25 julho 2013

ENVELHECER É CONQUISTAR O SABER PELAS EXPERIÊNCIAS DIÁRIAS

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Não são raras as pessoas que têm aversão ao envelhecimento. Arriscam tudo para camuflarem a idade, seja através de cirurgias rejuvenescedoras (plásticas), seja injetando toxina botulínica (botox) e/ou demais artifícios. Cientistas de Cambridge dizem que até mesmo chocolate pode virar remédio “antivelhice”. (1) Segundo Pedro Paulo Monteiro, mestre em Gerontologia e autor dos livros "O Tempo Não Tem Idade" e "A Beleza do Corpo na Dinâmica do Envelhecer", a dificuldade em aceitar o envelhecimento é mais comum em mulheres. Segundo ele, o sexo feminino valorizara "enormemente" a estética. "Algumas mulheres têm medo de envelhecer, por que acreditam que ficarão feias, isoladas e sem atrativos. Isso não é verdade, pois existem várias pessoas que só começaram a ser felizes na velhice." (2)
Para muitas pessoas o envelhecer é uma tormenta avassaladora. Diante do espelho, entram em pânico notando a arruína da estética, músculos decaindo, pele afrouxando, enrugando a testa, enfraquecendo a psicomotricidade, submergindo o semblante, pesando as pálpebras e os olhos afundando nas tristezas do que veem.
Cremos que a decrepitude deveria ser encarada como venturosa pelo que contém de gratificante, mormente por causa das longas refregas das buscas e das realizações. Envelhecer é uma arte e uma ciência, se buscarmos rejuvenescer nossa alma. Há idosos que conquistaram a longevidade de forma sadia e feliz, contudo muitos estão largados nos asilos da vida, amargando suas enfermidades no isolamento. Há os que aceitam sua decrepitude sem rezingar e sem exigir nada dos outros; todavia igualmente indiferentes não oferecem nada a ninguém.
O tempo é inexorável e abençoado transformador de destinos. Muitas vezes não abrangemos os mistérios do tempo que se dissipa célere na vida terrena. Alguns envelhecem, e quase nada realizam nas instâncias do bem incondicional. Há, porém, aqueles que concretizam em si a vigorosa fé cristã, exercitando inteiramente o amor ao próximo. Abraham Lincoln dizia que não são os anos em sua vida que importam, mas a vida em seus anos. O pensador Alexis Carrel proferia frase semelhante, dizendo que o importante não é acrescentar anos à sua vida, mas vida aos seus anos. O médico alemão Harry Benjamin endossou as ideias de Lincoln e Carrel pronunciando: "não queira acrescentar dias à sua vida, mas vida aos seus dias.". Baseado nesses adágios, evocamos alguns personagens históricos que acrescentaram vidas a cada aniversário.
Os anos não passaram em vão na vida de David Livingstone, escritor de inesquecíveis contos literários que o projetaram no Século XIX ao lado de deuses da literatura mundial, a exemplo de Victor Hugo. David entoou os doces cânticos da Mensagem de Jesus para os nativos sul-africanos. Renunciou aos apelos da fama, abandonou a Escócia, sua terra natal, e juntou-se àquelas almas sofredoras, nascidas na mais dura dificuldade material na África.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Florence Nightingale, a ilustre "Dama da Lâmpada"; ela que vestiu a túnica da abnegação, afastando-se do convívio do esplendor inglês, a fim de adotar, voluntariamente, a penosa empreitada de socorrer as vítimas da Guerra da Criméia, no século XIX.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Jean Henrique Dunant, que inspirado nas virtudes da fundadora da primeira escola de enfermagem da Terra, escreveu o livro “Un Souvenir de Solferino”, publicado em 1862, em que sugeria a criação de grupos nacionais de ajuda para apoiar os feridos em situações de guerra, e propôs a criação de uma organização internacional que permitisse melhorar as condições de vida e prestar auxílio às vítimas da guerra. Em 1863, Dunant fundou a Cruz Vermelha Internacional, reconhecida, no ano seguinte, pela Convenção de Genebra.
Os anos não passaram em vão nos projetos de vida daquela que foi considerada uma das dez mulheres mais importantes dos Estados Unidos, no século XX. Referimo-nos a Hellen Keller, que teve de sobra coragem e determinação robusta para vencer suas limitações físicas, pois era surda, muda e cega de nascença. Contudo, um dia Keller conseguiu falar e soltou o verbo como ninguém. O vigor moral fez dela uma singular mulher, com grande projeção no cenário do mundo. Seu verbo infundia ao Homem a necessária reflexão sobre o quanto somos potencialmente ilimitados quando amamos o próximo.
Certa ocasião, o jornalista Harold Gibson disse: - "Por onde Miss Eartha andava, os famintos, os aflitos e os desamparados, de todas as idades, sentiam a sua presença compassiva e animadora.". Referia-se a Eartha Mary Magdalene White, uma verdadeira lenda no norte da Flórida, Estados Unidos. Os anos não passaram em vão nos projetos de vida de Magdalene White. Ela fundou uma Instituição de amparo ao negro americano. Desencarnou em 1974, com 95 anos de idade, deixando um segredo para vivermos a grande mensagem: - “Façam todo o bem que puderem, de todos os modos, em todos os lugares, para todas as pessoas, enquanto puderem.".
Eis aqui elencados alguns personagens reais da História que souberam envelhecer acrescentando vida aos anos de experiência física. Neste contexto, o idoso, ou a velhice, é a fase da vida em que se atinge a sabedoria, adquirida pela experiência cotidiana, mais do que pelo conhecimento. Conhecimento e sabedoria são distintos. O velho não é só sábio, mas é o sábio por excelência. Como tal deve ser reverenciado por toda a sociedade. O envelhecimento é a conquista da sabedoria pelas vivências cotidianas. Em verdade, cada instante que vivemos, cada minuto que se esvai, nos báratros do dia-a-dia, construímos o nosso destino e escrevemos com letras douradas, nas páginas da vida, os anos de experiência nos carreiros do amor que devotamos ao próximo.


