11 maio 2013

REVISTA "O CONSOLADOR" ENTREVISTA PRESIDENTE DA FEB




http://www.oconsolador.com.br/ano7/311/principal.html

JORGE HESSEN
jorgehessen@gmail.com
Brasília, Distrito Federal (Brasil)
 
Antonio Cesar Perri de Carvalho
  
“Recentemente, foi aprovada a inserção de uma antiga campanha da USE ‘Comece pelo Começo’, ou seja, comece pelas obras de Kardec. Nós vamos introduzi-la também dentro da FEB” 

Radicado em Brasília, Cesar Perri vem trabalhando para serenar os desafios que afrontará para coordenar o Movimento Espírita Brasileiro. Antônio Cesar Perri de Carvalho (foto), atual presidente da Federação Espírita Brasileira, nasceu em Araçatuba (SP) e atualmente reside em Brasília (DF). Foi fundador de mocidade e de centro espírita, conselheiro e presidente da União Municipal Espírita de Araçatuba, diretor e presidente da USE –  União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, secretário geral do Conselho Federativo Nacional e membro da Comissão Executiva do Conselho Espírita Internacional (CEI).

Na entrevista que se segue, Cesar Perri fala à revista O Consolador sobre os desafios que enfrentará para coordenar o Movimento Espírita Brasileiro. Comenta ainda sobre obras mediúnicas polêmicas, eventos espíritas pagos, as obras de Emmanuel e André Luiz, 4º Congresso Espírita Brasileiro dentre outros temas. Dividida em duas partes, a conclusão desta entrevista será publicada na próxima edição desta revista.

Proliferam no mercado editorial e nos meios de comunicação, em especial a internet, obras ditas espíritas, de valor duvidoso, quando não atentatórias aos postulados doutrinários. Como a FEB, Casa-Mater do Espiritismo, encara essa realidade e como pretende atuar no bom combate?

A FEB vive um problema, digamos, muito complexo, pois há obras bastante duvidosas e muito divulgadas no meio espírita. Se de um lado a FEB apontar os deslizes doutrinários, vão dizer que a instituição vai passar ideias do Index Librorum Prohibitorum. Até mesmo na internet surgem informações afirmando que a FEB fez essa proibição, o que não é verdade. Então, o procedimento que adotamos é o seguinte: evitamos, como instituição, fazer críticas a qualquer obra, mas sugerimos a leitura das boas obras já consagradas, razão pela qual estamos difundindo cada vez mais a necessidade da leitura das obras de Kardec. Recentemente, foi aprovada a inserção de uma antiga campanha da USE “Comece pelo Começo”, ou seja, comece pelas obras de Kardec. Nós vamos introduzi-la também dentro da FEB, junto a vários cursos, inclusive o ESDE. Optamos por esse caminho para fazer a divulgação da Doutrina Espírita.  

Nos Estados mais pobres da Federação, muitas casas espíritas refletem a carência material e estão à margem dos conteúdos veiculados pela internet. A inclusão digital apresenta-se como meio propício para que os conteúdos das obras básicas, obras complementares, a par dos demais conteúdos veiculados pela internet, cheguem aos irmãos vinculados a essas casas, com evidentes benefícios. Compreende-se que o equacionamento passa pelos recursos monetários para a aquisição de equipamentos informáticos e acesso à internet, a par do necessário treinamento. Como a FEB poderia auxiliar esses Centros Espíritas nessa direção?

Dentro da ideia da inclusão digital, a FEB criou o curso à distância. Já mantemos há dois anos dois cursos à distância. Um sobre “Orientação e funcionamento do centro espírita”, e o outro sobre o “Movimento Espírita”. E temos um terceiro, que é a preparação do tutor para ministrar um curso, porque não queremos um curso centralizado só com a equipe da FEB. Presentemente, com esses cursos, usamos tutores de várias regiões do país e que somam esforços. Este ano nós vamos soltar mais cursos pela FEB. Essa é uma vertente. Na outra, que vai depender de equipamentos, alguns colaboradores do trabalho espírita podem ajudar na distribuição de DVD’s contendo vídeo-aulas, e ainda a modalidade de conversa à distância, através de vídeoconferência.
Recentemente, estabelecemos um diálogo muito interessante: daqui das instalações da FEB conversamos com uma cidade do interior do Piauí. Um líder espírita do local teve a iniciativa de utilizar o computador com webcam e reunir todos os dirigentes espíritas da cidade e, em torno de uma mesa, eles conversaram comigo, trocaram ideias e foi muito interessante. Portanto, é uma experiência que está se iniciando. 

