26 julho 2010

JORGE HESSEN PARTICIPA DA SEMANA ESPÍRITA DE LONDRINA

O Consolador
Revista Semanal de Divulgação Espírita
Ano 4 - N° 168 - 25 de Julho de 2010
FERNANDA BORGES
fsilva81@gmail.com
Londrina, Paraná (Brasil)


19ª Semana Espírita de Londrina reúne quase 3 mil

Evento que já é tradicional na região contou com a presença de palestrantes renomados no movimento nacional; cerca de 15 grupos artísticos passaram pelo Centro Espírita Nosso Lar
Com um tema que chama a atenção nos tempos atuais, em que os principais aspectos abordados estiveram ligados a questões como doenças adquiridas pela ausência de uma vida equilibrada, a 19ª Semana Espírita de Londrina lotou o auditório do Centro Espírita Nosso Lar praticamente em todos os dias de evento. A semana foi realizada nos dias 10 a 17 de julho e reuniu cerca de 2,8 mil pessoas. Além dos palestrantes, o evento concentrou uma gama de grupos artísticos que levou a mensagem da Doutrina Espírita por meio de belíssimas canções e interpretações teatrais não só para o público adulto, mas também para as 223 crianças que participaram da 10ª Semaninha Espírita e também da 6ª Noite Cultural (fotos).
Promovida pela União das Sociedades Espíritas de Londrina - USEL, a Semana Espírita trouxe para Londrina figuras importantes e nacionalmente conhecidas no meio espírita, como os conferencistas e escritores Richard Simonetti, Orson Peter Carrara e Emanuel Cristiano. Também participaram do evento outros renomados palestrantes como o médico José Antônio Vieira de Paula, Jorge Hessen, Irvênia Prada; Dilermando Massei, Célia Xavier de Camargo e Osny Galvão, de Londrina.
Com o tema “Qualidade de Vida e Imortalidade”, o evento deste ano concentrou palestras com diretrizes importantes não só para espíritas mas principalmente para aqueles que buscam informações que possam contribuir para a sua reforma íntima. Perdão, perispírito, consciência plena, trabalho, solidariedade foram apenas alguns dos assuntos apresentados em algumas das palestras que atraíram pessoas de diversas religiões.
Os temas apresentados – Eis os temas e os palestrantes que os expuseram durante os oito dias da Semana Espírita:

Dia 10 - Emanuel Cristiano. Tema: "Trabalhadores da Casa Espírita".

Dia 11 - José Antonio Vieira de Paula. Tema: “Reencarnação baseada em evidências”.

Dia 12 - Jorge Hessen. Temas: "Cânceres e Comportamento Moral: Toda Doença será Reflexo do Estado Mental do Doente" e "Palavra de Ordem: Perdoar".

Dia 13 - Osny Galvão. Tema: “Perispírito”.

Dia 13 - Orson Peter Carrara. Tema: “Por que adoecemos?”.

Dia 14 - Orson Peter Carrara. Tema: “Fim do Mundo em 2012? Mortes coletivas, flagelos destruidores e transformação do planeta”.

Dia 14 - Dilermando Massei. Tema: “A Doutrina e o Evangelho”.

Dia 15 - Irvênia Prada. Temas: “Ciência e espiritualidade” e “A Doutrina Espírita como base para a trajetória de nossa transcendência”.

Dia 16 - Célia Xavier de Camargo. Tema: "Vivendo com a consciência espírita".

Dia 16 - Richard Simonetti. Tema: “Uma Receita de Vida”.

Dia 17 - Richard Simonetti. Tema: “Trabalho, Solidariedade e Tolerância: máxima de Kardec”.

Jorge Hessen
A importância do perdão – Com o tema “Palavra de ordem: Perdoar”, o carioca Jorge Hessen, articulista conhecido por sua atuação em inúmeros periódicos espíritas, radicado em Brasília (DF), proferiu uma palestra grandiosa e importante para uma reflexão acerca do tema. Segundo ele, o ser humano tem uma tendência natural de se sentir vítima, aborrecido com as coisas da vida e isso, de acordo com Hessen, ocasiona uma ligação imediata com Espíritos que potencializam em nós o sentimento de vingança. “Temos que nos conhecer mais para não nos sentirmos bem com as desgraças alheias. A indignação, quando constante na nossa vida, é obsessão, mas quando ocorre algumas vezes é como um estado de ânimo que precisa ser manifestado. Quem se cala diante de tudo comete um crime, é como se estivéssemos permitindo o mal tomar conta do planeta”, destacou.

