15 julho 2013

A IMPRENSA ESPÍRITA NÃO DEVE AFAGAR OU AFLIGIR LEITORES, PORÉM DESPERTAR-LHES A CONSCIÊNCIA


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

 Desde o lançamento da Revista Espírita, em 1858, na França, por Allan Kardec, a imprensa espírita é possante canal da divulgação doutrinária para interligação dos centros e demais instituições e, sobretudo, para disseminação de opiniões e discussão de temas sócio-doutrinários, propondo a adequada orientação ao Movimento Espírita. A rigor, ela também se dirige ao público não espírita para esclarecimento doutrinário. O Codificador noticiava e comentava na R.E. diversos eventos extra-doutrinários, que de alguma forma interessavam a todos os leitores.
As civilizações iniciaram-se com a imprescindível necessidade da comunicação, recorrendo ao mecanismo da tradição oral. O grande salto da comunicação humana consubstanciou-se na imprensa (palavra escrita), cujo mestre foi Johannes Gutenberg, considerado “O Pai da Imprensa”. Quatro séculos após a descoberta desse notável filho da Mogúncia (Alemanha), Allan Kardec, embora sempre advertindo contra o proselitismo indigesto, recomendou a divulgação dos princípios doutrinários com base no bom senso. É verdade! A propaganda doutrinária para fazer prosélitos não é a necessidade imediata do Consolador Prometido, até porque “a direção do Espiritismo, na sua feição de Evangelho redivivo, pertence ao Cristo e seus prepostos, antes de qualquer esforço humano, precário e perecível”. (1)
Para delinearmos considerações sobre a imprensa espírita no Brasil, trazemos à baila alguns informes sobre os contributos de Luiz Olímpio Teles de Menezes, considerado pioneiro da imprensa espírita brasileira. Em julho de 1869, três meses após a desencarnação do Codificador, lançou o periódico O Eco d'Além-Túmulo, subintitulado "Monitor do Espiritismo no Brasil", de publicação bimestral. Antes, já havia fundado em 17 de setembro de 1865, em Salvador, o Grupo Familiar do Espiritismo, considerado a primeira instituição espírita no Brasil. Escreveu para o "Diário da Bahia", "Jornal da Bahia", "A Época Literária". Foi um causídico intransigente dos princípios espíritas.
"Era um caráter digno de todo o apreço pela sua cultura e elevação de sentimentos, aprimorados por uma longa série de infortúnios, que soube sempre suportar com honra e grandeza d’alma". (2) Certa vez, redigiu uma “Carta Aberta” ao Primaz do Brasil, D. Manoel Joaquim da Silveira, refutando a pastoral que este publicou, com o título “Erros perniciosos do Espiritismo”. A “Carta” de Luiz Olímpio é considerada a primeira obra de divulgação espírita de um brasileiro, publicada na Pátria do Evangelho.
O "Grupo Familiar do Espiritismo" cumpriu sua tarefa por cerca de um decênio, até a fundação da "Associação Espírita Brasileira", que representou o marco inicial do movimento espírita brasileiro. Teles de Meneses foi o primeiro presidente da Associação, instituto que visava "ao desenvolvimento moral e intelectual do homem nas largas bases que cria a filosofia espirítica, e a exemplificação do sublime e celestial preceito da caridade cristã.”. (3)
Na verdade, a imprensa espírita brasileira surgiu integrada em sua dupla função libertária. Lutando pela emancipação espiritual do homem, lutando também na sua alforria material. Menezes compreendeu que não podia sustentar os princípios espíritas de fraternidade e caridade se não desse seu testemunho contra o desumano sistema de escravidão negra no Brasil. “Na campanha abolicionista através de O Eco d'Além-Túmulo, destinou um mil réis de cada assinatura para a libertação de crianças negras de sexo feminino entre 4 e 7 anos”. (4)
Sendo o Espiritismo uma doutrina de vivência igualitária, anunciada para influir na transformação social, não se pode idear uma imprensa espírita desatenta ao mundo, sepultada em si mesma.  Os legados de Teles de Menezes nos comprovam que jornais e revistas espíritas não podem ser somente boletins doutrinários apartados do fato social. Inobstante, não devem exceder os limites das instâncias espíritas e envolver-se em altercações político-partidárias ou contendas de grupos. Sua função principal é esclarecer e orientar os rumos da doutrina.