Sobre seus ombros pesam enormes responsabilidades. O irmão pretende partilhar com a comunidade espírita, na forma de consultas, audiências ou outros canais de comunicação, com o intuito de colher subsídios para tratar de matérias e temas importantes para o Movimento Espírita, além, obviamente, dos canais e mecanismos formais já existentes? 

Sim, nós temos ampliado esse ideal. Começamos a disponibilizar certos assuntos que eram decididos, por exemplo, só no âmbito da reunião do Conselho Federativo Nacional. Hoje mesmo colocamos assuntos a decidir pela internet para dirigentes de várias regiões, pedindo opinião para analisar, juntar e chegar a uma visão melhor e mais participativa em torno de um assunto dentro do Movimento Espírita. Estamos inicialmente ouvindo as 27 federações estaduais, mas nós queremos aumentar esse vínculo, da seguinte forma: antigamente, o Conselho Federativo Nacional tinha seis coordenadores de áreas. Nós replicamos isso nas regiões. Há quatro regiões do Brasil, e nós montamos seis comissões em nível regional para chegar mais perto da base, mais perto das unidades, de uma maneira que a decisão de um coordenador de área não será mais uma decisão individual, pois ele tem que ouvir os coordenadores das outras regiões do país. Isso nós já começamos a implementar, desde o final de 2012 ao início deste ano, e começamos também a estimular uma integração maior com as entidades especializadas. 

Um dos eixos da Doutrina é a ciência. Como a FEB está tratando esta questão junto à Academia e a outras fontes de conhecimento da atualidade? 

Veja, a FEB, por si só, sendo uma organização religiosa, e mesmo tendo nos seus quadros pessoas com formação acadêmica, eu entendo que não seria o caso de ela tomar posições de natureza científica, divergindo dos seus objetivos. Então qual é o caminho? Estamos fazendo parcerias com entidades especializadas. 

Com o crescente surgimento dessas entidades especializadas (Associação de Magistrados Espíritas, Associação Médico-Espírita do Brasil, Associação de Psicólogos Espíritas, Cruzada dos Militares Espíritas etc.), como deve se posicionar a FEB, considerando o aspecto restritivo e até elitista dessas entidades? Aceitar, entendendo que é um fenômeno passageiro, ou incentivar, acreditando que se trata de um evento positivo? 

Nem a FEB e nem o Conselho Federativo Nacional estimulam a formação de entidades especializadas. No início, essas instituições estavam sendo convidadas para integrar o CFN, porém, chegou-se à conclusão de que não era o caminho adequado, porque temos 27 estados e, de repente, essas instituições podem aumentar muito e comprometeriam a natureza e o objetivo do CFN. Mas começamos a discutir o tema. 
Há um projeto para criação do Conselho Nacional de Entidades Especializadas, com a finalidade de tratar determinados temas que um centro espírita ou as instituições federativas não teriam condições para discutir. A exemplo das questões jurídicas, que interessam ao Movimento Espírita, assuntos da área médica, ou mesmo na interface da própria psicologia. Então seriam tratadas nesse nível, e trazidas como uma cooperação e apoio ao Movimento Espírita. O que nós estamos pretendendo? De certa forma, viabilizar um objetivo conjunto a essas instituições, para elas assessorarem no que for possível. 
Já tivemos uma experiência interessante. O problema da descriminalização do aborto no Brasil, em que houve um momento extremamente delicado no ano de 2005. O que a FEB fez? Elaborou um documento doutrinário e distribuiu para todo o meio espírita, a título de esclarecimento. Todavia, não podemos apresentar esse documento aos Ministros do STF ou do STJ, ou aos parlamentares. Na época, houve uma reunião com a Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas e com a Associação Brasileira dos Médicos Espíritas e ambas fizeram um documento cientifico – um à luz da ciência jurídica e outro à luz da ciência médica – e apresentamos esses documentos. 
Os apontamentos foram bem aceitos e eles colaboraram para que o aborto não viesse a ser aprovado naquele momento no Brasil. Então, nós estamos vivendo algumas experiências assim nessa interface, sem estimular elitismos, que jamais seria nosso propósito, e nem estimular a criação de um clã; entretanto, aproveitar, talvez em conjunto com espíritas que têm determinada formação para trazer subsídios ao Movimento Espírita. É esse o foco. 