O palestrante fez questão de salientar que não há santos em nosso planeta, mas que o momento presente em que todos vivemos é de mudança e transformação; portanto, segundo ele, devemos seguir numa constante melhora, educando-nos e ajudando os que convivem conosco a se educar também. “A moral se conquista com o tempo. Por isso precisamos entender que o processo de amor em nossas vidas deve começar com o nossos mais próximos”, apontou.


Jorge Hessen e M. Eleusa (Esposa)
Ainda segundo Hessen, muito acima das leis humanas, existem as leis divinas, que, segundo ele, abrangem a todos nós de maneira plena e verdadeira. Para ele, o verdadeiro perdão é quando jogamos um véu no passado. “O magoado é aquele que de alguma forma não consegue esquecer o que lhe incomodou. Precisamos exercitar o perdão e, mais que isso, o autoperdão. Quem não consegue se autoperdoar não está preparado para perdoar os que estão ao seu redor”, disse.

Por que adoecemos? – Foi com esse tema que o escritor e jornalista Orson Peter Carrara, paulista radicado em Matão (SP), falou sobre as consequências que todos enfrentam, de acordo com os ensinamentos da Doutrina de Kardec, em relação às enfermidades que vão se manifestando ao longo da vida.

Segundo o orador, todas as doenças têm origem na alma, ou Espírito. “Cada um de nós reage de uma forma diante das adversidades da vida. Há aqueles que sofrem tensões musculares, há outros que desencadeiam aftas na boca e assim por diante. Quando nos permitimos ficar tristes, nossa alma é quem fica triste. Joanna de Ângelis noslembra que devemos travar uma luta sem tréguas contra nós mesmos. Isso, segundo a mentora espiritual, deve ser feito para que possamos conquistar virtudes que nos ajudarão em nossas vidas”, disse.

Orson e Marinei

Orson Carrara

Segundo Orson, Deus estabeleceu leis sábias que nos possibilitam o retorno em benefício de nós mesmos de acordo com o que fizermos. Ele explicou que a saúde é uma condição de harmonia entre as funções da alma, do perispírito e do corpo. A doença, de acordo com o palestrante, ocorre quando há a perda dessa harmonia. “Excessos como o álcool, drogas, o comer exagerado, o sexo desenfreado, atos infelizes praticados deliberadamente ferem os tecidos sutis do perispírito alterando a forma física dele, no qual se manifestarão deficiências, que são purificadoras”, reforçou.

Para ele, a finalidade das doenças está no ato de nos reeducarmos. “A mágoa é um sentimento inútil e que só serve para tirar a nossa felicidade. Ela é uma das causas de tumores cancerígenos, além dos acionadores do processo de AVC (acidente vascular cerebral), infarto etc. A mágoa atinge diretamente nosso coração e é a causa de muitas enfermidades”, disse.

O palestrante acredita que a medida que deve ser tomada para o processo de transformação íntima está na emergência de nos tornarmos pessoas facilitadoras diante da vida. “Precisamos usar mais a gentileza, alimentar a alma com coisas que nos fazem bem. Ouvir uma música ou ver um filme que comove, ler livros que nos enobrecem a alma, voltarmos nossas atenções para as belezas da natureza, enfim, nos envolvermos em atividades que tenham como foco os ensinamentos de Jesus.” No final de sua palestra, o orador fez o sorteio de inúmeras obras espíritas para o público presente com o objetivo não só de divulgar a Doutrina, mas principalmente o de estimular o hábito da leitura naqueles que ouviram suas abordagens.

Richard Simonetti

A máxima de Kardec – Além da palestra sobre o tema “Uma Receita de Vida”, o conhecido escritor Richard Simonetti, de Bauru (SP), ministrou um seminário em que examinou uma das máximas do Codificador do Espiritismo: “Trabalho, Solidariedade e Tolerância”. Para o orador, que é colaborador assíduo de jornais e revistas espíritas, o ser humano confunde felicidade com “não fazer nada”. “Essa tendência está tão arraigada no ser humano que algumas religiões ortodoxas chegam a pregar um céu para onde as pessoas iriam após a morte e ali viveriam em eterna contemplação sem fazer nada”, observou o palestrante.

