemos uma espécie de banco de dados mais amplo, contra o qual checamos comparativamente os episódios novos, as novas conjeturas, as novas experiências. É sempre mais fácil erguer sobre a fundação já solidificada.
Como elucubramos sobre a memória, há, igualmente, por aqui, semelhanças observáveis com a informática, pois os computadores atuais não são mais do que “cérebros artificiais”, embora extremamente primitivos e limitados em comparação com o cérebro perispiritual. São simples bancos de dados que deliberam entre duas alternativas, conforme um programa preestabelecido e de acordo com o estoque de informações que têm gravado em suas memórias.(6) É evidente que não ansiamos expor que o computador seja inteligente, nem que tenha intuição, todavia é correto dizer que se aproveita de um dos atributos da inteligência humana, isto é, a memória.


Referências:
(1) Disponível em , acessado em 17/02/2013;
(2) Disponível em , acessado em 17/02/2013;
(3) Disponível em ;
(4) Disponível em ;
(5) Criptomnésia sf (cripto+mnese+ia) = Memória subconsciente;
(6) Dispositivos de um computador ou sistema informático que permite o registro, a conservação e a restituição dos dados.
 

11 fevereiro 2013

JORNAL O BEM PUBLICOU ARTIGO SOBRE A MEDIUNIDADE


Lembrando que a questão fenomênica é acessória e não mais constitui ponto essencial para as propostas doutrinárias, Emmanuel admoesta: São muito poucas as casas espíritas que se podem entregar ao exercício da mediunidade. Os dirigentes vigilantes devem intensificar reuniões de estudos teóricos, meditação e debates racionais para entendimentos seguros, fugindo de um prematuro intercâmbio com as forças advindas do além-túmulo. (1)
Para melhor compreendermos os objetivos da mediunidade nos seus matizes básicos, temos que separar, com discernimento, o exercício mediúnico, dos postulados Espíritas e definirmos fenômeno, por elemento material de análise e Espiritismo, como a base teórica que esclarece os fenômenos. Esse comportamento é para nos libertarmos das fantasias, mitos e crendices. Em face disso, ressaltamos a urgente necessidade do estudo continuado do Livro dos Médiuns, um compêndio insuperável para o entendimento da sensibilidade mediúnica.
A palavra médium advém do latim, medium, ou seja: meio, intermediário. Pessoa que pode servir de intermediário entre os Espíritos e os homens conforme instrui Allan Kardec.
Incorreremos em grave distorção doutrinária se concluirmos que todos nós somos mais ou menos médiuns no sentido restrito e usual da palavra, ou seja, se julgarmos que todos podem produzir manifestações ostensivas, tais como psicofonia, psicografia, efeitos físicos, etc.. Um aspecto central, relativo à natureza da mediunidade, acha-se exposto na resposta à pergunta que Kardec endereçou aos Espíritos : “O desenvolvimento da mediunidade guarda proporção com o desenvolvimento moral dos médiuns? Não; a faculdade propriamente dita prende-se ao organismo; independe do moral. O mesmo, porém, não se dá com o seu uso, que pode ser bom ou mau, conforme as qualidades do médium”. (2)
Infere-se, do exposto, que mediunidade (ostensiva) é faculdade especial que certas pessoas possuem para servirem de intermediárias entre os Espíritos e os homens. É de origem orgânica e independe da condição moral do médium, de suas crenças, de seu desenvolvimento intelectual.
No parágrafo 200, de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec deixa claro que não há senão um único meio de constatar a existência da faculdade mediúnica em alguém: a experimentação. Ou seja, só poderemos saber se uma pessoa é médium, observando se ela é, efetivamente, capaz de servir de intermediária aos Espíritos desencarnados. Isso, naturalmente, remete-nos à importante questão do estudo metódico e educação da mediunidade.
