13 março 2013

DIFUSÃO ESPIRITA PUBLICADA NA REVISTA ESPIRITISMO E CIENCIA



Considerando a imprensa laica, Emmanuel advertiu: “nunca os círculos educativos da Terra possuíram tanta facilidade de amplificação, como agora, em face da evolução das artes gráficas; jamais o livro e o jornal foram tão largamente difundidos; entretanto, a imprensa, quase de modo geral, é órgão de escândalo para a comunidade e centro de interesse econômico para o ambiente particular, enquanto que poucos livros triunfam sem o bafejo da fortuna privada ou oficial, na hipótese de ventilarem os problemas elevados da vida.” (1)
A divulgação espírita atual faz jus ao apoio e o incentivo de todos nós? Sim! Não há como desconhecermos a importância da divulgação doutrinária para a manutenção da chama viva da Terceira Revelação. "O conhecimento espírita, na essência, é tão importante no reino da alma, quanto a alfabetização nos domínios da vida comum".(2)
A imprensa espírita é um notável canal de divulgação, capaz de conduzir o leitor às informações fundamentais da nossa realidade doutrinária, balizando-o, vigorosamente, em efetivos projetos de espiritualização. Destarte, é mister que os meios de comunicação estejam compromissados com a ética, com a verdade revelada pelos Espíritos Superiores e com a melhor qualidade dos temas difundidos.
Sendo poderoso meio de disseminação das verdades eternas e por dirigir-se a dois públicos – o espírita e o não espírita – a mídia kardeciana não deve ultrapassar os limites dos interesses doutrinários e imiscuir-se em altercações políticas ou disputas de lideranças pelo movimento espírita institucionalizado.
Para lograr os ideais de convivência pacífica na disseminação das verdades eternas entre pessoas de diferentes convicções, é forçoso fugir do egocentrismo. O Espiritismo é uma doutrina transcendente, destinada a influir na transformação social; por isso, deve tornar-se alteritária, para possibilitar o diálogo fraterno e não-excludente. Não se pode imaginar uma divulgação espírita desatenta ao mundo, enclausurada em si mesma.
Não é difícil averiguar que falecem meios de comunicação arejados (jornais, revistas, sites, televisão, rádios), que se pode confiar sem a sensação desagradável de asfixia, de sujeição servil a lideranças extravagantes. A coordenação do movimento espírita coevo estabeleceu um clima de autocensura, reduzindo a divulgação espírita a uma insensibilidade inerme, como se jazesse abafada a uma administração clerical.
Nos centros espíritas surgem palradores “estrelas”, funcionais e irrequietos, que transformam tribunas em ribaltas para os holofotes das mídias espíritas, quase sempre expondo a doutrina com superficialidade, aventurando uma cultura de aluguel. Não perdem a menor oportunidade de teatralizarem a palestra com surtos oratórios para extraírem dilúvios de palmas da plateia.
Outra realidade é: quanto mais se expande o ciberespaço, mais se amplia o universo da disseminação espírita na sociedade. Daí urge toda cautela para que a veiculação dos preceitos doutrinários, sobretudo virtuais, não venha a se converter em ingente esforço de propagação ideológica, a fim de converter a todos, sob o tacão da insensatez dos espiritismos à moda brasileira. Qual inumana expiação, notamos muito personalismo na difusão do Espiritismo; há muita presunção, prevalecem muitos interesses pessoais sobrepondo-se ao coletivo.
Poucos são os articulistas e oradores que têm a audácia e a consistência de se assentarem em amparo do restabelecimento da verdade revelada pelos Espíritos e do comportamento crítico no círculo doutrinário. Infelizmente, a massa popular ainda não entendeu a Doutrina Espírita. O nível baixo da cultura do povo não permitiu o desenvolvimento coerente da doutrina entre os “ilustres” excluídos do sistema elitizante. Quiçá não haja interesse da elite cultural pelo despertar das consciências vulgares, porque senão os aduladores desaparecem. Isso é muito evidente, até porque quanto mais esclarecimentos doutrinários, menos idolatrias, e como se busca shows e aplausos, é preferível "afagar" a todos, a "desgostar" o grande público de idólatras inscientes. E nessa direção a divulgação Espírita vai abafando a orientação do Evangelho Redivivo.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net/blog

