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  • 2/11/2026

    Os centros vitais (“chakras”) como órgãos do perispírito

     

    Jorge Hessen

    Brasília-DF


    A noção de “chakras”, consagrada por tradições orientais, encontra na literatura espírita equivalente conceitual sob o nome de centros vitais. Não se trata de importação mística, mas de descrição funcional do próprio perispírito, o envoltório semimaterial definido por Kardec como elo entre o Espírito e o corpo físico (1). Se o organismo carnal possui órgãos para as atividades biológicas, o corpo espiritual apresenta estruturas específicas (órgãos) para o governo das energias psíquicas. Esses núcleos atuam como estações de captação, transformação e distribuição das forças que sustentam a vida mental e orgânica.

    André Luiz denomina tais pontos de “fulcros de força”, responsáveis por presidir sistemas fisiológicos e estados da alma (2). O autor descreve o centro coronário, que comanda os demais; o cerebral, ligado ao pensamento; o laríngeo, veículo da palavra; o cardíaco, regulador das emoções; o esplênico, administrador das energias vitais; além dos gástrico e genésico, vinculados à nutrição e às potências criadoras (3). Essa organização revela que o perispírito é organismo complexo, sensível às impressões morais e às vibrações do meio.

    Léon Denis já assinalava que o corpo fluídico possui “aparelhos delicados” (órgãos) capazes de registrar as ondas do pensamento e repercuti-las na matéria (4). Por isso, grande parte das enfermidades físicas reflete desarmonias instaladas nos centros vitais, nascidas de ressentimentos, culpas e vícios prolongados. Emmanuel adverte que “o desequilíbrio da alma repercute inevitavelmente nos tecidos do veículo carnal”⁵, indicando que a verdadeira terapêutica não se limita ao remédio exterior, mas exige renovação íntima.

    Os recursos espirituais — prece, passe e disciplina moral — operam diretamente nesses órgãos sutis. Quando o pensamento se eleva, os centros vitais entram em ritmo harmonioso e permitem a circulação de energias superiores. Kardec ensina que a vontade orientada para o bem modifica os fluidos que nos envolvem (6), princípio que explica a ação do magnetismo e da assistência espiritual. Assim, a saúde do perispírito depende menos de técnicas esotéricas e mais da qualidade ética das escolhas diárias.

    Convém afastar interpretações supersticiosas. Os centros vitais não são “rodas” mágicas, nem atalhos para poderes extraordinários; constituem mecanismos naturais da fisiologia do Espírito. Onde predominam ódio e egoísmo, eles se obscurecem; onde florescem caridade e equilíbrio, iluminam-se e restauram o corpo físico. A educação dos sentimentos é, portanto, a mais segura higiene energética.

    Compreender os chakras à luz do Espiritismo é reconhecer a unidade entre ciência, filosofia e moral. O perispírito, com seus centros vitais, é oficina em que o pensamento modela o destino humano. Cuidar desses órgãos significa cultivar responsabilidade sobre o que se pensa e sente, pois — como resume André Luiz — “a mente é a senhora do corpo, e o corpo é o espelho da mente” (7).

     

    Referências Bibliográficas:

    1          KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 93. ed. Brasília: FEB, 2019, q. 93-95.

    2          XAVIER, F. C.; VIEIRA, W. (Esp. André Luiz). Entre a Terra e o Céu. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2018, cap. 20.

    3          XAVIER, F. C.; VIEIRA, W. (Esp. André Luiz). Evolução em Dois Mundos. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2017, 1ª parte, cap. 2.

    4          DENIS, Léon. No Invisível. 21. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2016, cap. 12.

    5          XAVIER, F. C. (Esp. Emmanuel). Pensamento e Vida. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2015, cap. 6.

    6          KARDEC, Allan. A Gênese. 53. ed. Brasília: FEB, 2018, cap. XIV, itens 13-18.

    7          XAVIER, F. C. (Esp. André Luiz). Nosso Lar. 70. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2019, cap. 9.