25 abril 2013

LEGALIZAR O ABORTO? JORNAL "O BEM" PUBLICOU













LHUFAS E NINGUÉM PODE JUSTIFICAR A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou hoje 21/03/2013 que considera inaceitável mulher [pobre] morrer em aborto realizado sob condições inseguras. Por isso defende liberação do aborto [assassinato de bebês] até 12ª semana. Garantiu que vai encaminhar, ainda em março, junto à comissão especial que discute a reforma no Código Penal no Senado, uma proposta com o posicionamento favorável à legalização do aborto até o 3º mês de gestação.
O atual presidente do CFM deve desconhecer que o Brasil é o campeão mundial de prática do aborto. Esta situação fez surgir no país médicos ferrenhamente favoráveis à legalização do “homicídio de neném”, torná-lo simplificado, acessível, higiênico, juridicamente correto. O CFM defende, entre outras questões, o direito da mulher sobre o seu próprio corpo para trucidar um ser indefeso no útero.
Evocam, por meio de indefensáveis calões, as péssimas condições em que são realizados os abortos clandestinos. Contudo, ninguém se engane que o aborto oficial vá substituir o aborto criminoso. Ao contrário, irá aumentar. "Ele continuará a ser feito por meio subterrâneo e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações."(1) "É inadmissível que pequeníssima parcela da população brasileira, constituída por alguns intelectuais, políticos e profissionais dos meios de comunicação e embebida de princípios materialistas e relativistas, venha a exercer tamanha influência na legislação brasileira, em oposição à vontade e às concepções da maioria do povo e contrariando a própria Carta Magna de 1988."(2)
Outro ponto é: legalizando-se o aborto, estariam todos os obstetras disponíveis à prática abortiva? Seria possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que cura com uma medicina que assassina? "Pessoalmente, entendo que o homem não tem o direito de tirar a vida de ninguém, seja pela pena de morte, seja pelo aborto, seja pela eutanásia."(3)Chico Xavier recrimina: "se anos passados houvesse a legalização do aborto, e se aquela que foi a minha querida mãe entrasse na aceitação de semelhante legalidade, legalidade profundamente ilegal, eu não teria tido a minha atual existência, em que estou aprendendo a conhecer minha própria natureza e a combater meus defeitos, e a receber o amparo de tantos amigos, que qual você, como todos aqui, nos ouvem e me auxiliam tanto”.(4)
Importa reconhecer que o primeiro dos direitos naturais do homem é o direito de viver. O primeiro dever é defender e proteger o seu primeiro direito: a vida. Chico ainda adverte "admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões."(5) À luz da reencarnação, realmente, o filho que não é aceito no lar, pela gravidez interrompida, penetrará um dia em nossa casa, na condição de alguém de conduta antissocial.
Aquele que expulsamos do nosso abrigo reaparecerá porque ele não pode ser punido pela nossa irresponsabilidade, mas seremos justiçados na nossa irreflexão, através das leis soberanas da vida. O médium Divaldo Franco assevera que "aquele filho que nós expulsamos, pela interrupção no corpo, voltará até nós, quiçá, em um corpo estranho, gerado em um ato de sexualidade irresponsável. Por uma concepção de natureza inditosa, volverá até nós, na condição de deserdado, não raro, como um delinquente."(6)
O aborto praticado sob quaisquer justificativas, mesmo diante de regulamentos humanos, é um crime ante os estatutos de Deus. Por isso Chico Xavier ressalta "os pais que cooperam nos delitos do aborto, tanto quanto os ginecologistas que o favorecem, vêm a sofrer os resultados da crueldade que praticam".(7)
Registre-se que, se não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da noite, e aos que mergulham na torpeza do aborto, "os olhos divinos de Nosso Pai contemplam do Céu, chamando, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetram."(8)
Outra discussão que também se levanta é a legitimidade, ou não, do aborto, quando a gravidez é consequente a um ato de violência física. No caso de estupro, quando a mulher não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, a Lei deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida, ao invés de promover a sua morte legal. "O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante , terá possivelmente um compromisso passado com a genitora."(9)
Lembrando também que "O governo deveria ter departamentos especializados de amparo material e psicológico a todas as gestantes, em especial, às que carregam a pesada prova do estupro."(10) Por isso é perfeitamente lógico que o aborto em decorrência de estupro não deva ser autorizado, porque o ser concebido não pode ser punido por fatos não queridos que determinaram sua vida.Outra questão defendida pelos abortistas é o aborto "terapêutico". Se o aborto, em tempos idos, era usado a pretexto de terapia, devia-se à falta de conhecimentos médicos. Recordo que numa aula inaugural do Dr. João Batista de Oliveira e Costa Júnior aos alunos de Direito da USP em 1965 (intitulada "Por que ainda o aborto terapêutico?") diz que o aborto "não é o único meio, ao contrário, é o pior meio, ou melhor, não é meio algum para se salvar a vida da gestante", Divaldo Franco reflete sobre o assunto com o seguinte comentário: "o aborto, mesmo terapêutico, é imoral, segundo o conhecimento médico, (...) por que interromper o processo reparador que a vida impõe ao espírito que se reencarna com deficiência? Será justo impedi-lo de evoluir, por egoísmo da gestante?" (11)
O médium baiano recorda, ainda, "é torturante para a mãe que carrega no ventre um ser que não viverá, mas trata-se de um sofrimento programado pelas Soberanas Leis da Vida".(12) E mais "segundo benfeitores espirituais, a Terra vem recebendo verdadeiras legiões de espíritos sofredores e primários, que se encontravam retidos em regiões especiais e agora estão tendo a oportunidade de optar pelo bem de si mesmos".(13)Se os tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, "as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde. (...)".(14)
Se a futura mãe corre riscos de vida, o aborto tem outra conotação conforme consta na questão 359 de O Livro dos Espíritos, onde os mentores que orientavam Kardec advertem que só é admissível o aborto induzido quando há grave risco de vida para a gestante. (15) Oportuno acrescentar, com a evolução da Medicina, dificilmente se configura, hoje, uma situação dessa natureza. Óbvio que não lançamos os anátemas da condenação impiedosa àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro já cometido, até para que não caiam na vala profunda do desalento. Expressamos ideias cujo escopo é iluminá-los com o archote do esclarecimento para que enxerguem mais adiante, a opção do Trabalho e do Amor, sobretudo nas adoções de filhos rejeitados que atualmente amontoam nos orfanatos.
"É preciso também saber que a lei de causa e efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações; que oferece oportunidades ilimitadas para que todos possam expiar seus enganos."(16) Errar é aprender, destarte, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência como uma boa oportunidade para discernimento futuro.