No Brasil, considerado o maior país espírita do mundo, em extensão e abrangência, e em número de adeptos, há inúmeras publicações escritas, bem como centenas de emissoras de rádio e algumas televisões (abertas, por assinatura e Internet) veiculando informações espíritas, além da existência de milhares de portais espíritas na Rede Mundial de computadores. A despeito desse cenário, não é difícil constatar que faltam meios de comunicação arejados (jornais, revistas, sites, televisão, rádio), que se pode ter confiança sem a percepção desagradável de sufocação, de constrangimento subserviente a direções excêntricas. Muitos jornais e revistas “chovem no molhado” e repetem o que todos sabem e já disseram. Somente publicam mensagens mediúnicas e acanhados artigos sobre questões já pacificadas. Evitam a discussão saudável, o debate coeso, como se estivesse submetida a uma orientação ditatorial.
Há órgãos da imprensa doutrinária que se restringem ao centro espírita como se fossem boletins particulares, alguns ficam circunscritos a um bairro ou a uma pequena cidade, outros se colocam a serviço da difusão espírita em nível nacional e internacional. Talvez seja a reprodução da falta generalizada de cultura na sociedade e notadamente da pouca cultura espírita. Por isso há órgãos de divulgação doutrinária sem nenhum critério, nem discernimento. Divulgam assuntos contraditórios e revelam ausência de conhecimento ou displicência de seus diretores, editores e redatores.
É imperioso alterar esse cenário; é urgente maior consciência jornalística aos que militam na imprensa espírita. Na Revista Espírita de maio de 1863, Kardec conta que certa vez tinha recebido três mil mensagens de várias partes da Europa, aguardando uma possível publicação. Selecionou cem que continham temas de moralidade inatacável. Fez nova triagem e, das cem, chegou a trinta, realmente de ótimo valor estético e moral. Porém, das trinta mensagens, só cinco apresentavam real valor para obterem espaço na Revista Espírita. (5)
Raros são os escritores e jornalistas que têm a coerência de escrever não para amimar ou desgostar, mas para abrir os olhos e acordar consciências. Sim! Felizmente ainda há escritores e jornalistas sinceros que leem e estudam, escrevem com bom senso e procuram ensinar ao leitor a verdadeira Doutrina dos Espíritos. São ajuizados, não usam expressões verbais que recomende costumes, práticas, ideias políticas, sociais ou religiosas adversas ao Espiritismo.Em Conduta Espírita, André Luiz assevera que um texto espírita deve ajustar-se à simplicidade e clareza, concisão e objetividade, passar por revisão austera e incessante, quanto ao fundo e à forma, antes de ser publicado. Os escritores devem despersonalizar, ao máximo, os conceitos e as colaborações, convergindo para Jesus e para o Espiritismo o interesse dos leitores. (6)
É imprescindível que a imprensa espírita esteja compromissada com a ética, com a verdade revelada pelos Espíritos e com a melhor qualidade dos temas divulgados. Melhoria essa que não deve ser considerada exclusivamente a "beleza exterior", com apresentação gráfica policrômica, mas, sobretudo, o conteúdo (mensagens). Importa afrontar desafios e ter capacidade de informar sobre os fatos e os preceitos espíritas, de forma a colaborar com o leitor em sua consciência crítica.
Os editores necessitam "sistematicamente despersonalizar, ao máximo, os conceitos e as colaborações, convergindo para Jesus e para o Espiritismo o interesse dos leitores” (7) sem perder de vista a seleção dos escritos, que precisam ter "clareza, concisão e objetividade, esforçando-se pela revisão severa e incessante, quanto ao fundo e à forma de originais que devam ser entregues ao público". (8) Porém, lamentavelmente existem órgãos de imprensa espírita que mais não fazem senão exacerbar a arrogância dos responsáveis das instituições, publicando sistematicamente suas “fotos e nomes dos dirigentes”, numa clara manifestação de completa ausência de humildade.
É bom refletirmos sobre isso! Recordemos o Espírito Emmanuel, que avisa: "o Espiritismo nos solicita uma espécie permanente de caridade – a caridade da sua própria divulgação". (9) Consideração e homenagem à virtude, ao talento, à coragem, às boas ações dos verdadeiros jornalistas espíritas e seus periódicos, imunes ao endosso às práticas antidoutrinárias; que sigam avante na tarefa de amor às letras do Consolador, que fazem vibrar corações e jubilam os espíritas que a elas se consagram.

