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  • terça-feira, 22 de setembro de 2009

    AS PERIPÉCIAS DOUTRINÁRIAS SÃO FONTES DE ILUSÃO

    Devemos respeitar todas as crenças, obviamente. Acatar preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer pessoas que não leem pela nossa cartilha doutrinária, é sensato, mas isso não significa aprová-los, adotá-los, divulgá-los ou recomendá-los. Não! Isso, não! Temos obrigações intransferíveis para com a Doutrina Espírita. É, absolutamente, necessário que defendamos os princípios doutrinários com simplicidade e dedicação, sem intolerância, sem radicalismos, mas sem concessões indesejáveis e sem contemporizações piegas. A determinação, a experiência e a prática dos médiuns mais amadurecidos, dos quilates de um Francisco Cândido Xavier e de um Divaldo Pereira Franco, entre outros, têm nos demonstrado, sempre, a necessidade da vigilância com relação à necessidade da preservação da pureza dos preceitos básicos da Doutrina Espírita.
    Observamos, incomodados, as muitas discussões estéreis em torno de temas como: crianças índigo; Chico é a “reencarnação” de Kardec(!?); ubaldismos, ramatisismos, cromoterapias, desobsessão por corrente magnética e tantos outros esquisitos "ismos" e "pias", enxertados nas hostes doutrinárias. Aceita-se, e  pior ainda, difunde-se o poder “curador” de cristais sem a menor reflexão consciente (se a tese fosse legítima, a lógica sussurraria que os residentes de Cristalina e Cristalândia NUNCA ficariam doentes). Confiam, cegamente, nos efeitos das pomadas "mediunizadas", como se essa prática enganosa lhes fosse trazer algum benefício. Promovem-se, nas tribunas, verdadeiros shows da própria imagem e do próprio nome, shows esses protagonizados pelos ilustres oradores, que não abrem mão da vaidosa distinção do “Dr.” antes dos próprios nomes. Há os que imitam, sem nenhum escrúpulo, o orador Divaldo Franco, com direito a receber o Bezerra e tudo o que tem direito no final da palestra. Criam-se associações com notáveis profissionais de pretensos "espíritas". Muitos outros se projetam nos trabalhos assistenciais, para galgarem espaços na ribalta da política partidária. Não é de hoje o fenômeno das práticas exóticas nas hostes doutrinárias, fato esse que faz,   realmente, a diferença entre Espiritismo como Doutrina dos Espíritos e espiritismo como doutrina dos espíritas.
    Segundo algumas conveniências de arrecadação, propiciam as famosas "churrascadas espíritas", disfarçadas de almoço fraterno, em nome do Cristo (!?), pasmem! Confeccionam rifas "beneficentes"; agendam desfiles de moda, "de caráter filantrópico", e, o que é pior, cobram taxas para o ingresso nos eventos espíritas, quais sejam: congressos, simpósios, seminários, e, por aí vai a charanga. Até quando?
    Há um insustentável pendor para a dimensão do misticismo de confrades idólatras, que, quiçá, leram alguma "coisinha" aqui, e outra ali, sobre a doutrina espírita e se dizem seguidores convictos, quando, na realidade, nada mais são do que "espíritas de superfície". Somos sempre advertidos sobre a obrigação intransferível de preservarmos os ensinamentos de Allan Kardec, seja pelo exemplo diário do amor fraterno (ISSO É ÓBVIO!), seja pela coragem do debate elevado.
    Muitas pessoas me têm escrito, insistindo no tema - apometria. Informo-lhes, frequentemente, que a teoria e a prática da técnica apométrica (e suas “leis” e conceitos) estão em pleno desacordo com os princípios doutrinários codificados por Allan Kardec. Não aconselharíamos incluir essa prática estranha na estrutura do Departamento Doutrinário e Mediúnico das Casas Espíritas, por uma simples questão de BOM-SENSO. Sobre essa esquisita prática, lamentavelmente, encruada por estas bandas do Centro-Oeste, indagamos aos experts, por que os Espíritos não nos revelaram tal proposta "terapêutica" (!), quando tiveram, à sua disposição, excelentes médiuns colaboradores, ao longo do século XX?
    Não basta se afirmar "espírita", nem, tampouco, se dizer "médium de qualidade", se essa prática não for exercida conforme preceitua a Codificação Espírita. Respaldados nos estudos sistemáticos que fazemos da Doutrina Espírita -e não dispensamos, de forma alguma, esse hábito- esclarecemos, sempre, que a apometria não é Espiritismo, porquanto as suas práticas estão em total desacordo com as recomendações de "O Livro dos Médiuns". Com essas inoportunas práticas, abrem-se precedentes graves para a implantação de rituais e maneirismos, totalmente, inaceitáveis na prática espírita, que é, fundamentalmente, a doutrina da fé raciocinada.
    Se a apometria é (como afirmam os superficiais e enfadonhos discursos dos líderes dessa prática), mais eficiente que a reunião de desobsessão, REPITO: - Por que a omissão dos Espíritos Superiores? Por que eles se calaram sobre o assunto? Curioso isso, não? No mínimo, é sintomático. O silêncio dos Espíritos Superiores é, sem dúvida, um presságio de que tal prática é de mau agouro, e, por isso mesmo, ela é circunscrita a poucos e RADICAIS grupos que a mantêm.   Não conquistou a aceitação universal dos espíritos, razão pela qual não conta com a anuência das Casas Espíritas equilibradas. Percebemos que esses arroubos lúdicos coletivos superlotam alguns Centros Espíritas, em que seus dirigentes vendem a ilusão da "terapia apométrica", como mestres da hipnose, fazendo com que esses centros se tornem um reduto de andróides e curadores de coisa nenhuma, o que é lastimável...
