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  • domingo, 14 de junho de 2009

    DISSE JESUS: “NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS, SE NÃO NASCER DE NOVO”1 (Jorge Hessen)


    Jorge Hessen
    Gregory Robert Smith é um norte-americano cuja genialidade surpreende o Mundo, até mesmo, quando comparado a outros prodígios. Ele poderia ter sido um pré-adolescente comum, não fosse o enorme potencial de sua inteligência, sobrepondo, e muito, a média apresentada pelo "quociente de inteligência" dos jovens de sua idade. Com, apenas, um ano e dois meses de idade, resolvia problemas simples de álgebra e, aos 13 anos, graduou-se em Matemática, pela Randolp-Marcon College, em Washington. É presidente de uma Fundação, a Youth Advocates, dedicada à defesa de jovens carentes; já esteve com Bill Clinton, Michail Gorbachev e a Rainha Noor, da Jordânia, discutindo o futuro da Humanidade e, em 2002, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz.
    Gregory tem Q.I. muito acima de 200 e pertence a uma classe de superdotados que representam, apenas, 0,1% da população mundial. Da estirpe dele, somente Wolfgang Amadeus Mozart, que, aos dois anos de idade, já executava, com facilidade, diversas peças para piano; dominava três idiomas (alemão, francês e latim) aos três anos; tirava sons maviosos do violino aos quatro anos; apresentou-se ao público pela primeira vez e já compunha minuetos aos cinco anos; e escreveu sua primeira ópera, La finta semplice, em 1768, aos doze anos. John Stuart Mill aprendeu o alfabeto grego aos três anos de idade. Dante Alighieri dedicou, aos nove anos, um soneto a Beatriz. Goethe sabia escrever em diversas línguas antes da idade de dez anos. Victor Hugo,   um dos maiores gênio literatos da França, escreveu poesias com quinze anos de idade. Pascal, aos doze anos, sem livros e sem mestres, demonstrou trinta e duas proposições de geometria, do I Livro de Euclides; aos dezesseis anos, escreveu "Tratado sobre as cônicas" e, logo adiante, escreveu obras de Física e de Matemática. Miguel Ângelo, com a idade de oito anos, foi dispensado das aulas de escultura pelo seu professor, que nada mais havia a ensinar. Allan Kardec, examinando a questão da genialidade, perguntou aos Benfeitores: - Como entender esse fenômeno? Eles, então, responderam que eram "lembranças do passado; progresso anterior da alma(...)" (2)
    Gregory começou a falar com, apenas, dois meses de idade. Quando completou um ano, já memorizava o conteúdo de livros volumosos - tinha na cabeça a coleção inteira de Júlio Verne. Aos cinco, terminou o colegial e era capaz de dissecar tudo sobre a Terra, desde a pré-história, até os dias atuais. Virou estrela: capa do The Times Magazine, manchete do New York Times e do Washington Post. Foi sabatinado por David Letterman e Oprah Winfrey, anfitriões de dois dos programas de maior audiência nos Estados unidos. Linda Silverman, então Diretora do Centro de Desenvolvimento de Superdotados, em Denver, Estado americano do Colorado, disse, à ABC News, que "nunca vi um caso como esse em 40 anos de profissão". Gregory, naquela época, já alimentava a ideia de conquistar o título de doutorado em Matemática, Biomedicina, Engenharia Espacial e Ciência Política. Suas pretensões iam mais além, com planos de fazer carreira na diplomacia internacional e, futuramente, sentar-se na cadeira que, hoje, pertence a George W. Bush. Antecipou-se, dizendo: - "Na presidência, poderei trabalhar muito pelo meu país e pelos pobres de todo o mundo".
    Zélia Ramozzi Chiarottino, que, aos quarenta e seis anos, já integrava o Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, disse: "Nos testes de inteligência, os gênios precoces costumam estar anos à frente dos colegas de classe". Ela citou como exemplo, Fábio Dias Moreira, aluno que cursava a segunda série do curso médio, do Colégio PH, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro, que, aos 14 anos, conquistou 11 medalhas de ouro em olimpíadas de Matemática, sendo quatro delas em disputas internacionais. Segundo ele, preferia estudar, a ir a festas com os colegas, e não gostava de esportes. Sob nenhuma hipótese trocava os livros de Matemática por uma pelada com os colegas, mas conquistou a simpatia da turma, porque era quem tirava todas as dúvidas dos que apresentavam dificuldades com a matemática.
