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  • 8.3.26

    Concisas cogitações sobre os princípios material , espiritual e a vida em si

     


    Jorge Hessen

    Brasília -DF

    A Codificação Espírita apresenta uma visão clara e profundamente racional sobre a constituição do Universo. No Livro dos Espíritos, especialmente nas primeiras questões, os Espíritos ensinam que tudo o que existe deriva fundamentalmente de dois princípios gerais: o princípio material e o princípio espiritual. A compreensão dessa distinção é essencial para entender a natureza da vida e da própria existência humana.

    Para o Espiritismo o princípio material é o elemento constitutivo da matéria em todas as suas formas. Ele está presente em tudo aquilo que percebemos pelos sentidos, das galáxias aos micro-organismos da Terra. Esse princípio universal e material se organiza e se transforma continuamente, dando origem aos diversos corpos físicos que compõem o mundo visível. Assim, pode-se dizer que a individualização do princípio material são os corpos, estruturas temporárias sujeitas às leis de transformação da matéria.

    Por outro lado, o princípio espiritual corresponde ao elemento inteligente do universo. É dele que procede a consciência, a capacidade de pensar, amar, escolher e evoluir moralmente. Quando esse princípio se individualiza, surge o Espírito racional (humano), ser imortal criado por Deus, destinado ao progresso infinito.

    Nesse sentido, os Espíritos (racionais) são individualizações do princípio espiritual, cada qual com sua história evolutiva e responsabilidade moral.

    Entretanto, entre a matéria em si e o espírito consciente (racional) existe ainda um elemento intermediário muito mal compreendido: o princípio vital. Kardec explica que esse princípio é a força que anima os organismos vivos. Ele não é o Espírito, nem é simplesmente matéria; trata-se de uma espécie de energia ou dinamismo que permite a manifestação da vida orgânica. É por meio dele que a matéria organizada se torna capaz de realizar funções vitais, como crescimento, reprodução e metabolismo.

    Assim, um corpo pode estar dotado de princípio vital e ainda não possuir um Espírito humano, como ocorre nos vegetais e nos animais irracionais. No ser humano, porém, o fenômeno é mais complexo: o corpo material é animado pelo princípio vital, enquanto o Espírito se liga a ele através do perispírito, envoltório semimaterial que serve de intermediário entre a alma e o organismo físico.

    A vida encarnada, portanto, resulta da interação desses três elementos: o corpo material, o princípio vital que o anima e o Espírito que o dirige. Quando ocorre a morte (desagregação molecular) , o princípio vital se extingue, o corpo físico retorna aos elementos da matéria e o Espírito prossegue sua existência no mundo extrafísico (espiritual).

    Essa concepção revela a extraordinária coerência da filosofia espírita. O ser humano encarnado não é apenas matéria, como afirma o materialismo, nem apenas espírito desligado da realidade física. Ele é, antes, um Espírito imortal utilizando temporariamente um organismo material animado pela força vital, em uma jornada de aprendizado e aperfeiçoamento moral.

    Compreender essa estrutura tripla da vida permite perceber com maior clareza o verdadeiro sentido da existência: a evolução do Espírito, que se serve da experiência material como instrumento de progresso intelectual e moral até a pura e eterna felicidade.