Lembrou em seguida que a maioria das pessoas, nos tempos atuais, acreditam que paz de espírito significa ausência de responsabilidades. Segundo ele, o homem está fora do ritmo da harmonia universal. “Quem é que promoveu a evolução? Se Deus parasse de pensar um só minuto seríamos um desastre. Desde os primórdios da Terra, Jesus trabalha, então quem somos nós para ficarmos parados?”, destacou ele.

Simonetti lembrou ainda a questão número 674 de O Livro dos Espíritos que nos ensina que o trabalho é uma lei da natureza e por isso mesmo é uma necessidade. Segundo ele, quanto mais o homem vai se civilizando, mais ele precisa de trabalho. “Vestimentas, alimentação, moradia, tudo está inserido no trabalho. A imposição do trabalho é uma bênção porque é por meio dele que desenvolvemos nossas habilidades”, explicou o palestrante.

Num quadro, o expositor fez questão de ilustrar a problemática do tempo na vida de uma pessoa comum. Segundo ele, em 168 horas de uma semana, distribuindo todas as atividades realizadas ao longo desse período, aí incluídos os compromissos profissionais, os serviços domésticos, a atenção aos familiares, o repouso noturno, o tempo gasto com alimentação e higiene, há ainda uma sobra de 40 horas, um tempo que não é geralmente bem utilizado pelas pessoas. “O que é que vamos fazer com essas horas que nos sobram? Devemos nos ocupar com atividades ligadas diretamente à universalidade e à eternidade. Trabalhos que mostrem que não estamos sozinhos neste mundo e que podem ajudar nossos irmãos que necessitam de algum tipo de ajuda.”

Para Simonetti, a máxima de Kardec ainda está longe da realidade de muitas pessoas. “Tem gente que aproveita o tempo de folga e vai pra praia, outros vão pra favela. Não estamos aqui criticando aqueles que vão para a praia”, observou o palestrante. O que é lamentável é ver pessoas usarem tão mal o seu tempo, destinando-o tão-somente ao lazer. “Lazer que não se aproveita com a nossa evolução é perda de tempo. Trabalhar no campo do bem é servir, assim já diziam figuras importantes como Gandhi”, lembrou.

22 julho 2010

POR QUE OS LIVROS ESPÍRITAS SÃO TÃO CAROS?

Tenho recebido emails com insistentes propagandas para vendas de seminários pagos, congressos pagos, livros espíritas caros  e quejandos. Recorri ao Evangelho Segundo o Espiritismo e constatei no Capítulo XXVI - "Dar de Graça o que de graça receber", quando  Kardec cita o trecho  de Mateus : "E entrou Jesus no Templo de Deus e lançava fora todos os que vendiam e compravam no Templo; e pôs por terra as mesas dos banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas. E lhes disse: escrito está! A minha casa será chamada de casa de ORAÇÃO, mas vós a tendes feito covil de ladrões." No item 6 do capítulo Kardec ainda comenta: "Jesus expulsou os vendilhões do Templo. Com isso, condenou o trafico das coisas santas sob qualquer forma que seja. Deus não vende nem sua benção, nem o seu perdão, nem a entrada no Reino do Céu; assim, o homem não tem o direito de se fazer pagar.

