22 agosto 2010

PARADOXOS HUMANOS


Gail Posner, uma socialite americana que dividia uma mansão de sete quartos em Miami com sua cadela e mais dois cães, faleceu aos 67 anos recentemente e no testamento veio à tona a divisão de bens. À cadela coube a posse do imóvel, no valor de US$ 8,3 milhões, e um fundo de US$ 3 milhões. Leona Hemsley, outra magnata de Nova York, deixou um fundo de investimento no valor de US$ 12 milhões para Trouble, sua maltês e excluiu os netos do testamento.  A bilionária apresentadora de tevê Oprah Winfrey reservou US$ 30 milhões de sua fortuna para seus vários cachorros. A cadela da atriz Drew Barrimore deve herdar a casa da atriz, avaliada em US$ 3 milhões A condessa alemã Karlotta Liebenstein deixou US$ 194 milhões para o pai de Gunther IV, o pastor alemão Gunther III, em 1992. O cachorro morreu e o fundo em que o dinheiro ficou aplicado tem hoje US$ 372 milhões.
Na opinião de  alguns psicólogos esse tipo de atitude extrema é um recado claro: “Deixei minha herança para o cachorro porque ganhei muito mais amor do meu bicho.” Obviamente,  para chegar a esse ponto, a pessoa deve ter uma aversão muito grande aos  seres humanos ao seu redor. O Professor da Universidade da Virgínia (EUA), Jonathan Haidt, em seu livro "The Happiness Hypothesis", diz: "a família e os amigos são mais relevantes do que o dinheiro e a beleza. Uma condição que nos torna felizes é a capacidade de nos relacionarmos e estabelecermos laços com os demais.”(1) “Para muitas pessoas, o animal é uma referência emocional, porque ele não faz julgamentos e tem fidelidade incondicional.”(2)
Se fôssemos consciente da necessidade da prática do bem, não haveria situações tão extremadas de todos os tipos de aberrações, como as doações de fortunas para animais, a guerra do crack, seqüestros, prostituição, poligamia, traição, inveja, racismo, inimizades, tristeza, fome, ganância e guerras. Não encontraríamos pessoas perambulando pelas ruas, embriagadas, sujas, cabelos desgrenhados, roupas ensebadas, catando coisas no lixo ou esmolando um pedação de pão.
Desfrutamos de uma realidade tecnológica que, num passado recente, era impossível imaginarmos, exceto nos filmes de ficção. Recordo-me do início da década de 70, quando não havia como pensar em fornos de microondas, aparelhos de videocassete, telefones celulares, microcomputadores, cartões magnéticos, e, principalmente, a Internet. No entanto, atualmente, são recursos comuns. Porém, ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao mesmo tempo em que ainda temos que conviver com a febre amarela, a tuberculose, a AIDS, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, etc.).
Ante os paradoxos humanos, nem tudo está perdido. Sabemos que desde o século XIX, os milionários americanos seguem a tradicional prática de mecenato e filantropia com doações milionárias para museus, salas de concerto e universidades. Inclusive, muitos milionários não esperam mais a morte para doar parte da fortuna para causas sociais. "O modelo do velho moribundo na cama do hospital que deixa tudo para uma fundação está superado. Agora, o sujeito monta uma fundação aos 30, 40 anos de idade. Desta forma, os doadores controlam melhor o destino dado ao dinheiro para que ele seja aplicado exatamente nas causas que eles escolheram.”(3)
Além da vontade de resolver problemas sociais, os magnatas têm outra razão para doar seu dinheiro enquanto ainda estão vivos. Não querem deixar grandes heranças para os filhos com medo de estragá-los. Nos Estados Unidos, a figura do self-made man, aquele que faz fortuna por si próprio, é muito valorizada. Daí a crença de que grandes heranças roubariam a possibilidade de os herdeiros terem a sensação de que realizaram algo.
No topo do ranking dos doadores aparece Bill Gates  e sua esposa, Melinda. A Fundação Bill & Melinda Gates investe em projetos de saúde e educação em vários países , inclusive no Brasil. Warren Buffett, investidor e industrial de 79 anos cuja fortuna é calculada em 47 bilhões de dólares, afirmou que mais de 99% da sua riqueza irá para a filantropia durante vida ou quando morrer.
Nesse panorama promissor, a mensagem do Cristo é um elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, como um dia penetrou no desprendimento de Vicente de Paulo, na majestosa solidariedade de irmã Dulce, na bondade de Francisco de Assis, na suprema dedicação de Teresa de Calcutá e no amor de Chico Xavier.
É urgente aprendermos a fazer o bem incondicional, e nesse comportamento podermos soltar o sereno grito como o fez Paulo: "Já não sou quem vive, mas o Cristo é quem vive em mim.”(4) Precisamos exercer o Evangelho nos múltiplos setores da sociedade, porque a natureza nos ensina que temos uma fatalidade biológica (vamos todos desencarnar um dia), porém, a forma de nos comportarmos dentro do limite berço-túmulo é da nossa livre escolha. Podemos alcançar a sublimação com o simples querer, mas, sempre, movidos por uma fé calcada nas boas obras em favor do próximo.