Referências Bibliográficas:
(1) Aborto - breves reflexões sobre o direito de viver Genival Veloso de França
(2) Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98
(3) Pena de Morte para o Nascituro Ives Gandra da Silva Martins Professor emérito das Universidades Mackenzie e Paulista e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Presidente da Academia Internacional de Direito e Economia e do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo Vice-presidente da PROVIDA FAMÍLIA, in O Estado de São Paulo 19 de setembro de 1997.
(4) Disponível em http://www.editoraideal.com.br/chico/perguntas-21.htm, acessado em 15 de março de 2006
(5) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.
(6) Cf. Divaldo Franco em entrevista para Revista Espírita Allan Kardec, disponível em acessado em 10/03/2006
(7) Xavier, Francisco Cândido. Leis de Amor, ditado pelo Espírito Emmanuel, SP: Ed FEESP, 1963.
(8) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.
(9) Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98
(10) Respeito ao Embrião e ao Feto Laércio Furlan http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/respeito-ao-embriao.html
(11) O jornal Folha Espírita, edição de janeiro de 2005.
(12) Idem
(13) Idem
(14) Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978
(15) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: Ed FEB, 2003, perg. 359.
(16) De Lima, Cleunice Orlandi. A Quem Já Abortou - artigo - disponível em http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/aborto/a-quem-ja-abortou.html

