Jorge Hessen
Brasília
-DF
"Mais vale repelir
dez verdades que admitir uma só mentira, uma só teoria falsa."
— Erasto (O Livro dos Médiuns).
Quando o assunto é a
honestidade de dirigentes e trabalhadores das instituições espíritas, o
silêncio nunca foi boa política. A credibilidade do Movimento Espírita depende,
em grande medida, da coerência entre o discurso e a prática.
Infelizmente, a imprensa
noticia com frequência escândalos envolvendo líderes religiosos que enriquecem
à custas da fé alheia. Não afirmamos que essa seja a realidade da maioria das
casas espíritas, mas basta um único caso para comprometer a imagem de muitos.
Daí a necessidade de vigilância permanente.
O verdadeiro cristão é
honesto em todas as circunstâncias. Quem contrai uma dívida tem o dever moral
de quitá-la. Quem administra recursos doados deve prestar contas com absoluta
transparência. Publicar periodicamente receitas e despesas não é favor aos colaboradores;
é obrigação ética e demonstração de respeito aos que confiam na instituição.
A transparência afasta
suspeitas, preserva a credibilidade e impede comentários que, muitas vezes,
surgem exatamente pela ausência de informações. Onde há lisura, não há espaço
para insinuações.
Ao longo dos anos, em
diversas palestras, abordamos esse tema. Em algumas ocasiões, a reação de
certos dirigentes foi de desconforto. Houve até quem nos excluísse de escalas
de oradores. Não nos surpreendeu. A verdade, quando toca em interesses pessoais,
costuma provocar resistência. Contudo, advertir sobre desvios de conduta jamais
significou atacar esta ou aquela instituição, mas sim alertar todo o Movimento
Espírita para um risco real.
Também é lamentável
quando dirigentes se apropriam de doações destinadas aos necessitados,
manipulam recursos, burlam obrigações legais ou se perpetuam no poder como se
fossem proprietários da casa espírita. Tais práticas afrontam o Evangelho e
desrespeitam frontalmente os princípios da Codificação.
No Espiritismo não existe
"meia honestidade". Não há espaço para o "quase honesto".
Jesus foi categórico: "Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não." A
ética cristã não admite zonas cinzentas nem justificativas convenientes para
pequenas fraudes ou privilégios pessoais.
Os Benfeitores
espirituais esperam de nós fidelidade aos princípios, não discursos eloquentes
desacompanhados de exemplos. As influências espirituais inferiores encontram
terreno fértil justamente onde florescem a vaidade, o apego ao poder e a falta
de transparência.
Advertir sobre a
necessidade de honestidade não é semear discórdia; é defender a dignidade da
Doutrina Espírita. A casa espírita deve ser reconhecida pela simplicidade, pela
responsabilidade administrativa e pela absoluta retidão moral de seus
dirigentes. Onde prevalecem a ética, a transparência e o espírito de serviço, o
Evangelho permanece vivo e a confiança dos trabalhadores e frequentadores se
fortalece.
