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  • domingo, 14 de junho de 2009

    ACIMA DE TODAS AS VERDADES ASTROLÓGICAS, TEMOS O EVANGELHO


    Em 2008 a China foi penitenciada por uma série de catástrofes naturais e agitada pelos violentos protestos no Tibete (rincão do Dalai Lama). Depois, ocorreu  catastrófico terremoto de 7,9 graus na escala Richter, em Sichuan. Alguns  explicaram tais  acontecimentos com base na astrologia chinesa, um sistema tradicional desenvolvido há milhares de anos. Segundo essa crença, 2008 foi o Ano do Rato. O povo chinês crê, fervorosamente, na astrologia dos animais. Difunde-se que o cavalo entra em choque com o rato. Isso é uma coisa muito comum, bastante conhecida do povo chinês. Portanto, se alguém nasce no Ano do Cavalo, por causa desse conflito, o Ano do Rato será muito turbulento para esse alguém. Acredita-se, ainda, que existe remédio para isso, bastando que as pessoas carreguem consigo um pingente de boi para amenizar os problemas, uma vez que o boi é visto como um amigo do rato. (!...)
    Não vamos censurar as práticas das culturas estranhas às nossas, pois que devemos, obviamente, respeitá-las, mas cabe-nos reflexões necessárias, sob a bandeira Espírita, a questão da Astrologia. Nosso ponto de partida é o lembrete do Espírito Emmanuel:  "As antigas assertivas astrológicas têm sua razão de ser. O campo magnético e as conjunções dos planetas influenciam no complexo celular do homem físico, em sua formação orgânica e em seu nascimento na Terra; porém, a existência planetária é sinônimo de luta. Se as influências astrais não favorecem a determinadas criaturas, urge que estas lutem contra os elementos perturbadores, porque, acima de todas as verdades astrológicas, temos o Evangelho, e o Evangelho nos ensina que cada qual receberá por suas obras, achando-se cada homem sob as influências que merece."(1)
    A Astrologia é, na sua origem, um sistema de pensamento e de crenças usado para explicar acontecimentos comuns e comportamentos humanos. Influenciava o homem, assim como os deuses ou as forças sobrenaturais, na ordenação do Mundo e do Universo. A respeito dessa crença, sabemos não ter qualquer base científica, nada havendo em relação aos próprios astros: sua massa, tamanho, distância, intensidade magnética ou eletromagnética, movimento, gravidade etc. A Astrologia é baseada, exclusivamente, em figuras imaginadas e mitológicas que envolvem o nome de alguns objetos celestes, que os astrólogos escolhem a bel-prazer, sem qualquer critério ou fundamento lógico. Senão, vejamos: as constelações, por exemplo, resultam do desenho que o agrupamento de estrelas forma no céu, como: Leão, Virgem, etc., mas, se nos fosse possível uma significativa aproximação com essas constelações, não mais seria a mesma a forma desses grupos estelares, e uma nova configuração se nos desenharia à vista.
    Como se não bastasse, há a questão da precessão dos equinócios, que ocasiona outra mudança: a que se opera na posição dos signos do zodíaco. No percurso de translação da Terra, ao redor do Sol, em um ano, ela se encontra, a cada mês, diante de uma constelação. Estas são em número de doze, a saber: o Carneiro, o Touro, os Gêmeos, o Câncer, o Leão, a Virgem, a Balança, o Escorpião, o Sagitário, o Capricórnio, o Aquário, os Peixes. São chamadas constelações zodiacais, ou signos do zodíaco, e formam um círculo no plano do equador terrestre. Conforme o mês do nascimento de um indivíduo, dizia-se que ele nascera sob tal ou tal signo; daí os prognósticos da Astrologia. Porém, em virtude da precessão dos equinócios, os meses já não correspondem às mesmas constelações. Um indivíduo que nasça no mês de julho já não está no signo de Leão, porém no de Câncer. Cai por terra, assim, a ideia supersticiosa da influência dos signos.!" (2)
    A propósito, Kardec ainda explica que a "-Astrologia se apoiava na posição e no movimento dos astros, que ela estudara; mas, na ignorância das verdadeiras leis que regem o mecanismo do Universo, os astros eram, para o vulgo, seres misteriosos, que a superstição atribuía uma influência moral e um sentido revelador. Quando Galileu, Newton e Kepler tornaram conhecidas essas leis, quando o telescópio rasgou o véu e mergulhou nas profundezas do espaço um olhar que algumas criaturas acharam indiscreto, os planetas apareceram como simples mundos semelhantes ao nosso e todo o castelo do maravilhoso desmoronou." (3)