Referência bibliográfica:

(1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, questão 206, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001
(2) Vieira, Waldo. Sol Nas Almas, ditado pelo espírito André Luiz, São Paulo: Ed. Boa Nova, 2010

11 março 2013

JORNAL FRATERNO PUBLICOU



Para alguns confrades, o Espiritismo, no início do século XX no Brasil, ganhou uma tonalidade que o fez diferente daquele existente na Europa. Sofreu uma deformação ou determinada construção original, sobretudo pelas relações entre ele e os cultos afro-brasileiros. 
À época, o Espiritismo possuía, na Europa, um caráter mais científico e filosófico e, no Brasil, ganhou características mais religiosas. Atribui-se, a esse fator, o pendor místico da tradição cultural brasileira.Para esses estudiosos, o "abrasileiramento" do Espiritismo o levou a uma perda do caráter experimentalista e científico de sua origem, e isto correspondera a um abastardamento do Espiritismo no Brasil. Evidentemente, discordamos dessa tese que considera o Espiritismo brasileiro uma simples deturpação do europeu. 
Tais teóricos acreditam, até, que não seria possível ao Espiritismo manter uma "pureza" para onde quer que fosse difundido.Será que o termo Espiritismo inclui as crenças afro-brasileiras? É óbvio que não! Porém, desde sua chegada ao Brasil, seus adversários tentam igualá-los. Contudo, reconhecemos que a Umbanda, por exemplo, mais se parece com o Catolicismo do que com o Espiritismo, devido aos rituais, aos atos sacramentais e à hierarquia sacerdotal, os quais não existem no Espiritismo.Kardec não enfrentou este tipo de problema à época. Entretanto, no Brasil, com as peculiaridades da índole brasileira, tudo tem que ter conotação especial. Para alguns, seríamos espíritas kardequianos e eles, "espíritas" umbandistas. Para outros, somos espíritas "mesa branca" e eles, de terreiros. Os termos não têm razão de ser, mas a urgência em nos diferençarmos de outras seitas religiosas tem levado certos espíritas a utilizarem essas inadequadas adjetivações.O Espiritismo é uma Doutrina religiosa que tem Jesus como guia e modelo de conduta. Não há como compreender o Espiritismo sem Jesus e sem Kardec, para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que o projeto da Terceira Revelação alcance os fins a que se propõe.
Como diferença fundamental na prática doutrinária, o Espiritismo não adota em suas reuniões: paramentos ou quaisquer vestes especiais; vinho, cachaça, ou qualquer outra bebida alcoólica; incenso, mirra, fumo ou quaisquer outras substâncias que produzam fumaça; altares, imagens, andores e velas; hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas; danças ou procissões; atendimento a interesses materiais, terra-a-terra, mundanos; pagamento de qualquer espécie; talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos e escapulários; administração de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos nobiliárquicos; horóscopos, cartomancia, quiromancia e astrologia; rituais e encenações extravagantes; promessas e despachos; riscar cruzes e pontos; praticar, enfim, a extensa variedade de atos materiais oriundos de velhas e primitivas concepções religiosas.
Outro fator relevante, a palavra "espírita" foi criada por Allan Kardec em 1857 e designa, tão-somente, os adeptos do Espiritismo, cujas atividades estão sempre voltadas à prática da caridade em seu sentido mais amplo. Portanto, a denominação "espírita" não deve ser associada a práticas com bases em quaisquer rituais, pela incoerência que isso representa. Rejeitamos, pois, assim, qualquer associação do Espiritismo com práticas distanciadas das orientações de Allan Kardec, da ética e dos preceitos codificadas por ele.Seria a Umbanda o mesmo que Espiritismo? Com todo respeito que os umbandistas merecem, respondemos que não! Umbanda é, basicamente, prática religiosa surgida entre os africanos bantos e sudaneses, trazidos para o Brasil como escravos. É o resultado do amálgama com o Catolicismo, reunindo ainda folclore, superstições e crendices, sem doutrina codificada.
