27 março 2013

"A TERCEIRA REVELAÇÃO SIMBOLIZA" PUBLICADO NO BOLETIM PÃO NOSSO




A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a Terceira Revelação da Lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.
É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecidos esse mundo e a sorte que os espera.(1) Sabemos que a Lei de Deus foi expressa no Sinai a Moisés, as Lições de Jesus em Israel e a Terceira Revelação a Allan Kardec na França de 1857. Cada uma dessas revelações foi a expansão das idéias apresentadas anteriormente, obedecendo a inequívoca lei do progresso. Obviamente toda Revelação tem por característica a Verdade. Se for desmentida por fatos, deixa de ter origem Divina, pois Deus não se engana nem mente.Observemos que com Moisés temos o impacto da força e do temor, para arrancar os homens da idolatria (bezerro de ouro) e da submissão ao paganismo.
Com Jesus temos o exercício da fé e do amor, para livrar o homem do aguilhão dos formalismos, da tradição, inspirando-o à prática da fraternidade. Com os Espíritos concretiza-se o emprego da verdade, que ilumina a fé pelo raciocínio, para que o espírito humano possa amar compreendendo sua transcendência. O homem já não deve temer, nem apenas crer e amar, mas também e, sobretudo saber para que crê e porque ama.Uma importante revelação se cumpre na época atual: a que nos mostra a possibilidade de se comunicar com os seres do mundo espiritual, pela mediunidade.
Esse conhecimento não é novo, sem dúvida; mas permaneceu, até os nossos dias, de certa forma, no estado de letra morta, quer dizer, sem proveito para a Humanidade. (2)O mestre Lionês explica que o Cristo, tomando da lei antiga o que era eterno e divino, e rejeitando o que não era senão transitório, puramente disciplinar e de concepção humana [leis mosaicas], acrescentou a revelação da vida futura, a das penas e recompensas que esperam o homem depois da morte. Dando-nos a conhecer o mundo invisível, as leis que o regem, suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e em conseqüência, o destino do homem depois da morte. A idéia vaga da vida futura acrescenta a revelação do mundo invisível que nos cerca e povoa o espaço, e, com isto, fixa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade no pensamento. (3)
Um dos pontos altos da Terceira Revelação é a lei das vidas sucessivas, objetivando demonstrar que o Espírito não encarna uma só vez, mas, tantas e quantas forem necessárias a fim de se tornar um Espírito perfeito e portador das mais nobres qualidades morais e espirituais. A reencarnação, cujo princípio o Cristo colocou no Evangelho, mas sem definí-lo, é, sem dúvida, uma das leis mais importantes reveladas (relembradas) pelo Espiritismo, no sentido de que lhe demonstra a realidade e a necessidade para o progresso.
A Terceira Revelação, bem longe de negar ou de destruir o Evangelho, vem ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza que revela, tudo o que o Cristo disse e fez; traz a luz sobre o ponto obscuro dos seus ensinamentos, de tal sorte que aqueles para quem certas partes do Evangelho eram ininteligíveis, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem sem esforço, com a ajuda do Espiritismo, e as admitem, vêem melhor a sua importância e podem separar a realidade da alegoria. Não resta dúvida de que, os Evangelhos têm sido entendidos, ao longo dos séculos, precipuamente em sua feição literal; mas, com a Revelação dos Espíritos, a interpretação literal, tendo em vista o estádio evolutivo das gerações, de há muito não prevalece. O Espiritismo - Terceira Revelação -, com suas raízes mais profundas fincadas no Evangelho do Cristo, não deixa de apresentar-se como doutrina essencialmente dinâmica, evolutiva. (4)Para André Luiz a Terceira Revelação entroniza a certeza que a mediunidade atual é, essencialmente, a profecia das religiões de todos os tempos. Com a diferença de que a mediunidade hoje é uma concessão do Senhor à Humanidade em geral, considerando-se a madureza do entendimento humano, à frente da vida. (5)
A mediunidade em si não é coisa recente, a diferença atualmente dela é tão-somente a forma de mobilização, porque a liderança religiosa de várias procedências jaz, há muitos séculos, engessado no estéril culto exterior, espetaculizando indebitamente o conjunto das revelações metafísicas.Sobretudo a religião Cristã de várias denominações, que deveria ser a mais consistente e a mais simples das propostas de fé, há vários séculos se embutiu no superficialismo dos templos de pedra. Era mister, transferir-lhes os princípios, a benefício do mundo que, cientificamente, hoje se banha no clarão de nova era. (6)
Motivo pelo qual, pela Terceira Revelação, o Senhor da Vida deliberou que a mediunidade fosse trazida do colégio sacerdotal à praça pública, a fim de que a noção da eternidade, através da sobrevivência da alma, desperte a mente narcotizada do povo.O próprio Cristo, Instrumento de Deus por excelência, se utilizou da mediunidade para acender a luz da sua Doutrina de Amor. Seja aliviando as dores de enfermos e asserenando os que estavam sob o impacto da aflição, e não raro, comunicou-se com os desencarnados, alguns dos quais Espíritos sofredores a subjugarem obsedados de diversas gradações. E, além de surgir em colóquio com Moisés materializado no Tabor, Ele mesmo é o grande ressuscitado, legando aos homens o sepulcro vazio. (7)
A Terceira Revelação, sem quaisquer arrogâncias, simbolicamente, é Jesus que retorna ao mundo, instando-nos ao crescimento espiritual. À Revelação Espírita deveremos, acima de tudo, a luz para vencer os tenebrosos enigmas da desencarnação, a fim de que nos consorciemos, afinal, com as legítimas noções da consciência cósmica. E como ressalta André Luiz: será pouco revelar a excelsitude da Justiça? Será desprezível descortinar a vida em suas ilimitadas facetas de evolução e eternidade?(8)
Portanto, através da Terceira Revelação observaremos embevecidamente, dos cimos da consciência de realidade, os estreitos compartimentos das cogitações terrenas, compreendendo racionalmente, por fim, que o esplendor reservado ao homem é excelso e infinito, no Reino Divino do Universo.Com a certeza na vida futura que o Espiritismo comprova de modo tão claro, o homem adquire força para seguir sua caminhada, certo de que um dia esse Deus interno que existe dentro de nós resplenderá inteiramente e ofuscará de vez o homem velho que ainda faz morada em nossa alma.



