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  • sábado, 13 de junho de 2009

    DESARMAMENTO, PROJETO DE PAZ SOCIAL



    "Haveis aprendido o que foi dito aos Antigos: Vós não matareis, e todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Mas eu vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento; que aquele que disser a seu irmão Racca, merecerá ser condenado pelo conselho; e que aquele que lhe disser: Vós sois louco, merecerá ser condenado ao fogo do inferno".(1) Allan Kardec admoesta que por essas máximas, Jesus faz da doçura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei: condena, por conseguinte, a violência, a cólera e mesmo toda expressão descortês com respeito ao semelhante.(2) 
    A Câmara Federal aprovou dia 06/jul/2005 o Projeto de Decreto Legislativo 1274/04, que autoriza a realização de referendo sobre a comercialização de armas de fogo a civis em todo o território nacional. Para quem não sabe, o referendo público é o endosso da população a uma decisão que precisa ser tomada, no caso sobre a comercialização de armas. A consulta vai ocorrer no primeiro domingo do mês de outubro do corrente ano.(3)Seria o desarmamento da população a solução para a redução da criminalidade no país? 
    Alguns dos mais variados setores da sociedade defendem a manutenção do comércio legal de armas de fogo aos cidadãos que necessitarem, por algum motivo, justificando que todos têm direitos a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc. Os defensores dessa tese criticam os diversos projetos de lei, em trâmite no Congresso Nacional, que visam à proibição total do comércio legal de armas de fogo no país. Entretanto, uma pesquisa de opinião revela que muita gente é a favor da proibição da venda de armas de fogo para civis no País. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasmarket a pedido do jornal Diário do Grande ABC mostrou que, se o referendo fosse realizado hoje, 81,6% da população da região do ABC de São Paulo votaria pelo fim da comercialização de armas.(4)André Luiz em Conduta Espírita avisa: Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. 
    Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranqüila, a fortaleza inatacável.(5)A maior influência maléfica identificada no homem contemporâneo é a angustia social, provocada pela estratificação de classes. Nela deparamos desde o miserável ao abastardo, criando uma subdivisão da raça humana. E muitas dessas distorções sociais provocam uma instabilidade psíquica ou uma incompletude emocional do ser pensante. Cremos que a criminalidade tem seus fulcros na desigualdade social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, de modo destacado, na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem de forma decisiva para o aumento do crime. 
    Consterna-nos saber que o Brasil é um dos líderes mundiais em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo, destarte, a sociedade clama por soluções efetivas para o problema da violência urbana. E, por forte razão, cremos que ser falsa a segurança oferecida pelas armas, especialmente considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida doméstica do cidadão de bem.Percebemos a rejeição que sofrem os excluídos sociais em face da ganância ao dinheiro que tem atingido patamares inimagináveis. Estarrece-nos a voracidade da busca do sexo onde são remetidos os atormentados nos pântanos da indigência moral. A cada dia sucumbem muitos jovens e adolescentes, que são comercializados para o mercado do tráfico de armas, algemados nos ambientes regados por alucinógenos e profunda violência, onde são perpertrados crimes inconcebíveis sob o estímulo da miséria moral e da obsessão . Atualmente muitas pessoas hesitam em sair nas ruas por causa dos assaltos e seqüestros relâmpagos que têm ocorrido a todo instante. 
    Muitos vivem sob o guante da síndrome das balas perdidas.São momentos de inquietudes e instabilidade geral, só no Brasil existem entre 15 a 30 milhões de pessoas com transtornos mentais, com neuroses e índices acentuados de demência e várias psicoses.Os animais irracionais, ainda que bípedes e mamíferos, somente atacam para saciar fome ou manterem-se vivos, sempre em estado de defesa, e na maioria das vezes para preservação de sua própria espécie. Não existem dados científicos demonstrando que os animais irracionais em algum momento tenham tentado a autodestruição, como ocorre na raça humana. 