Diante da clara divisão que existe no Movimento Espírita, muitas vezes manifestada em posturas emocionalizadas e radicais, como a FEB deve conduzir clara e publicamente o tema Roustaing? Que iniciativas faltam para apaziguar ânimos? 

Nós já vivemos momentos bastante delicados no Movimento Espírita, que eu acompanhei muito de perto. Sobrevieram momentos muito complicados em algumas gestões Houve nessa interconexão um período em que o presidente Thiesen decidiu junto com o CFN que, conforme estabelece o Pacto Áureo, a base dos trabalhos federativos é a obra de Allan Kardec, e isso tem sido seguido até hoje. 
Nessas condições, fica muito claro que o CFN em termos de movimento nacional trabalha com a obra de Allan Kardec. De modo óbvio, respeitamos perfeitamente e convivemos com pessoas que gostam e estudam a obra de Roustaing mas não usamos isso como ponto de atrito ou desunião; procuramos buscar hoje o ponto de convergência, e esse eixo de estabilização do Movimento Espírita é a obra de Kardec. 

As obras de Roustaing continuam sendo republicadas? 

A obra de Roustaing consta do catálogo da FEB,e não há sua divulgação, por  exemplo, nas páginas da Revista Reformador e essa foi uma decisão adotada em gestões anteriores, mas respeitamos aqueles que pensam ou que adotam as obras de Roustaing. 

Numa sociedade mercadológica/mercantil em que eventos espíritas pagos em geral se apresentam em números cada vez maiores, qual deve ser a postura da FEB? 

Nós estamos ultimamente bastante preocupados com isso, inclusive resolvemos optar, por exemplo, que o 4º Congresso Espírita Brasileiro não seja realizado em Brasília, porque o custo da realização de um Congresso Brasileiro em Brasília é muito alto. Realizaremos quatro congressos simultâneos, e pela estimativa que temos, quatro eventos terão um dispêndio financeiro comparado a um só realizado em Brasília, então a questão aí é clara: temos que pensar na simplificação, excluir qualquer ostentação e aplicar os recursos ao mínimo necessário. Qual o cenário atual? Infelizmente, ainda não temos uma maneira adequada de angariar recursos ou forma de investimento de quem participa; porém, o que almejamos é minimizar os gastos. 
O procedimento que vamos adotar no 4º Congresso Espírita Brasileiro seguirá os moldes de uma experiência vivida em São Paulo, considerando os atuais congressos espíritas paulistas. O inscrito, quando paga a taxa de participação, está simultaneamente comprando um “vale-livros. Dessa forma, com o valor do vale, ele vai retirar na livraria do Congresso aquele valor em livros. Então, aí vai ficar por conta das editoras trabalhar também com um custo baixo para que as pessoas se beneficiem com o Congresso e com a obra, levando ainda um livro ou mais de um livro. 

Com o advento dos tablet`s, PDA`s, leitores digitais e o grandioso espaço que a internet propicia – vislumbrando um futuro próximo em que as novas gerações deixarão o papel de lado, não seria oportuno a FEB estabelecer um programa permanente de disponibilização de novos livros e obras espíritas para download, a preços módicos, em seu site, instituindo inclusive uma nova fonte de renda? 

