Jorge Hessen
Brasília - DF
Desde o surgimento da
psicologia moderna, uma questão fundamental inquieta filósofos, teólogos e
cientistas da alma: o que move verdadeiramente o ser humano? Sigmund
Freud, Alfred Adler e Viktor Frankl ofereceram respostas distintas a essa
pergunta, que, à luz da visão espírita e cristã, revelam estágios progressivos
de compreensão da natureza espiritual do homem.
Freud sustentou que o
núcleo da vida psíquica humana reside na libido sexual, entendida como
força primária da conduta. Para ele, o comportamento humano é majoritariamente
determinado por impulsos inconscientes que buscam prazer e descarregam tensões
reprimidas pela cultura e pela moral. “A libido é a energia, considerada como uma
grandeza quantitativa, dessas pulsões que têm a ver com tudo o que pode ser
abrangido sob a palavra amor” (FREUD, 1920). Nessa concepção, o homem aparece
fortemente condicionado ao passado instintivo, quase prisioneiro de suas
pulsões biológicas.
Alfred Adler, rompendo
com essa leitura reducionista, afirmou que o impulso central do ser humano não
é sexual, mas o desejo de poder e autoafirmação. O indivíduo, segundo
ele, luta continuamente para superar sentimentos de inferioridade e impor sua
vontade ao mundo. “Ser humano significa sentir-se inferior e lutar
continuamente para superar esse sentimento” (ADLER, 1933). Embora mais social
que Freud, Adler ainda mantém o homem preso à lógica do ego, da competição e da
dominação.
É Viktor Frankl,
entretanto, quem promove uma verdadeira virada antropológica. Sobrevivente dos
campos de concentração nazistas, ele constatou que homens privados de prazer,
poder e liberdade física ainda conseguiam manter-se espiritualmente vivos. A
razão? O sentido da vida. Para Frankl, “a busca de sentido é a motivação
primária do ser humano” (FRANKL, 1989). Não é o prazer que sustenta a
existência, nem o poder, mas a certeza íntima de que a vida tem um propósito,
mesmo no sofrimento.
Essa concepção
harmoniza-se profundamente com a visão espírita-cristã. Allan Kardec ensina que
o Espírito é criado “simples e ignorante”, destinado ao progresso moral e
intelectual ao longo das existências (KARDEC, 2013). O sofrimento, longe de ser
absurdo, possui função educativa. O Cristo, por sua vez, revela que a vida
encontra plenitude não na satisfação dos desejos nem na conquista do mundo, mas
no amor, no serviço e na fidelidade à verdade.
Frankl, sem recorrer
diretamente à teologia, reencontra o Evangelho pela via da experiência humana: quem
encontra um “para quê” suporta quase qualquer “como”. O sentido transcende
o ego, relativiza a dor e dignifica a existência. Assim, entre o prazer
freudiano, o poder adleriano e o sentido frankliano, a Doutrina Espírita
reconhece um eixo superior: o ser humano é um Espírito imortal em jornada de
aperfeiçoamento, chamado a transformar sofrimento em aprendizado e
existência em missão.
Referências Bibliográfica:
ADLER,
Alfred. O sentido da vida. São Paulo: Martins Fontes, 1933.
FREUD,
Sigmund. Além do princípio do prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1920.
FRANKL,
Viktor E. Em busca de sentido. Petrópolis: Vozes, 1989.
KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Brasília: FEB, 2013.