    Casos de crianças precoces sempre despertaram a atenção dos cientistas. A Academia de Ciência não possui uma explicação consistente sobre o tema. Atribui a uma "miraculosa" predisposição biogenética, potencializada por estímulos de ordem externa. Outra enorme dificuldade encontrada na Academia é a não concordância na definição do termo "superdotação". Alguns pesquisadores distinguem o superdotado do talentoso, sendo o primeiro considerado um indivíduo de alta capacidade intelectual, ou acadêmica, e o segundo, possuindo habilidades superiores, no mundo das artes em geral. O debate sobre o que é, realmente, a inteligência, nunca foi tão promissor como atualmente. Muitas teorias têm ampliado o conceito de inteligência, fugindo à técnica ultrapassada de medição pelo "quociente de inteligência" (Q.I.), mediante aplicação do teste de Binet.
    Gênios, como Gregory, teriam Q.I. acima de 200, mas, o que esse número responderia sobre a origem desta "anormalidade"? Se há consenso entre especialistas sobre a maneira de tratar os superdotados, há divergências em relação aos testes de inteligência. Um polêmico estudo, publicado no final da década de 1980, pelo cientista político, James Flynn, da Nova Zelândia, revelou que o "quociente de inteligência" (Q.I.), medido nos testes de avaliação, aumentou vinte e cinco pontos em uma geração. A dúvida é se os jovens de hoje seriam mais inteligentes que seus pais ou se os métodos de avaliação da inteligência precisam ser repensados.
    Segundo a Dra. Barbara Clark, da universidade da Califórnia, EUA, dois indivíduos com, aproximadamente, a mesma capacidade genética para desenvolver inteligência, podem ser considerados, potencialmente, superdotados ou retardados educáveis, dependendo do ambiente em que interagem. Para compreender como alguns indivíduos se tornam superdotados e outros não, precisamos familiarizar-nos com a estrutura básica e a função do cérebro humano. Ao nascer, declara Clark, o cérebro humano tem cerca de 100 a 200 bilhões de células. Cada célula tem seu lugar e está pronta para ser desenvolvida e para ser usada, e realizar os mais altos níveis do potencial humano. "Apesar de não desenvolvermos mais as células neurais, isso não se faz necessário, porque as temos; se usadas, permitiriam que processássemos vários trilhões de informações durante nossas vidas. Usamos estimadamente menos de 5% dessa capacidade. A maneira como usamos esse sistema complexo é crucial para o desenvolvimento da inteligência e personalidade, e da própria qualidade de vida que experimentamos enquanto crescemos."
    Para alguns pesquisadores, os genes são os agentes fisiológicos e da conduta; o fenótipo (3) é o resultado da interação do meio com o genótipo. Destarte, os genes determinam os limites das capacidades ou potenciais do organismo, de qualquer aprendizagem, e deve ocorrer, necessariamente, dentro dos limites dados pelos genótipos, que sofrerão influência do meio, que dará a expressão final das características.
    Howard Gardner, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, afiança que não existe inteligência absoluta. Gardner mapeou várias formas de inteligência e, para demonstrar a multiplicidade de expressão intelectual existente, desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, que permite compreender a manifestação da inteligência humana pelas capacidades verbal-linguística, lógico-matemática, visual espacial, rítmica musical, corporal sinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista dos indivíduos. Outro professor da Universidade de Harvard, Robert Coles, defende a teoria da existência Moral, isto é, a capacidade de refletir sobre o certo e o errado.