Referência:
(1)               Disponível em http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/chocolate-pode-virar-remedio-antivelhice acesso em 24/07/13
(2)               Disponível em http://mulher.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2012/04/03/plasticas-exageradas-e-comportamento-imaturo-revelam-medo-desproporcional-de-envelhecer.htm acesso em 23/07/13

24 julho 2013

SOCIEDADE SEM RAÇAS - NUMA CONCISA COGITAÇÃO ESPÍRITA

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br
Para a ciência contemporânea o conceito de raça é abstrato e agressivo, pois raças humanas não existem como entes biológicos. É agressivo porque a concepção de raça tem sido usada para abonar discriminação, opressão e barbaridades. “As raças não existem, mas a mentalidade relativa às raças foi reproduzida socialmente”. (1) Do ponto de vista espírita, a percepção de que o homem possa (re) encarnar na condição de branco, negro, mulato ou índio, estabelece uma ruptura com o preconceito e a discriminação.
Infelizmente, ainda hoje na Grã-Bretanha adeptos do “neo-espiritualismo” recusam a tese da reencarnação, por não aceitarem a probabilidade de terem tido encarnações em posições inferiores quanto à raça e à condição social. Sob a ótica dos princípios espíritas, “apaga-se, naturalmente, toda a distinção estabelecida entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor”. (2) O Espiritismo não compactua, sob quaisquer pretextos, com ideologias que visem o apartheid étnico entre os grupos sociais.
A afirmação das raças biológicas multicoloridas tem sido cada vez mais rejeitada pela genética. Os pesquisadores descobriram que a natureza genética de todos nós é idêntica o bastante para que a mínima porcentagem de genes que se caracterizam na aparência física, cor da pele etc... invalide a composição da sociedade em raças. Isso porque o acanhado número de genes desiguais está comumente conectado à adequação do indivíduo ao tipo de meio ambiente em que vive.
Os brasileiros atualmente mostram-se, aparentemente, menos preconceituosos do que há duas décadas. Contudo, reconhecemos o preconceito no outro, mas não em nós mesmos. Ou, como já definiu a historiadora da USP, Lilia Moritz Schwarcz, “todo brasileiro se sente como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”. (3) É preocupante constatar que a ambivalência se mantém. Parece que os brasileiros jogam, cada vez mais, o preconceito para o outro. Eles são, mas eu não. Irrisão!
O pesquisador Sergio Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, atesta que a cor da pele, como socialmente percebida, tem pouca relevância biológica. “Cada brasileiro tem uma proporção individual única de ancestralidade ameríndia, europeia e africana”. (4) Para os geneticistas, “a conclusão de que a raça não está nos nossos genes pode ser mais uma ferramenta no combate ao racismo, já que corrige o erro histórico dos cientistas do passado”. (5)
A discussão é muito pertinente em um momento em que ações afirmativas fundamentadas em conceitos raciais, como a lei de cotas, surgem para tentar corrigir os problemas sociais ligados ao racismo. A Constituição do Brasil estabelece que “ninguém terá tratamento desigual perante a lei e o acesso ao ensino superior se dará por mérito”. (6) As cotas para negros nas universidades, desde sua implantação no Brasil, em 2002, têm dividido opiniões. Pouco mais da metade da população, ou melhor, 51%, são favoráveis à reserva de vagas para negros, mas, paradoxalmente, 86% defendem as cotas para pessoas pobres e de baixa renda, independentemente de raça.
