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  • segunda-feira, 21 de setembro de 2009

    FOME GENERALIZADA AVASSALA O MUNDO - O QUE FAZER?

    É inegável a força avassaladora do progresso, seja no campo tecnológico, no debate acadêmico, na ética, na filosofia, etc. As experiências da genética sobre as clonagens, células-tronco, os avanços na cibernética, as viagens espaciais, o domínio dos raios lasers, das fibras óticas, dos supercondutores, dos microschips, não nos conduzirão a lugar algum se não forem determinados rumos cristãos nas conquistas tecnológicas. Nesse proscênio, amargamos os contrastes da supremacia tecnológica, ao mesmo tempo em que temos, ainda, que conviver (ou sobreviver?) com a dengue hemorrágica, a febre amarela, a gripe suina, a tuberculose, a AIDS, e com todos os tipos de entorpecentes (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, etc.).
    Segundo dados do UNICEF, 55% das mortes de crianças no mundo estão associadas à desnutrição, à fome que debilita lentamente. Há cenas, pela mídia, que nos entristecem profundamente, quando abutres e crianças disputam as sobras que encontram nos aterros sanitários. Como se não bastasse, a Organização Mundial da Saúde, OMS, estima existirem 100 milhões de crianças vivendo nas ruas do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento, das quais 10 milhões vivem no Brasil.
    “A Fome já castiga mais de 1 bilhão”(1), informa o Correio Braziliense deste mês. A ONU sinaliza que a falta de alimentos atingiu nível inédito. No tétrico cenário terrestre, há uma estúpida realidade de falta de comida, principalmente, em sete países, onde vivem 65% dos famintos: Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia. Uma tragédia que já alcança 1 bilhão e duzentos milhões de pessoas em todo o planeta, e ganha contornos ainda mais nefastos quando a ajuda alimentar atinge seu mais baixo nível, em duas décadas (muitos países ricos têm cortado o financiamento à assistência alimentar). O alerta foi dado pela norte-americana Josette Sheeran, diretora executiva do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (PMA).
    Informa o jornal que a fome impõe escolhas radicais na República Democrática do Congo (ex-Zaire). Em algumas famílias, se o pai e dois filhos comem hoje, amanhã ficam sem se alimentar para dar lugar à mulher e às outras crianças. Cerca de 10% da população do Quênia (3,8 milhões de pessoas) precisam, com urgência, de assistência alimentar. Aí, para driblar a fome, muitos comem raízes, pequenos insetos e, às vezes, a carne de animais encontrados mortos, e muitos comem a carne de cães, vendida em açougues.
    Pesquisadores projetam um drástico quadro de fome generalizada, por escassez de comida, para o ano 2050, quando seremos 9,2 bilhões de pessoas encarnadas. Atualmente, tem ganhado um novo fôlego, no ambiente intra-acadêmico, a escola dos neomalthusianos. Havia cerca de 1,5 bilhões de encarnados na época de Kardec e estima-se que atingiremos, pelo menos, 11 bilhões, daqui a cem anos. Muitos crêem que a matriz da questão é o excesso de habitantes, vivendo num meio ambiente bastante degradado. Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens, relativamente à necessidade de sua cristianização. Nunca tivemos tanta capacidade de proporcionar bem estar, casa, educação e alimento a todos, embora nunca tivéssemos tantos desabrigados, famintos e, principalmente, carentes de educação. Vivemos em um momento de transição que, talvez, não sejam encontradas as soluções ideais para o problema da fome e, quiçá, para outros, igualmente cruciais, mas, temos que lutar, estoicamente, para encontrar as melhores alternativas possíveis.
    Até porque, constata-se, hoje, que, a cada cinco segundos, (isso mesmo! cinco segundos) morre uma criança na Terra em decorrência de problemas provocados pela carência de calorias e proteínas mínimas de sobrevivência. É dramático que a humanidade, em meio a progressos estupendos, como a capacidade de escavar o solo de outro planeta em busca de vida, seja, ainda, assombrada pelo fantasma da fome. Em 2015, a população mundial terá cerca de 600 milhões de bocas, a mais, para se alimentar. A pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros.
    Paradoxalmente, pregamos a paz, fabricando os canhões homicidas; pretendemos solucionar os problemas sociais, intensificando a construção das cadeias e prostíbulos. "Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim”.(2) Entre 55 e 90 milhões de pessoas passarão à condição de pobreza extrema, ainda neste ano de 2009, devido à recessão mundial resultante da crise financeira internacional. Como vimos acima, mais de 1 bilhão estão sofrendo de fome crônica no mundo todo. Segundo pesquisas, no Brasil, 53,9 milhões de brasileiros são pobres; isso significa que quatro, em cada dez brasileiros, vivem em miséria absoluta. Entre as 130 Nações que medem a distribuição de renda, o Brasil é o penúltimo colocado; só ganha de Serra Leoa. Equivale a 31,7% da população. 21,9 milhões dessa população são muito pobres, ou 12,9% dos brasileiros. Como se não bastasse tanta fome mundial, cerca de 30% dos alimentos produzidos no Brasil vão parar no lixo, sem qualquer chance de aproveitamento. Isso mesmo!!! LIXO. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Associação Prato Cheio que visa combater, ao mesmo tempo, a fome e o desperdício de alimentos nos centros urbanos. O processo de perda de produtos tem início logo após a colheita, na zona rural. Muitos alimentos são encaixotados sem cuidado e em recipientes não apropriados.
    Talvez estejamos vivendo agora, na Terra, segundo Emmanuel, “um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite; e ao século compete a missão do desfecho desses acontecimentos espantosos. Revendo os quadros da História do mundo, sentimos um frio cortante neste crepúsculo doloroso da civilização ocidental. Lembremos a misericórdia do Pai e façamos as nossas preces. A noite não tarda e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção.” (3)
    Para amenizar a “noite que não tarda” recordemos o que o Mestre disse: “Então, perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? - Quando foi que te vimos sem teto e te hospedamos; ou despido e te vestimos? - E quando foi que te soubemos doente ou preso e fomos visitar-te? - O Rei lhes responderá: Em verdade vos digo, todas as vezes que isso fizestes a um destes mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”(4)
    A felicidade não pode existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, “as criaturas humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das paisagens exteriores que as cercam no planeta.” (5) Porém, lembremos que a mensagem do Cristo é o único elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, sobretudo, na dos políticos e governantes, a fim de que possam incluir “compaixão social” nas suas pautas e agendas de trabalho, em nome do amor preconizado por ELE.

    Jorge Hessen
    Site http://jorgehessen.net

    Fontes:
    (1) Publicado no Jornal Correio Braziliense edição de 17 de setembro de 2009
    (2) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 199
    (3) Xavier, Francisco Cândido A Caminho da Luz– ditado pelo espírito Emmanuel, 22ª edição História da Civilização à Luz do Espiritismo (Psicografado no período de 17 de agosto a 21 de setembro de 1938) RJ: Ed FEB 2001
    (4) Mateus, 25:37 a 40.
    (5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditada pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB, 2001, perg 240

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