Referências bibliográficas::
1- Kardec, Alan. Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed. FEB,2003, Cap I
2- Kardec, Alan. A Gênese, RJ: Ed. FEB,2001, Cap I
3- Idem
4- Artigo de Juvanir Borges de Souza, publicado em Reformador - abril de 1977
5- Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, RJ: Ed FEB, 1999, Cap "Apontamentos à Margem"
6- Idem
7- Idem ibidem
8- Idem ibidem

26 março 2013

AS NOVAS MÍDIAS COMO LOCUS PRIVILEGIADO PARA DIVULGAÇÃO ESPIRITA

 Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br
 
  
 
Desde a popularização do rádio - concebido por Marconi em 1895 e difundido em profusão até as décadas de 30 e 40 do século XX; do surgimento da tevê - concebido por John Baird em 1925 e considerando a massificação da Internet, sobretudo a partir da década de 90 (com a criação dos sistemas de rede web), creditada a Tim Berners Lee, o nível de informação interpessoal alargou assombrosamente. 
O progresso tecnológico com a confecção das pequenas e poderosas fontes de energias (baterias) e da microtecnologia tornou possível o surgimento de múltiplos dispositivos eletrônicos portáteis, dentre eles o “arrebatador” aparelho celular. Com a transformação gradativa do perfil do telespectador por causa do mundo virtual e do aparecimento de internautas, até mesmo a importância da televisão digital, já se encontra  em vias de aniquilamento pela chegada das smartTVs. (1)
Do imbróglio da informática com a telefonia móvel surge o smartphone (2) que consolida a mudança do protótipo de entretenimento praticado por vários anos. O sucesso do smarphone como sustentáculo para o novo modelo de repartição de conteúdos estimulou a concepção de novos aparelhos, múltiplos em suas funções: os tablets, e as smartTVs. Estes aparelhos permitem acesso de formas variadas e a distintos intermediários de intercâmbio interpessoal, caracterizando-se especialmente por suas compactações e fácil transporte.
Há países que detestam a liberdade individual e temem o mundo virtual, por isso adotam controle absurdo  dos expedientes da internet. Por outro lado, há ambiciosos empresários que batalham pelo monopólio da intercessão do acesso aos conteúdos e à posse da mediação das relações interpessoais. Com isso, irrompem-se competições  acirradas  entre navegadores, portais de acesso e os sites de busca. E a mais recente guerra pelo domínio da mediação das relações entre os internautas tem como estratégias fundamentais a oferta de serviços de transferência, armazenagem e administração de correios eletrônicos (e-mails), imagens e vídeos, entre outros; eternizando-se nas chamadas redes sociais.
Sabemos que o intricado ambiente virtual está sendo irradiado através dos computadores das grandes corporações, com quem compartilhamos  nossas experiências internéticas e intimidades (fotos, vídeos, documentos etc.), mas isso não deve ser motivo para pânico, até porque, percebemos com otimismo e esperança o avanço desta nova possibilidade de disseminação das ideias.
Entendemos que muito além das nefastas ideologias castradoras da livre expressão, a tecnologia da informação, visando a “cultura participativa” e a “inteligência coletiva”, proporcionará o despertamento da consciência, facultando a implantação das liberdades democráticas e do pensamento religioso entre os povos.  Alguém duvida disso?
Ao discorrermos sobre a capacidade de persuasão das novas mídias e Internet, somos obrigados a refletir sobre a previsão de Kardec no século XIX, ouçamo-lo: "uma vulgarização em larga escala, feita nos jornais de maior circulação, levaria ao mundo inteiro, até às localidades mais distantes, o conhecimento das ideias espíritas, despertaria o desejo de aprofundá-las e, multiplicando-lhes os adeptos, imporia silêncio aos detratores, que logo teriam de ceder, diante do ascendente da opinião geral."(3)
Na era da cibernética, da robótica  vivemos épocas limítrofes nas quais  toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de relação social ainda pouco consolidados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração tecnológica, uma nova relação com a vida física, um novo estilo de humanidade é concebido.
O pessimista e crítico contumaz adverte sobre a exclusão digital, sim! Mas é importante projetar os olhos no futuro. Cremos que no porvir ter acesso à internet em domicílio será tão comum quanto ter uma geladeira, uma televisão ou mesmo um aparelho celular.
O mundo virtual pode eliminar as barreiras materiais e estabelecer a ligação que permite a dispersão do conhecimento com a velocidade do pensamento, que as inovações sejam expostas e discutidas, que exemplos sejam julgados e professados, que resultados sejam comparados e legitimados. Nele permanecemos todos associados, todos em condição de apreciar o que acontece nos quatro cantos do orbe , em tempo real.
Devemos acreditar na força da mensagem virtual como meio prestigioso de publicação espírita. Entendemos que em poucos anos a Internet será a maior via de interação do movimento espírita mundial. Pela WEB os livros de clássicos poderão ser disponibilizados em hipertexto , em versões de consulta simplificada. Relatos específicos deverão ser colecionados e indexados para pesquisa rápida.
Não podemos abrir mão desse espaço cibernético, até porque com a ausência de informações claras da Doutrina Espírita no ciberespaço, fica livre o espaço para que outros tipos de utilização trapaceira sejam espalhadas pela rede. Este é um risco muito maior do que qualquer outro que possa ser assumido através da contínua e incansável publicação do conteúdo espírita na Rede Mundial de Computadores. 
Atualmente pode ser disponibilizada toda literatura espírita nas novas mídias. Ou seja, estamos diante da possibilidade de construirmos e acessarmos instantaneamente a maior biblioteca espírita do Planeta.


Notas e Referência bibliográfica:

(1)    também conhecida como TV conectada ou” TV Hybrida“, é um tipo de codinome usado para descrever a integração da Internet e as características da Web 2.0 com televisores e set-top boxes, assim como a convergência entre computadores com estes televisores e set-up boxes
(2)    Um smartphone pode ser considerado um telefone celular com as funcionalidades de um minicomputador..
(3)    Kardec ,Allan. Obras Póstumas-Projeto 1868, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001

25 março 2013

O ESPÍRITO, ORIGEM DA CONSCIÊNCIA HUMANA, TEM RESISTIDO AO SENIL REDUCIONISMO ACADÊMICO.