Certa vez , após fazer comentários  sobre  livros espíritas  que são vendidos a preços altos, um confrade nos  retrucou:  “os livros espíritas não são caros. O povo brasileiro é que ganha pouco.”(!?)  Em seguida outra ouvinte argumentou: “Os livros espíritas devem ser vendidos a preço de mercado.” Explicamos aos interlocutores que o livro espírita deveria ser vendido a preço MUITO abaixo de mercado, SIM! Até porque vendê-lo barato não significaria desvalorizar a nossa doutrina e, muitíssimo menos estaríamos propondo ostentação de uma humildade aparente.
Um livro de preço mais acessível  a todos vai despertar o interesse pela leitura, sem dúvida nenhuma. Em verdade, os espíritas assalariados ou até mesmo DESEMPREGADOS não têm acessos aos bons livros de André Luiz , por exemplo.  Por essa razão,  os menos afortunados  não adquiriram cultura de ler, pois os livros sempre lhe foram negados pelo famigerado mercado. É inaceitável a velha cantilena de que se o livro for gratuito mesmo assim o espírita pobre não se interessará em lê-lo.
Um outro  argumentou: “Há muitas bibliotecas espíritas disponibilizando livros para empréstimo, a custo zero,  no entanto vivem às moscas. Basta pesquisar, no Brasil inteiro.” Embora, aparentemente correta a opinião ela não se sustenta  em si, até porque não há pesquisa  para sua comprovação - portanto -  argumento falsíssimo.
Em verdade, os livros espíritas podem ser escritos de algumas  maneiras: psicografados (quando são ditados pelos  espíritos através de médiuns), intuídos (quando o autor se vale da intuição), fruto de pesquisa (quando o autor recorre às fontes e tece seus comentários), etc... Cada tipo de livro e autor buscam abordar o Espiritismo por certos aspectos, seja filosófico, moral (religioso) ou científico, a fim de que todos os campos da literatura sejam preenchidos e estudados à luz da Doutrina Espirita. As Obras da Codificação (Pentateuco  kardeciano)  nos explicam e auxiliam a vivenciar o Espiritismo Cristão e norteiam nossos caminhos como seguidores do Cristo.
A apropriação do conhecimento doutrinário deve ser obtida  obrigatoriamente através dos  livros publicados por Allan Kardec e das obras literárias complementares que estão disponíveis em diversos títulos que permitem ao leitor avançar no conhecimento da Terceira Revelação. São livros para estudos, dos mais simples aos mais avançados, e livros para reflexão, que nos fazem repensar nosso modo de viver e a forma de construirmos uma vida mais equilibrada.
Os romances já consagrados (sérios), são  muito populares  entre os leitores, e narram a vivência do Espiritismo no dia-a-dia, não só em histórias e crônicas contadas por espíritos que as vivenciaram, mas também com histórias desenvolvidas por autores sob boas inspirações.  Nos livros romanceados, existem aqueles que trazem temas destinados aos jovens e abordam assuntos específicos dos conflitos da adolescência, para que os mesmos se interessem pela literatura  espírita. Há os livros infantis, escritos sempre de maneira simples e divertida, contendo ilustrações atrativas, com histórias de fácil compreensão e assimilação que propõem introduzir a criança ao Espiritismo cristão.

Em verdade,  a literatura espírita é riquíssima e bastante ampla. Através dela podemos encontrar as respostas a todos nossos questionamentos pessoais, além de perceber que o mundo espiritual está muito mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos. Por tudo isso,  vale aqui  algumas  considerações , a propósito de como o livro espírita tem chegado ao leitor e este ao livro.
O que e como fazer a respeito da comercialização dos princípios espíritas através dos livros,  sem contradizer com o compromisso doutrinário que deve favorecer  o diálogo com o povo, especialmente os menos favorecidos materialmente?
Não vão nossas palavras destinadas àqueles que  revertem os lucros do livro espírita em prol das comprovadas obras assistenciais (creches, asilos, hospitais etc...),  mas  para editoras que industrializam livros espíritas a preços escorchantes, excluindo os espíritas menos aquinhoados do nosso País.
Não cremos que o materialismo esteja sendo cada dia mais desmoralizado, como sói acreditar alguns "espíritas" (ora! a ganância ao lucro é atitude materialista indiscutivelmente). A rigor,  os livros espíritas, que poderiam ajudar a população a se espiritualizar, estão cada vez mais inacessíveis  e estão tornando-se artigo de luxo. Não estamos exagerando , não!!Existem publicações de livros confeccionados  ricamente com capas duras e douradas, desenhadas, charmosas , que custam “o olho da cara”! (como dizia minha avó paterna). Obviamente,  essas relíquias são destinados aos endinheirados. Mas, e os livros – digamos -  mais populares? Até  mesmo esses  têm preços bastante impopulares.

O Brasil está entre os sete países com maior desigualdade social do Planeta. Na "Pátria do Evangelho" há uma multidão de brasileiros  sedenta de conhecimento espírita começando a se interessar pelos livros.  Parte desse contingente  ou está DESEMPREGADA,  ou é assalariada, trabalhadora honesta que pega no batente de sol a sol,  e mal consegue recursos financeiros para transporte, aluguel, água , luz, remédios e até para comer a fim de  sobreviver com dignidade. Será que  nossos confrades menos favorecidos materialmente permanecerão no Espiritismo quando se sentirem aviltados nos seus bolsos em face da exploração comercial do livro?
Há pessoas que se deixam enganar com muita facilidade e acabam acreditando  que “tudo tem que ser bem caro” e defendem essa  idéia porque os conceitos espíritas têm  muita qualidade. (pasmem!)  Essa é uma opinião e como toda opinião pode ser respeitada! Porém não necessariamente aceita, por ser uma troça para confrades que sobrevivem de salários.
Sabe-se que Chico Xavier, ao doar suas produções psicográficas, durante a sua missão do livro ,  o fez pensando nos trabalhos em prol dos carentes e não para manter grupos de elite fechados em seus  insofreáveis pendores de exploração comercial das coisas divinas.