23 abril 2013

HITLER, O NÚNCIO DAS TREVAS


Jorge Hessen



Adolf Hitler, com todo seu carisma, não teria força suficiente para, sozinho, causar a Segunda Guerra Mundial. A rigor, nos momentos de grandes crises sociais, surgem “falsos profetas” oferecendo salvação. Não significa necessariamente que tais personagens sejam grandiosos, mas têm, mormente, qualidades de sedução. Um dos elementos de acesso de Hitler ao poder foi a sede de vingança do povo alemão contra os países vencedores da Primeira Guerra Mundial.
Anotamos também a influência de outras forças ocultas para explicar como o Führer, um indivíduo obsedado, excêntrico, desajustado mental em alto grau, chegou ao comando do Alemanha, em pleno coração da Europa. Como se explicaria, sem essa intervenção maciça de obsessores [encarnados e desencarnados], que um jovem fracassado, sem êxito, pobre, abandonado à sua sorte, rejeitado pela sociedade, tivesse conseguido montar o mais tenebroso instrumento de opressão que o mundo já conheceu?
As suas altissonantes revelações (provindas das trevas) ajudavam a cimentar a dependência carismática entre ele e o povo obsedado. Hitler era um médium pervertido, totalmente subjugado por falanges encarnadas e do além-tumba. Por mais irracionais que fossem as suas ordens, sempre houve alguém disposto a cumpri-las. Emanava um tipo de magnetismo tão estranho e hipnotizante que as pessoas acreditavam em qualquer coisa que pronunciasse. Transmitia mensagens exóticas, prometia que o Terceiro Reich seria um reinado de 1000 anos de fartura, poder e felicidade. Era uma marionete dos gênios das trevas que oferecia não opções de livre-arbítrio, mas uma tentadora visão milenarista, ilusória, oca, irracional e escravizante.
No livro Mein Kampf, de sua autoria (mancomunado com as sombras), Adolf Hitler divide os seres humanos em categorias com base na aparência física, estabelecendo ordens superiores e inferiores. No topo da qualificação está o homem germânico com sua pele clara, cabelos loiros e olhos azuis (ariano). Afirmava que o ariano é a forma suprema da raça humana. Sua filosofia de modo algum acreditava na igualdade de raças, por isso era obrigado a promover a elevação do mais forte e exigir a subordinação do mais fraco. Essa ideia seria compartilhada em diferentes graus por milhões de alemães e habitantes de países ocupados, que permaneceram em silêncio ou participaram do sistema.
O poder carismático, conforme explica Marx Weber, dependente das qualidades inerentes a um indivíduo e repousa numa qualidade excêntrica e arbitrária. Por isso o caráter durável, excêntrico e individualista de poder carismático deve ser regulado se se deseja estabelecer um sistema mais estável dentro de uma comunidade. A intransigência obsessiva ostentada por reformadores sociais que se julgam iluminados pela graça divina, e que por isso pensam possuir um conjunto de qualidades em liderança política, tidas como excepcionais ou sobrenaturais, levam ao fanatismo popular.
Aqueles que dizem ter o poder de carisma são o que Jesus chamou de falsos profetas (médiuns das sombras). A História demonstra isso. A obsessão tem sido a doença de todos os séculos. O surto de aparecimento dos fenômenos mediúnicos destrambelhados é o efeito natural da maior incidência dos Espíritos malignos sobre os homens. Hitler construiu para si a imagem de ser o escolhido, no sentido teológico da palavra. A insistência dele em possuir um poder e um mistério quase do outro mundo tinha um grande apelo, o que lhe deu a sensação de ser de fato o salvador.
A mediunidade luminosa foi um magnífico elemento nas vidas de Francisco de Assis, Mahatma Gandhi e Chico Xavier, mas a mediunidade trevosa por outro lado assomou os meandros do psiquismo de Adolf Hitler, um frequentador do grupo mediúnico de Tullis, no início do século XX, em Berlim. Ele sabia muito bem da sua condição de instrumento dos invisíveis. “Numa entrevista à imprensa, documentou claramente esse pensamento ao dizer: “movimento-me como um sonâmbulo, tal como me ordena a Providência”. Havia nele súbitas e tempestuosas mudanças de atitude. De uma placidez fria e meditativa, explodia, de repente, em cólera, pronunciando, alucinadamente, uma torrente de palavras, com emoção e impacto, especialmente quando a conversa enveredava pelos temas políticos e raciais.”. (1)
A sociedade precisa estar atenta a essas investidas, pois é muito apurada a técnica da infiltração das trevas. O lobo adere ao rebanho sob a pele do manso cordeiro; ele não pode dizer que vem destruir, nem pode apresentar-se como inimigo; tem de aparecer com um gesto sedutor, atitude de salvador, herói, um desejo de servir até a morte, sem restrições.
A sugestão pós-hipnótica tem sido até hoje muito bem aplicada por obsessores altamente treinados na técnica da manipulação da mente humana individual e coletiva. Hitler entrou para a História como a encarnação da maldade, o inventor do holocausto, o marco de um dos regimes mais apavorantes já experimentados pela humanidade. Sua personalidade tem oferecido inexaurível fonte de implicações para as mais variadas abordagens temáticas.
Muitas vezes, esses representantes das trevas nem têm ciência exata que estão servindo de utensílios aos entes sinistros das sombras. Cremos que Adolf Hitler e vários dos seus sequazes desempenharam terrível papel na tática geral de fundação do reino das trevas na Terra, num trabalho colossal que, obviamente, tem a marca pujante do Anticristo, consoante mencionou o apóstolo João (2).