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

 James Cracknell, um medalhista Olímpio (1), considerado um dos esportistas mais vitoriosos da Inglaterra, expôs no livro escrito em parceria com sua esposa, a profunda transformação de sua personalidade, ocorrida após ter sido atingido na cabeça pelo impacto do retrovisor de um caminhão. Em face das lesões no lobo frontal do cérebro, Cracknell foi advertido pelo neurologista que enfrentaria doravante as dificuldades com a memória e perda significativa do vocabulário. O traumatismo encefálico igualmente comprometeu drasticamente seu relacionamento com a mulher e o filho. Após o acidente, sobrevieram os surtos psicológicos de violência nas suas reações, chegando a ameaçar a segurança de sua esposa, Beverley Turner. Ele conta que quando Turner estava grávida, tiveram uma discussão violenta e ele tentou estrangulá-la.
Não ignoramos que o cérebro é um órgão bastante enigmático, porém, em face da avaria encefálica, qual seria a responsabilidade de James diante da sua mudança comportamental? A neurociência vê o ser humano apenas como uma máquina, um autômato programado pelo acaso e que, tomando como base a ocorrência acima, Cracknell nem pode ser responsabilizado pelas suas atitudes. Afiançam os especialistas que determinadas regiões comprometidas do cérebro são decisivas para controlar emoção e conduta agressiva.
Sob os auspícios das apreciações espíritas, como podemos abeirar-nos da temática, considerando o trauma encefálico como agente causal da mudança de comportamento (livre arbítrio) de alguém? Se uma pessoa tem uma lesão encefálica, é responsável ou não para assumir seus atos? Deve responder por eles? Garantem os pesquisadores que a conquista do livre-arbítrio jamais foi completa. Para tais estudiosos o livre-arbítrio não é mais que uma quimera. Ensaios concretizados há anos permitiram mapear a essência da atividade cerebral antes que a pessoa apresentasse consciência do que iria fazer. Seríamos quais computadores carnais e a tela do monitor seria representada pela nossa consciência. Coloca-se o livre-arbítrio em suspensão e tenta-se demonstrar que uma província do cérebro, compreendida na coordenação da atividade motora, apresenta atividade elétrica uma fração de segundos antes de uma pessoa assumir uma decisão. (!?...)
Articulam os materialistas que a consciência é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu “titular” que o responsável foi ele. Destarte, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu que habita e controla o corpo é apenas o resultado da atividade cerebral que nos ilude. Então não há nenhum “fantasma” na máquina cerebral.
Será mesmo? É óbvio que as muitas deduções dos múltiplos experimentos da neurociência reducionista são ardis da ficção. "A mente tem a dinâmica de um mosaico de luzes que se projetam pela consciência, que se contrai ou expande diante do que nos emociona.". (2) Desse Universo abstrato "emanam as correntes da vontade, determinando vasta rede de estímulos, reagindo ante as exigências da paisagem externa, ou atendendo às sugestões das zonas interiores.". (3)
Há estudos consistentes que comprovam a total impossibilidade de se medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si, o que, aliás,  já derruba todas as precipitadas teses mecanicistas. A consciência e a inteligência não são um curto-circuito nem o subproduto casual do intercâmbio de quaisquer neurônios. Enquanto a ciência demorar-se abraçada à matéria e não alcançar a dimensão do que não pode palpar, ver e ouvir, ficará ainda extremamente distante de tanger as imediações da verdade que investiga.