Fontes:

(1)    IstoÉ independente, N° Edição:  1925 |  13.Set - 10:00 |  Atualizado em 21.Ago.2010, disponível  http://www.istoe.com.br/reportagens/4955_SEGREDOS+DA+FELICIDADE?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage
(2)    Cf. Mario Marcondes, veterinário e diretor do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo.
(3) Cf. Rick Cohen, diretor executivo do Comitê Nacional de Filantropia Responsável
(4) Gl 2,20

18 agosto 2010

FEIRÕES DO ABORTO, VERDADEIRA TRAGÉDIA MORAL

Pesquisa, conduzida pela Universidade de Brasília, demonstra que ultrapassa de cinco milhões o número de mulheres brasileiras que já abortaram. Segundo a antropóloga e professora da UnB, Débora Diniz, uma mulher em cada cinco, aos 40 anos, fez aborto. Os dados confirmam que 5 milhões e 300 mil mulheres em algum momento da vida já fizeram aborto. Isso é fato constatado. Como resolver a questão?

As clínicas clandestinas existem e são verdadeiros feirões do aborto. Seus proprietários estão milionários. Não é para menos, pois chegam a cobrar R$ 800,00 para uma curetagem, R$ 1.200,00 para a sucção e R$ 1.800,00 para destroçarem o bebê através do vácuo. Especialistas afirmam ainda que as vítimas de complicações de aborto nessas clínicas acabam tendo que serem socorridas pelo sistema de saúde público, o Sistema Único de Saúde (SUS). Uma pesquisa do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo levantou um número espantoso. Entre 1995 e 2007, a curetagem depois do procedimento de aborto foi a cirurgia mais realizada pelo SUS: 3,1 milhões de registros, contra 1,8 milhão de cirurgias de correção de hérnia.

O que isso significa? Um tremendo impacto na saúde pública brasileira. Não há legislação humana que identifique de imediato o ignóbil infanticídio, nos redutos familiares ou na bruma da noite, e aos que mergulham na torpeza do aborto. Quem é essa mulher que faz aborto? Ela é a mulher típica brasileira. Não há nada de particular na mulher que faz aborto, explica Débora Diniz. Por essas e outras que o Brasil é o campeão mundial da prática abortista.

A taxa de interrupção de gravidez supera a taxa de nascimento. Esta situação fez surgir no país grupos dispostos a legalizar o aborto, torná-lo fácil, acessível, higiênico, juridicamente “correto”. Ainda que isso viesse ocorrer, JAMAIS esqueçamos que o aborto ilegal ou legalizado SEMPRE será um CRIME perante às Leis de Divinas! O Jornal Folha de São Paulo, de 07/10/2007, afirma que o Instituto de Pesquisa Datafolha constatou que, nos últimos anos, o número de brasileiros, que acham a prática do aborto "muito grave", aumentou de 61%, para 71% e que, atualmente, apenas 3% dos brasileiros consideram o aborto moralmente aceitável.(1)

Os arautos do aborto evocam as péssimas condições em que são realizados os procedimentos clandestinos. Porém, em que pese a sua veracidade, não nos enganemos, acreditando que o aborto oficial irá resolver a questão do infanticídio; ao contrário, o aumentará e muito! Ele continuará a ser praticado escondido e não controlado, pois a clandestinidade é cúmplice do anonimato e não exige explicações. Descriminalizar o aborto, sob quaisquer circunstâncias, será um expressivo marco de estagnação espiritual na história da sociedade brasileira.

Outra questão gravíssima, na legalização do aborto é a seguinte: estariam todos os obstetras disponíveis à prática abortiva? Seria possível, no âmbito da ética médica, conciliar uma medicina que propõe valorizar a vida com uma medicina que mata? Não nos enganemos, a medicina que executa o aborto nos países que já legalizaram o assassinato do bebê no ventre materno é uma medicina criminosa. Não há lei humana que atenue essa situação ante a Lei de Deus.