Referência blibliográfica:

(1)    Xavier Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, perg. 218
(2)    Publicado na  Revista "Reformador", de 1.º de abril de 1893
(3)    Disponível em  http://www.feparana.com.br/biografia.php?cod_biog=200 acessado em 14/04/2013
(4)    Disponível  em http://www.autoresespiritasclassicos.com acessado em 16/04/2013
(5)    Kardec Allan.  Revista Espírita de maio de 1863, Brasília: Ed Edicel, 2001
(6)    Vieira Waldo. Conduta Espírita, ditada pelo Espírito André Luiz, RJ: Editora FEB 1989
(7)    idem
(8)    idem
(9)    Xavier , Francisco Cândido. Estude e Viva, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1971

09 julho 2013

A REVOGAÇÃO DO CASAMENTO SOB O PONTO DE VISTA ESPÍRITA


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Um católico acusou a esposa de pedofilia e entrou com uma ação de declaração de nulidade do matrimônio nos tribunais eclesiásticos. Os conselhos religiosos reconheceram o pedido de anulação e o veredito teve consonância com as exigências do Direito brasileiro, inclusive produzindo efeitos civis. “Para isso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) homologou a sentença do Tribunal de Assinatura Apostólica, do Vaticano, sobre a declaração de nulidade do casamento do casal brasileiro, com base no Acordo Brasil-Santa Sé. A decisão do STJ tem validade tanto para o casamento realizado no cartório e em igreja quanto para o casamento religioso celebrado no templo com efeito civil”. (1)
O casamento celebrado em conformidade com a lei canônica, ao ser considerado nulo pela Igreja, os esposos passam a ser solteiros, e não divorciados, como seria se tivessem conseguido a anulação pela lei civil. É no mínimo extravagante tal situação, pois a doutrina da igreja romana não consagra o divórcio, porém juízes eclesiásticos podem decidir sobre anulação de consórcio matrimonial. É uma maneira de esconder o sol com a peneira.
O desfecho do caso acima é um espetáculo bizarro, pois a igreja romana, que não acata o divórcio, mas revoga casamento, que para ela deve ser “indissolúvel”, e culmina por  reconhecer a nulidade de certas uniões matrimoniais problemáticas. É por essa e outras razões que o Espiritismo afirma que “a indissolubilidade absoluta do casamento é uma lei humana muito contrária à da Natureza”. (2)
Nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento. A indissolubilidade matrimonial é uma imposição teológica que não se justifica, até porque existem muitas aprovações de nulidade de casamento pela Cúria romana. Para alguns “experts”, o atrativo nesses casos é o retorno ao estado de solteiro, só possível pelo processo canônico, para os praticantes da religião católica. Pode ser que isso interesse a muitos católicos, ou seja, “voltar ao status de solteiro, embora tenham passado os tempos tão preconceituosos em que ser divorciado ou divorciada era uma nódoa pesadíssima imposta pela sociedade”. (3)
A aceitação pelo Superior Tribunal de Justiça sobre a decisão da Santa Sé causou desconforto entre especialistas de Direito Civil. “O debate é se o STJ feriu o princípio do Estado laico e se a anulação é producente mesmo depois da instituição do divórcio direto”. (4) No Direito civil, em um divórcio, as partes podem requerer pensão e partilha de bens. Na anulação eclesiástica, se um dos cônjuges for considerado culpado não pode reivindicar os direitos,  exceto se houve aquisição de patrimônio enquanto casados.