Começamos agora, no segundo semestre de 2012, a disponibilizar para download livre, na internet, as antigas apostilas da FEB e as obras da Codificação. O que está sendo estudado pela editora FEB hoje é disponibilizar para download, por um preço acessível e com um selo de garantia da FEB, os demais livros. O que está ocorrendo? Há uma constatação de que quase todos os livros espíritas que estão disponíveis na internet para downloads não são autorizados. Já verificamos inclusive livros da FEB disponíveis para download com várias incorreções. São incompletos, com parágrafos e capítulos suprimidos, ou seja, a pessoa que acessa essas obras está sujeita a ser enganada; então o único caminho hoje, e não adianta a gente ficar brigando, é disponibilizá-los para download com o preço acessível e com o selo febiano de garantia. 

Temos obras espíritas incompletas e antigas sem revisão na rede mundial e, ainda, considerando as centenas de sites que liberam inúmeras obras espíritas para download gratuito, a FEB (respeitando a lei de direitos autorais), em relação às suas publicações, não poderia disponibilizar os mesmo títulos em seu site de maneira segura? 

Eu acho que esse é o caminho do futuro, porque nós estamos trabalhando também com os e-books. Já começamos, é tanto que a FEB já tem alguns disponíveis, como também o Conselho Espírita Internacional. E em algum momento eles estão disponibilizados no site Amazon, quer dizer, sediados nos EUA, mas nós estamos trabalhando a ideia de aumentar isso e disponibilizar aqui no Brasil, inclusive é um fato bastante interessante, porque no caso do Amazon, uma pessoa adquire um livro da FEB e do CEI, na Europa ou nos EUA, pelo mesmo preço do livro que seria editado aqui no Brasil, pelo mesmo preço. 

Será que livros gratuitos na internet gerariam impacto financeiro, em se tratando de uma prática comum atualmente? Será que os livros virtuais não dariam maior visibilidade ao portal da FEB, ou seja, não tornaria o site uma robusta ferramenta de divulgação da Nova Luz para o mundo? 

Considerando os livros virtuais, bem como as assinaturas de revistas – a FEB já tem a assinatura digital do Reformador, então a pessoa pode fazer a opção entre assinatura digital e assinatura digital e impressa. No caso dos livros, é o caminho do futuro, e pelas tendências que a gente tem escutado de mercado, isso não inviabiliza a impressão. Termos um livro, por exemplo, para ser lido ou acessado em algum momento pelo tablet. Fica às vezes muito complicado você ter esse livro inteiro, disponível o tempo todo para você, e fica caro se você fizer impressão caseira. É muito comum as pessoas utilizarem o recurso de pesquisa do livro digital para consulta rápida, mas ela quer muitas vezes saborear o livro impresso também, por isso creio que é um mercado novo no Brasil (nos EUA é muito desenvolvido o aspecto do livro digital). Entendo que a vida virtual é o presente e o futuro, e que nós temos que passar por uma transição.

06 maio 2013

O OPRÓBRIO DO “DIZ-QUE-DIZ”