O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza mais ou menos expansível do perispírito(*) do médium e da maior ou menor facilidade de assimilação das energias dos Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando existir um relacionamento fluídico entre o médium e o espírito comunicante; caso contrário, não há fórmula sacramental para desenvolver esse dom de Deus.
Incorre em erro grave quem queira forçar, a todo custo, o desenvolvimento de uma faculdade que ainda não aflorou, pois, como sabemos todos os homens têm o seu grau de mediunidade, nas mais variadas posições evolutivas (…) (3) Emmanuel explica à questão 384 no livro O Consolador: Dever-se-á provocar o desenvolvimento da mediunidade? Ninguém deverá forçar o desenvolvimento dessa ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e boa-vontade (…)(4) E reitera: A mediunidade não deve ser fruto de precipitação nesse ou naquele setor da atividade doutrinária, porquanto, em tal assunto, toda a espontaneidade é indispensável, considerando-se que as tarefas mediúnicas são dirigidas pelos mentores do plano espiritual. (5)
Estejamos, pois, vigilantes quanto à aplicação prática da mediunidade, lamentavelmente, tão mal conduzida em nossas hostes. As pessoas quando procuram os centros espíritas, cedo ou tarde, são encaminhadas, irrefletidamente, às chamadas reuniões de desenvolvimento mediúnico, antes mesmo de se evangelizarem ou nem mesmo apresentarem indícios rudimentares dessa faculdade. Os orientadores argumentam que, se são pessoas que apresentam desequilíbrios múltiplos de saúde que desafiam a perícia médica, ou se revelam distúrbios de comportamento que, de alguma forma, fogem aos costumes estipulados pela sociedade, devem entregar-se, imediatamente, ao desenvolvimento da mediunidade, o que é um absurdo. Sugerem, ainda, que, se alguém tem grande interesse pelo Espiritismo, ela tem todas as condições para o exercício do sublime mandato mediúnico, incorrendo em outro grande erro.
Recordemos, porém, que a educação mediúnica promovida nos centros espíritas não deve, jamais, ser entendida como aprendizado de técnicas e métodos para fazer surgir a mediunidade, mas, exclusivamente, como aperfeiçoamento e norteamento eficaz para o equilibrado das faculdades brotadas naturalmente, o que conduz ao aperfeiçoamento moral do médium por meio do estudo sério e de seus esforços continuados para o ajuste de suas práticas às recomendações evangélicas.
“Os médiuns que fazem mau uso de suas faculdades, que não se servem delas para o bem, ou que não as aproveitam para se instruírem, sofrerão as conseqüências dessa falta? Se delas fizerem mau uso, serão punidos duplamente, porque têm um meio a mais de se esclarecerem e não o aproveitam. Aquele que vê claro e tropeça é mais censurável do que o cego que cai no fosso.” (6)
Emmanuel ainda alerta: O exercício da mediunidade nas tarefas espíritas exige larga disciplina mental, moral e física, assim como grande equilíbrio das emoções. (7)
Portanto, a mediunidade mal exercida significará sofrimento para o médium, pois, a invigilância por falta de conhecimento prévio de seus mecanismos, fatalmente, o conduzirá à confusão, à dúvida, à mentira, insuflando o egoísmo, o orgulho, a vaidade e o personalismo. Mediunidade sem estudo sério da doutrina e sem Jesus sedimenta a emissão de forças mentais deletérias, abrindo espaço à perseguição dos Espíritos que insistem em permanecer nas trevas.
(*) O perispírito desempenha papel de suma importância no processo, sendo o mesmo o agente de todos os fenômenos mediúnicos, e estes só podendo produzir-se pela ação recíproca dos fluidos que emitem o médium e o Espírito, temos como regra sem exceções que, ocorrendo um fenômeno de comunicação com o mundo espiritual, necessariamente haverá a participação de um médium. Em alguns casos, como em certas manifestações de efeitos físicos, não se nota a presença do médium, mas podemos estar certos de que haverá alguém, em algum lugar, servindo de médium, ainda mesmo que este não esteja consciente do papel que desempenha.