Notas:
(1) Texto de Hermínio C. Miranda publicado no Reformador de Março de 1976.
(2) 1João2:18

22 abril 2013

"O PASSE" PUBLICADO NO JORNAL DA ADDE DE S.J.RIO PRETO



http://adde.com.br/

O biólogo Ricardo Monezi, mestre em fisiopatologia experimental pela Faculdade de Medicina da USP e pesquisador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, estudou a fundo a técnica de imposição de mãos [passe]. Lembramos que na atualidade o passe é empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes e aparências diversas (benção, unção, johrei, heiki, benzedura), além do quê, pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam.
Para Monezi, os dados preliminares apontam que a prática do passe gera mudanças fisiológicas e psicológicas, como a diminuição da depressão, da ansiedade e da tensão muscular, além do aumento do bem-estar e da qualidade de vida. Ressaltamos que a Doutrina dos Espíritos clarifica melhor e explica as funções do perispírito, que “é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos”(1), além de o mesmo interagir de forma profunda com o corpo biológico, razão pela qual as energias transmitidas pelo passe e recebidas inicialmente pelos centros de força(2), atingem o corpo físico através dos plexos (3), proporcionando a renovação das células enfermas.
“Assim como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” – explica o Espírito Emmanuel.(4) Recordemos que Jesus utilizou o passe "impondo as mãos" sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente, para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado, “dispensando qualquer contacto físico na sua aplicação.”.(5)
Segundo Ricardo Monezi, “um dos centros que avaliam o assunto é a respeitada Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A física atual não consegue classificar a natureza dessa força, mas vários estudos indicam que se trata de energias eletromagnéticas de baixa frequência.".(6) Tiago escreveu: “toda boa dádiva e dom perfeito vêm do Alto”.(7) Sim, as energias magnéticas e a prática do bem podem admitir as expressões mais diferentes. Suas essências, contudo, são continuamente as mesmas diante do Soberano da Vida.
Os passes poderão ser espirituais, em função do magnetismo provindo de irmãos desencarnados que participam dos processos, e humanos, através do magnetismo animal do próprio passista encarnado. “A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.”.(8) É importante explicar, porém, que o tratamento espiritual através do passe, oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico.
Infelizmente toda a beleza das lições espíritas, que provém da fé racional no poder das energias magnéticas pelo passe, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e burlescas de tratamentos espirituais atualmente praticados em algumas instituições espíritas mal dirigidas. O passe não poderá, em tempo algum, ser aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se malabarismos manuais, estalos de dedos, cânticos estranhos e, muito menos ainda, estando incorporado e, psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é prática espírita.
“O passe deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e naturalidade.”.(9) Na casa espírita não se admitem as encenações e gesticulações em que hoje se envolveram terapias esquisitas tais como apometrias, desobsessão por corrente magnética,“choques anímicos”, cristalterapias (poderes das pedras???), cromoterapias (poderes das cores???) e outras “terapias” mitológicas, geralmente atreladas a antigas correntes espiritualistas do Oriente ou de origem mística, ilusionista e feiticista. É sempre bom lembrar a tais adeptos fervorosos que todo o poder e toda a eficácia do passe genuinamente espírita dependem do espírito e não da matéria, da assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo.
Por conseguinte, na aplicação do passe não se fazem necessários a gesticulação violenta, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e que também não há necessidade de tocar o assistido. “A transmissão do passe dispensa qualquer recurso espetacular”.(10) As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante – só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente.”.(11) A formação das chamadas “correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa – condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.”.(12)
O passe é prece, concentração e doação. “A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai”.(13) Por ela, consegue o passista duas coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa: expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum durante o dia de lutas materiais; Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras de que se repleta, a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo presente ou distante do local de sua aplicação.
Em que pese aos místicos que ainda não compreendem e criam confusões ao aplicarem o passe, reconhecemos que muitos encarnados e desencarnados são beneficiados por ele, pois sabemos que é manifestação do amor de Deus, esse sentimento sublime que abarca a todos e os alivia. Importa-nos lembrar, porém, um pensamento Xavieriano: o passe, tal como terapia, não modifica necessariamente as coisas, para nós, mas pode modificar-nos a nós em relação às coisas.

