17 junho 2010

VIVER SEM COMIDA E ÁGUA NA TERRA - É POSSÍVEL?



Médicos e cientistas, liderados pelo neurologista Sudhir Shah, estudaram Prahlad Jani, de 82 anos de idade, um líder religioso da tradição Jainista. Prahlad passou dez dias em observação constante (sem comer e sem beber qualquer líquido) no Sterling Hospital, na cidade de Ahmedabad, na Índia. O velho guru afirma ter “vivido” sem comida e sem água ao longo das últimas 7 décadas, e que sobrevive graças à meditação e ao poder da sua mente.(!) Os médicos dizem não poder confirmar as alegações de Jani, mas a observação do seu feito no Sterling Hospital pode ajudar no aprendizado sobre o funcionamento do corpo humano.
Apesar dessa situação inusitada não ser totalmente inédita na Índia, o líder Jainista tornou-se um dos mais célebres dos últimos tempos, por estar sendo estudado mais frequentemente pelos pesquisadores. O seu caso já foi estudado em 2003, no mesmo hospital de Ahmedabad, onde se constatou, à época, que Jani “não necessitou” comer e nem beber para sobreviver na experiência hospitalar. Nos exames feitos há 7 anos, entre análises da urina, sangue, ecocardiogramas e eletroencefalograma, verificou-se que o desenvolvimento do cérebro do líder Jainista corresponde ao de um jovem de 25 anos.
O universo místico da Índia não é objeto de pesquisa que me atrai muito, mas há muitos crédulos que explicam o caso em questão com o nome de “inédia”, isto é: um estado do homem caracterizado pela abstinência de comida, resultando em uma expansão da esfera consciencial na qual uma pessoa sobrevive. Em geral, segundo a crença, um ideal inediante não necessita comer ou beber para manter o corpo funcionando perfeitamente. Também denominam de respiratorianismo(1) ou seja, um conceito relacionado ao tema, que afirma que comida e até mesmo água não são necessários e é possível “viver” somente de energia. Um respiratoriano não consome nenhuma comida ou líquido, ele/ela precisa somente de energia e do ar para nutrir seu corpo. Mas há acusação séria aos divulgadores do respiratorianismo, porquanto têm levado pessoas crédulas a praticar uma dieta que pode ter consequências gravíssimas.
Particularmente, confessamos que desconhecemos qualquer texto sério na área acadêmica que diz que podemos viver sem nos alimentar de comida física. O consenso científico atual sobre nutrição e o bom senso indicam que uma pessoa exposta ao tipo de dieta à base de ”ar” em curto prazo acabaria morrendo de inanição ou desidratação. Normalmente, segundo alguns, o ser humano resiste três ou quatro dias sem beber e uma semana sem comer. Há outros mais radicais, crédulos que a maioria das pessoas pode viver sem comida por várias semanas, pois o corpo usa suas reservas de gordura e proteína. Seguidores de faquires indianos e ascetas têm com frequência atribuído poderes extraordinários a eles, mas raramente esses poderes são submetidos à investigação científica rigorosa e sequencial.
Em algumas religiões, o jejum (abstinência de alimentação) é uma prática muito comum, normalmente relacionada a conceitos de sacrifício e purificação. Jesus, de acordo com a tradição evangélica, jejuou por quarenta dias e quarenta noites no deserto.(2) No Hinduísmo, há os históricos jejuns que Mahatma Gandhi praticou por motivos sociais, religiosos e políticos.
Em que pese ao André Luiz informar que desde que há vida na Terra, o homem se alimenta muito mais pela respiração do que pelo que chama "alimento de volume", ou seja, aquele constituído de matéria mais densa, que é complementar, o Benfeitor deixa muito claro que a necessidade de alimentação pelo homem é uma das circunstâncias que resultam de um automatismo biológico, pois o organismo corpóreo não prescinde da constante troca de substâncias, que se transformam em energia e que são necessárias ao curso do processo de crescimento e de reparação do desgaste natural a que se submete. (3)
Ao desencarnar, o espírito não mais necessita dessa forma “sólida” de alimento, podendo se manter apenas pela respiração celular do seu corpo somático (perispírito). No entanto, quando o espírito, após a desencarnação, não consegue se desligar, mentalmente, das sensações vivenciadas no corpo físico, o seu psiquismo permanece preso ao mundo material, preservando a lembrança do automatismo biológico a que se acostumou. Não conseguindo reajustar-se de imediato à nova forma de vida, permanece preso às circunstâncias da vida terrena, donde a sensação de necessidade de alimentação para repor energia permanece. Para suprir essa necessidade, muitas vezes busca partilhar, psiquicamente, com encarnados que lhe são afins, as energias vitais destes. Muitas vezes esta situação leva à instalação de um processo obsessivo.
A alimentação oferecida aos desencarnados em desequilíbrio, que ainda se encontram fortemente presos às necessidades terrenas, é de natureza fluídica, constituída de fluidos do mundo espiritual, porém assemelhando-se à utilizada na Terra, para que possa atender às suas necessidades. À medida que se eleva, o espírito passa a sentir menos necessidade desse tipo de alimento, que vai sendo fornecido em menor quantidade e constituindo-se de fluidos mais leves.(4)
Podemos afirmar, portanto, que não há nenhuma evidência formal de que haja a possibilidade de alguém constituído de carne e osso sobreviver sem alimentação por tempo indeterminado.
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

