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  • 29 de jan. de 2026

    QUANDO O CUME JUDICIAL APODRECE, ADOECE E DESTROI TODA UMA NAÇÃO. "E AGORA, JOSÉ?"



    Jorge Hessen

    Brasília – DF

     

    Há uma claudicação recorrente — e perigosamente jeitosa — em usar a justiça como simples ferramenta de partido político. À luz da Doutrina Espírita, para uma Nação essa situação é assombradora. Até porque a justiça deveria ser uma lei moral, anterior aos códigos, superior aos governos e inseparável da ordem social. Quando ela se apodrece moralmente, não se trata apenas de falência institucional: rompe-se a harmonia social, política, econômica, cultural  e espiritual de uma nação.

    Allan Kardec é categórico ao afirmar que a verdadeira justiça nasce do respeito aos direitos alheios, temperada pela caridade, sem a qual se converte em rigor estéril ou em privilégio disfarçado (KARDEC, 2004). Uma sociedade que manipula a justiça para atender interesses ideológicos, paixões partidárias ou projetos de poder não promove progresso: semeia desordem moral.

    E nenhuma nação sobrevive ilesa quando a lei deixa de ser expressão do bem comum para tornar-se instrumento de dominação.

    A história demonstra que a decadência das civilizações não começa pela pobreza material, mas pela corrupção dos princípios. Léon Denis observa que o colapso social se instala quando a noção de justiça é substituída por uma falsa ideia de igualdade que ignora mérito, esforço e responsabilidade individual (DENIS, 2011). Em nome de um abominável igualitarismo retórico, pune-se o produtivo, relativiza-se o erro e absolve-se o abuso. O resultado é previsível: a justiça perde autoridade moral, e o caos encontra terreno fértil.

    No campo político, esse desvio assume formas ainda mais graves. Quando leis são moldadas para favorecer grupos específicos, quando o crime é romantizado e o dever individual é dissolvido em narrativas coletivistas, a justiça deixa de proteger a sociedade e passa a ameaçá-la. O Espiritismo não endossa revoluções morais feitas por decreto, tampouco acredita que reformas externas possam substituir a transformação individual.

    Sempre citarei Emmanuel que  é incisivo ao lembrar que nenhuma organização social se sustenta sem a renovação moral das consciências, pois sistemas políticos não regeneram almas (EMMANUEL, 2013). Uma justiça desconectada da lei divina converte-se em caricatura: aparenta igualdade, mas opera a injustiça; proclama direitos, mas despreza deveres; promete harmonia, mas produz desordem.

    Assim, a deterioração da justiça não é causa isolada das crises nacionais — é sintoma de uma enfermidade espiritual  (obsessão) coletiva. Onde a justiça falha, a confiança social se dissolve; onde a confiança se perde, a nação fragmenta-se. Não há harmonia social possível sobre alicerces morais corroídos.

    À luz da Doutrina Espírita, o verdadeiro progresso social exige justiça firme, imparcial e moralmente orientada, jamais submissa a imposições ideológicas ou projetos de poder. Quando a justiça se afasta da lei natural, a nação perde o eixo. E nenhuma engenharia política é capaz de compensar a ausência desse fundamento invisível (lei natural), absolutamente essencial.

     

    Referências Bibliográficas:

    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

    DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2011.

    EMMANUEL (Espírito). Pensamento e Vida. Psicografia de Francisco Cândido Xavier. 24. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2013