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br



Referências Bibliográficas:
(1) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(2) Os centros de força são o Centro Coronário (se assenta a ligação com a mente que é sede da nossa consciência); .Centro Frontal (atua sobre as glândulas endócrinas, sobre o sistema nervoso); Centro Laríngeo (controla as atividades vocais, do timo, da tiróide e das paratireóides, controlando totalmente a respiração e a fonação); Centro Cardíaco (responsável por todo o aparelho circulatório); Centro Esplênico (regula o sistema hemático) ; Centro Solar ou Gástrico (responsável pela digestão e absorção dos alimentos sólidos e fluidos) ; Centro Genésico (orientador da função exercida pelo sexo)
(3) Os plexos são constituídos pelo nosso sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais irradiantes, os chamados centros de forças.
(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98
(5) Idem, perg 99
(6) Disponível em < http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viver-bem/cientistas- exploram-poder-cura-energia-maos-640628.shtml > acessado em 03/11/2011
(7) Tiago 1:17
(8) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(9) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed. Feb, 1987, cap. VI, item 54
(10) Waldo Vierira. Conduta Espírita , ditado pelo espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1998, Cap. 28
(11) Pires, José Herculano. Artigo “O Passe” disponível emhttp://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-12.html> acessado em 07/11/2011
(12) Idem
(13) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, Cap.17

17 abril 2013

Luz na Mente entrevistou Cesar Perri, presidente da FEB



JORGE HESSEN

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF (Brasil)

Antonio César Perri de Carvalho




Antônio César Perri de Carvalho, presidente da Federação Espírita Brasileira, nasceu em Araçatuba (SP) e atualmente reside em Brasília (DF). Foi fundador de mocidade e de centro espírita, conselheiro e presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba, diretor e presidente da USE  União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, secretário geral do Conselho Federativo Nacional e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional (CEI). Na entrevista que se segue, César Perri fala à  revista  A luz na Mente  sobre os desafios que enfrentará para coordenar o Movimento Espírita Brasileiro. 

A Luz na Mente – Considerando a disseminação do Evangelho com as fundações de “igrejas”, visitas e, sobretudo, intercâmbios epistolares de Paulo de Tarso com os “chefes” dos núcleos cristãos, pode-se identificar, nos primórdios do Cristianismo, um movimento organizado para a Unificação dos postulados da Segunda Revelação?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Nós identificamos claramente, nos primeiros cristãos, um trabalho que nos serve de inspiração e que estamos estimulando presentemente. Guardadas as devidas proporções, acreditamos que haja semelhança entre o trabalho dos cristãos primitivos e o Espiritismo. A rigor, a Codificação Espírita tem pouco mais de cento e cinquenta anos e isso é um período de tempo muito curto. A Doutrina se apresenta como Cristianismo Redivivo e o Consolador Prometido, que restabeleceria a Verdade e ensinaria algumas coisas a mais. Dessa forma, percebemos que os trabalhos pioneiros dos cristãos nos servem de estímulos, sim!
Quando Paulo de Tarso reunia os interessados do Cristianismo para o estudo da mensagem de Jesus, considerando as condições da época, fazia visitas, estimulava o intercâmbio, levava orientação e praticava trabalhos mediúnicos. Observemos que na Carta aos Coríntios consta a necessidade de “ordem no culto”. Quando olhamos as necessidades dessa “ordem”, claramente é como se fosse orientação para prática mediúnica, certa disciplina. Ao final do trabalho, quando percebeu que não teria mais condições de visitar a todos, Paulo foi inspirado pelo Espírito Estevão para minutar as epístolas, ou seja, estimulou o contato próximo, direto; todavia também à distância. Identificamos aí a origem, vamos assim dizer, daquilo que hoje nós praticamos na imprensa espírita.
Essa era a razão predominante, o objetivo dele em ajudar, apoiar e orientar os primeiros agrupamentos cristãos, inclusive para a prática da caridade no verdadeiro sentido da palavra. Recordemos que existia entre eles muita solidariedade – dessa forma encontramos entre os primeiros cristãos as bases que inspiram o Movimento Espírita atual, com um detalhe fundamental: naquela época não existia hierarquia, não existia uma organização que preponderasse sobre outra; isso surgiu muito mais tardiamente, daí ser importante olharmos a vivência dos primeiros cristãos e verificarmos aquilo que aproveitamos como parte de reflexão e de orientação para o Movimento Espírita atual.