Fontes:
(1) Segundo a crença hindu a palavra prana é a energia vital absorvida através da respiração e que tem origem no Sol.
(2) Mateus cap.IV e Marcos cap. I
(3) Chico Xavier/Waldo Vieira. Evolução em Dois Mundos, Ditado pelo Espírito André Luiz, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 1996, 2a. Parte, cap. I,
(4) A respeito da formação de alimentos e outros objetos do mundo espiritual, através da modificação das propriedades dos fluidos, ver capítulo VIII, da Segunda Parte, do Livro dos Médiuns, intitulado "Laboratório do mundo invisível".

16 junho 2010

O GENOMA SINTÉTICO ANTE A PERSPECTIVA ESPÍRITA





Um grupo de 25 cientistas conseguiu gerar uma célula viva em laboratório, a partir da alteração das características genéticas. Fato que, segundo os pessimistas, abre caminho para a manipulação da vida numa escala talvez nunca alcançada.(!) Visando produzir a célula sintética(1), nos laboratórios em Rockville, Maryland, e em San Diego, os cientistas transformaram um código de computador numa forma de vida. Iniciaram com uma espécie de bactéria chamada Mycoplasma capricolum e, ao substituir seu genoma por outro escrito por eles, a transformaram numa variante de uma segunda espécie existente, chamada Mycoplasma mycoides.
    Os membros do grupo escreveram todo o código genético da criatura como um arquivo de computador, documentando mais de um milhão de pares base de DNA em um alfabeto bioquímico de adenina, citosina, guanina e timina. Editaram o arquivo, acrescentando um novo código, e então enviaram os dados eletrônicos para a empresa de sequenciamento de DNA - Blue Heron Bio, em Bothell, Washington, onde ele foi transformado em centenas de pequenos pedaços de DNA químico.
 Os pesquisadores garantem que a pesquisa bioquímica proporcionará melhorias para tecnologia de água limpa, criação de bactérias que se alimentam de petróleo, no caso de um eventual vazamento nos mares e oceanos, bactérias capazes de capturar gases causadores do efeito estufa como o dióxido de carbono (CO2), bactérias para produção de vacinas num período de tempo menor do que se gasta hoje para sua produção, entre outras inúmeras utilidades.  
Pode ser que os resultados tragam determinadas preocupações, e certamente será alvo de muitas críticas e polêmicas em torno da bioética, assim como ocorreu com os estudos sobre clonagem, sobretudo se caírem em mãos erradas, o que poderá ser utilizado como arma biológica, e teria efetivamente efeitos catastróficos para a humanidade. Por essa razão, há perplexidade e preocupação com o tal genoma sintético, e tem aqueles que destacam como um potencial devastador salto ao desconhecido.
    Na visão dos que pensam que tudo caminha para o pior, um organismo produzido com a expectativa de cumprir determinadas funções pode sofrer alterações a partir de seu contato com o ambiente, que vai criar variedades com funções muito diferentes, fugindo ao controle do laboratório. Outro voraz pesadelo dos pessimistas é o fantasma da eugenia.
