26 junho 2026

Honestidade: dever inegociável nas instituições espíritas


 Jorge Hessen

Brasília -DF

 

"Mais vale repelir dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa." — Erasto (O Livro dos Médiuns).

Quando o assunto é a honestidade de dirigentes e trabalhadores das instituições espíritas, o silêncio nunca foi boa política. A credibilidade do Movimento Espírita depende, em grande medida, da coerência entre o discurso e a prática.

Infelizmente, a imprensa noticia com frequência escândalos envolvendo líderes religiosos que enriquecem à custas da fé alheia. Não afirmamos que essa seja a realidade da maioria das casas espíritas, mas basta um único caso para comprometer a imagem de muitos. Daí a necessidade de vigilância permanente.

O verdadeiro cristão é honesto em todas as circunstâncias. Quem contrai uma dívida tem o dever moral de quitá-la. Quem administra recursos doados deve prestar contas com absoluta transparência. Publicar periodicamente receitas e despesas não é favor aos colaboradores; é obrigação ética e demonstração de respeito aos que confiam na instituição.

A transparência afasta suspeitas, preserva a credibilidade e impede comentários que, muitas vezes, surgem exatamente pela ausência de informações. Onde há lisura, não há espaço para insinuações.

Ao longo dos anos, em diversas palestras, abordamos esse tema. Em algumas ocasiões, a reação de certos dirigentes foi de desconforto. Houve até quem nos excluísse de escalas de oradores. Não nos surpreendeu. A verdade, quando toca em interesses pessoais, costuma provocar resistência. Contudo, advertir sobre desvios de conduta jamais significou atacar esta ou aquela instituição, mas sim alertar todo o Movimento Espírita para um risco real.

Também é lamentável quando dirigentes se apropriam de doações destinadas aos necessitados, manipulam recursos, burlam obrigações legais ou se perpetuam no poder como se fossem proprietários da casa espírita. Tais práticas afrontam o Evangelho e desrespeitam frontalmente os princípios da Codificação.

No Espiritismo não existe "meia honestidade". Não há espaço para o "quase honesto". Jesus foi categórico: "Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não." A ética cristã não admite zonas cinzentas nem justificativas convenientes para pequenas fraudes ou privilégios pessoais.

Os Benfeitores espirituais esperam de nós fidelidade aos princípios, não discursos eloquentes desacompanhados de exemplos. As influências espirituais inferiores encontram terreno fértil justamente onde florescem a vaidade, o apego ao poder e a falta de transparência.

Advertir sobre a necessidade de honestidade não é semear discórdia; é defender a dignidade da Doutrina Espírita. A casa espírita deve ser reconhecida pela simplicidade, pela responsabilidade administrativa e pela absoluta retidão moral de seus dirigentes. Onde prevalecem a ética, a transparência e o espírito de serviço, o Evangelho permanece vivo e a confiança dos trabalhadores e frequentadores se fortalece.