Embora o tentame de explicar materialmente, pela prática dos neurocientistas, toda a categoria de fenômenos intelectuais, e até "metafísicos", por meio das ações combinadas do sistema nervoso; e, em que pese a Ciência ter alcançado certezas conclusivas, como por exemplo a de que uma lesão orgânica faz cessar a manifestação que lhe corresponde, e que a ruína de uma rede nervosa faz apagar uma faculdade, ela, contudo, está imensamente limitada para elucidar os fenômenos espirituais. Em face disso, não podemos afastar o fato da influência espiritual no cérebro. Faz-se forçoso também compreender não a alma isolada do corpo mas ligada a esse corpo, o qual representa a sua forma concreta, com um amontoado de matérias indispensáveis à sua condição de tangibilidade, animadas por sua vontade e por seus predicados eternos.
Reconhecemos que há neurocientistas circunspectos, sensatos, explicando que um mundo sem livre-arbítrio provocaria ruptura da paz. Eles se encorajam notadamente para harmonizar suas teses com o problema da responsabilidade individual. Mesmo sob um automatismo determinista, eles reconhecem que todos devem ser responsáveis por suas ações, não fosse assim a estrutura social embarcaria na desordem caso alguém pudesse violentar, roubar e matar com embasamento no contexto simplista de que o cérebro decretou fazer isso ou aquilo. O cérebro assemelha-se a complicado laboratório, "onde o espírito, prodigioso alquimista, efetua inimagináveis associações atômicas e moleculares necessárias às exteriorizações inteligentes.”.
O atributo essencial do ser humano é sem dúvida a inteligência, mas a causa da inteligência não reside no cérebro humano, mas sim no ser espiritual que sobrevive ao corpo físico. Graças ao Espiritismo, no seu aspecto filosófico e experimental, está sendo possível construir a sólida ponte sobre o abismo que separa matéria e espírito. Todo brado de coroados Nobeis de física alça a sua voz para nos expressar a morte da matéria.
Já é tempo de nos instruir ante os ensinos da ciência pós-mecanicista do século passado e de nos livrarmos da camisa de força que o materialismo do século XIX infligiu aos nossos julgamentos filosóficos. Neurocientistas, “químicos e físicos, geômetras e matemáticos, erguidos à condição de investigadores da verdade, são hoje, sem o desejarem, sacerdotes do Espírito, porque, como consequência de seus porfiados estudos, o materialismo e o ateísmo serão compelidos a desaparecer, por falta de matéria, a base que lhes assegurava as especulações negativistas.”. (4)
O Homem não é o resultado ocasional de contingências aleatórias e casuais. “Sem o livre-arbítrio o homem seria uma máquina.”. (5) A Doutrina Espírita está no extremo oposto do materialismo e é sua missão desmistificar estas teorias reducionistas que teimam depreciar o ser humano e o sentido da sua existência. “O cérebro é o órgão sagrado de manifestação da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana.”. (6)
Kardec, conhecedor das ideias de Franz Josef Gall, médico alemão, anatomista e fundador da frenologia (que liga cada função mental a uma zona do cérebro), interroga os Benfeitores: “Da influência dos órgãos se pode inferir a existência de uma relação entre o desenvolvimento dos do cérebro e o das faculdades morais e intelectuais?”. A explicação dos Espíritos não admite margens a equívocos: “Não confundais o efeito com a causa. O Espírito dispõe sempre das faculdades que lhe são próprias. Ora, não são os órgãos que dão as faculdades, e sim estas que impulsionam o desenvolvimento dos órgãos.”. (7)
É bem verdade que a neurociência tem envidado esforços para algemar o Espírito no cérebro, como se a alma  fosse uma prisioneira da caixa craniana, e tentam dissecá-la a fim de  comprovar que o cérebro é a matriz da consciência. Contudo, o Espírito – origem da consciência humana – tem resistido bravamente ao decrépito reducionismo acadêmico.