As leis terrestres (civis e eclesiásticas) não podem ser estanques porque elas se modificam segundo os tempos, os lugares e o avanço da inteligência. O casamento é um rito humano, e não há dois países onde o evento seja categoricamente semelhante. O que é legal num país (a poligamia, por exemplo), é adultério noutro país. “A lei humana tem por finalidade regular os interesses sociais, que variam segundo as culturas. Em certos países, o casamento religioso é o único legítimo; noutros é necessário, além desse, o casamento civil; noutros, finalmente, este último casamento basta”. (5)
A certidão de casamento não supera a lei do amor, contudo o casamento não é contrário à lei da Natureza; muito pelo contrário, pois “é um progresso na marcha da Humanidade”. (6) A abolição do casamento sim “seria uma regressão à vida dos animais”. (7) Para Allan Kardec o estágio primário do homem é o da união livre e ocasional dos sexos. “O contrato matrimonial estabelece um dos elementares atos de avanço nas sociedades humanas, porque institui o vínculo jurídico e fraterno e se ressalta entre todos os povos, inobstante em condições não uniformes”. (8)
A proscrição do matrimônio consistiria em regredir à infância da Humanidade e poria o homem abaixo mesmo dos seres irracionais. O divórcio não contraria as Leis de Deus e objetiva “separar legalmente o que já, de fato, está separado, portanto não é contrário à lei de Deus, e só é aplicável nos casos em que não se levou em conta o amor.” (9)
Emmanuel aclara o assunto afirmando que a expectativa de um casamento indissolúvel aumenta o número de uniões irregulares. É verdade! O que é mais racional – se aprisionar um ao outro os esposos que não podem viver juntos ou restituir-lhes a liberdade? Obviamente, “partindo do princípio de que não existem uniões conjugais ao acaso, o divórcio não deve ser facilitado.” (10) É nos casamentos que ocorrem burilamentos e reconciliações para a sublimação espiritual.
Não nos é justo estimular o divórcio de ninguém, mas reconhecemos que no limite da resistência pessoal, “é compreensível que o  esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito (ameaça de morte, desprezo, infidelidade), se valha do divórcio por medida extrema contra o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que lhes complicariam  ainda mais o destino”.  (11)
Cabe a cada um de nós reconfortar e fortificar os esposos em demanda, nos matrimônios provacionais, a fim de que vençam as próprias aflições, encarando as duras fases de regeneração ou  expiação que pediram antes da reencarnação, em auxílio a si mesmos. Conquanto o divórcio, baseado em razões justas, seja providência humana claramente compreensível, não nos compete instigar a separação, até porque “em briga de marido e mulher se mete a colher”. Respeitemos e saibamos que são eles mesmos, os casais que desejam a separação, é que devem decidir, cabendo-nos exclusivamente a obrigação de respeitar-lhes o livre arbítrio sem ferir-lhes a decisão.