Será que o veneno da língua [maledicência (1)] aproxima as pessoas fuxiqueiras? Pesquisadores das universidades de Oklahoma e do Texas (EUA) afiançam que “amizades” mais duráveis partilham julgamentos negativos (intrigas) sobre coisas e pessoas em comum, por isso depreciam os outros ao redor. Há grupos de “amigos” que tendem acolher as mesmas coisas e as mesmas pessoas fofoqueiras e rejeitar as pessoas miradas pelo grupo. Se alguém conhece um conluiado que faz restrições idênticas (afinidade moral) sobre o comportamento de outrem, as chances de se “gostarem” são grandes.
Quando se fala mal de algo ou de alguém para um cúmplice e este concorda com o que é dito, ambos sentem-se “melhores” e “avigorados”, pois ambos legitimam aquele sentimento ruim, e faz com que “percebam” mais força, e ganhem uma imensa “autoconfiança” para o mal. O filósofo Platão admoestou: “Calarei os maldizentes continuando a viver bem; eis o melhor uso que podemos fazer da maledicência” (2).
O “diz-que-diz” é um componente incrustado e inflexível nas aglomerações sociais e nos ambientes profissionais. Quando um boato é maliciosamente produzido, apresenta em si cargas de perversidade, ausência de alteridade, falta de indulgência, vingança, “olho gordo”, “dor-de-cotovelo”. Uma vez impregnado, mais cedo ou mais tarde, atingirá aos ouvidos dos figurantes abrangidos, provocando irreparáveis consequências que podem tanger a tolas rupturas de velhas afeições e até a demissão por justa causa, destruição de casamentos e de lares, aparecimento de rancores ferrenhos, por vezes chegando a culminar em assassinato ou suicídio de pessoas emocionalmente frágeis.
Funesta e destrutiva é a palavra na boca de quem alista falhas do próximo; tóxico perigoso é a demonstração condenatória a escoar nos beiços de quem fuxica; barro podre, exalando enxofre, é a oscilação desafinada das cordas vocais de quem recrimina; braseiro tenebroso, escondendo a verdade, é a intriga destrutiva. "Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venham os escândalos, mas, ai daquele homem porque venham os escândalos.”. (3)
A maledicência é plantio improfícuo em solo apodrentado. Não há amparo se, por ensejo de ajuda, se ostentam as feridas de outrem à indiferença de quem ouve. Paulo de Tarso advertiu: “a sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios” (4). Lutemos contra a maldição da fofoca supostamente inofensiva, mas que arrasa todos os confins por onde se propaga. As "palavras mal-intencionadas", maledicentes têm, quase sempre, adicionadas à sua substância, uma dose peculiar de condimento, de estilo estritamente particular, cujo "cozinheiro-mor" é o próprio responsável pelo seu repasse adiante.
Quem se afirme espírita não pode esquecer que os críticos do comportamento alheio acabam, quase sempre, praticando as mesmas ações recriminadas. Deploramos o clima de comprovada invigilância admitida pelas aventuras do entusiasmo desapiedado dos caluniadores, com suas mentes doentias, sempre às voltas com a emissão ardente do fuxico generalizado. Confrades que ficam “felizes” ante as dificuldades e eventuais deslizes do próximo. Assestam a volúpia da fofoca, com acusações infames sobre fatos que ignoram, sempre em direção às aflições e lutas íntimas de pessoas que tentam se erguer de algum desacerto na caminhada.
Não é ficção! Há seres infaustos que se locupletam no mexerico exultante de verem alguém sofrendo uma prova mais difícil. Outros se valem do cansativo clichê "vamos orar por eles!", para aguçar as substâncias de suas falsidades. Esquece-se de que o falatório induz à fascinação, secundando o desequilíbrio.
Aos fuxiqueiros contumazes e rabugentos críticos dos erros de conduta do próximo recomendamos uma reflexão de que na viagem de mil quilômetros, como dizia Chico Xavier, não nos podemos considerar vitoriosos senão depois de chegarmos à meta almejada, porque nos dez últimos metros, a ponte que nos liga ao ponto de segurança pode estar caída e não atingiremos o local para onde nos dirigimos.
Enfim, a palavra constrói ou destrói facilmente e, em segundos, estabelece, por vezes, resultados gravíssimos para séculos. Por essa razão, “o algodão do silêncio é um dos melhores recursos para asfixiar a maledicência e fazer calar acusações indébitas”. (5)

Referências Bibliográficas:
(1) O termo maledicência significa fuxico, mexerico, mordacidade; é o ato ou aptidão para falar mal dos outros, cuja intenção é denegrir, difamar.
(2) Platão , disponível em http://pensador.uol.com.br/autor/platao/ a cessado em 6/5/2013
(3) Mateus 18:7
(4) Rom. 3 :13
(5) Franco, Divaldo Pereira. Lampadário Espírita, ditado pelo Espírito Joana de Angelis, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1974

02 maio 2013

INTERNET DEPENDÊNCIA

 
Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br
 
 
 
Estudos demonstram que o uso excessivo da internet é um perigo para a saúde mental. A prisão psíquica pelo computador está unida à depressão e variações de humor que podem ser semelhantes a crises de abstinência e fazer com que um internauta apresente traços de autismo. Sim! o fato de o vício em internet ser fortemente relacionado a traços de autismo é um dado científico recente, e pode ser de natureza semelhante a associações estabelecidas entre isolamento social e esse tipo de dependência.