Referências bibliográficas:
 
(1)    Conquistou  medalha de ouro no remo em 2000, em Sydney, e 2004, em Atenas.
(2)    Facure Nubor Orlando. Operações Mentais e como o Cérebro Aprende, disponível no Site      www.geocities.com/Nubor_Facure acesso em                   22/03/2013
(3)    Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior, Ditado pelo Espirito André Luiz, RJ: Ed.. FEB,     1997, cap. 4
(4)    Xavier, Francisco Cândido. Nos domínios da mediunidade, Ditado pelo Espírito AndréLuiz,    “prefácio” do Espírito Emmanuel, Rio de                    Janeiro: Ed FEB, 1999.
(5)    Kardec, Allan. O Livro dos Espiritos, RJ: Ed. FEB, 1977,  perg. 843
(6)    Xavier, Francisco Cândido. No Mundo Maior, ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de              Janeiro:Ed FEB, 1947, cap.4
(7)    Kardec, Allan. O Livro dos Espiritos, RJ: Ed. FEB, 1977,  perg. 370

23 março 2013

EVOCAR OU NÃO? PUBLICADO NO JORNAL DA CIDADE


http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=5791


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Qual a importância da evocação dos Espíritos nos dias de hoje? Será inadmissível ou errada a evocação dos desencarnados? É incontestável não haver qualquer dispositivo que impeça a evocação (1) dos Espíritos na Codificação. Porém, Kardec faz ressalvas sobre o tema:  “frequentemente as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se trata de obter respostas precisas a questões circunstanciadas. Para isto, são necessários médiuns especiais, ao mesmo tempo flexíveis e positivos”. (2) Portanto, sem esse discernimento, se alguém evocar uma pedra ela responderá, pois “há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra sob qualquer pretexto.” (3)
Atualmente há cauteloso exercício da não evocação dos Espíritos. Como interpretar o empecilho evocatório nos grupos mediúnicos? Cremos que inexista qualquer proibição pelos dirigentes; o que acontece são apenas critérios de aconselhamentos para que tal prática seja evitada, em face das precipitações que proporciona. Em que pese não ser totalmente favorável à evocação dos Espíritos, não analisamos tal método como “coisa demoníaca”, desde que sejam aferidos os relevantes desígnios a que se propõem e, sobretudo, os valores morais dos evocadores.
A propósito das manifestações mediúnicas espontâneas, será que são menos perigosas do que as evocações? O Codificador afiança que a evocação traça laços entre o evocador e o evocado, que impedem ou pelo menos limitam a interferência de um mistificador. Todavia, Kardec também assegura que “as comunicações espontâneas não apresentam inconveniente algum e que por esse método se podem obter coisas admiráveis.”. (4)
Em verdade, no transcurso dos anos adveio uma mudança no método de intercâmbio com o além. Entre os importantes pontos que avalizam a restrição da prática evocatória atual, consta a desconfiança da indução, do sugestionamento ou do animismo do médium, além do quê, este acabaria quase que na obrigação de “receber espírito tal ou qual”, sobretudo para atender ao dirigente e ao grupo.
Outros aspectos a considerar são a sujeição e a inibição que, via de regra, escoltam esse tipo de exercício mediúnico (evocação), originários da perspectiva quase sempre mística cultivada em torno do médium. Cremos que a modificação do processo evocatório nas reuniões mediúnicas ocorreu porque não surtiu, após a Codificação, os efeitos almejados. Ou o mais provável, por não se obterem médiuns “desenvolvidos” com qualidades adequadas ou, em última análise, ambas as condições.
Do exposto, e considerando as graduais etapas da programação espírita na Terra, será que atualmente deveríamos promover (como ocorreu durante a codificação), um diálogo escancarado e direto com os recém-desencarnados, visando obter notícias dos mesmos para seus familiares que aqui ficaram? Quantas pessoas procuram grupos espíritas querendo notícias dos entes que “partiram”? Será que a finalidade da mediunidade é essa?(5) Há pessoas (pasmem!) que “orientam” médiuns através de cursos “avançados”, ensinando algum tipo de “técnica” para “receberem recém-desencarnados”. Tais “mestres de Espiritismo” afirmam com bazófia que alguns jovens e outros “formandos” estarão dentro em breve prestando [através da evocatória mágica] os “serviços” de consolação para os parentes que por aqui ficaram!...(?!?!?) Acredite se quiser!!!!(6)
Reafirmamos a opinião de Emmanuel – “qualquer comunicação com o invisível deve ser espontânea, e o espírita cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano ponderando quanto à necessidade de repouso daqueles a quem amou, e esperando a sua palavra direta, quando e como julguem os mentores espirituais conveniente e oportuno”. (7) O bom senso nos impõe a certeza nas lições aqui consignadas pelo Mentor de Chico Xavier. O lembrete não pode ser atribuído à opinião pessoal do Benfeitor, como soi apostilar alguns, até porque não há qualquer contradição doutrinária no seu discurso.