Chico Xavier adverte que "admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões."(2)

No caso de violência sexual (estupro), quando a mulher engravida e não se sinta com estrutura psicológica para criar o filho, cremos que a legislação deveria facilitar e estimular a adoção da criança nascida nessas circunstâncias, ao invés de promover a sua morte legal. "O Espiritismo, considerando o lado transcendente das situações humanas, estimula a mãe [violentada] a levar adiante a gravidez e até mesmo a criação daquele filho, superando o trauma do estupro, porque aquele Espírito reencarnante terá, possivelmente, um compromisso passado com a genitora."(3)

Se muitos tribunais do mundo condenam, em sua maioria, a prática do aborto, as Leis Divinas, por seu turno, atuam inflexivelmente sobre os que alucinadamente o provocam. Fixam essas leis no tribunal das próprias consciências culpadas, tenebrosos processos de resgate que podem conduzir ao câncer e à loucura, agora ou mais tarde.”(4)

A bióloga Érika Hessen, minha filha, comentando comigo o tema sobre o aborto, explicou que “existe uma parcela de culpa da sociedade também, principalmente no que diz respeito à educação que muitos pais falham com seus filhos, o estímulo exagerado da mídia ao sexo, a erotização das nossas crianças e jovens que levam adolescentes quase crianças a terem suas primeiras relações sexuais prematuramente. O número de adolescentes grávidas aumenta cada dia, e não dá para responsabilizar somente a mãe imatura e inconsequente que abdica da nobre missão da maternidade. O sexo está cada vez banalizado e ninguém discute muito isso, então as consequências do sexo promíscuo, das relações afetivas deterioradas são exatamente os crimes contra a vida, as doenças incuráveis e as loucuras.”

Não lançamos aqui condenação àqueles que estão perdidos no corredor escuro do erro já consumado, até para que não caiam na vala profunda do desalento. “Expressamos idéias, cujo escopo é iluminá-los com o farol do esclarecimento, para que enxerguem mais adiante, optando por trabalhar em prol dos necessitados e, sobretudo, numa demonstração inconteste de amor ao próximo, adotando filhos rejeitados que, atualmente, amontoam-se nos orfanatos. Para quem já errou, convém lembrar o seguinte: errar é aprender, mas, ao invés de se fixarem no remorso, precisam aproveitar a experiência, como uma boa oportunidade para discernimento futuro.”(5) A Lei de Causa e Efeito não é uma estrada de mão única. É uma lei que admite reparações, que oferece oportunidades ilimitadas, para que todos possam expiar seus enganos.



Jorge Hessen

http://jorgehessen.net







Fontes:

(1) Publicado no Jornal Folha de São Paulo, edição de 07/10/2007

(2) Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Religião dos Espíritos, ditado pelo Espírito Emmanuel. 14a edição. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2001.

(3) Cf. Manifesto Espírita sobre o Aborto Federação Espírita Brasileira Manifesto aprovado na reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 98

(4) Peralva, Martins.O Pensamento de Emmanuel.Cap. I Rio de Janeiro: Editora FEB, 1978

(5) Entrevista de Jorge Hessen concedida à Revista Eletrônica “O Consolador”,disponível em www.oconsolador.com.br/17/entrevista.html