     Evidentemente, a possibilidade de criar células artificiais com funções definidas dará início a uma delicada discussão sobre o uso ético da tecnologia. Mas, para muitos especialistas, a descoberta representa o início de uma nova era na biologia sintética e, possivelmente, na biotecnologia.(2) É bem verdade que no fim da primeira parte do Projeto Genoma, em fevereiro de 2001, muitas suposições científicas não se confirmaram. Descobriu-se que o genoma humano tem um número baixo de genes e que o citoplasma diz ao núcleo o que fazer e não ao contrário, como se supunha.
    Contudo, por mais que tentem barrar o caminhar da ciência ela não para, até  porque há um campo enorme a ser explorado, em todas as áreas do conhecimento humano. É como se estivéssemos catando conchinhas na praia, enquanto há um imenso oceano a percorrer, há enorme extensão da nossa ignorância ante as leis naturais, lembrava Isaac Newton.
Na condição de espíritas, sabemos que “o Espiritismo e a Ciência completam-se um ao outro; à Ciência sem o Espiritismo, fica impossível explicar certos fenômenos só com as leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, lhe faltaria apoio e controle."(3) Os Instrutores Espirituais afirmam, ainda,  que “enxergamos apenas uma oitava parte do que acontece ao nosso redor, o que nos dá ideia do quanto a Ciência terá que avançar para descobrir as múltiplas dimensões da vida e o tipo de ‘matéria’ que entra na constituição de cada uma delas, o que significa decifrar os múltiplos arranjos da natureza.”(4)
Temos convicção de que deve haver uma coexistência entre Ciência e espiritualidade, como novo paradigma acadêmico. Embora o Espiritismo trate de assuntos que escapam ao domínio das ciências clássicas, que se circunscrevem aos fenômenos físicos, Kardec, no Século XIX, escreveu que o "Espiritismo e a ciência se completam, reciprocamente".(5)
O mestre de Lyon lembrou que "O Espiritismo, caminhando com o progresso, não será jamais ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, ele se modificará sobre esse ponto; se uma nova verdade se revelar, ele a aceitará."(6)
Sobre o tema genoma sintético, cremos que toda a humanidade se beneficiará com as pesquisas dos abnegados cientistas que têm devotado suas vidas a descobertas fascinantes para melhorar a qualidade de vida no Planeta. A ciência progredirá sempre e será exercida, como usualmente, de forma compatível com o merecimento e  desenvolvimento espiritual da humanidade. 
    Jorge Hessen
Fontes:
(1) Apenas o genoma da célula é sintético - ou seja, a célula que recebe o genoma é uma célula natural, não sintetizada pelo homem.
(2) O especialista em biologia sintética Paul Freeman, codiretor do EPSRC Centre for Synthetic Biology do Imperial College, em Londres, disse que o estudo de Venter e sua equipe pode marcar o início de uma nova era na biotecnologia.
            (3) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. 1
(4) Essas citações espirituais vieram através do médium Francisco C. Xavier, mais particularmente, de 1943 a 1968, e constam dos livros: Os Mensageiros, cap. XV, (1944); Evolução em Dois Mundos, cap.III (1958); E a Vida Continua..., cap.9 (1968). Nestes dois últimos, Chico Xavier teve a colaboração do então médium, Waldo Vieira
(5) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, Cap. 1, parágrafo 16,
(6) Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. FEB, 2003, cap. 1, item 55

08 junho 2010

TRISTEZA NÃO É DOENÇA PSIQUIÁTRICA, TRANQUILIZANTES PARA QUÊ?