O mapa estatístico retrata que 53% dos brasileiros creem que estabelecer cotas para negros é humilhá-los. Todavia, contraditoriamente, 62% concebem que elas são fundamentais para ampliar o acesso de toda a população à educação. Contudo, 62% dizem que essas cotas podem gerar atos de racismo. Em verdade, “a sobrevivência da ideia de raça é deletéria, por estar ligada à crença continuada de que os grupos humanos existem em uma escala de valor”. (7)
No bojo da literatura basilar da Terceira Revelação, Kardec ressalta que, “na reencarnação desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo Espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. Se, pois, a reencarnação funda numa lei da Natureza, o princípio da fraternidade universal também funda na mesma lei o da igualdade dos direitos sociais e, por conseguinte, o da liberdade”. (8)
Num artigo publicado na Revista Espírita, de abril de 1862, “Frenologia espiritualista e espírita – Perfectibilidade da raça negra” (9), Kardec faz uma espécie de releitura dessa “ciência”, com um enfoque espiritualista, demonstrando que o “atraso” dos negros (habitantes da África à época) não se deveria a causas biológicas, mas por seus espíritos encarnados ainda serem, relativamente, jovens.
Porém, sem dúvida alguma, o racismo brasileiro, ainda escamoteado e acobertado pelo mito da “democracia racial”, é um estigma, uma nódoa presente na mente dos brasileiros, e que faz parte do cotidiano de todos nós. Deus não concedeu superioridade natural aos homens, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante d’Ele, todos são iguais. Dessa forma, é mais do que lógico o próprio negro entender que somente ele poderá conquistar seu espaço nas diversas áreas do conhecimento. Ninguém fará por ele aquilo que deve ser feito para o seu próprio bem estar, e isso vale para todas as raças.
A verdade é que nos grandes debates de cunho sociológico, antropológico, filosófico, psicológico etc., o Espiritismo provocará a maior revolução histórica no pensamento humano, conforme está inscrito nas questões 798 e 799 de O Livro dos Espíritos, sobretudo quando ocupar o lugar que lhe é devido na cultura e conhecimento humanos, pois seus preceitos morais advertirão os homens da urgente solidariedade que os há de unir como irmãos, apontando, por sua vez, que o progresso intelecto-moral na vida de todos os Espíritos é lei universal e tendo por modelo Jesus, que, ante os olhos do homem, é o maior arquétipo da perfeição que um Espírito pode alcançar. (10)



Referências bibliográficas:

(1)            Disponível em  http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/ciencia-busca-explicacoes-sociais-e-biologicas-para-explicar-o-preconceito.htm acesso em 20/07/13
(2)            Kardec, Allan. Revista Espírita de abril de 1861 págs. 297-298
(3)            Disponível em http://zelmar.blogspot.com.br/2010/09/todo-brasileiro-se-sente-uma-ilha-de.html  aceso em 22/07/13
(4)            Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm acesso em 15/07/13
(5)            Disponível em http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2013/02/05/racas-humanas-nao-existem-como-entidades-biologicas-diz-geneticista.htm acesso  em 18/07/13
(6)            Constituição Federal, Editora Saraiva.
(7)            Sérgio Pena, autor do livro “Humanidade Sem Raças?” (Publifolha, 2008), da Série 21
(8)            Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2002, pág. 31
(9)            Publicado na Revista Espírita, artigo “Frenologia espiritualista e espírita – Perfectibilidade da raça negra”, de abril de 1862
(10)          Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Editora FEB, 2003, parte 3ª, q. 798 e 799, cap. VIII item VI – Influência do Espiritismo no Progresso.