Com a vinda dos escravos africanos para o Brasil, o sincretismo religioso se tornou uma prática comum entre os escravos, pois os senhores de engenho não permitiam nenhuma outra religião, exceto a católica. Desta forma, surgiu a Umbanda, amplamente difundida em todas as camadas sociais do país. Sua entronização no país teve razões variadas. Uma delas é essa bagagem religiosa atávica que nos liga ao passado do negro e do índio (pretos-velhos e caboclos). Outro fator foi a de desenvolver junto ao povo, uma prática mediúnica mais voltada para os interesses imediatistas e populários.No meio religioso convencional, os pastores e padres colocam como adeptos da Doutrina Espírita, as pessoas que "mexem" com os Espíritos, com macumba. Para tais religiosos os seguidores da Umbanda, do Candomblé, os jogadores de búzios, de tarô, os ledores de sorte, etc., são todos praticantes do Espiritismo. Por causa dessa suprema ignorância, temos o dever de procurar esclarecer essas distorções, sempre que a confusão se estabelecer. Sabendo, porém que o termo já está popularizado na linguagem comum, é aconselhável que se utilize o termo Doutrina Espírita em lugar de Espiritismo, quando a ocasião exigir. Vai aqui apenas uma singela sugestão.
A Umbanda é um culto com identidade específica e suas práticas, embora tenham alguns pontos de convergência com o Espiritismo, de um modo geral, as contradizem, por serem antagônicas. Em se tratando de prática doutrinária, não se pode ser umbandista e espírita ao mesmo tempo. A Umbanda tem público e finalidade apropriados. Seus cultos são voltados a rituais e procedimentos que em nada se compatibilizam com a Doutrina Espírita. Estranhíssimos são os santuários que, em alguns dias trabalham com o "Espiritismo" e em outros com a Umbanda. Seria possível existir uma roda quadrada?Se for de bom alvitre que os lídimos espíritas não trabalhem em duas casas espíritas simultaneamente, imagine então a confusão espiritual que se forma quando se participa de dois cultos que não possuem afinidade entre si. Isso tem sido fonte de desequilíbrio psíquico e emocional de praticantes pouco esclarecidos quanto a esse aspecto.O Espiritismo (Doutrina Espírita) codificado por Allan Kardec nos traz princípios racionais inobservados em outras doutrinas filosóficas e morais. 
É ele o Consolador Prometido por Jesus para ajudar na edificação do futuro da humanidade. Cremos que nossa incapacidade de minimizar certas dificuldades de interpretação entre Doutrina Espírita e Doutrinas afro-brasileiras está na falta de estudo e de preparo moral e intelectual adequados de muitos líderes espíritas. Por razões diversas, algumas pessoas tornam-se dirigentes de centros espíritas sem possuírem condições doutrinárias para isso. Portanto, fundamentalmente, o grande mal ainda é o pouco interesse que os adeptos têm pelo estudo sério das Obras Básicas.Religião científico-filosófica, o Espiritismo não pretende demolir as bases de outras crenças. Antes, reconhece a necessidade da existência delas para grande parte da humanidade, cuja evolução se processa lentamente.
A mediunidade, presente em ambas as doutrinas, é patrimônio comum a todos. Entretanto, cada seguidor registra-lhe a evidência a seu modo. De nossa parte, é possível praticá-la com a simplicidade evangélica, baseados nos ensinamentos claros do Mestre, que esteve em contacto incessante com as potências invisíveis ao homem vulgar, curando obsedados, levantando enfermos, conversando com os grandes instrutores materializados no Tabor, ouvindo os mensageiros celestiais em Getsemani e voltando Ele próprio a comunicar-se com os discípulos, depois da morte na cruz.O bom senso nos sussurra que não importa que os aspectos da verdade religiosa recebam vários nomes, conforme a índole dos seguidores. Vale a sinceridade com que nos devotamos ao bem. Muitos estudiosos espíritas consideram lícito trabalhar, tão-somente, com espíritos superiores, relegando as manifestações mediúnicas vulgares à fossa da obsessão e da enfermidade, que, na opinião deles, devem ser entregues a si mesmas, sem qualquer atenção de nossa parte. Há estudiosos espíritas que não suportam qualquer manifestação primitivista. Se o médium incorpora espíritos primários, afastam-se dele, agastadiços, responsabilizando-o por fraude ou mistificação. Isso é um contra-senso sem respaldo no Evangelho. Importa considerar, nesse debate, que cultos afro-brasileiros e Doutrina Espírita devem estar, cada qual, em seu devido lugar sem miscelâneas, respeitando-se mutuamente sempre. 
Até porque, o Espiritismo nos remete ao tesouro da fé raciocinada, esclarecendo-nos e habilitando-nos a estender o bem, a partir de nós mesmos. Sabemos que uma religião digna, qualquer que seja o Templo em que se expresse, é um santuário de educação da alma, em seu gradativo desenvolvimento para a imortalidade.