O médium mineiro , logo quando  começou a psicografar e ao saber e ver seus livros sendo vendidos , exclamou: - Que ótimo! Mas, eu ainda acho que devíamos é pagar as pessoas para lerem os livros que psicografo. Não  creio que o Chico  tenha se exagerado, nessa espontânea manifestação, até porque,   ciente do valor do conteúdo dos livros e como instrumento dos espíritos que publicou, ele quis mostrar que não psicografava para ganhar  dinheiro e sim pelo bem que os livros fariam às pessoas de TODAS AS CLASSES SOCIAIS.
Creio que o livro espírita , se não pode ser gratuito (em face do custo de produção  pelo menos que seja baratinho) isso é uma estratégia verdadeiramente cristã, principalmente em época de Internet que tem democratizado o acesso aos livros por qualquer pessoa, graças a Deus!.


Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

REFLEXÕES ESPÍRITAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE VIDAS FORA DA TERRA


O astrofísico Carl Sagan(1) encarou o assunto da pluralidade dos planetas habitados sem estardalhaço e com  muita seriedade. Ouçamos seu testemunho: “descoberta da inexistência de micróbios em Marte era questão extremamente importante. Estamos sozinhos no universo ou há outros seres? Existem micróbios em outros mundos? E vida inteligente? Não há respostas fáceis, não basta pousar uma vez em Marte para saber se existem por lá uns seres esverdeados ou não. Como poderíamos, hoje, concluir que não há vida no resto do universo se existem 400 bilhões de sóis apenas na Via Láctea, a galáxia em que está a Terra, e se há pelo menos mais 100 bilhões de galáxias além da nossa? A química que produz a vida é reproduzida facilmente por todo o cosmo. Por que seríamos tão privilegiados? O universo é três vezes mais velho que a Terra; devem existir, portanto, lugares em que houve mais tempo para a evolução biológica que em nosso planeta. Parece improvável que sejamos os únicos seres inteligentes.  É possível, mas é improvável.”(2)
Nos EUA a NASA tem informado que há uma calota rica em gelo polar com  aproximadamente 1.000 km no planeta Marte.  Nessa linha de descobertas, recentes análises identificaram que o oceano da lua “Europa”, na órbita de Júpiter, descoberta em 1610 por Galileu Galilei, deve ter mais oxigênio do que os oceanos da Terra, segundo “Richard Greenberg, cientista da Universidade do Arizona.”(3) Essa descoberta é uma pista de que o satélite jupteriano tem o poder de abrigar vida, como na Terra, mesmo que seja apenas microbiana. A lua Europa, que tem aproximadamente o mesmo tamanho da Lua da Terra, tem um oceano com cerca de 160 km de profundidade. Pelo que sabemos a partir da Terra, onde há água existe chance de ter vida.
 No livro “Cartas de Uma Morta”, o Espírito Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier, descreve aspectos interessantes e surpreendentes sobre a vida noutros orbes.  Em “Novas Mensagens”, livro ditado pelo Espírito Humberto de Campos, nos traz informações interessantes sobre a vida marciana. Sabemos que até hoje as mais variadas incursões científicas (através de sondas espaciais) não foram capazes de comprovar vida por lá. Diversas imagens nos foram transmitidas, entretanto, em momento algum foram encontrados quaisquer indícios de vida orgânica, como a temos na Terra. Destarte, a que dimensão de vida, se referiram os Espíritos Humberto de Campos e Maria João de Deus em suas narrativas?
Muitas revelações demonstram contradições “aparentes” sobre vida em outros mundos, por isso, Kardec, cautelosamente, ao tratar da vida humana “material” fora da terra, procurou não adentrar em minúcias, seguindo pela análise do viés moral dos habitantes de outros orbes. O mestre de Lyon indagou aos Benfeitores: “Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?” Os Mentores explicaram: “Sem dúvida possuem corpo, porque é preciso que o Espírito esteja revestido de matéria para agir sobre a matéria. Porém, esse corpo é mais ou menos material, de acordo com o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. E é isso que diferencia os mundos que devem percorrer; porque há muitas moradas na casa de nosso Pai e, portanto, muitos graus.” (4) O Codificador insiste na indagação: “Há mundos em que o Espírito, deixando de habitar um corpo material, tem apenas como envoltório o perispírito?” Os de “lá” explicaram: “Sim, há. Nesses mundos até mesmo esse envoltório, o perispírito, torna-se tão etéreo que para vós é como se não existisse.”(5)