Por que será que o mundo de chip, bit, modem, memória RAM, webcam, som, poesia, cultura, conteúdo para adulto, ciência, hacker, filosofia, perigos etc., vem fascinando mais do que a vida que se levava antes da década de 80? Permanecer neste mundo virtual diante de um monitor. Será por medo? vergonha? timidez? falta de amor próprio? insegurança? carência? solidão? Ou será encantamento, necessidade de conhecimento, de realizar feitos inenarráveis, de ultrapassar limites, provocar reações... ou apenas poder se comunicar?

Os vícios tecnológicos são denominados de tecnoses. No caso específico da internet é conhecido como internet-dependência ou cibervício. Pessoas viciadas em internet são muito mais predispostas a apresentar alteração de humor negativa e péssimo estado de espírito logo após desligarem o computador do que internautas que usam a rede mundial de computadores de forma moderada. É um quadro análogo à síndrome de abstinência e robustece ainda mais a ideia de que esses viciados sofrem de dependência cibernética.

Na América do Norte, a "compulsão à internet" é tratada por um crescente número de centros médicos especializados, entre eles os da Universidade de Maryland, em College Park, e o Computer Addiction Study Center, do Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts. A questão “cibervício” está sendo analisada e deverá ser publicada no mês de maio de 2013 no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, sigla em inglês), documento considerado por muitos médicos como a "bíblia da psiquiatria".

Afirma Phil Reeds que “quando essas pessoas [ciberviciados] se veem off-line, elas passam a apresentar um humor muito mais negativo, assim como indivíduos que deixam de usar drogas ilegais, como o ecstasy”. Esses indivíduos “talvez precisem de ajuda para entender as razões para o uso em excesso da internet e qual é a função do hábito em suas vidas”.(1) Óbvio que o uso intensivo e inadequado do computador causa problemas de saúde variados. Podem ser identificados problemas relacionados à visão, mente, músculos, articulações e coluna. As queixas de quem sofre esses problemas incluem fadiga, cansaço e irritação ocular, visão turva, tensão muscular, dores de cabeça, stress, dores no pescoço, costas e braços. Dentre os principais problemas, estão as Lesões por Esforço Repetitivo (LER), que agora são reconhecidas como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Apesar de não haver consenso, existe um estudo da Universidade La Salle, divulgado em 2008, afirmando que há um total de 50 milhões de adictos(2) na web. Todavia, outro relatório da Advances Psychiatric Treatment informa que o número de compulsivos gira em torno de 5% a 10% do total de internautas no mundo (estimados em 1,3 bilhão de pessoas, de acordo com o Internet World Stats) – isso dá cerca de 100 milhões de pessoas.

Na China, dos 18,3 milhões de internautas adolescentes, mais de 2 milhões são viciados na rede mundial de computadores. Há casos extremados em que internautas morrem após longas horas diante de videogames. Li Meng, um chinês viciado em jogos virtuais, passa a maior parte do tempo jogando on-line. Meng “reside” há seis anos em um cybercafé em Changchun, no nordeste do país, recusa-se a conversar com as pessoas que frequentam o local e não corta o cabelo há muito tempo, e só deixa o cybercafé exclusivamente para comer e tomar banho.

A despeito dos riscos concretos que o uso inadequado da web pode apresentar, a priori não identificamos a Internet como algo danoso ao homem; ao oposto! Ela é uma extensão da vida real, difundida pelas ondas eletromagnéticas sutis, além de ser uma ferramenta indispensável na sociedade contemporânea. Sem ela o mundo trava, imobiliza tudo e todos.

É evidente que não precisamos ter receios da Internet como a Inquisição teve medo dos livros. Tal como o Codificador, devemos aprender a arrostar as investidas, sempre com a intenção de procurar a verdade e de esclarecer. É supérfluo dizer que é importantíssimo empregar os recursos da Internet em prol dos ideais que orientam nossas vidas. Coopero voluntariamente com um grupo de idealistas e coordenadores do portal http://espiritismo.net. Os dirigentes do portal têm demonstrado a eficácia desse instrumento de difusão doutrinária, através de frentes de trabalhos espíritas reconhecidas, inclusive por muitas federativas, e com isso têm difundido conhecimento e consolo a quantos os buscam.