    
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será  a doença mais comum do mundo daqui a 20 anos. Atualmente, 121 milhões de pessoas sofrem da doença. Porém, para o médico Miguel Chalub, há um certo exagero nesses números. Ele defende que tanto os pacientes quanto os médicos estão confundindo tristeza com depressão.

    Chalub, psiquiatra e uma das maiores autoridades brasileiras em depressão, afirma que, atualmente, qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. Os pacientes preferem recorrer aos remédios a encarar o sofrimento.”(1) Muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e indicam antidepressivos sem necessidade, exceto os psiquiatras que são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal" e a patológica, segundo Chalub.

    Muitos profissionais se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. Não se pode mais ficar entediado, aborrecido, chateado, porque isso é imediatamente transformado em depressão, afirma Chalub.  É a medicalização de uma condição humana, a tristeza. É transformar um sentimento normal, que todos nós devemos ter, dependendo das situações, numa entidade patológica. Há situações em que, se não ficarmos tristes, é um problema – como quando se “perde” um ente querido. Mas o homem não aceita mais sentir coisas que são humanas, como a tristeza, explica Miguel.

    Para Chalub o que diferencia a "tristeza normal"da patológica é a intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa. É o aperto no peito, dificuldade de se movimentar, a pessoa só quer ficar deitada, dificuldade de cuidar de si próprio, da higiene corporal. Na "tristeza normal", pode acontecer isso por um ou dois dias, mas, depois, passa. Na patológica, fica nas entranhas, informa Chalub.

    Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais médicos. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão, medicar. Agora, os não psiquiatras, não querem ouvir. O paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o ansiolítico.  Eis o problema!

     Muitos aflitos costumam recorrer aos tranquilizantes e se debatem aflitivamente para que a aflição não os alcance a vida cotidiana. É comum nos extasiarmos ante a beleza das estrelas do firmamento, em pedidos ao Criador, a fim de que a angústia não nos  abata e nem nos alcance a caminhada,  ou, ainda  para que os sofrimentos  desviem  para outros rumos. Contudo, a realidade das provas e expiações ante os estatutos de Deus chega  inexorável.

    Ante os ventos impetuosos dos açoites emocionais, nos sentimos vencidos e solitários. Mas, em realidade, o que parece infelicidade ou derrota pode significar intercessão providencial de Deus, sem necessidade, portanto, do uso de tranquilizantes para aliviar a dor.  Em muitos momentos da existência, quando choramos lágrimas de angústias, os Benfeitores se rejubilam de “lá”, da mesma forma em que os pomicultores de “cá” descansam, serenos, após o labor do campo bem podado. A vida é assim!

    Essas lágrimas asfixiantes, muitas vezes representam para nós alegrias nas dimensões superiores da vida espiritual.  Evidentemente nossos protetores do além não folgam porque estejamos em padecimentos atrozes, mas eles sabem exatamente que tal situação sinaliza possibilidades renovadoras no buril do nosso crescimento espiritual.

     Considerando a imagem figurada do campo, recordemos que para toda área de cultivo deve haver o tempo de arroteamento, limpeza e de ceifa necessários. Quando nos encontramos em estado de profunda tristeza, resultante de deslizes que cometemos impensadamente, ante a Lei de Ação e Reação, é natural que soframos os ressaibos amargosos da angústia que amontoamos sobre o coração e o cérebro; todavia, quando os grandes obstáculos e dores na luta diária nos surpreenderem o espírito, em situações que independem de nossa responsabilidade direta, nesta hora a angústia íntima que nos chega nos projeta para escalas superiores de evolução, se suportada com coragem e determinação, alegrando nossos amigos espirituais que se esmeram por nos amparar 24 horas por dia, pois ele veem o nosso esforço em superar com bom ânimo estes momentos angustiantes.