Referências bibliográficas:
(1)            Disponível em http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/stj-reconhece-senten%C3%A7a-do-vaticano acesso em 04/07/13
(2)            Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 697, RJ: Ed. FEB, 1972
(3)            Disponível em http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/stj-reconhece-senten%C3%A7a-do-vaticano acesso em 04/07/13
(4)            Idem
(5)            Kardec , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXII , RJ: Ed FEB, 2000
(6)            Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 695, RJ: Ed. FEB, 1972
(7)            idem  questão 696, RJ: Ed. FEB, 1972
(8)            Kardec , Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XXII , RJ: Ed FEB, 2000
(9)            Idem
(10)         Xavier, Francisco Cândido. Sexo e Vida, ditado pelo espírito Emmanuel, Cap 8 - Divórcio ,RJ: Ed. FEB, 1978
(11)         Idem

02 julho 2013

O IMPACTO DA PORNOGRAFIA NA DEGRADAÇÃO DOS VALORES MORAIS

 Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br


O léxico define a pornografia como ação ou representação que ataca ou fere o pudor, a moral ou os bons costumes. A sexualidade explícita e sugestiva tem uma longa história, é uma manifestação de “arte” ancestral. Há registros de imagem da nudez e da sexualidade humana na era paleolítica. (1) Arqueólogos alemães encontraram, em abril de 2005, um desenho de cerca de 7200 anos de um homem sobre uma mulher, sugerindo fortemente um ato sexual. A figura masculina foi batizada de Adônis Von Zschernitz, todavia, entendemos que a imagem descoberta tinha um significado, digamos, mais “místico”.
Presentemente não há nada de espiritual na efígie pornográfica. O abuso de conteúdo erótico de fácil e rápido acesso na web e outros meios de comunicação permite que as pessoas sejam expostas regularmente à excitação da sexualidade e tem instituído na mente incauta uma visão distorcida da carga genésica. Quem duvida que a pornografia é a exaltação da prostituição? Infelizmente, há aqueles que sob o guante do delírio abonam a pornografia como sendo “boa para a sociedade”. (2) (!?...)
Em verdade, o uso abusivo da erótica, de coisas consideradas obscenas, geralmente de caráter sexual (livro, revista, filme, novas mídias etc.) com intenção de provocar excitação sexual, também tem sido cada vez mais entronizado na arte cinematográfica. Atualmente a pornografia é uma indústria poderosa, que degrada e desumaniza homens e mulheres e movimenta quantias vultosas de dinheiro. “Estudiosos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, acreditam que o uso excessivo de pornografia online está criando uma geração de "homens desajustados". O psicólogo Philip Zimbardo acredita que as pessoas estão criando "vícios de excitação", deixando-as incapazes de conviver sadiamente no mundo real e desenvolver relacionamentos benfazejos, segundo reportagem do jornal Daily Mail(3).”
Pesquisas recentes indicam que um número expressivo de crianças e adolescentes são bombardeados com cenas erotizantes desde tenra idade e têm acesso às obscenidades frequentemente por meio das novas tecnologias. Sim! a Internet potencializou a indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990.
Na web são aproximadamente 30 mil usuários por segundo acessando conteúdos eróticos; são mais de 1 bilhão (isso mesmo! 1 bilhão) de downloads de material pornográfico a cada mês. Há estudos demonstrando que em menos de quatro anos mais lares foram destruídos pela pornografia do que o comparativo dos últimos 50 anos. Isso acontece sem distinção de nacionalidade, cor, etnia ou credo religioso. A Pedofilia, por exemplo, considerada a mais grave infração permeada pela web, tem fortalecido um transtorno inigualável aos jovens e crianças. Alguns inescrupulosos negociantes da indústria do sexo usam métodos parecidos com o tráfico de drogas. Primeiro oferecem gratuitamente os conteúdos. Posteriormente começam a cobrar. Aliás, é desse jeito que o império das ilusões e da criminalidade tem florescido.
Tal como das drogas, o mercado pornográfico é um dos mais lucrativos mercados da história. Larry Flynt, empresário e dono do império Hustler, retratado por Milos Forman e Oliver Stone no filme "O povo contra Larry Flynt”, Bob Guccione, da revista Penthouse e Hugh Hefner, dono do Império Playboy, compõem alguns desses milionários da exploração da fantasia sexual. Obviamente, uma fatia gigantesca desse mercado é dominada pelo crime organizado.
Como se não bastasse toda essa degradação dos valores morais, atualmente nas telenovelas, igualmente a habilidade artística e o enredo abarcando os personagens, deram lugar à exposição de corpos desnudos e relacionamentos impregnados de volúpia erótica, que dão a conotação de cenas de sexo explícito; até mesmo nos programas vespertinos, dedicados a um público entre infantil e adolescente as cenas são altamente apelativas.