Jorge Hessen
 http://jorgehessen.net


Referências bibliográficas:
(1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, RJ: Ed.FEB-2000, ditado pelo Espírito Emmanuel, questão
(2) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, RJ: Ed. FEB, 1997, parágrafo 226
(3) Xavier,Francisco Cândido. O Consolador, RJ: Ed.FEB-2000, ditado pelo Espírito Emmanuel, questão 383
(4) Idem Ibidem questão 384
(5) Idem Ibidem
(6) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, RJ: Ed. FEB, 1997, parágrafo 226
(7) Xavier, Francisco Cândido. Encontro Marcado, Capítulo Examinando a Mediunidade, ditado pelo Espírito Emmanuel

10 fevereiro 2013

COMO ESTAMOS PENSANDO?

 


Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Pensamento e pensar são, concomitantemente, uma configuração do artifício mental ou capacidade da codificação mental. Raciocinar consente aos seres moldarem o mundo e com isso lidar com ele de um modo concreto consoante as suas metas, planos e vontades. O pensamento é avaliado como a demonstração mais tangível do espírito humano, porquanto por meio de representações e ideias desponta precisamente a pretensão deste.
O pensamento é fundamental no processo de aprendizagem e é o principal veículo do processo de conscientização. A atividade de pensar confere ao homem asas para sobrepor e mover-se no mundo, as raízes para aprofundar-se na realidade. Etimologicamente, pensar significa avaliar o peso de alguma coisa. Em sentido amplo, podemos dizer que o pensamento tem como missão tornar-se avaliador da "realidade". Segundo Descartes, o filósofo por excelência, "a essência do homem é pensar". Por isso proferia: "Sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que ignora muitas, que ama, que odeia, que quer e não quer, que também imagina e que sente. Logo quem pensa é consciente de sua existência, "penso, logo existo."(1)
Filosoficamente, observemos que há a realidade que depende da existência de um observador e a realidade que independe do observador para existir. Elementos como átomos, força, gravidade, fotossíntese, são exemplos do que existe independentemente do observador - é a realidade natural. Em contrapartida, dinheiro, propriedade e governo são exemplos que dependem de nós para existir - é a realidade social, cultural, existencial. O peso que as idéias ou palavras exercem sobre nossas ações, sobre nossos estados emocionais, sobre a construção de nossas vidas, quase sempre é imenso.
Segundo os Benfeitores, o pensamento atua à feição de onda, com velocidade muito superior à da luz, e a mente é o dínamo gerador de força criativa. Sendo matéria, a onda mental é formada por corpúsculos (partículas mentais), a se anunciarem como ondas e formas mentais. Em situações extraordinárias da mente, excitação dos micro-núcleos atômicos mentais, quais sejam, as emoções profundas, as dores indivisíveis, as laboriosas e aturadas concentrações de força mental ou as súplicas aflitivas, o domínio dos pensamentos emite raios muito curtos, teoricamente semelhantes aos que se aproximam dos raios gama.
Decididamente, muito de nossas ações só acontece porque pensamos algo, desejamos algo, acreditamos em algo, tememos algo, ou seja, há um estado subjetivo que provoca um tipo de movimentação no mundo concreto. Se isso é fato - e é difícil, empiricamente, duvidar desse fato - então, a interferência do que pensamos sobre o que vivemos é muito maior do que habitualmente imaginamos. Dessa forma, o dito popular "cuidado com o que você pensa", possui um sentido muito mais amplo. A rigor, nossos pensamentos interferem e determinam nossas ações, nossos posicionamentos, e o mundo em que vivemos se constitui a partir da interferência dessas nossas ações sobre ele.
Temos então pensamentos que geram ações, que geram pensamentos, que geram ações. Ações que geram o mundo, que gera ações. O pensamento do outro que constitui o meu pensamento, que constitui o pensamento do outro. Quais os limites, as linhas divisórias entre esses elementos? Creio não ser possível estabelecer esses limites, ou seja, quando um elemento termina e o outro começa. Não há fronteiras, territórios específicos do pensar, do agir, do eu, do outro. A constatação da fluidez de nosso pensar e, consequentemente, de nossas ações, enfim, daquilo que somos, talvez permita uma melhor compreensão de como viver em um mundo onde não haja uma única possibilidade, mas todas as possibilidades, ou seja, onde tudo seja possível.
Sob o ponto de vista espírita, nosso espírito residirá onde projetarmos nossos pensamentos, alicerces vivos do bem e do mal. Os pensamentos negativos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável, ou seja, o otimismo é expansão da luz e o pessimismo é condensação da sombra. Os fluidos que envolvem os Espíritos obsessores, ou que estes projetam, são viciados, variando de acordo com o grau de imperfeição de cada um, ao passo que os que envolvem os Benfeitores espirituais, ou que eles emitem, são puros, tanto quanto comporta o grau de perfeição moral que tenham conquistado.
Outro aspecto a considerar é que tanto os bons pensamentos quanto os maus, emitidos por um ser encarnado, afetam, consideravelmente, as mentes de irmãos, também encarnados, em faixas mentais equivalentes. É imprescindível compreender que, depois da morte do corpo físico, prosseguimos desenvolvendo os pensamentos que cultivávamos na experiência carnal. O pensamento age e reage, carreando para o emissor tudo que o sustenta, como também tudo que arremessa a quem pretenda atingir. Determina para cada criatura os estados psíquicos que variam segundo os tipos de emoção e conduta a que se afeiçoe.
O sentimento de amor cristão pode impulsionar o correto pensamento, sem os quais adoecemos pela insuficiência de equilíbrio íntimo, imprimindo no corpo físico as distonias e as variadas patologias que lhe são consequentes. Para termos saúde, é importante saber como estamos pensando. Os pensamentos negativos operam em nosso estado íntimo determinada perturbação, instaurando desarmonias de grandes proporções nos centros da alma e provocando lesões funcionais variadas. Quaisquer doenças aparecem como efeitos, residindo a causa no desequilíbrio dos espelhos da vida íntima, uma vez que os sintomas mentais depressivos influenciam as células fisiológicas.
Recordemos que os efeitos dos anseios e pensamentos indignos que mantemos se tornam contra nós mesmos, depois de decompostos em ondas mentais, tumultuando nossas funções neurológicas, e esses reflexos imprudentes, alastrando-se sobre a contextura do córtex cerebral, gestam delírios que podem transformar do medo evidente ao estado neurótico, circunstância em que os obsessores nos alcançam com alvitres destruidores, diretos ou indiretos, transportando-nos a lamentáveis fenômenos de desgoverno psicológico e emocional. Não olvidemos jamais que exclusivamente o amor cristão pode estimular o adequado pensamento e nos fazer alforriados das amarguras sorrateiras. Sem o amor exercitado, adoecemos, espiritualmente, pela carência de equilíbrio íntimo, transmitindo ao corpo físico as distonias e as variadas patologias que lhe são consequentes. Por isso, necessitamos ter muito cuidado com o quê, como, onde e por que pensamos desse ou daquele modo.

Referência:
(1)    Disponível em http://blogeducavirtual.wordpress.com/2012/07/13/penso-logo-existo/ aceso em 09/02/2013