Jorge Hessen

http://jorgehessen.net


Fonte

Disponível no site da Revista ISTOÉ,

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:NqIFpgKm2Q8J:www.isto.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/74405_O%2BHOMEM%2BNAO%2BACEITA%2BMAIS%2BFICAR%2BTRISTE%2B+O+homem+n%C3%A3o+aceita+mais+ficar+triste+isto+%C3%A9&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&client=gmail>acessado em 05-06-10


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28 maio 2010

O ESPIRITISMO DESEJÁVEL É AQUELE DAS ORIGENS, O QUE NOS FAZ LEMBRAR JESUS


Circula pela Internet mensagem atribuída a Frei Beto. Pois bem! "se non e vero, e bene trovato" na essência é possível que sacerdote tenha dito: "as escrituras registram que Jesus passou a vida fazendo o bem , o mesmo se aplica a Francisco de Paula Cândido Xavier, o mais famoso kardecista brasileiro e um dos autores mais lido do País”. Segundo o frei “nos meios católicos contavam-se horrores a respeito do médium de Uberaba. Espíritas e protestantes eram "queimados" na fogueira dos preconceitos até que o papa João XXIII, nos anos 60, abriu as portas da Igreja Católica ao ecumenismo.” Arremata magistralmente o Frei: “Chico Xavier é cristão na fé e na prática. Famoso, fugiu da ribalta. Poderoso, nunca enriqueceu. Objeto de peregrinações a Uberaba, jamais posou de guru. Quem dera que nós, católicos, em vez de nos inquietar com os mortos que escrevem pela mão de Chico, seguíssemos, com os vivos, seu exemplo de bondade e amor".
Como  se vê os comentários são atribuídas a um respeitável religioso não-espírita. E,  quanto a nós, os espíritas!,  como reconhecemos os valores morais de Chico Xavier?
Realizando eventos (congressos)em sua homenagem, excluindo dos “banquetes pomposos” os espíritas pobres com fome de conhecimento? Como está o atual projeto espirita brasileiro? Cremos que deva ser repensado as diretrizes das práticas doutrinárias no Brasil. Para esse escopo consideramos importante trazer para o tema as advertência de Chico Xavier publicado no livro Estudos no Tempo.(1)
Observaremos a seguir que as palavras do Chico são atuais e ecoarão em nossa consciência doutrinária, convidando-nos a um urgente balanço geral, em torno do Movimento Espírita, cujo objetivo deve ser a de reviver o Cristianismo primitivo em sua simplicidade, e que tem na máxima, "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei", a sua expressão maior.(2) E não precisamos fazer um esforço “sobrenatural” para identificar, nas hostes espíritas, um indesejável ranço elitista. Por essa razão Chico alertou "é preciso fugir da tendência à "elitização" no seio do movimento espírita. É necessário que os dirigentes espíritas, principalmente os ligados aos órgãos unificadores, compreendam e sintam que o Espiritismo veio para o povo e com ele dialogar. É indispensável que estudemos a Doutrina Espírita junto às massas, que amemos a todos os companheiros, mas, sobretudo, aos espíritas mais humildes, social e intelectualmente falando, e deles nos aproximarmos com real espírito de compreensão e fraternidade."(3)
Muitas lideranças doutrinárias complicam conteúdos que deveriam ser simples. Coincidentemente, o Cristianismo, durante os três primeiros séculos, era, absurdamente, diferente do Cristianismo oficializado pelo Estado Romano, no Século V. A chama brilhante, nascida na Galiléia, aos poucos, foi esmaecendo, até culminar nas densas brumas medievais. O que se observa, no Movimento Espírita atual, é a reedição da desfiguração do projeto inicial, de 1857. Os comprometidos com o princípio unificacionista brasileiro precisam manter cautela para não perderem o foco do Projeto Espírita Codificado por Allan Kardec, engendrando motivos à separatividade entre os adeptos do Espíritismo. Recordemos que a alma do Cristianismo puro estava estuante nas cidades de Nazaré, Jericó, Cafarnaum, Betsaida, dentre outras, e era diferente daquele Cristianismo das querelas e intrigas de Jerusalém.