Em verdade a Doutrina Espírita, em seus princípios, preconiza a pluralidade dos mundos habitados. Em “O Livro dos Espíritos” no cap. III (Da Criação, questões 55 a 58), deixa claro essa possibilidade, mostrando a importância do assunto, bem como em outras obras da Codificação.  “Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de Ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes”.(6) Aprendemos com os Espíritos que “há mundos cujas condições morais dos seus habitantes são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria; há mundos mais ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim dizer, toda espiritual.”(7) Aliás, até mesmo o Sol, embora não tenha habitantes; “contudo, é local de reunião de espíritos superiores.”(8)
Desde as mais remotas eras, o Universo tem nos mostrado sobre a possibilidade de existência de vida fora da Terra. O bom senso nos impõe a certeza de que Deus não ergueria bilhões de corpos celestes apenas para nosso deleite visual noturno.   Emmanuel, no livro “A Caminho da Luz”, narra sobre um sistema planetário distante da Terra (cerca de 42 anos-luz), localizada na Constelação de Cocheiro que, entre nós, foi batizado pelo nome de Cabra ou Capela. Segundo o Benfeitor, “há muitos milênios, um dos orbes de Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos. As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos, deliberam, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.” (9)
Ressalte-se, porém, que, muito embora decaídos moralmente, aquela falange de exilados manteve em seu inconsciente todos os progressos intelectuais e formaram desse modo o grupo dos árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia. Cremos que seres de outros sistemas planetários, ainda hoje, têm reencarnado na Terra.  Na questão 172, de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou: “As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?” os Espíritos responderam: “Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.” (10) De acordo com o ensinamento dos Espíritos, de todos os globos que compõem o nosso sistema planetário, “a Terra é onde os habitantes são menos avançados, tanto física como moralmente.”(11)
A Astrofísica demonstra que a matéria do nosso planeta tem os mesmos elementos químicos dos astros distantes. As leis físicas daqui são exatamente as mesmas que vigoram lá. Não há mais razão para negar ou afirmar que a Terra é o único planeta habitado do Universo. Até porque desde toda a eternidade Deus criou mundos materiais e seres espirituais, pois se assim não fora tais mundos careceriam de finalidade.”(12)
Fontes:
(1) Ex-diretor do Laboratório de estudos Planetários e professor de Astronomia da Universidade de Cornell de Ithaca. Autor de obras de divulgação científica de grande sucesso. Foi conselheiro científico da NASA e colaborou nos programas das sondas planetárias Viking e Voyager
(3) Disponível em http://Space.com
(4) Na questão 181
(5) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 186
(6) Idem questão 55
      (7) Kardec, Allan; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2001, 3º Cap. itens 3 e 4
(8) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questões 172 a 188
      (9) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro, 1999
(10) Kardec, Allan; O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2000, questão 172
(11) idem  188
(12) Kardec, Allan.  A Gênese, Rio de Janeiro, Ed FEB, 2003, Cap. XI, n°s 7 a 9

16 julho 2010

DETERIORIZAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NUMA ANÁLISE ESPÍRITA


A Natureza é sempre o livro divino, onde Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem. Todavia, o atual e desenfreado sistema econômico é uma das barreiras que impedem a consciência de sustentabilidade ambiental. Não é preciso ter o dom da profecia, para sabermos o catastrófico cenário no porvir do nosso Planeta.

Estamos na iminência de desastres ecológicos, de consequências imprevisíveis, em face da rota de colisão entre o homem e o meio ambiente. Um relatório de uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) que estudou as mudanças climáticas, é sombrio: "Até o fim do século, três de cada dez espécies de seres vivos desaparecerão do Planeta, e a vida humana será profundamente afetada"(1).

Estudos indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”(2). O estudo estima que o problema do clima afete 325 milhões de pessoas, anualmente, e que, em duas décadas, esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade.