    Alguns definem o homem como um autômato, uma maquina, composto de engrenagens complexas, dinâmicas, harmoniosa e que pode ao mesmo tempo ser contraditório. Essa contraditoriedade pode remeter o homem a fugir dos padrões sociais e arrojá-lo numa alienação.(6)Os espíritas cônscios acreditam, obviamente, que uma das soluções para a criminalidade seria a proibição da venda de armas de fogo em todo o território nacional, ressalvada a aquisição pelos órgãos de segurança pública federal e estadual, municipal e pelas empresas de segurança privada regularmente constituída, na forma prevista em Lei. 
    A Pátria do Evangelho é grande produtora de armas (contrastando com o compromisso espiritual) por isso cremos que proibir sua comercialização no mercado interno é prática inadiável, porque o problema seria atacado diretamente em sua origem.(7) 
    Cremos ser o investimento de recursos em armamentos inútil e desnecessário.Para alguns observadores a delinqüência, a perversidade e a violência fluem, abundantes, dos campos das guerras sujas e cruéis, engendradas pela necessidade da moderna tecnologia em libertar os países superdesenvolvidos do excesso de armamentos bélicos e dos equipamentos militares ultrapassados. Contrariamente, o desarmamento geral será uma prática de eficiência administrativa sem prejuízo algum, pois haverá desinteresse em conflitos internos e externos devido à possibilidade da convivência amigável em comunidade local ou global, implementado inclusive pela competitividade saudável no trabalho, mas com respeito ao semelhante.Contudo, também não somos tão ingênuos de pensarmos que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema. Sabemos que a arma pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos e isto só se consegue pela prática do amor e da fraternidade. 
    As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são bem-vindas e necessárias, mas muito melhor será quando todos souberem amar e fazer ao próximo o que desejaria que lhe fizessem, pelo menos respeitar seus direitos, sobretudo o mais fundamental como o direito à vida e nesse contexto o ensinamento espírita em seu arcabouço filosófico e religioso ou ético-moral é o instrumento por excelência decisivo na transformação social.Nesse panorama a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas como um dia penetrou, no desprendimento de Vicente de Paulo, na majestosa solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Chico de Assis na suprema dedicação de Teresa de Calcutá, na humildade de Chico Xavier e na não-violência de Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma da Índia.O homem iluminado interiormente pela flama cristã da certeza quanto à sobrevivência do Espírito ao túmulo e da sua antecedência ao berço, sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva, retificadora.(8) 
    Para a mudança da panorâmica social, necessitamos alimentar a compaixão sem pieguismos, cultivar generosidade que começa na arte de doar coisas para culminar no dom de doar-nos ao próximo. Fazer alguma coisa boa que ninguém saiba a favor de um inimigo. Aprendermos a orar e meditar e na conseqüência soltarmos o estóico clamor como nas palavras de Paulo aos gálatas "eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim" (9) expressando nossa adesão total ao projeto de Jesus pala paz.

    Jorge Hessen
    E-Mail: jorgehessen@gmail.com 
    Site: http://http//jorgehessen.net 

    FONTES:1- Mateus, 21 e 22.2- Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, cap. IX.3- Está em vigor desde o dia 23 de dezembro de 2003 a lei de Nº 10.826, que regulamenta o porte de armas no país. A partir daí foi dado um prazo, até dia 20 de setembro de 2004, para que as pessoas entregassem à arma para autoridade competente ou registrasse, conforme determina a lei.4- A pesquisa entrevistou 2.509 pessoas em sete municípios, entre os dias 28 e 30 de junho de 20055- Vieira, Waldo. Conduta Espírita, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2003, cap. 18.6- Fuga da própria realidade. Pode ser definida como uma vivência no imaginário. O imaginário se torna uma realidade para o alienado, porém esta é distorcida da verdadeira realidade.7- Hoje, no Brasil, existem três empresas fabricantes de armas de fogo de onde grande parte de sua produção é destinada à exportação.8- (Após a Tempestade, psicografia de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Ângelis), disponível em> http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/violencia/delinquencia-perversidade.html>acesso em 06 de agosto de 20059- Gl 2:20

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