Um grupo espírita prudente trabalha com a espontaneidade das comunicações e recorre às evocações tão só nas situações extraordinárias. Até porque "no curso do trabalho mediúnico, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofônicos a receber os desencarnados presentes, repetindo ordens ou sugestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade –  fator essencial ao êxito do intercâmbio."(8)
Notemos que não temos domínio sobre o mundo dos Espíritos que, para desagrado dos evocadores, têm suas próprias normas de conduta. Quanto aos principiantes na mediunidade, Kardec adverte energicamente “para que não se adote a evocação direta de um Espírito explicando as dificuldades do processo e aconselhando um apelo geral.”. (9)
Há circunstâncias reais que inibem ou obstam aos Espíritos atender os evocadores quando lhes são dirigidas as evocações. Observemos algumas situações que tornam a evocação impossível: quando o desencarnado está envolvido em missões ou ocupações de que não pode afastar-se; quando o Espírito não estiver mais no além, porém já (re)encarnado (só excepcionalmente pode acontecer evocação de um encarnado), mas isso é impossível se estiver reencarnado em planetas inferiores à Terra; quando o evocado etéreo se encontra em locais de punição e não tem permissão para dali se afastar; quando o médium evocador, por sua natureza ou aptidão, não consegue entrar em sintonia mediúnica com o Espírito evocado.
Além disso, como pronunciou Kardec, “as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns.”.(10) Certa vez, alguém nos disse o seguinte: “os dirigentes que estão propondo atualizar suas casas espíritas necessitam abdicar o entendimento contrário às evocações, pois se não houver evocações o centro espírita ficará impedido de curar obsessões (!?...), deixando de realizar uma das mais importantes obras do Espiritismo: a libertação obsessiva” (!!!???). Expliquei ao distinto evocador que o tratamento de desobsessão não é a “obra” mais imperiosa da instituição espírita. A mais importante missão do centro espírita é difundir os conceitos doutrinários, visando colaborar na reforma moral do homem. Outra coisa: o Espiritismo jamais recomendará a propagação dos impróprios métodos de exorcismo batizados de desobsessão através de ingênuas evocações.
Para Leon Denis, não é indispensável fazer evocações definidas. No grupo que dirigiu, raramente ocorreram evocações, pois “preferia dirigir um apelo aos guias e protetores habituais, deixando a qualquer Espírito a liberdade de se manifestar sob sua vigilância.”. (11) Denis legou-nos modelos excelentes de reuniões onde se cultivava a reverência intensa aos mentores do além, em que a mediunidade era desempenhada com amor, sem que houvesse perda ao estudo e à investigação.
Ademais será que impedindo ou sugerindo a não evocação de Espíritos, o campo de pesquisa na instituição se fecha e tudo fica entregue ao “Deus dará”? Será que sem as evocações de Espíritos advirá a pobreza de revelações “avançadas” do além? Há opiniões extravagantes atestando que as manifestações espirituais espontâneas são fonte de improdutividades doutrinárias, o que torna o centro espírita inerme e de onde se faz necessário sair com urgência. (Pasmem!)
Evocar ou não um Espírito é assunto que necessita, assim, ser bem ponderado, tendo sempre em mente a intenção a que ela se presta. André Luiz reafirmou o parecer firmado por Emmanuel, aconselhando a supressão, em nosso meio, “da prática da evocação nominal dos Espíritos.”. (12)
A técnica evocativa dos Espíritos teve sua época, como tiveram as mesas girantes, as pranchetas, as tiptologias, as pneumatografias e pneumatofonias, as materializações etc. Como também teve sua época “o diálogo com os Espíritos através da psicografia. O retorno ao método da evocação, inclusive, não dinamizaria as atividades mediúnicas e nem propiciaria o surgimento de médiuns mais aptos e seguros. No caso destes é exatamente o contrário: o surgimento de médiuns mais adestrados é que possibilitaria (talvez) as condições para as evocações.”. (13)
Em síntese, a evocação pode ser empregada eventualmente, priorizando-se, porém, as comunicações espontâneas. Óbvio que nenhum dos dois métodos deve ser rejeitado radicalmente, até porque isso ocasionaria prejuízos nas atividades da mediunidade nos seus vários aspectos, seja na eventual terapêutica dos quadros obsessivos, na assistência aos espíritos sofredores ou nas investigações dos fenômenos extrafísicos.