 Os resultados dessa síndrome são alarmantes, como o aquecimento e a alteração do clima, precipitando a ocorrência de furacões, tempestades severas e, até, terremotos; o efeito do "El Niño e La Niña", também é aterrorizante, pois que acelera o degelo das calotas polares, aumentando, consequentemente, o nível do mar e inundando regiões litorâneas. Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico. São reais os registros de diminuição das geleiras no Himalaia, nos Andes, no Monte Kilimanjaro, e a única estação de esqui da Bolívia, Chacaltaya, pôs fim à sua atividade, pela escassez de neve naquela região.

Os recursos "renováveis" que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente, levando-se em consideração a utilização da água potável. Certamente no futuro a sua posse (água potável) pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.

É urgente que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor à natureza.

A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os seres humanos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, no livro "O universo numa casca de noz", comenta que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”(3). Hawking explica, que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima”(4).

Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível. "O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, destarte, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência"(5).

Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo que ainda temos que conviver com esse desrespeito oficializado ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece é que a  necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”(6). Realmente a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral.

Devido a esses estertores de aguda dor provinda da “Mãe-Terra”, surgem, em várias partes do mundo, grupos de pessoas fanáticas, que criam seitas e cultos estranhos; abandonam emprego, família, à espera do “juízo final". “Na França há cerca de 200 seitas catastrofistas, com 300 mil adeptos. Nos Estados Unidos, 55 milhões de americanos acham que falta pouco para o mundo acabar”(7).

Os terremotos, os furações, as inundações, as erupções vulcânicas e outras catástrofes naturais são e serão parte inevitável da dinâmica da natureza. Isso não significa dizer que não possamos fazer alguma coisa para nos tornarmos menos vulneráveis. "Aprender com as catástrofes de hoje para fazer frente às ameaças futuras”(8). Somos esclarecidos por Allan Kardec, que os grandes fenômenos da Natureza, aqueles que são considerados uma perturbação dos elementos, não são de causas imprevistas, pois "tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus"(9).

O Livro dos Espíritos afirma ser “preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamamos destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos”(10). Porém,  qualquer destruição não pode ocorrer antes do tempo. “Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do princípio inteligente.”(11)

Os flagelos da natureza podem ter utilidade, do ponto de vista físico, não obstante os males que ocasionam, pois que “muitas vezes mudam as condições de uma região. Mas, o bem que deles resulta só as gerações vindouras o experimentam”(12). A Terra não terá de transformar-se por meio de uma hecatombe que destrua de vez uma geração inteira. Até porque, os preceitos espíritas indicam que a atual geração desaparecerá gradativamente e uma nova lhe sucederá naturalmente, ou seja, uma parte dos espíritos que encarnavam na Terra não mais tornarão a encarnar.

Por mais difíceis que sejam os desafios a enfrentar, por conta da própria incúria humana, dinamizemos a vontade de nos harmonizar com a natureza. Não podemos esquecer que Jesus é o Caminho que nos induz aos iluminados conceitos da Verdade, onde recebemos as gloriosas sementes da sabedoria, que dominarão os séculos vindouros, preparando nossa vida terrena para as culminâncias do amor universal no mais profundo respeito à natureza.

Ante os impactos ambientais recordemos sempre que a mensagem do Cristo é o grande edifício da redenção humana em favor da natureza e da sociedade, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou nas consciências de Albert Schweitzer, Vicente de Paulo, da irmã Dulce, de Francisco de Assis, da Madre Teresa de Calcutá, de Chico Xavier e de Mahatma Gandhi.

 

Jorge Hessen

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Fontes:

(1)       Relatório da comissão que estuda as mudanças climáticas, da ONU (Organização das Nações Unidas), 2007

(2)       Conforme Relatório Fórum Humanitário Global (FHG), instituição com sede em Genebra

(3)       Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).

(4)       Hawking, Stephen. O Universo Numa Casca de Noz, São Paulo: Ed. Mandarim, 2a Edição, (2002).

(5)       Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, questão 121

(6)       Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733.

(7)       Publicado na Revista ISTO É, de 4 de agosto de 1999

(8)       Mensagem do ex-Secretário-Geral da ONU , Kofi Annan, Por ocasião do Dia Internacional Para a Redução das Catástrofes Naturais, de 11 de Outubro de 2006, conforme veiculada pelo Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas – RUNIC.

(9)       Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 536

(10)     idem, questão 728

(11)     idem, questão 729.

(12)     idem, questão 739.