Notas:

(1) Conforme afirma Phil Reed, professor da Universidade de Swansea, na Grã-Bretanha, disponível em , acessado em 28/04/2013;

(2) Adicto, do latim addictu, é um adjetivo, que significa: Afeiçoado, dedicado, apegado. adjunto, adstrito, dependente. Em medicina é quem não consegue abandonar um hábito nocivo, mormente de álcool e drogas, por motivos fisiológicos ou psicológicos.

29 abril 2013

SUBJUGAÇÃO ININTERRUPTA SOB O GUANTE DE UMA REENCARNAÇÃO?...


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br


Mordake, o homem de dois rostos




Por efeito das buliçosas narrativas sobre as deformações físicas, deparamos com eventos gritantes, e ao mesmo tempo melancólicos, de pessoas que (re)nasceram com os mais singulares tipos de aberrações. Edward Mordake (foto) sofria de uma anomalia conhecida como Craniopagus Parasiticus. Ele possuía outro“rosto parasita”acoplado à sua nuca. Em seu caso, poderia parecer apenas um caso de “gêmeo chupim”, mas para muitas pessoas e para ele mesmo, o que existia em sua nuca era algo mais sombrio.
Conta-se que a face gêmea apresentava alguns indícios de inteligência, porém não ingeria alimentos e inacreditavelmente era capaz de fazer careta, rir e chorar. O “rosto parasita”era flácido e desfigurado, algo ameaçador e tétrico. Narra-se que os olhos da “face intrusa” expressavam malícia e fúria e seguiam as pessoas pausadamente como se estivesse estudando aqueles que visualizavam, os seus beiços invariavelmente faziam barulhos exóticos. Embora sua voz fosse ininteligível, Edward declarou que muitas vezes foi mantido acordado durante a noite por conta dos murmúrios de ódio de sua “face gêmea diabólica” (como passou a chamá-la) e dos zumbidos lúgubres.
Conquanto o seu caso seja concretamente citado nos primórdios dos relatos médicos, na verdade sua história é misteriosa, e foi analisada como caso irreal durante algum tempo, por ser demasiadamente delirante para se acreditar e, obviamente, por não fazer muito sentido do ponto de vista médico, em alguns momentos. A única coisa que persiste dessa história é a existência de uma foto de Edward, que comprova que ele realmente existiu, mas quando exatamente não se sabe.
Há um livro intitulado Anomalies and Curiosities of Medicine, de George M. Gould e Walter L. Pyle, que faz referência a Edward Mordake, porém muito do que se conhece de sua vida é baseado em relatos orais. Muitos componentes de sua trajetória foram perdidos no decorrer do tempo e não há fontes consideráveis para os pesquisadores atuais, exceto a foto(1). Sabe-se que ele viveu em completo isolamento, recusando-se às visitas, até mesmo dos familiares. Diz-se que Edward teria pedido aos médicos que removessem sua “cara diabólica”, contudo nenhum clínico foi favorável a fazê-lo, porque a cirurgia seria fatal.
As pessoas começaram a se afastar dele e isso potencializava sua depressão. Conta-se que nos momentos de tristeza a sua “face extra”permanecia gracejando como se estivesse ridicularizando suas dores. Portanto, padecendo com o bullyng que o “rosto intruso” exercia, Mordake resolveu acabar logo com aquilo e se matou aos vinte e três anos. Diz-se que o suicídio ocorreu logo após seus médicos recusarem fazer a remoção cirúrgica daquele “suplemento facial’ na nuca. Edward teria deixado uma carta solicitando que a “cara satânica” fosse destruída de sua cabeça antes de seu sepultamento, a fim de que ele não continuasse a ouvir seus terríveis sussurros no além-túmulo.
Descreve-se que gostaria de ser enterrado em um lugar deserto, sem pedra ou legenda para marcar seu túmulo. Seu pedido teria sido atendido pelos médicos Manvers e Treadwell, que cuidavam do caso. Edward foi enterrado em uma cova de terra barata e sem qualquer tipo de lápide ou escultura, também a seu pedido.
No mundo somos defrontados com inúmeros casos teratológicos que assombram e deixam embaraçados mesmo os mais experientes analistas. Será admissível que junto com alguém que (re)nasce, reencarnar concomitantemente um outro Espírito colado em seu tecido perispiritual (molde do corpo físico), ocasionando pânico, como no episódio narrado, tanto para seu hospedeiro como também para quem o visualiza? Que mistérios existiriam por trás do rosto “demoníaco” de Edward Mordake?