A pornografia sugerida na mente é como o combustível junto à fogueira do desejo sexual primitivo, resultando em pensamentos e apelos instintivos desequilibrados. Tem um efeito crescente – qual uma droga, o viciado precisa de mais e mais para atender o indômito desejo. Sim, doentes e viciados, pois o mecanismo psíquico da pornografia é o mesmo do alcoolismo. Clínicas psiquiátricas e psicológicas, de atendimento a esses problemas (compulsão sexual), já estão sendo espalhadas pelo planeta. E terapeutas familiares têm travado um combate intenso nos lares.
Assim como um usuário de drogas é levado a consumir quantidades maiores e mais poderosas de entorpecentes, a pornografia arrasta o ser humano, levando-o a pesados vícios sexuais e desejos animalizados. Como se percebe, estamos diante de viciados do sexo que se expõem no tablado dos prazeres, na qualidade de servos ridículos em revistas de sexo explícito ou em filmes eróticos, desandando-se em ídolos da pornografia e da lubricidade hipocondríaca. “O meretrício de crianças e adolescentes se avulta, em face da fadiga dos corrompidos que exigem carnes novas para os apetites selvagens que os consomem. É compreensível que aumentem as estatísticas das enfermidades dilaceradoras como o câncer, a tuberculose, as cardiovasculares, a AIDS, outras sexualmente transmissíveis, as infecções hospitalares, dentre diversas, acompanhadas pelos transtornos psicológicos (4).”
As buscas das imagens eróticas criam um tônus de frequência mental em que se sintonizam espíritos em estado de desequilíbrios sexuais. Os obsessores mantêm a imagem da lascívia na mente, repetindo-a ininterruptamente para estabelecer um circuito de luxúria e conduzir de volta o obsedado à pornografia. Infelizmente a maioria das pessoas desconhece a intervenção espiritual na vida física. Contudo, essas influências são constantes em nossas mentes em forma de pensamentos e consequentemente em ações. Grande parte dos vícios humanos é potencializada por influências obsessivas e até subjugações espirituais, motivando amplos transtornos para os viciados em fantasias pornográficas.
É uma perversão tão grave que tem destruído famílias e levado muitas pessoas a transtornos de complicada etiologia. A pornografia transforma os seres em objetos sexuais. Um levantamento na União Europeia (UE), por exemplo, concluiu que 25% das pessoas com idade entre 9 e 16 anos já tinham visto imagens de cunho sexual. “E em 2010, uma pesquisa na Grã-Bretanha revelou que quase um terço dos jovens com idade entre 16 e 18 anos havia visto fotos de natureza sexual em celulares, na escola, mais de uma vez por mês. A National Association of Head Teachers (Associação Nacional de Diretores de Escolas) da Grã-Bretanha está fazendo uma campanha sobre o impacto da pornografia com o objetivo de que crianças e adolescentes sejam educados de maneira apropriada à idade”. (5)
O tema proposto é gravíssimo. Muitos pais entram em pânico quando encontram pornografia no computador dos filhos. Sabem que pode ser um campo minado e muitos não sabem o que fazer ou o que dizer. Cremos que escolas, instituições religiosas e os pais devem trabalhar juntos, a fim de conscientizar as crianças, os jovens e os adolescentes sobre perigos que envolvem o aviltamento da sexualidade.
Toda prudência se faz necessária quanto à conduta que temos diante dos filhos, pois facilmente criamos nelas uma boa ou má impressão. Tudo, até o próprio tom com que lhes falamos, em certas circunstâncias, pode influenciá-los. Deve causar surpresa o fato de neles se desenvolverem vícios dos quais se ignora a fonte? Uma criança pode aprender a doçura com pais que se deixam dominar pelas paixões? Pode adquirir sentimentos nobres com pais vulgares? Pode adquirir as virtudes sociais com pais que não as têm? Sem falar dos vícios mais palpáveis, está aí uma série de observações minuciosas que contribuem essencialmente para a formação do moral dos nossos filhos.
Experimentamos na sociedade os reflexos das escolhas íntimas. Ou modificamos as opções infelizes de comportamento ou reencarnaremos sob débitos, em face da soma das perversidades cunhadas e mantidas pela invigilância. Não podemos nos acomodar, nem sequer nos omitir ante a onda de promiscuidades, pornografias e corrupção moral. “Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e, depois, governa expressões e palavras, através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo”. (6) Nada justifica ficarmos indiferentes e imóveis diante do acelerado aniquilamento dos valores cristãos. Se descuidarmos da vigília, é certo que resgataremos obrigatoriamente à indiferença e inércia diante desse cenário preocupante do envilecimento do sexo.
Felizmente existe um divino Código que há dois mil anos vigora na Terra; Código que pode transformar o planeta quando exercitado entre os homens. Trata-se do Evangelho de Jesus. Inspiremo-nos Nele.