A Luz na Mente – Allan Kardec comenta no item 334, Cap. XXIX, do Livro dos Médiuns, que a formação do núcleo da grande família espírita um dia consorciaria todas as opiniões e uniria os homens por um único sentimento: o da fraternidade. Estaria aqui o Codificador formulando alguma programação doutrinária visando a unidade dos espíritas por intermédio de instituições colegiadas?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Allan Kardec trabalhou exatamente a ideia colegiada, e fala da fundamentação, do vínculo da fraternidade. Mas percebemos, igualmente, em “Obras Póstumas”, que ele nos orienta sobre o funcionamento das instituições. Anota sobre uma comissão não centralizada numa única pessoa e essa experiência que nos sugere foi uma ideia que serviu de referência para a atualidade. Notemos que a noção de presidencialismo, não só na questão político-partidária, como ocorre no Brasil, mas igualmente nas instituições espíritas, é um presidencialismo que às vezes excede o conceito do termo presidencialismo em si; muitas vezes chega a se confundir com o autoritarismo.
Allan Kardec chega a propor que as decisões institucionais sejam colegiadas; que se discuta, que se troquem ideias, e nós estamos vivenciando essa experiência aqui na FEB. Desde que assumimos primeiramente de forma interina em maio de 2012, e atualmente eleito, trabalhamos em conjunto com todos os diretores da FEB, fazendo reuniões com periodicidade muito curta e tratamos todos os assuntos e decidimos em nível de diretoria. Entendo que é uma experiência enriquecedora, facilita a tomada de decisões e evita, às vezes, determinadas tendências pessoais.

A Luz na Mente – Qual a diferença essencial entre Espiritismo e Movimento Espírita?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  O Espiritismo é a doutrina propriamente dita, composta pelas Obras Básicas e as chamadas obras complementares, que mantêm coerência com a Codificação, ou seja, o Espiritismo é a mensagem e a proposta. O Movimento Espírita é a ação; é realizado pelos encarnados. De maneira muito objetiva, Allan Kardec registrou na obra "A Gênese", Capítulo I, que o Espiritismo é de origem divina em face da ação dos Espíritos. Contudo, a concretização doutrinária se faz através dos homens, contributo da participação dos encarnados. Leon Denis, da mesma forma anota que o Movimento Espírita é de responsabilidade dos seres encarnados. Do exposto, e com base na Doutrina Espírita, temos que partir para a ação, e isso se efetiva no dia a dia, por isso somos os responsáveis pelas opções e atos. A decisão de agir ou não é nossa, dos encarnados, então o Movimento Espírita compete aos encarnados.

A Luz na Mente – Os princípios institucionalizados da Unificação inibem o ideário da União espontânea entre os espíritas?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  A rigor, não. Em 1949 foi definido através do Pacto Áureo um itinerário de ação, dando origem ao CFN – Conselho Federativo Nacional, que é composto pelas entidades federativas estaduais com base na obra de Allan Kardec. Hoje em dia, dentro do contexto da idéia de união e de unificação, podemos perfeitamente estabelecer propostas de união e de parceria entre várias instituições, somando esforços, e portanto não há necessidade, desde que haja propósitos comuns, de ficarmos na dependência de conceitos antigos de controles. Essa é a ideia.