Pelas leis reencarnatórias, teoricamente, num só corpo não há como reencarnar mais que um Espírito. No caso dos seres siameses, por exemplo, existem dois espíritos em corpos unidos biologicamente (grudados), com dois cérebros (dicéfalos), dois indivíduos, duas mentes. Embora o caso Edward não seja um fenômeno de siameses, é manifesto que existia um Espírito grudado (não sabemos como) naquela bizarra “face traseira”.
Há casos teratológicos em que nas reencarnações os Espíritos simpáticos aproximam-se por analogia de sentimentos e sentem-se felizes por estarem grudados biologicamente. Porém, os seres que não se toleram se repelem e são extremante infelizes no convívio. É da Lei! No caso Edward, do ponto de vista reencarnatório, que razões levariam a justiça divinaa permitir tal anomalia física? Por que alguns espíritos necessitam permanecer algemados biologicamente, compartilhando órgãos e funções orgânicos, sabendo que nada nos é mais íntimo e pessoal que o corpo físico?
A ser verdadeira a história de Edward, cremos que são dois espíritos ligados por cristalizados ódios, construídos ao longo de muitas reencarnações, e que reencarnam nessas condições estranhíssimas, raramente por livre escolha e nem por “punição”de Deus, mas por uma espécie de determinismo originado na própria lei de Ação e Reação. Alternando-se as posições como algoz e vítima e também de dimensão física e extrafísica, constrangidos por irresistível atração de ódio e desejo de vingança, buscam-se sempre e culminam se reaproximando em condições comoventes, que os obriga a compartilhar até do mesmo sangue vital e do ar que respiram.
Considerando que nos estatutos de Deus não há espaços para injustiças, a dualidade espiritual presente no corpo disforme de Mordake é factível . Sobretudo se no  processo de subjugação ocorrida em vidas pregressas , quando o obsessor assume o lugar do subjugado  em vários momentos da vida. A subjugação pode ser moral ou corporal que paralisa a vontade do obsedado.  Materialmente o obsessor atua sobre o corpo físico e provoca movimentos involuntários. Dava-se antigamente o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos.
Mas,  a possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação, pois não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados. Poderá ter como conseqüência a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornam verdadeiros loucos. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão mais doentes do que com as duchas”.(2)
Acreditamos que numa reencarnação especialíssima , dois seres que experimentaram a trama de subjugações obsessivas podem  renascer nas condições especialíssimas narradas no texto, todavia evidentemente estamos conjecturando  propondo ao leitor amigo mais amplas reflexões.
Muitas vezes não é possível, de imediato, dissolverem-se essas vinculações anômalas a fim de que haja total recuperação psíquica dos infelizes protagonistas. No decorrer dos anos, a imantação se avoluma, tangendo dimensões cruciais de alteração do corpo perispiritual de ambos. A analgesia transitória, pela comoção de consciência causada pela reencarnação, poderá impactar e recompor os sutis tecidos em desarranjo da alma enferma.
Infelizmente não foi o caso Mordake, pois ele fugiu do compromisso.Se à época Edward fosse espírita, poderia ter recorrido a alguns recursos tais como a prática da prece e da doação de energias magnéticas através do passe, por exemplo, que são recursos adequados e indispensáveis para despertar consciências e minimizar os traumas psicológicos. Soluções essas que para ele se descortinariam eficazes, iluminando-lhe a consciência para a necessidade da efetiva reconciliação, arrostando a união pelo laço indestrutível e saudável do amor.

Nota e referência bibliográfica:
(1) Em 1896, o livro Anomalies and Curiosities of Medicine, de George M. Gould e Walter L. Pyle, mencionava uma versão da história de Edward Mordake que ficou muito famosa na época e acabou virando referência para vários textos, peças teatrais e até mesmo para uma música de Tom Waits Poor.
(2) Kardec, Allan. O Livro dos Médiuns, Cap. XXIII, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1997