    Por relevantes razões, devemos estar atentos às impertinências desses ideólogos quixotescos, dos propagadores dessas terapias inócuas, que pensam revolucionar o mundo da "cura espiritual". Até porque, a cura das obsessões não se consegue por um simples toque de mágica (com a varinha de condão da apometria), de uma hora para outra, mas é, quase sempre, a longo prazo, não tão rápida como se imagina, dependendo de múltiplos fatores, principalmente, da renovação íntima do paciente.
    Como se não bastasse, ainda, entra em cena, no rol das bizarrices doutrinárias, uma tal "desobsessão por corrente magnética". Isso mesmo! Desobsessão (!?)
    O uso de energia para afastar obsessores, sem a necessária transformação moral (Reforma Íntima), indispensável à libertação real dos envolvidos nos dramas obsessivos, contradiz os princípios básicos do Espiritismo, pois, o simples afastamento das entidades perseguidoras não resolve a obsessão.
    O Cristianismo, com a pureza doutrinária do Evangelho e com a simplicidade de organização funcional dos primeiros núcleos cristãos, foi conquistando, lenta e seguramente, a sociedade de sua época. Porém, com o tempo, sofreu um significativo desgaste ideológico. Corrompeu-se, por força das práticas estranhas ao projeto de Jesus. Atualmente, apesar das advertências dos Espíritos e do próprio Allan Kardec, quanto aos períodos históricos e tendências do movimento, os espíritas insistem em cometer os mesmos erros do passado. Confrades nossos, não conseguindo se adaptar ao Espiritismo, e, conseqüentemente, não compreendendo e não vivenciando suas verdades, vão, aos poucos, adaptando a doutrina às suas fantasias, aos seus limites morais, corrompendo os textos da Codificação, trazendo, para os centros espíritas, práticas dogmáticas de suas preferências místicas. Falta-lhes, no mínimo, o estudo das obras básicas da Codificação Rivailina.
    Das duas, uma: ou Kardec está sendo colocado em segundo plano, preterido por outras obras não recomendáveis, ou está, totalmente, esquecido - o que é pior.
    Mas como evitar esse sistema? Como agir, ante os centros mal orientados, com dirigentes perturbados, com médiuns obsidiados, com oradores-estrelas? Enfim, como agir, diante dos espíritas perturbados e perturbadores? Seria interessante a prática do "lavo as mãos" ou a retórica filosófica do "laissez faire", "laissez aller", "laissez passer"? Devemos deixar que os próprios grupos espíritas usem e abusem do livre arbítrio para, por fim, aprenderem a fazer escolhas corretas e adequadas às suas necessidades?
    Não nos esqueçamos de que os inimigos, em potencial, do Espiritismo estão mascarados entre os próprios espíritas. Para encerrar nossas reflexões, atentemos para algumas admoestações de Vianna de Carvalho, através de Divaldo Franco, contidas no livro "Aos Espíritas": "O Espiritismo é a grande resposta para as questões perturbadoras do momento. A sua correta prática é exigência destes dias turbulentos, pois os fantasmas do porvir o ameaçam, e distúrbios de comportamento se apresentam com muita insistência, parecendo vencer as suas elevadas aquisições. Por motivos óbvios, "o Espiritismo deve ser divulgado conforme foi apresentado por Allan Kardec, sem adaptações nem acomodações de conveniência em vãs tentativas de se conseguir adeptos". É a Doutrina que se fundamenta na razão, e, por isso mesmo, não se compadece com as extravagâncias daqueles que, por meio sub-reptício, em tentando fazer prosélitos, acabam por macular a pureza originária da nossa Doutrina Espírita.
    Não faltam tentativas de enxertos de idéias e convenções, de práticas inconvenientes e de comportamentos que não encontram guarida na sua rígida contextura doutrinal que, se aceitos, conduzir-nos-iam a sérios problemas existenciais, não fosse a nossa convicção de que o Espiritismo veio para ficar, e que de nada valem essas investidas do mal. Criar desvios doutrinários, atraindo incautos e ignorantes, causa, sem dúvida, perturbações que poderiam, indiscutivelmente, ser evitadas, se houvesse, por parte dos dirigentes, maior rigor na condução dos trabalhos de algumas Casas Espíritas. Repetimos com Divaldo: "Qualquer enxerto, por mais delicado se apresente para ser aceito, fere-lhe a integridade porque ele [o Espiritsmo] é um bloco monolítico, que não dispõe de espaço para adaptações, nem acréscimos que difiram da sua estrutura básica.”
    Caríssimos irmãos de ideal, cremos ser indispensável a vigilância de cada espírita sincero, para que o escalracho seitista e sutil da invasão de teses estranhas não predomine no seu campo de ação, terminando por asfixiar a planta boa que é, e cuja mensagem dispensa as propostas reformadoras, caracterizadas pela precipitação e pelo desconhecimento dos seus ensinamentos” - como adverte Vianna de Carvalho.
    Jorge Hessen
    E-Mail: jorgehessen@gmail.com
    Site: http://meuwebsite.com.br/jorgehessen

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