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  • sábado, 13 de junho de 2009

    DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO (!) PRA QUÊ?


    Para a euforia de alguns? Afinal, foi aprovado, na Câmara dos Deputados, em caráter conclusivo, o Projeto de Lei nº 291, de 2007, de autoria da Deputada Gorete Pereira (PR-CE), que "dispõe sobre a criação do Dia Nacional do Espiritismo"(!), sem força de feriado, dispensando, portanto, os que tributam culto a outras religiões, da obrigatoriedade quanto à homenagear Kardec com os que professam e praticam a doutrina espírita. (ufa!!). A febre de dias comemorativos ao Espiritismo já começou a se espalhar pelos estados: O projeto apresentado pela deputada Iraê Lucena, que propôs a criação de 18 de abril como Dia Estadual do Espírita, já se transformou em Lei, sancionada pelo governador Cássio Cunha Lima. Com isso, fica instituída a data no Calendário Oficial do Estado da Paraíba, conforme Lei nº 8.251, de 20 de junho 2007, publicada no Diário Oficial do Estado, em 21 de junho de 2007, aponta para a direção dos festivais de datas comemorativas que estão por vir.
    Diante dos fatos consumados, resta-nos indagar: o Espiritismo precisa ser comemorado "com mais liberdade" num dia específico, por força de um projeto de lei? Argumenta-se que, em face do projeto, o Espiritismo não mais será alvo de "perseguições", como aconteceu em recuadas épocas. Mas, antes de qualquer consideração sobre o assunto (projeto-de-lei), estranho e desnecessário aos objetivos doutrinários, teceremos breves comentários sobre o Parlamento brasileiro. No Congresso Nacional, entre 1999 e 2007, mais de 30 proposições foram aprovadas, criando datas comemorativas. Na atual legislatura, outros 30 projetos foram apresentados com essa finalidade.(1) Enquanto as reformas essenciais se arrastam há alguns anos, os parlamentares demonstram inimagináveis arroubos de criatividade, quando o tema é a aprovação de datas memoráveis.
    Não é de hoje que a instituição de datas tem grande apelo entre os parlamentares brasileiros. Para se ter uma opaca idéia, eis algumas datas propostas, e muitas já aprovadas: "Dia Nacional do Frevo" - "Dia Nacional de Reflexão do Cantando as Diferenças" - "Dia Nacional do Ciclista" - "Dia da Televisão"- "Dia Nacional do Líder Comunitário" - "Dia Nacional do Forró" - "Dia Nacional do Poeta" - "Dia Nacional do Despachante Documentalista" - "Dia Nacional do Guarda Municipal" - "Dia Nacional do Doador Voluntário de Medula Óssea", e assim vai o trem das comemorações sobre os trilhos da insensatez, nas plagas do Cruzeiro do Sul.
    Em pesquisa feita no Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados, verificamos que, no interregno de 1999 a 2007, os deputados aprovaram 609 projetos de lei e projetos de lei complementar. Desse total, 337 foram apresentados por parlamentares, 218 pelo governo e 54 por outros órgãos. Dentre os projetos aprovados no período, de autoria dos parlamentares, cerca de 10% tratam da instituição de dias comemorativos no calendário nacional. Muitas das propostas (perdem o sentido) chegam a ser curiosas, ou mesmo exóticas, por isso, são arquivadas. Vejamos algumas pérolas: No segundo mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), os exemplos de criatividade foram muitos. Havia projetos para a instituição do "Dia Nacional da Umbanda", "Dia da Inovação", "Dia do Cozinheiro", "Dia Nacional do Taxista", "Dia da Legalidade", "Dia Nacional do Prefeito", "Dia do Presidente da República", "Dia Nacional da Reflexão Política" e "Dia Nacional do Perdão".
    E as pérolas continuaram cultivadas no primeiro mandato do Presidente Lula (2003-2006), pois havia projetos, propondo o "Dia Nacional da Verdade", "Dia da Esperança", "Dia Nacional da Gratidão", "Dia Nacional da Caridade", "Dia do Sono", "Dia Nacional do Macarrão", "Dia Nacional do Pescador", "Dia Nacional do Teste do Pezinho", "Dia Nacional da Voz" e "Dia Nacional da Capoeira".