SUELY CALDAS SCHUBERT – JORGE HESSEN E “APOMETRI

Suely Caldas Schubert
Suely Caldas Schubert  escreveu-nos:
Desejo falar sobre a apometria, esclarecendo que estamos no campo das idéias e jamais diminuindo aqueles que a estão adotando. Cada um é livre para fazer suas opções.
A apometria é mais uma prática surgida em nosso meio espírita que veio confundir e desviar os iniciantes, os que buscam novidades e, diria até, os invigilantes que se deixam envolver por tais idéias, que nada têm em comum com o Espiritismo..
Recomendo o artigo do nosso companheiro Jorge Hessen àqueles que desejem conhecer algumas das práticas antidoutrinárias adotadas pela apometria.
É oportuno recordarmos a importante advertência de Allan Kardec, conforme O Evangelho segundo o Espiritismo, na Introdução II , que a segurança do Espiritismo, com vistas ao futuro, deveria estar fundamentada no critério do controle universal do ensino dos Espíritos e a concordância que deve existir entre eles.
Também adverte que qualquer idéia nova que surja deve ser submetida ao crivo da razão, acrescentando, que se houver dúvida que se busque a opinião da maioria.
As práticas da apometria não têm base doutrinária em O Livro dos Médiuns, e nem nas obras consideradas fiéis à Codificação pelo critério da maioria absoluta dos espíritas, quais sejam as de André Luiz, Manoel Philomeno de Miranda, Eammanuel, Joanna de Ângelis, Camilo, e toda a obra mediúnica de Yvonne A. Pereira, isto só para falar nos autores espirituais.
A apometria, portanto, não é Espiritismo.
Suely Caldas Schubert

17 julho 2013

EM SUMA: TUDO SÃO CELAS, CADEIAS, PRESÍDIOS, CÁRCERES, EXOVIAS, CALABOUÇOS, XADREZES, XILINDRÓS, PRISÕES ETC ...


Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

Maquiavel já dizia que o caminho para o inferno é pavimentado de boas intenções. Na Holanda, a secretária de Estado da Justiça, Nebahat Albayrak, anunciou o intuito do encerramento de oito prisões (para alguns são hotéis de grande luxo, super equipados). O encerramento provocará a supressão de 1.200 empregos. Atualmente, o sistema penitenciário conta com 14.000 celas, o que já não corresponde às necessidades reais, de “apenas” 12.000 cubículos penitenciários. O fechamento dos xilindrós será por falta de “delinquentes” (falta de delinquentes?????) Os holandeses garantem que a “diminuição” da taxa de criminalidade se deve à utilização de tornozeleiras com rastreadores em substituição à cadeia.
Há 5 anos a imprensa internacional noticiou que a “redução” da criminalidade na Holanda levou o governo a anunciar o fechamento das unidades prisionais, pois sob o guante  da lei de “mercado” a baixa oferta de bandidos provoca a pouca procura de carcereiros. Para evitar demissões dos agentes carcerários está sendo estudada a possibilidade de importação de 500 marginais da Bélgica, a fim de manter um contingente “mínimo” nas enxovias. (1)
É um paradoxo tal situação. Será plausível os holandeses ensinarem virtudes ao mundo? Na Holanda o comércio e consumo de drogas é praticamente livre. Amsterdã é uma das mais apetitosas rotas mundiais do tráfico de drogas. A circulação e o comércio de drogas são considerados legítimos por lá; por isso, os traficantes, que deveriam estar encarcerados, permanecem livres, leves e soltos e, pior, sem tornezeleiras, o que esclarece, em boa paródia, a “carência” de criminosos na terra de Maurício de Nassau.
No Brasil, segundo o Ministério da Justiça, há 514 mil presos e 306 mil vagas em todo o sistema carcerário. Resultado: superlotação. Diz-se que os presídios no “país  do futebol” são medievais e escolas do crime. Quem entra em um presídio como pequeno delinquente muitas vezes sai como membro de uma organização criminosa para praticar grandes delitos. Há tempos se fala na humanização no sistema carcerário brasileiro, em face de sua falência. Hoje há prisões em péssimas condições, agentes desqualificados, Leis esparsas etc. A somatória de todos estes fatores contribui para a reincidência do reeducando.
Muitos afirmam que a Lei Penal brasileira é pusilânime. Mas cremos que o desígnio da lei não é punir puramente, entretanto igualmente possibilitar a recuperação do indivíduo. “Em verdade vos digo – todas as vezes que faltastes com a assistência a um destes mais pequenos, deixastes de tê-la para comigo mesmo”. (2) Para os especialistas do assunto, a pena é uma resposta estatal punitiva contra um determinado crime e deve ser proporcional à extensão do dano, jamais poderá violar a dignidade humana, pois estaria reparando um erro com outro erro. A punição por si só não muda o comportamento transgressor do ser humano socialmente opresso; é preciso reeducá-lo para que possa compreender a importância da liberdade. A ausência de políticas públicas com objetivo de reintegrar o preso à sociedade inviabiliza qualquer possibilidade de reabilitação quando este torna-se egresso do sistema prisional.
Todos os seres humanos que erraram devem ter oportunidade de recompor-se. Para tanto, a sociedade e o governo lhes devem condições dignas. Até mesmo os presos tidos por “irrecuperáveis” foram e são vítimas do sistema. A sociedade precisa ser transformada. Esse conjunto de fatores dificulta uma necessária, providencial e humanitária reinserção do detento no mercado de trabalho, e consequentemente ao convívio social.
Os Benfeitores Espirituais nos instruem que devemos “amar os criminosos como criaturas que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se se arrependerem, como também a nós, pelas faltas que cometemos contra sua Lei”. (3) Muitas vezes somos “mais repreensíveis, mais culpados do que aqueles a quem negamos perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como O conhecemos, e muito menos lhes será pedido do que a nós”. (4)
Por várias razões, não podemos nem devemos julgar nenhuma pessoa, porquanto “o juízo que proferirmos ainda mais severamente nos será aplicado e precisamos de indulgência para as iniquidades em que sem cessar incorremos. Não podemos ignorar que há muitas ações que são crimes ante os ditames da Lei de Deus e que o mundo nem sequer como faltas leves considera”. (5)
Nas prisões, a reeducação deverá ser feita por meio da implantação de frentes de trabalho para profissionalização, e não apenas para tirar apenados da ociosidade, mas também abrindo segura perspectiva de integração futura na sociedade. Sabemos que existem grupos de religiosos que vêm desenvolvendo projetos que visam a recuperação do preso, por intermédio de uma efetiva coordenação de visitas permanentes aos presídios. Palestras de valorização humana, divulgação doutrinária, instituição de voluntários padrinhos, contato com parentes, distribuição de cestas básicas para familiares dos recuperandos. Estes são alguns dos métodos levados a efeito por alguns grupos de visita, para a materialização do aumento do índice de recuperação dos internos nos presídios no Brasil.
Em suma, diante dos criminosos devemos “observar o nosso modelo: Jesus. Que diria Ele, se visse junto de si um desses desgraçados? Lamentá-lo-ia; considerá-lo-ia um doente bem digno de piedade; estender-lhe-ia a mão. Em realidade, se não podemos fazer o mesmo, podemos pelo menos orar pelos criminosos. Podem eles ser tocados de arrependimento, se orarmos com fé”. (6)



Referências bibliográficas:
(1)           Disponível em  http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2013/06/governo-holandes-estuda-fechar-prisoes-devido-falta-de-criminosos.html acesso em 14/07/13
(2)           Mt 25:31-46
(3)           Kardec, Allan . O Evangelho Segundo O  Espiritismo. Cap. XI “Amar o próximo como a si mesmo – Caridade para com os criminosos”, RJ: Ed FEB, 1990
(4)           Idem
(5)           Idem
(6)           Idem