06 agosto 2010

BANCO DA REENCARNAÇÃO, MAIS UM INSTRUMENTO DE EXPLORAÇÃO DA FÉ


Não se pode servir a Deus e a Mamon. Porém, os atuais mercadores das coisas santas continuam a existir, embora Jesus, há dois mil anos, os tenha repreendido nas cercanias do Templo de Jerusalém. Os tempos modernos parecem comprovar que a exploração da fé volta a fascinar milhões de pessoas em todo o mundo. Nas blasfêmias contra as Leis Divinas, nem mesmo os reencarnacionistas estão livres dos achaques. Circula na internet a notícia sobre a criação de um “banco da reencarnação”. O tal banco funciona exclusivamente no ambiente virtual. Não há agências, nem caixa eletrônicos. O estabelecimento “bancário” oferece aos clientes uma forma de guardar bens para “vidas próximas” e admite receber de joias até títulos e ações, na tentativa de convencer os clientes que acreditam na reencarnação (1).O surgimento do “banco da reencarnação” é um hediondo crime lesa Deus.
Para conseguir deixar as riquezas sob a guarda do famigerado banco da reencarnação, o interessado tem de preencher um questionário detalhado sobre seu patrimônio, bem como o valor estimado do depósito. O banco avalia o formulário para seguir com o processo de depósito. Sensatamente, o FSC (Financial Service Comission), órgão regulador de Gibraltar na Europa, não autorizou a instituição de receber depósitos ou quaisquer outros bens. De acordo com o diretor da FSC, Marcus Killick, o patrimônio do banco foi congelado e os depósitos ressarcidos aos clientes.”(2) Menos mal!
Até que ponto vai o desrespeito ao próximo? Qual o limite desse escárnio aos valores divinos? Os “gênios” das sombras garantem que "o banco oferece gerenciamento seguro e confiável para os clientes, um lugar estável para que eles possam deixar riquezas e bens para o retorno na próxima vida."(3) Os atuais anjos do mal seduzem os incautos com afirmações do tipo: "se você não deixar nada para trás quando morrer, o que terá quando retornar? Comece a acreditar e assuma o controle do seu futuro. O grande final da vida não é só conhecimento, mas ação, então haja agora e poupe para a próxima reencarnação".(4) Infelizmente sabemos que as outras atuais religiões já negociam os patrimônios celestiais, então, para nosso infortúnio nada mais previsível que tais comerciantes das coisas santas inventem também um sistema bancário de reencarnação!
As seitas e religiões modernas conseguem arregimentar e manter sob seu jugo pessoas desesperadas que estão em busca de um alívio qualquer para suas dores. Algumas dessas seitas mantêm pequena obra social; mas, por outro lado, há fortes evidências de que grande parte das doações recebidas em espécie destina-se para acúmulo de bens e poder dos seus dirigentes, que em sua maioria são pessoas ricas e poderosas. Óbvio que isso não é mera coincidência.
Os negociadores das coisas Divinas atualmente não se importam com a exploração da fé que deixou de ser algo transcendental, de bondade ou altruísmo, e passou a ser egoísta e rentável, desde que as falsas promessas de cura e paz espiritual encham os baús com o tesouro que traças e ferrugens consomem. Em nome das coisas santas, desde as eras medievais até nossos dias, o falso religioso vende lotes e mansões no “céu” à prestação; impõe depósitos no “Banco de Deus”; negocia a “salvação”; troca benção por dinheiro e aceita até cartão de débito/crédito nos templos cristãos; por meio dos porcentuais cobrados, vende indulgências em troca da “felicidade celestial” etc...

Então, muitas vezes, pessoas simples são levadas pelo desespero pessoal, advindo de situações como desemprego, doenças, inquietações, a buscar uma solução na casa de oração. Se não doarem parte do minguado dinheiro, essas pessoas são ameaçadas a terem seus destinos de vida futura para o “inferno”. Essa prática é um legado das violentas e obscuras taxas institucionalizadas na Idade Média. Os “dez porcento” até hoje são compulsoriamente cobrados para supostamente “cobrir custos” de diversos gastos, inclusive para manter o salário dos chefes das igrejas. Entretanto, raramente são usados para a caridade e para promoção social entre os necessitados. Mas, por que essas crenças crescem tanto? Porque o desespero das pessoas é o alicerce das novas igrejas. A facilidade de se conquistar novos fiéis também se deve ao “marketing religioso”: uma espécie de marketing aliado à psicologia que ajuda no trabalho com grandes massas, tendo como objetivo conquistar novos “doadores”.
O Espiritismo não compactua com a especulação da fé. Aos espíritas, tradicionalmente, cabem por meio de espontânea doação mensal, sustentar a casa em que trabalham. As colaborações em espécie são regularmente destinadas ao pagamento de aluguéis, manutenção, divulgação doutrinária e aquisição de alimentos, roupas e demais objetos a serem distribuídos às famílias carentes ou instituições filantrópicas que sejam assistidas pelo grupo. Na instituição espírita todo valor arrecadado é exposto em balanços mensais, para que tanto trabalhadores como frequentadores tenham acesso às informações financeiras da instituição. Portanto, é inadmissível que projetos tão mirabolantes tais como “banco da reencarnação” possam ser aceitos por espíritas que têm na fé raciocinada o instrumento de crença que encara a razão face a face em qualquer situação da vida social.