    O grande embaraço dessas teses é desconsiderar o fato de a inteligência ser um atributo do espírito, isto é, resultante da soma de conhecimentos e vivências de existências anteriores de cada indivíduo. Nesse sentido, admitindo-se a reencarnação, as ideias inatas são apenas lembranças espontâneas do patrimônio cultural do ser, em diferentes esferas de expressão, alguns em estado mais latente, como nas crianças-prodígio. Desse modo, ficaria bem mais fácil compreender toda essa complexidade da mente humana.
    Só a pluralidade das existências pode explicar a diversidade dos caracteres, a variedade das aptidões, a desproporção das qualidades morais, enfim, todas as desigualdades que alcançam a nossa vista. Fora dessa lei, indagar-se-ia, inutilmente, por que certos homens possuem talento, sentimentos nobres, aspirações elevadas, enquanto muitos outros só manifestam paixões e instintos grosseiros.
    A influência do meio, a hereditariedade e as diferenças de educação não bastam, obviamente, para explicar esses fenômenos. Vemos os membros de uma família, semelhantes pela carne, pelo sangue, pelo histórico genético, e educados nos mesmos princípios, diferençarem-se em muitos pontos.  Doutor Richard Wolman, também de Harvard, incorporou o conceito de Inteligência Espiritual às demais teorias em voga. Esse conceito seria a capacidade humana de fazer perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar, simultaneamente, a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos. Não é exatamente o que define a Doutrina Espírita, mas já é um avanço no entendimento integral do indivíduo.
    Os fatos nos lançam, inevitavelmente, à tese reencarnacionista. Nos últimos anos, com o progresso da Ciência - expressão cultural de uma época -, particularmente, um conjunto de teorias e sistemas conceituais coerentes com uma determinada visão de mundo, o homem tem-se lançado ao estudo de si mesmo com maior maturidade, equilíbrio e espírito crítico, quanto ao papel dos modelos e mapas teóricos e científicos, sempre relativos. Tanto é verdade que, a partir do movimento da contracultura dos anos sessenta, a visão de mundo, acadêmica e tradicional, moldada nos rígidos parâmetros do Positivismo, tornou-se mais flexível diante dos novos questionamentos, e se abriu, pelo menos em parte, a novas ideias e pesquisas que, a rigor, não eram bem aceitas pelo paradigma cartesiano de nossa ciência tecnicista, apoiada e financiada por uma sociedade industrialista e mecanicista. Portanto, ligada a uma visão de mundo igualmente mecanicista.
    Se nascem crianças perfeitas, por que nascem, também, crianças com sérios distúrbios congênitos como hidrocefalia, síndrome de Down, esquizofrenia, cardiopatias graves, autismos, etc.? Na reencarnação, vemos a Justiça Divina corrigindo os tiranos, os suicidas, os homicidas, os viciados e libertinos de vidas passadas.
    No século XIX, numerosos pensadores renderam-se à reencarnação: Dupont de Nemours, Charles Bonnet, Lessing, Constant Savy, Pierre Leroux, Fourier, Jean Reynaud. A doutrina das vidas sucessivas foi vulgarizada, para o grande público, por autores como Balzac, Théophile Gautier, George Sand e Victor Hugo. Pesquisadores como Ian Stevenson, Brian L. Weiss, H. N. Banerjee, Raymond A. Moody Jr., Edite Fiore e outros trouxeram resultados notáveis sobre a tese reencarnacionista. É possível que, em um futuro próximo, os estudos, nessa direção, cheguem aos mesmos resultados já afirmados pelo Espiritismo. As tentativas de estudar superdotados, sem que se leve em conta a existência do Espírito, grande parte delas esbarra em resultados nada satisfatórios ou em dificuldades insuperáveis, em face da necessidade de se considerar essa hipótese. Caso contrário, entra-se em um beco sem saída e o progresso da Ciência, nessa área, permanecerá na inércia.

    Nota e referência bibliográfica:
    1) João 3:3
    2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questão 219, RJ: Ed FEB, 2001

    3) Fenótipo= Conjunto dos caracteres que se manifestam visivelmente em um indivíduo e que exprimem as reações do seu genótipo (isto é, de seu patrimônio hereditário), diante das circunstâncias particulares de seu desenvolvimento e em face de seu meio.

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