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  • 4 de fev. de 2026

    CARNAVAL É UM OPIÁCEO POPULAR QUE ASSINALA O MONTURO DA DEVASSIDÃO MORAL

     


    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    O discurso politicamente “correto” repete que o carnaval é “expressão cultural intocável”. A Doutrina Espírita, porém, não se curva a imposturas dogmáticas e ideológicas. Até porque “a opinião das maiorias não constitui critério de verdade moral” (1). Se uma prática coletiva estimula a degradação do Espírito, deve ser questionada — ainda que venha embalada por purpurinas, sambas, confetes e serpentinas.

    O que se chama de festa transformou-se em indústria do entorpecimento ético. Erotização precoce, alcoolismo glamorizado, drogas, violência e desperdício de recursos públicos compõem o cenário. Na verdade  “o prazer desregrado rebaixa as aspirações superiores e prepara a decadência dos povos” (2).  

    Defende-se que “é só uma vez por ano”. Mas Emmanuel responde com dureza: “O excesso converte a diversão em laboratório de sofrimento, onde muitos hipotecam o futuro por algumas horas de ilusão” (3). Quantas gravidezes sem amparo, quantos lares feridos, quantas vidas ceifadas no trânsito e na violência nascem desse delírio coletivo?

    A dimensão espiritual costuma ser ridicularizada, mas André Luiz descreve o que a propaganda turística oculta: “ambientes saturados de emoções inferiores atraem entidades em desequilíbrio, estabelecendo processos obsessivos de largo alcance” (4). O carnaval não é neutro; é poderoso campo de sintonia que alimenta zonas sombrias do mundo invisível.

    Manoel Philomeno de Miranda é ainda mais direto ao afirmar que “as multidões excitadas convertem-se em instrumento de forças espirituais perturbadoras” (5). Enquanto o marketing vende felicidade, hospitais lotam, famílias choram e a saúde mental da população cobra a fatura depois das cinzas.

    Dizer isso não é moralismo: é realismo espiritual. Kardec definiu o critério do progresso: “reconhece-se o adiantamento pelo domínio das más inclinações” (6). Que domínio existe numa celebração erguida sobre a perda deliberada dos limites?

    A defesa cega do carnaval revela dependência psicológica de um modelo de alegria infantilizada. Leon Denis projetava outra civilização: “a festa digna será aquela em que o homem saia melhor do que entrou” (7). O carnaval faz o contrário — muitos saem piores, endividados, feridos no corpo e na alma.

    É preciso romper o tabu: nada justifica festejos que transformam seres humanos em mercadoria de prazer. Cultura que necessita de anestesia moral para existir é cultura doente. O Espiritismo propõe alegria consciente, arte que eleve, encontro que respeite o corpo e o destino eterno.

    Entre o samba ensurdecedor e a voz da consciência, o espírita não pode hesitar. Ou escolhemos a evolução moral, ou continuaremos tratando como “tradição” aquilo que, à luz do Espírito imortal, não passa de monturo de devassidão ética .


    Referências Bibliográficas:

    1            KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Paris: 1864.

    2            DENIS, Léon. Depois da Morte. Paris: 1911.

    3            XAVIER, Francisco Cândido; EMMANUEL. Caminho, Verdade e Vida. Rio de Janeiro: FEB, 1952.

    4            XAVIER, Francisco Cândido; ANDRÉ LUIZ. Nosso Lar. Rio de Janeiro: FEB, 1945.

    5            FRANCO, Divaldo Pereira; MIRANDA, Manoel Philomeno de. Nos Bastidores da Obsessão. Salvador: LEAL, 1990.

    6            KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Paris: 1857.

    7            DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Paris: 1927.