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  • domingo, 14 de junho de 2009

    A UTILIZAÇÃO DE CÉLULAS-TRONCO (ADULTAS OU EMBRIONÁRIAS) E O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS SÃO VALIOSAS OPORTUNIDADES PARA O EXERCÍCIO DO AMOR


    Recentemente, foi realizado um transplante de órgão (traquéia) que é um marco histórico para a Ciência. A façanha foi realizada por cirurgiões britânicos, espanhóis e italianos, que lograram êxito no primeiro transplante de um órgão criado e desenvolvido em laboratório. Conforme Lygia Pereira, geneticista da Universidade de São Paulo, uma das maiores especialistas do país em pesquisas com células-tronco (1), essa é a primeira vez que se consegue construir uma estrutura de corpo humano (traquéia) em laboratório, preenchida com células-tronco tiradas da medula da própria paciente. O grande feito desse fato não foi, apenas, a reprodução das células-tronco em volta da traquéia, mas, a reprodução de células-tronco da paciente para se evitar a rejeição.
    A rejeição é um problema, claramente, compreensível, pois o corpo espiritual do receptor continuará intacto, exercendo pleno governo mental sobre o mais recente órgão correspondente. O órgão transplantado, fora do governo mental que o dirigia (nos casos de retirada de órgãos de doadores), permanece com vitalidade, desde que, cuidadosamente, imunizado. Para tanto, o perispírito do paciente transplantado provoca os elementos de defesa do seu corpo físico, cujos recursos imunológicos, em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir de forma mais eficaz. Especialistas, a partir 1967, desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando, então, os receptores de órgãos a ter maior sobrevida.
    Apesar da construção em laboratório da traquéia acima citada, os transplantes ainda são realizados com órgãos retirados dos doadores. Razão pela qual , quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo, laboratorialmente, para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada (a célula) em outro organismo - nos transplantes, por exemplo - tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e, a seguir, coordenará sua trajetória. Transferido o órgão para outro corpo, automaticamente, o perispírito do encarnado passa a influenciá-lo, moldando-o às suas necessidades, o que exigirá, do paciente beneficiado, a urgente transformação moral para melhor, a fim de que o seu mapa de provações seja, também, modificado pela sua renovação interior, gerando novas causas desencadeadoras para a felicidade que busca e, talvez, ainda que não mereça. (2)
    É fantástico o que vem sendo realizado com células-tronco para regenerar os tecidos. No caso do coração infartado, introjeta-se a célula-tronco no coração e essa célula regenera o órgão. Sem dúvida, o grande feito foi a construção de um órgão inteiro em laboratório. É uma conquista muito mais complexa. Começou-se com um órgão simples, no caso, a traquéia, que é um conduto situado na frente do esôfago. Quem sabe, um dia, consiga-se fazer um coração (3), um fígado, um rim. (?) Outra conquista científica têm sido as pesquisas com células-tronco embrionárias. Sendo estudadas desde o século XIX, só há 20 anos pesquisadores conseguiram imortalizá-las, ou seja, cultivá-las, indefinidamente, em laboratório. Para isso, utilizaram células retiradas da massa celular interna de blastocistos (um dos estágios iniciais dos embriões de mamíferos) de camundongos. Essas células são conhecidas pela sigla ES, do inglês embryonic stem cells (células-tronco embrionárias), e são denominadas pluripotentes, pois podem proliferar, indefinidamente, in vitro, sem se diferenciar, ou, também, diferenciam-se, uma vez modificadas as condições de cultivo. Por causa de suas capacidades, as células-tronco têm sido objeto de intensas pesquisas, atualmente, "pois poderiam, no futuro, funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou, ainda, no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes. Entretanto, cabe dizer que a aplicação imediata ainda está longe." (4)
    O tema (utilização de células-tronco-embrionárias) é complexo e muitas outras observações podem ser feitas. O assunto deve e pode ser debatido de forma inteligente, e livre do ranço religiosista tacanho e preconceituoso, levando-nos a conclusões futuras mais satisfatórias. Não adianta posicionamento radical, até porque, a proposta científica, aqui no Brasil, é a da utilização, em pesquisa, dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. O geneticista Oliver Smithies, de 82 anos, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2007, tem alertado que o nosso País deve acelerar o processo de pesquisas com células-tronco, que já começou (graças a Deus!) com a anuência da Lei de Biossegurança pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
    Cabe, aqui, explicar que há diferença entre células-tronco embrionárias e células-tronco adultas no tratamento de um paciente. As células adultas têm uma capacidade limitada de se transformarem em tecidos, em que pese a façanha acima da traquéia construída; já as células embrionárias podem dar origem a todos os tecidos do corpo humano. Será que, hoje, aqueles que se opõem às pesquisas científicas, em questão, poderão garantir, com a máxima segurança, que, no futuro, não se beneficiarão dessa inovadora proposta de terapia humana? Diante destas questões tão polêmicas, é preciso que a sociedade como um todo se manifeste através de seus legisladores, e defina o que é socialmente aceitável no uso de células-tronco embrionárias humanas para fins médicos.
    Inaceitável é impedir o progresso científico, baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos arraigados em dogmas estanques, medievais, ou morais, como matizes de "defesa da vida". Não podemos permanecer na ignorância. A ciência tem que atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Kardec ensina que nos instruímos pela força das coisas.
    Nas práticas médicas de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix. (5) Sobre o assunto, não temos fartas informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais, até porque, a prática do transplante é uma conquista recente da medicina.
    Francisco Cândido Xavier comenta que o "transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante." Os Espíritos, segundo ele, "não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito." (6)
    Enfim, as pesquisas com células-tronco, adultas ou embrionárias e o transplante de órgãos (façanha da Ciência humana) são valiosas oportunidades, dentre tantas outras colocadas à nossa disposição, para o exercício do amor.


    Jorge Hessen
    E-Mail: jorgehessen@gmail.com
    Site: http://jorgehessen.net
    FONTES:
    (1) Disponível no site http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL869063-16020,00-TRANSPLANTE+DE+TRAQUEIA+ENTRA+PARA+HISTORIA+DA+MEDICINA.html
    (2) Xavier, Francisco Cândido e Waldo Vieira. Evolução em dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, 5ª edição, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1972, Capítulo 5 "Células e Corpo Espiritual"
    (3) Há relatos de que uma adolescente norte-americana, de 14 anos, sobreviveu durante quatro meses sem coração. Ela usou um equipamento sob medida até que se conseguisse um transplante. É o primeiro caso de uma pessoa dessa idade que sobrevive tanto tempo.
    (4) Lygia da Veiga Pereira, do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP).
    (5) O mitológico pássaro, símbolo da renovação do tempo e da vida após a morte
    (6) Entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38

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