Jorge Hessen

09 março 2013

BRASÍLIA ESPIRITA PUBLICOU


“BRASÍLIA ESPÍRITA” 40 ANOS DISSEMINANDO ESPIRITISMO NA PÁTRIA DO EVANGEHO
Jorge Hessen

Em tempos recuados a população brasileira consistia em um arraial incorporado no litoral, lançando um olhar nostálgico para o solo de outros continentes (africano e europeu). Na percepção de que o Brasil jazia de costas para o Brasil, surgiram os amplos clamores para advogar a interiorização do país, opinião primeiramente defendida por Sebastião José de Carvalho e Melo – o Marquês de Pombal – em 1761. Em seguida, em 1789, os inconfidentes, liderados por Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes – demonstravam um manifesto anseio por um processo de interiorização do Brasil.
Na Assembleia Constituinte de 1823, José Bonifácio – o Patriarca da Independência – no documento intitulado "Memória sobre a necessidade e meios de edificar no interior do Brasil uma nova capital", defendeu a construção da nova cidade, sugerindo dois nomes para o que seria a nova capital do país, idealizada no Planalto Central: Petrópolis e Brasília.
Na Proclamação da República do Brasil, em 1889, a constituição republicana estabelecia a mudança da capital do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Mais tarde, o Presidente Epitácio Pessoa, amparado na constituição de 1891, lançou a pedra fundamental da nova capital do Brasil, no Morro do Centenário, em Planaltina, estado de Goiás. Meio século após, mergulhado no arroubo profético, Juscelino Kubitschek registrou: "deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino", inaugurando a 21 de abril de 1960 a Capital de todos os brasileiros.
Carlos Torres Pastorino, 13 anos após a fundação de Brasília, assinalou na primeira edição do jornal BRASÍLIA ESPÍRITA que a fronteira do Distrito Federal “é a atmosfera brilhante e límpida de um céu que se perde no infinito, conectando-a apenas com o sol durante as horas do dia, e com as estrelas semeadas pela imensidão sideral nas horas silenciosas e meditativas das noites serenas que refrigeram as almas. Por sua natureza, Brasília é um apelo para todos que voltem seus olhares para o Alto, numa ascensão sem fim, fora do espaço e do tempo, na subida evolutiva mais rápida e mais firme, para a eternidade e para o infinito.” (1)
Naquele áurico 21 de abril de 1973, data escolhida para o lançamento do jornal BRASÍLIA ESPÍRITA, duas motivações fundamentais planavam no imaginário dos fundadores: “o martírio de Tiradentes e a “inauguração de Brasília”. À época, Mário de Almeida, diretor secretário do jornal, enunciava que o periódico era consagrado para a divulgação espírita cristã na Capital da Pátria do Evangelho, enquadrado “no desígnio da evangelização das almas e no estudo pacífico das verdades espirituais aclamadas por Kardec. Seu escopo é o de unir todos os esforços na Doutrina Espírita e construir a frente única da espiritualidade acima e além das controvérsias e dos desentendimentos.” (2)
BRASÍLIA ESPÍRITA tem desempenhado seu compromisso doutrinário convidando seus leitores para a reverência da liberdade de crença de cada qual, até porque é um predicado constitucional e um direito do indivíduo.
A Terceira Revelação abanca seus alicerces na composição de todos os princípios religiosos: Deus, justiça divina, imortalidade da alma, caridade e amor. Considerando os distintos graus em que estagiam as pessoas no campo da consciência e do pensamento, tornam-se cogentes formulações, não exclusivamente religiosas, todavia, igualmente de condutas ajustadas com o estágio de desenvolvimento em que cada ser humano se encontra.
Almejamos que pelo pensamento construtivo e pelo progresso moral e espiritual da geração nascida no Distrito Federal, o brasiliense, que já é uma espécie de síntese nacional, transforme Brasília na Capital do Evangelho ante a Pátria do Terceiro Milênio. Até porque é forçoso rememorarmos que “o Brasil facultará ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada, e será o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro” (3), embora compreendamos não ser uma programação para imediato, e nem será antecipada ao desdobramento dos ensinos de Jesus apenas no Brasil, visto que a lição doutrinária do pensamento do Cristo é Universal.