    Portanto, para os espíritas, a Astrologia não tem qualquer fundamento lógico quanto à influência dos astros sobre o destino dos homens. No que pese o acatamento respeitoso que merecem os estudos astrológicos, sabemos, no entanto, que, dentro do nosso zimbório celestial e da conjunção dos astros, quem nasce sob esta ou aquela ação magnética por eles emanada, pode até sofrer certas influências psicofísicas e comportamentais, mas sem que isso modifique o seu destino, que é traçado pelas nossas ações e reações do pretérito. Isso, porque, alguém que nascesse fortuitamente dentro de uma conjunção astrológica favorável, estaria ludibriando as Leis de Deus. André Luiz nos acalenta, sobre essa questão, da seguinte forma: "Jamais impressionar-se com prognósticos astrológicos desfavoráveis, na certeza de que, se as influências inclinam, a nossa vontade é força determinante." (4) O Mestre de Lyon questiona os Benfeitores se "- Há pessoas que uma fatalidade parece perseguir independentemente de sua maneira de agir; a infelicidade não está no seu destino?" Os Espíritos ensinam-lhe que "- Pode ser que sejam provas que elas devem suportar e que escolheram. Mas, ainda uma vez, levais à conta do destino o que não é, o mais frequentemente, senão a consequência de vossa própria falta. Nos males que te afligem, esforça-te para que a tua consciência seja pura, e serás consolado em parte." (5)
    Admitir que o indivíduo pudesse ser brando ou violento, ter vocação para o estudo ou odiar livros, ser trabalhador ou preguiçoso, por influência astrológica, é algo muitíssimo estranho. Poderia ter sido um criminoso, um desequilibrado qualquer, na encarnação anterior... Por uma injunção casual, renasce agora, dentro de um bom aspecto planetário, para gozar, então, de uma felicidade que o justo não tem?! Isto seria uma aberração nos Estatutos da Lei de Deus. Os astros não governam nossa vida. Somente quem está sempre aberto a aquiescer ilusões sobre os mistérios do destino humano, acredita nisso. Há pessoas tão criativas, que até leem o futuro dos outros na borra do café e, lógico, que muitos ganham dinheiro, apostando na ingenuidade humana, não há a menor dúvida.
    Sabemos que há muitos psiquiatras, psicanalistas, psicólogos, astrólogos, esotéricos e aproveitadores de toda sorte, que enriquecem a custa da infelicidade alheia, da depressão do próximo. Existe todo tipo de comprimidos: pílulas para dor de dente, dor cabeça, para emagrecimento, para distúrbios do sono (benzodiazepínicos), calmantes (ansiolíticos), excitantes, etc. Faz-se propaganda dos comprimidos como se eles pudessem resolver tudo. Em verdade, quando não entendemos o verdadeiro amor, ficamos procurando, nos labirintos da ilusão, uma fórmula mágica para a felicidade. O Mundo exige que as pessoas estejam, permanentemente, alegres e, por isso, ele se tornou o paraíso das drogas e do Prozac ou, ainda, das ilusões dos horóscopos.
    Repetimos: a influência dos astros existe, somente, no complexo celular do homem físico, ou seja, não existe influência no caráter ou no destino do homem, mas somente no físico. Quanto a essa influência, ninguém poderá negar. Se fizermos uma pesquisa, fatalmente, iremos comprovar que nas noites de Lua cheia, ocorre um maior número de partos nos animais, aí também incluímos o homem (animal racional). A influência da lua nas marés é outro exemplo que citamos. Os astros, pelas energias que emitem, inegavelmente, exercem influência uns sobre outros. Na Terra, via de consequência, determinados fenômenos naturais e determinadas matérias absorvem, igualmente, as tais radiações de energia. A nossa maneira de ser, o nosso caráter e o nosso destino são frutos de nossas aquisições ou ações pretéritas, ou seja, recebemos influências de nós mesmos ou, no máximo, de um ser humano para outro, mas, jamais, dos astros.
    Ratificando este texto, no livro A Gênese, capítulo 7, Allan Kardec destaca a impropriedade da Astrologia, abordando fatos científicos, (6) mas a pá de cal sobre o assunto está na questão 867, (7) de O Livro dos Espíritos. Pergunta o Codificador: "-Donde vem a expressão: Nascer sob uma boa estrela?" Respondem os espíritos mentores, incisivamente: "- Antiga superstição, que prendia às estrelas os destinos dos homens. Alegoria que algumas pessoas fazem a tolice de tomar ao pé da letra."
    O que propomos, nestes arrazoados, passa longe de deliberado reproche aos que acreditam em Astrologia, pois é nosso dever cristão que nos respeitemos, uns aos outros e, se hoje já encontramos a luz da Terceira Revelação, muitos a encontrarão, também, no amanhã.
    Jorge Hessen

    Referências bibliográficas:
    1 Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001 questão n.º 140
    2 Kardec, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 1991
    3 Idem
    4 Vieira, Waldo. Conduta Espírita, 21ª edição, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, capítulo intitulado "PERANTE AS REVELAÇÕES DO PASSADO E DO FUTURO"
    5 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 1991, questão 852
    6 Kardec, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 1991, capítulo 7
    7 Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 1991, questão 867

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