Referências:
(1)            Refere-se ao período da pré-história que vai de cerca de 2,5 milhões a.C., quando os antepassados do homem começaram a produzir os primeiros artefatos em pedra lascada, até cerca de 10000 a.C.
(2)            Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/05/130513_pornografia_beneficios_mv.shtml?s acesso 25/06/13
(3)            Disponível em http://tecnologia.terra.com.br/internet/pornografia-online-levara-homem-a-extincao-diz-professor,aafbfe32cdbda310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html  acesso em 21/06/13
(4)            Mensagem psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na manhã de 19 de Maio de 2009, na residência de Josef Jackulak, em Viena Áustria. Em 24.05.2010. Disponível no site da Federação Espírita do Paraná disponível em http://www.feparana.com.br/cartao.php?msg=598&cat=3 acesso em 27/06/13
(5)            Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/11/121106_pornografia_educacao_sexual_mv.shtml?print=1
(6)            Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

24 junho 2013

DIZ-SE QUE “CADA POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE”. SERÁ VÁLIDO ESSE ADÁGIO?

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br


Bancaremos nestes comentários alguns acoplamentos fatuais a propósito da denúncia do jornal New York Post sobre famílias novayorquinas abastadas que subornam pessoas portadoras de deficiência a fim de se passar por seus parentes, mirando esquivarem-se das longas filas no parque de diversões da Disney(1), em Orlando, na Flórida. “O periódico acusa os ardilosos membros de grupos familiares americanos que permanecem no máximo 1 minuto para ter acesso às atrações do parque, enquanto as outras pessoas esperam mais de 2 horas.” (2) Infelizmente a defecção moral abrange a corrupção de costumes, a falta de caráter individual ou coletivo, o desleixo administrativo ou governamental, a falta de solidariedade social, a indiferença pela sorte alheia ou pelos interesses públicos.
Sem tanger  especulações impróprias sobre a insinuação do New York Post, afirmamos que qualquer semelhança com fatos e pessoas no Brasil não é mera coincidência. Nem é preciso fazermos um esforço descomunal de raciocínio a fim de identificar semelhanças cabais. Habituamos aquilatar negativamente assaltantes vigaristas, homicidas, encarcerados ou ex-detentos de forma geral. Todavia, será que fora das prisões há superávit de cidadãos honestos? Quantas vezes compramos produtos de origem duvidosa para sonegar impostos? Quantas vezes devolvemos o troco que o caixa do supermercado nos deu a mais? Quantos mecânicos de automóveis, técnicos de geladeiras, de televisão, máquinas de lavar, de computadores, ludibriam  para cobrar mais caro?
Quantas vezes estacionamos na vaga de idoso ou deficiente sem sermos um idoso ou deficiente? Quantos usam de sua autoridade para anular multas de trânsito? Quantos bebem alcoólicos e assumem a direção de veículo nas estradas? Não assombra que administradores se apropriem das verbas publicas, e que empresários demitam empregados para ter lucro máximo.
Em que pese a angústia coletiva da população brasileira, envolta atualmente pelo manto da conturbação, da ausência de justiça social, da descrença nas instituições do estado, é urgente a promoção de uma reforma de base moral generalizada. Mister se torna uma mudança visceral na cultura da desonestidade. Mudança de comportamento na base da massa popular que costumeiramente elege seus representantes a custa de negociata do próprio voto, dos legisladores que comercializam a honradez a fim de aprovar leis espúrias, dos juízes descompromissados com as vozes dos justos e dos (ir) responsáveis do (des) governo da administração estatal.
Nesse fatídico cenário é imperioso que se restabeleçam os valores da ética, da solidariedade, do amor e que se revitalize a reputação e o caráter de cada cidadão. Até porque a escassez de ética, sobretudo governamental que ora vigora no País, está fundada em valores (escusos), e se esvai através de um ethos compatível para vigorar, a saber: o cinismo ideológico das “autoridades” autoritárias que administram a nação, a inumanidade e as mentiras consentidas, o enriquecimento ilegítimo de alguns carismáticos líderes políticos.
Com os escândalos divulgados pelas mídias, constata-se um entrelaçamento crescente e preocupante da administração pública com as atividades delituosas, mediante um sistêmico processo de pressões, chantagens, tráfico de influência, intimidações e putrefações morais, com a prática do suborno e da propina, dentre outras falcatruas morais inimagináveis. "A violência urbana é reflexo natural dos que administram gabinetes luxuosos e desviam os valores que pertencem ao povo; que elaboram leis injustas, que apenas os favorecem; que esmagam os menos afortunados, utilizando-se de medidas especiais, de exceção, que os anulam; que exigem submissão das massas para que consigam o que lhes pertence de direito... produzindo o lixo moral e os desconsertos psicológicos, psíquicos, espirituais ".(3)