A Luz na Mente – O Pacto Áureo ainda pode ser avaliado como o grande marco da Unificação?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Pode ser considerado, sim, pois ele é genérico. Ele define a obra de Allan Kardec e decide também com base na obra “Brasil Coração do Mundo”. Os membros do Pacto chegaram à conclusão que o livro Brasil do Mundo Pátria do Evangelho mostrava qual seria a missão do Espiritismo no Brasil e qual a missão espiritual do Brasil também. É esse o roteiro que ele oferece. O Pacto não entra em detalhamentos, mas fala da União e criou o Conselho Federativo Nacional. Para o CFN funcionar ele foi primeiramente introduzido no Estatuto da FEB. Com a instalação do CFN, a área federativa da FEB é corporificada com a ação do CFN – é importante que saibamos disso. Então o CFN é que traz a orientação geral e define planos para o Movimento Espírita Nacional. Esse Conselho é presidido pelo presidente da FEB, mas é integrado pelas representações dos 27 estados.

A Luz na Mente – Quais os grandes desafios vistos para o Movimento Espírita brasileiro?


Antônio Cesar Perri de Carvalho  Nós estamos vivendo vários desafios. A ideia de difundirmos o Espiritismo, na sua pureza, é um grande desafio, pois, como ficou claro, de várias orientações de Allan Kardec, sempre haveria alguma tendência natural de se valorizar pessoas, de se personalizar, e com isso, o que nós assistimos atualmente é que há uma diferença entre a proposta de Kardec e algumas práticas. Por exemplo, na Apresentação de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec explica que optou por não colocar o nome dos médiuns junto às mensagens e apenas colocou o nome dos Espíritos, a cidade e a data. Para Kardec era mais importante o conteúdo das mensagens do que o nome do médium. Infelizmente, notamos que hoje em dia muitas pessoas, antes de ler o texto, querem saber primeiro quem é o médium, ou seja, inverte-se a situação.
Urge buscar-se mais a coerência doutrinária e maior compatibilidade com a base da Codificação ao invés de ficarmos exaltando ou levantando fileiras em torno de médiuns A,B,C ou D, ou seja, temos que somar, independente de quem seja o médium, desde que a mensagem tenha coerência e esteja fundamentada nas obras de Kardec; esse é o grande desafio.

A Luz na Mente – Recentemente, um espírita latino-americano participou de um evento doutrinário realizado no Brasil, e o mesmo nos confidenciou que a coordenação do tal movimento “doutrinário” proíbe aos seus membros quaisquer contatos com espíritas não integrantes do grupo. Qual a sua opinião sobre esse procedimento de tais coordenadores?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Essa postura é lamentável, pois em primeiro lugar ela fere a Constituição brasileira sobre o direito de ir e vir, ou seja, nenhuma pessoa pode ser impedida de se manifestar ou transitar no país. Em segundo lugar, ela não é uma proposta respaldada no Espiritismo, porque a Doutrina respeita, com base em Jesus, as diversidades e distintas realidades das pessoas, então, se eventualmente um de nós tiver uma visão ou interpretação doutrinária diferente, não podemos impedir que outro tenha a oportunidade de dialogar, conversar ou manifestar opções; caso contrário, seria um retorno a um processo, de certa forma, inquisitorial.