Referências:
(1)           Pastorino, Carlos Torres. Artigo intitulado “21 de abril” , publicado na primeira edição do Jornal Brasília Espírita em 21/04/1973
(2)          Mário de Almeida, Diretor Secretário do Jornal Brasília Espírita, publicado na primeira edição do Jornal Brasília Espírita em 21/04/1973
(3)           XAVIER, F. C. Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (pelo Espírito Humberto de Campos). 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

07 março 2013

O CÉREBRO HUMANO NUMA CONCISA ANOTAÇÃO ESPÍRITA


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br


O cérebro é um complexo órgão composto de ligações, filamentos e redes bem estabelecidas que formam uma conexão transportando informações para todas as partes do corpo físico. Na “massa cinzenta” não há somente uma célula individual que decifra uma função distintiva, mas um grupo admirável delas vinculadas numa “rede neural”. A atividade comum dos múltiplos espaços do cérebro está abrangida com todas as funções cerebrais, incluindo as experiências de consciência, como os pensamentos, a visão, a audição, as destrezas.
A cada dia, a neurociência depara com vastos desafios (expostos ou ocultos) nas entranhas cranianas. “O cérebro assemelha-se a complicado laboratório em que o espírito – prodigioso alquimista – efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares, necessárias às exteriorizações inteligentes.” (1) É a máquina ("hardware humano") que expressa a inteligência no mundo material; por isso, muitos estudiosos da mente humana fazem da inteligência um predicado do cérebro. São fascinantes as transformações encefálicas que sobrevêm diante dos esforços de aprendizagens de idiomas, música, ciências exatas, artes em geral. Até mesmo nos transes mediúnicos há alterações cerebrais. Pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, EUA, monitorou os fluxos sanguíneos em diferentes regiões do cérebro durante a psicografia, sendo observada a atividade cerebral através de tomografia computadorizada por emissão de fótons únicos a áreas ativas e inativas. Foi constatado que a mediunidade altera a dinâmica cerebral. (2) Contudo, conforme Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Myrna Brind Center of Integrative Medicine, “a reação cerebral à mediunidade recebe pouca atenção científica.” (3)
Admirável e insólito conjunto conexo de dezenas de bilhões de neurônios em rede específica e complexa, o cérebro é comparado ao mais extraordinário computador que o homem ainda não pode edificar. Suas secreções governam as reações de todo o cosmo fisiológico, trabalhando pela vida física e psíquica. Há semelhanças notáveis com a cibernética, pois os computadores contemporâneos são legítimos “cérebros artificiais”, conquanto extremamente elementares e restritos em analogia com o encéfalo psicossomático. São simples bancos de dados que resolvem entre duas opções, segundo um código preestabelecido e de acordo com o acervo de dados que têm registrado em suas memórias. É óbvio que não desejamos afirmar que o computador seja inteligente, e muito menos que tenha intuição, porém é exato expor que se aproveita de uma das qualidades da inteligência humana, ou seja, a memória.
Os resultados das pesquisas sobre as reações cerebrais, quando se estuda idiomas por exemplo, apontam para a expansão do hipocampo, dentre outros fenômenos encefálicos. Mas será que da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento do cérebro e o das habilidades e inteligências? Advertem os Benfeitores Espirituais para “não confundirmos o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades [aptidões e inteligências], e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”(4)
O Espiritismo e a Ciência se completam, os princípios do mundo espiritual e as leis do mundo material são faces de um evento comum. A Ciência necessita do Espiritismo, tanto quanto o Espiritismo precisa da Ciência; isolados, não chegarão a um saldo final e submergirão no labirinto de suposições arriscadas. A neurociência é de viés essencialmente mecanicista, e logicamente, nesse caso, há uma diferença basilar entre uma ciência materialista e a ciência espírita, pois, enquanto a primeira faz do cérebro o excretor da habilidade e inteligência, a segunda faz do encéfalo apenas um instrumento do espírito, que é o ente inteligente individualizado.