    É verdade que o Brasil é a maior nação espírita da atualidade; que a Doutrina atende de maneira especial à demanda de milhões de brasileiros, ávidos por respostas às suas dúvidas e anseios espirituais, Que o Espiritismo é responsável por inúmeras obras de assistência social que, reconhecidamente, auxiliam inúmeras comunidades carentes em todo o País, é a pura verdade, sim, mas e daí?
    Cremos que o centro espírita, ao invés de ficar comemorando e/ou, idolatrando nomes e datas festivas, tem que funcionar como um pronto-socorro espiritual, em favor das almas em desalinho, e, não, uma escola de fantasias e ilusões. O Centro tem que estar preparado para acolher um grupo cada vez mais numeroso de curiosos e de pessoas instáveis, aguilhoadas nas algemas de suas próprias defecções morais, e que estão nos abismos obscuros da ignorância.
    Quanto aos defensores da idéia do "Dia Nacional do Espiritismo", sabemos não ser fácil adentrarmos em suas mentes cristalizadas em bases de verdades indiscutíveis, mas nada obsta que lhes despertemos a consciência, quanto ao que já temos escrito ao público. O Espiritismo nos traz uma nova ordem religiosa, que precisa ser preservada. É a resposta sábia dos Céus às indagações íntimas da criatura aflita na Terra, conduzindo-a ao encontro do Criador. Por essa razão, devemos protegê-lo da presunção dos empolgados reformadores, com suas propostas ligeiras e inócuas, uma vez que o ignoram, (o Espiritismo) e apenas fazem parte dos grupos, onde os absurdos são apresentados.
    Destarte, constitui dever, de todos nós, refletir sobre o seguinte: se abraçamos o Espiritismo, por ideal cristão, não podemos lhe negar fidelidade. Até, porque, o legado da tolerância não se consubstancia na omissão da obrigatória advertência verbal, diante às enxertias de práticas bizarras e, obviamente, anômalas, que alguns companheiros intentam impor no seio do Movimento Espírita.
    Temos aprendido a rechaçar da alma as atitudes extremas, mas não podemos abrir mão da vigilância exigida pela pulcritude dos postulados espíritas. Até, porque, certos espíritas sentem uma atração incontrolável por "novidades", por invigilância e falta de espírito crítico, que tornam a seara vulnerável às deturpações. Por isso, não hesitemos, pois, quando a situação se impõe, e estejamos em alerta sobre a fidelidade que devemos a Kardec e a Jesus. É importante não esquecermos de que nas "insignificantes" concessões vamos desintegrando o edifício do excelso projeto da Terceira Revelação.
    Preservar o Espiritismo, conforme o herdamos de Allan Kardec, é obrigação nossa, mantendo-lhe a clareza dos ensinos, a limpidez dos seus conteúdos, não permitindo que se lhe instalem práticas estranhas e perniciosas, que confundem os invigilantes e os menos conhecedores das obras básicas. Os Benfeitores alertam, ensinando-nos que os princípios espíritas produzem júbilos internos e não algazarra exterior. Não é certo que nos transformemos em profitentes insensatos, no trato com as questões espirituais.
    Preservar, portanto, a pureza e a seriedade da Doutrina no Movimento Espírita é dever que nos compete a todos e, particularmente, ao Conselho Federativo Nacional, através das Entidades Federadas. Estejamos atentos, pois!
    É verdade que o Espiritismo vem bem de saúde, desde 1857, não inspirando remédio específico, mas, o movimento espírita (principalmente, aqui, na "Pátria do Evangelho"), com o corpo infectado por diversos microorganismos patogênicos, é um paciente que padece de infecções gravíssimas. Apesar de, ainda, não ter sido encaminhado a uma "U.T.I", este será o seu futuro endereço, a menos que vozes conscientes e responsáveis ecoem a longas distâncias, em sinal de alerta, pois "quem avisa, amigo é"! Recordando que "o futuro do Espiritismo depende do que os espíritas fizerem dele!", se os espíritas brasileiros desperdiçarem a oportunidade, ímpar, da prática evangélica sob á ótica kardeciana, enquanto há tempo, a Espiritualidade, indubitavelmente, transferirá "O Consolador Prometido" para outro lugar do Orbe, onde ele prosseguirá, com os homens, sem os homens e apesar dos homens.






    Jorge Hessen
    E-Mail: jorgehessen@gmail.com
    Site: http://jorgehessen.net

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