Referências Bibliográficas:

(1) A palavra "evocar" deriva do latim "evocare" que significa atrair “alguém” de algum lugar.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 25 item 272
(3) Idem, item 283a
(4) Idem , item 269
(5) Hessen, Jorge. Artigo “Técnicas para notícias de desencarnados”, publicado no site http://aluznamente.com.br/tecnicas-para-noticias-de-desencarnados-lembremos-que-o-telefone-toca-de-la-para-ca/ acessado em 12/03/2013
(6) Idem , acessado em 13/03/2013
(7) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, Questão 380
(8) Xavier, Francisco Cândido: Desobsessão ditado pelo Espírito: André Luiz cap. Manifestação do enfermo espiritual III, RJ: Ed. FEB, 1980
(9) Kardec, Allan. O Livro dos médiuns, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1971,cap. 17 item 203
(10) Idem , item 272
(11) Denis, Leon, No invisível RJ: Ed FEB, 1990, disponível em http://vademecumespirita.com.br/goto/store/texto/611/orientacoes-de-leon-denis-para-novos-grupos-e-iniciantes-de-reunioes-mediunicas
(12) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap 25
(13) Shubert, Suely Caldas. Artigo – “Da evocação dos Espíritos nas reuniões mediúnicas”, Disponível em http://suelycaldasschubert.webnode.com.br/artigos/ acessado em 12/03/2013