Para alguns especialistas, um dos aspectos perturbadores do tema sintetiza-se nas indagações: “Cérebro menor é sinônimo de habilidade e inteligência mínimas?”; “Cérebro grande é garantia de uma inteligência e habilidade maiores?” Entendemos que habilidade (aptidão) e inteligência são atributos essenciais do espírito, portanto o corpo físico é simplesmente um envoltório que serve de instrumento para o exercício das capacidades espirituais. Entretanto, será que a massa cerebral maior realmente pode ser indício de maior aptidão e inteligência? E cérebro menor pode ser indicativo de inteligência e competência menor? As pesquisas de alguns neurocientistas garantem que sim.
Mas não podemos prever categoricamente a habilidade e inteligência de uma pessoa medindo o tamanho do seu cérebro. “Um dos alunos que estuda na universidade (Sheffield University) tem um QI de 126, ganhou prêmios como melhor aluno de matemática e tem uma vida social normal. Mas não tem cérebro, literalmente falando... Quando foi submetido a um exame, verificou-se que em vez de um cérebro normal de espessura de 4,5 centímetros entre os ventrículos e a superfície cortical, havia apenas uma fina camada de tecido de pouco mais de um milímetro de espessura. Seu crânio é preenchido apenas com fluido cerebrospinal.” (5)
É bastante difícil explanar sobre esses curiosos elementos a fim de apreciar a função desempenhada pelo cérebro; ir mais adiante, visando levantar pontos para melhor compreensão do assunto é desafiador. É interessante indagar aos neurocientistas: onde a sede da consciência e do pensamento? Do que são feitas as “vozes” e imagens da lembrança? Onde enxergamos as imagens produzidas pela imaginação? O que é o inconsciente e de onde brotam as lembranças antes de as termos conscientemente? O que é a mente e o que anima o corpo? São pontos que a neurociência não dá conta de explicar.
Conforme o Espírito André Luiz, o cérebro “se divide em três regiões distintas, onde, na primeira região, situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; na segunda, localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; na terceira, temos a “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Numa delas, moram o hábito e o automatismo. Na outra, residem o esforço e a vontade; e, na última, moram o ideal e a meta superior a ser alcançada. E assim distribuímos o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos em nós mesmos o passado, o presente e o futuro.” (6)
Mesmo que permaneça aparentemente estacionária, a mente (espírito) prossegue seu caminho, sem recuos, sob atuação das forças visíveis ou invisíveis. Na vontade, “temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo causas que comandam os problemas do destino. Sem ela, o desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento; a inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade; a imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.” (7)
Ainda sob o enfoque espírita, “o cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria. A mente (espírito) é a mestra desse mundo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes se aplicam a seu serviço. Dela procedem os fluxos da vontade, produzindo vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores. Posta entre objetivo e subjetivo, é coagida, pela lei divina, a aprender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, guardar, enriquecer-se, iluminar-se, progredir sempre.


Referência bibliográfica:
(1)    Xavier, Francisco Cândido. “Emmanuel”, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 1938
(2)    As áreas do lóbulo frontal estão ligadas ao raciocínio, ao planejamento, à geração de linguagem, aos movimentos e à solução de problemas, pelo que os pesquisadores acreditam que durante a psicografia “mecânica” ocorre uma ausência de percepção de si mesmo e de consciência.
(3)    Artigo divulgado pela revista Public Library of Sciences, dezembro de 2012, disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2012/11/17/cientistas-estudam-o-cerebro-de-mediuns-brasileiros-em-transe.htm , acessado em 07/02/2013
(4)    Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, questão 370.
(5)    Bruce H. Lipton. A biologia da crença - Ciência e espiritualidade na mesma sintonia, (os  estudos pioneiros de Lipton sobre a membrana celular foram os precursores de uma nova ciência, a epigenética, da qual se tornou fundador e um dos seus maiores especialistas). Disponível em http://www.guia.heu.nom.br/cerebro.htm , acessado em 06/03/2013
(6)    Xavier, Francisco Cândido. No mundo maior, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1947.
(7)    Xavier, Francisco Cândido. Pensamento e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1999.