A Luz na Mente – O modelo federativo foi idealizado por mentes superiores, não temos dúvidas. O crescimento do Espiritismo gera distorções e perda na qualidade da mensagem e da prática espírita – é fato – fenômeno sociologicamente explicável. Boa parte dos dirigentes de casas espíritas nem sempre valorizam as ações dos órgãos de Unificação, atribuindo- lhes caráter meramente administrativo, burocrático, com pouco sentido prático. Considerando a sua larga experiência doutrinária, seja como fundador de mocidade espírita, conselheiro e presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba, membro fundador de centro espírita, diretor e presidente da USE (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) e por fim presidente da Federação Espírita Brasileira, quais as ações que pretende desenvolver para aproximar a FEB das casas Espíritas?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Reportarei a minha primeira experiência. Quando era muito jovem, assumi a presidência da União Municipal Espírita de Araçatuba – órgão da USE- São Paulo. Naquele momento batalhei contra essas dificuldades, porque o Movimento de Unificação era recente, tinha apenas 20 anos (pós Pacto Áureo). Nessas condições, havia uma certa confusão entre as lideranças espíritas, sobretudo de qual seria a função do órgão unificador. Alguns tinham receio de que seria um órgão controlador ou fiscalizador. Por outro lado, havia muitas pessoas (jovens) no Movimento de Unificação, que pensavam também assim, e ocorriam muitos conflitos.
As reuniões eram simplesmente administrativas, então quando assumimos a presidência da UMEA, dentro desse contexto, tornamos as reuniões minimamente administrativas e preponderantemente voltadas para diálogos, para as propostas de ação, juntando esforços, de tal modo que conseguimos descentralizar, fazendo as reuniões em rodízios pelos centros espíritas da cidade. Aproveitamos experiências para que elas se tornassem coletivas.
Essa a ideia que, guardadas as devidas dimensões, ainda seguimos, embora atualmente exista uma abrangência gigantesca e um grau de complexidade muito maior, mas mantivemos essa postura para tornar mais dinâmicas as reuniões do CFN. Vejamos, conseguimos suprimir a leitura de relatórios, e hoje as federativas encaminham um relatório por meio de um formulário eletrônico – transferimos para um DVD e distribuímos; desse modo utilizamos o espaço reunião para discutir planos de ação, e, assim avaliarmos situações que merecem discussão para o desenvolvimento  espírita. Entendemos que esse seja o melhor caminho.

A Luz na Mente – Considerando que as sandálias de nosso Mestre Jesus sempre estiveram próximas aos necessitados e sofridos, e especialmente junto a esses irmãos em humanidade que Ele nos ofereceu provas de amor insuperáveis, e considerando que sobre a FEB repousam muitas esperanças, mas também expectativas, como atuará para se aproximar dos pobres e pouco instruídos na educação formal, dado que representam significativo extrato da sociedade brasileira?

Antônio Cesar Perri de Carvalho  Essa é uma preocupação para a qual estamos procurando colocar a solução em prática. Há três anos consubstanciamos um projeto que se titulava “interiorização”, ou seja, estimulávamos a ação de representantes, diretores e colaboradores da FEB juntamente com uma federativa estadual para ir ao interior, não ficarmos só nas capitais. Assim, tive o prazer de conhecer duas cidades do interior do amazonas, uma delas viajando de barco durante duas horas, justamente para ter o contato com a realidade da base. Um desses centros que visitamos não possuía luz elétrica. A nossa participação à noite foi através do clarão de uma fogueira, porque para eles era uma ocasião especial, pois normalmente usavam a luz de velas.
Após essa experiência (interiorização), começamos outros projetos que seriam implementados, que são as ações integradas de acolhimento, consolo, esclarecimento e orientação no centro espírita, porquanto concluímos também que aquela ideia de departamento ou setor, ou seja, muita burocracia, não seria efetiva, até porque a grande maioria dos centros espíritas do Brasil são casas simples e pequenas, não tendo espaço nem condições para tais trâmites.
Assim, começamos a trabalhar em torno de um projeto, uma ação, um acolhimento junto a essas pessoas simples, além da ideia de valorizar os centros humildes, periféricos, pequenos, que às vezes não têm condições de manter os custos, mas podem perfeitamente seguir esses passos de acolhimento, consolo e orientação.
Nós estamos caminhando nesse sentido e aí recordo de um companheiro nosso que foi muito feliz na confecção de um cartaz com a imagem da formiguinha. Ele fez a comparação com a formiga e que nos remete a uma mensagem de Fenelon, no Cap. I do Evangelho Segundo o Espiritismo, onde o Espírito examina: “não são esses animálculos (formigas) que conseguem levantar o solo?” É a ideia do trabalho simples, mas persistente e em conjunto, isso que pretendemos disseminar.

A Luz na Mente  Suas palavras finais.
Antônio Cesar Perri de Carvalho – As nossas palavras finais são de sugestão aos espíritas para que aproveitemos o momento que nós estamos vivendo, que é o período, segundo Emmanuel, de aferição de valores, e é um momento bastante delicado e sensível, porque nós temos os compromissos individuais e compromissos coletivos, e com relação ao Movimento Espírita, é muito importante lembrar o nosso trabalho respaldado no propósito de União, de concórdia e de benevolência recíproca. Então é isso que deve animar a nossa atuação conjunta no Movimento Espírita e no relacionamento com a própria sociedade