Insistimos no tema, lembrando que a ausência de simplicidade observada principalmente nos "centrões espiritas", é lamentável, e, se não formos vigilantes, segundo Chico Xavier, "daqui a pouco estaremos em nossas casas espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais e confrades de posição social mais elevada. Mais do que justo é que evitemos isso (repetiu várias vezes) a "elitização" no Espiritismo, isto é, a formação do "espírito de cúpula", com evocação de infalibilidade, em nossas organizações."(4)
Chico repreende-nos fraternalmente” quando comenta:  "é indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos mensageiros divinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios."(5)  
Na capital do País há grandes centros onde Kardec é um ilustre desconhecido. São centros que apresentam promessas ilusórias para supostas curas de todos os tipos de “males” físicos e espirituais com as mais estranhas terminologias. Além do que permanecem crescendo em quantidade de frequentadores distantes do conselho sábio de Chico Xavier: "o diálogo entre grupos reduzidos de estudiosos sinceros, apresenta alto índice de rendimento para os companheiros que efetivamente se interessam pela divulgação dos princípios Kardequianos."(6)
Para os que estão comprometidos no projeto "unificacionista", evocamos o médium mineiro, que admoestou com energia: "deveríamos refletir em unificação, em termos de família humana, evitando os excessos de consagração das elites culturais na Doutrina Espírita, embora necessitemos sustentá-las e cultivá-las com respeitosa atenção, mas nunca em detrimento dos nossos irmãos em Humanidade, que reclamem amparo, socorro, esclarecimento e rumo. E acrescenta: "Não consigo entender o Espiritismo sem Jesus e sem Allan Kardec para todos, com todos e ao alcance de todos, a fim de que os nossos princípios alcancem os fins a que se propõem."(7)
Em verdade o Espiritismo sonhado por Kardec era o mesmo Espiritismo que Chico Xavier exemplificou por mais de setenta anos, ou seja, o Espiritismo do Centro Espírita simples, muitas vezes iluminado à luz de lampião; da visita aos necessitados, da distribuição do pão, da “sopa fraterna”, da água fluidificada, do Evangelho no Lar. Sim! O grande desafio da Terceira Revelação deve ser o crescimento, sem perder a simplicidade que a caracteriza como REVELAÇÃO. O evangelho é a frondosa árvore fornecedora dos frutos do amor. Urge entronizar a força da mensagem de Jesus, sem receio dos phd’s espíritas , os kardequiologos de vigília, sem temor das críticas dos espíritas de “gabinete”, dos aventureiros ideológicos que pretendem assumir ou assenhorear as rédeas do Movimento Espírita no Brasil.
O Espiritismo desejável é aquele das origens, o que nos faz lembrar Jesus, ou seja, o Espiritismo Consolador prometido, o Espiritismo em sua feição pura e simples, o Espiritismo do povo (que hoje não pode pagar taxas e ingressar nos Congressos doutrinários), o Espiritismo dos velhos, o Espiritismo das crianças, o Espiritismo da natureza, o Espiritismo “debaixo do abacateiro”. Obrigado, Frei Beto!  
Jorge Hessen
http://jorgehessen.net



Fontes
(1)    Xavier Francisco Cândido. Encontros No Tempo, SP: Ed. IDE, 2005
(2)    Jo 13,34
(3)    Entrevista concedida ao Dr. Jarbas Leone Varanda e publicada no jornal uberabense: "Um encontro fraterno e uma Mensagem aos espíritas brasileiros"). Da Obra "Encontros No Tempo" - Entrevistas Com O Médium Francisco Cândido Xavier, Assistido Pelo Espírito De Emmanuel.Organização E Notas: Hércio Marcos Cintra Arantes
(4)    idem
(5)    idem
(6)    Entrevista ao Jornal Unificação, de São Paulo/SP, e publicada em sua edição de julho/agosto de 1977, com o título: "Nosso jornal entrevista Chico Xavier"). Da Obra "Encontros No Tempo" - Entrevistas Com O Médium Francisco Cândido Xavier, Assistido Pelo Espírito De Emmanuel. Organização E Notas: Hércio Marcos Cintra Arantes
(7)    idem