Nessa instável conjuntura, o cidadão de bem não pode conservar-se na inércia. Precisa reivindicar e batalhar pela rejeição da improbidade através do uso do voto consciencioso e dos exemplos de decoro. Não pode jamais esmorecer o ideal do bem. Precisa contrapor a institucionalização do mal que se faz através da arbitrariedade, da corrupção, da irresponsabilidade, da irracionalidade administrativa, da inversão dos valores morais.
Há os que desejam fazer do País a "casa-da-mãe-Joana", uma“terra de ninguém”. Nas atuais mobilizações populares assistimos atônitos os vândalos devastarem com selvageria os patrimônios públicos e privados. São seres dementes,avessos à civilidade, que acreditam não haver leis para regular suas sanhas criminosas. O País carrega uma história promíscua. A prática da rapinagem tem-se repetido através dos séculos nas plagas do Cruzeiro do Sul. Isso inspirou o Patriarca da Independência (José Bonifácio), reencarnado como Rui Barbosa (segundo o Espírito Humberto de Campos), a lançar o clamor de indignação ao deparar com todas as tramoias cometidas: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto." (4)
As estatísticas consagram ao Brasil a liderança do ranque dos Países campeões mundiais em corrupção, fazendo associação a determinados Países africanos em estágio primitivo. Que tipo de ambição exorbitante e estúpida está na base da deficiência de caráter capaz de olvidar todos os escrúpulos para com a consciência e arremessar-se tão sagazmente no cofre do Estado? Não somos o primeiro, o único ou o último a anunciar esse séquito de vícios, contudo a mídia, frequentemente, noticia e expõe tais fatos francamente execráveis e com grande repercussão.
Cumpre ao cidadão de bem afirmar a primazia da ética na inspeção da administração pública, por ser a instância fundante do valor dos preceitos da governabilidade: o interesse prioritário da população. E os governantes precisam “assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.”(5) Até porque a Carta Magna do País consigna que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos da Constituição”. (6)
A rigor, ser incorruptível requer dignidade e sobriedade. Ser honesto demanda disciplina moral e ética, afã para abater más tendências, diligência por não se consentir desabar na perdição das trapaças. Que nesses instantes históricos pelos quais estamos passando no Brasil, restabeleçam-se os valores da Ética Cristã e que se revitalize o mundo da honestidade. Até  por uma  questão muito clara, “não há mais lugar na cultura moderna para o absurdo de governos arbitrários, nem da aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos ou colocados em plano inferior”. (7)
 Muitos se interrogam no imo da consciência: Haverá futuro promissor para uma sociedade estruturada assim como a nossa? Pensamos que sim! Considerando pelo lado, digamos mais transcendente da questão, para apurar a estrutura social deste País, a tese de Humberto de Campo, contida no livro “Brasil coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, assegura um norte de esperança para todos nós. Creio que na “Pátria do Evangelho” estão sendo programadas reencarnações de almas nobres e sábias, e esse fato nos aponta para um futuro menos conturbado para as futuras gerações de brasileiros.
A prudência continua sendo a nossa melhor conselheira. Por questão de consciência ética, sabemos que um autêntico espírita tem que ser fiel aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõe e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, sobretudo para um cristão. Ou será que devemos reivindicar pedestais nos panteões terrenos por executarmos dignamente aquilo o que é nossa obrigação fazer?

Referências bibliográficas:
(1)            A Disney permite que visitantes em cadeira de rodas ou que se locomovam com veículos motorizados tenham acesso direto às atrações, junto com até seis membros de sua família. Mas o sistema, que foi implantado para benefício de pessoas com deficiência, está sendo comercializado de forma ilegal.
(2)            Disponível em  http://noticias.r7.com/internacional/familias-ricas-contratam-pessoas-com-deficiencia-para-escapar-das-longas-filas-na-disney-15052013 acesso em 23/06/13
(3)            FRANCO, Divaldo P. "Amor, imbatível amor". Pelo Espírito Joanna de Ângelis, 6ª ed. Salvador, BA: LEAL, 2000, p. 84
(4)            Disponível em http://www.casaruibarbosa.gov.br/scripts/scripts/rui/mostrafrasesrui.idc?CodFrase=883 acesso em 21/06/13
(5)            Constituição da República Federativa do Brasil /1988, Preâmbulo
(6)            Idem  Art. 1º, Parágrafo único
(7)            Franco Divaldo. Jornal A Tarde, de Salvador/Bahia, (http://atarde.uol.com.br/opiniao/materias/1512342-clamor-social-o-climax-e-a-indiferenca-dos-governantes). Acesso em 23/06/13