Jorge Hessen



Referência:

(2)           idem
(3)           idem
(4)           idem

28 julho 2010

O PROJETO ESPÍRITA EM FACE DAS TERAPIAS INÓCUAS




Allan Kardec ressalta que “a característica essencial de qualquer revelação tem que ser a verdade.”(1) As revelações espirituais surgem gradualmente, consoante nossa capacidade de compreendê-las, sobretudo pelas credenciais do amadurecimento moral e intelectual. A Codificação não surgiu como conteúdo pétreo gravado em monolítico.  Ademais,  nem tudo pôde ser  revelado à época da Codificação, todavia, esse fato não nos autoriza interpretar o atual movimento  espírita brasileiro sem as diretrizes reveladas pelos Espíritos.

Com a evolução do pensamento filosófico da Doutrina nos tornamos mais capazes nas análises críticas do movimento espírita,  sem comprometer a pedra angular do edifício kardeciano, representada pelas Obras Básicas, mas poucos leem o pentateuco.
O assunto é recorrente. Infelizmente, como sói ocorrer aqui no Brasil,  alguns espíritas insistem em transformar a Casa Espírita num hospitalzão a fim de remediar efeitos (as doenças) ao invés de transformarem a Instituição numa  universidade da alma para tratar as causas (os doentes). Com isso, muitos centros espíritas brasileiros abrem brechas para enxertias indesejáveis, incorporando em suas programações terapias alternativas inócuas, metodologias de desobsessão suspeitas e reuniões de conteúdos  duvidosos advindos de livros sem vínculo com o bom senso. 

Os ensinamentos sérios que complementam a Doutrina são quais pepitas de ouro sob as diretrizes dos Benfeitores do Além; misturado, no entando,  a elas há o “ouro de tolo” e outros metais sem valor intrínseco que apenas brilham. Por isso, temos tendências de todos os gostos. Há dirigentes com insofreáveis pendores místicos que se devotam à crença  no sobrenatural e impõem rituais dissimulados aos seus seguidores. Comumente as suas práticas “doutrinárias” são atribuídas às  orientações dos “guias”.

Os guiistas têm inserido práticas extravagantes nos centros, a saber: radiestesia, cromoterapia, fitoterapia, cristalterapia, apometria, entre outras superstições que são impostas como alternativas de tratamento físico e espiritual. Existem até mesmo os que aplicam passes nas paredes dos centros (para “descontaminá-las”(!!!!???)), inventam expulsão de “obsessores através de correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas, enfim seria cômico se não fosse tão trágico. Não podemos cristalizar nosso raciocínio sob a luz de um purismo ideológico extemporâneo, nem mergulharmos  no entusiasmo irracional por novidades cujo cenário ensombra  a metodologia espírita.

Nunca haverá radicalismos quando se utiliza a razão e a ponderação, nem quando somos capazes de olhar não só as virtudes da fé que seguimos, mas também os possíveis e indesejáveis desvios  (estes não contidos no projeto doutrinário), mas nas mãos de dirigentes autoritários que abusam inadvertidamente do Espiritismo.

Ante a  lei da fraternidade os que se fazem impostores necessitam das nossas preces, mas não podemos nos omitir diante do que fazem (ou desfazem?) nos centros espíritas. Podemos até respeitar e compreender as “terapias” alternativas, mas jamais adotá-las. A Casa Espírita não é arena de fanfarras e muito menos clínica de PLACEBOS alternativos. E mais , uma legítima instituição espírita não pode ser picadeiro para exibições de inócuos exorcismos.

Afirmamos que  esses “tratamentos espirituais” não são úteis. Não queremos discutir a sinceridade de seus praticantes (por inocência nalguns), mas é urgente e obrigatória uma reciclagem doutrinárias dos mesmos. É mister ser deixado fora do Centro Espírita as ramificações de terapias alternativas de “cura e desobsessivas”que surgem e se mesclam ao Espiritismo por serem correntes de idéias que deixam brechas , ou melhor, crateras! Usemos e abusemos do raciocínio. Não sejamos nem omissos e nem contemporizadores com os que tentam impor seus “espiritismos” de curas fantásticas.

Todos sabemos que  o radicalismo não é uma boa conselheira , contudo devemos estar atentos com o fanatismo de tais “adeptos”. Muitos deles têm conquistado espaço no movimento espírita e nas casas espíritas, disfarçam-se de trabalhadores e “orientadores”, fazem crer em novas terapias e ortodoxias, incitam  desuniões aos que pensam diferentes deles, provocam exacerbado interesse pelo poder e assumem diretorias (inclusive de algumas federativas), alimentam vaidades e melindres, insuflam a confusão.

Em suma, ou nos comportemos doutrinariamente apoiados na razão, sem misticismos, e crendices outras, ou o Espiritismo ficará sem rumo em nosso País. E se não preservarmos as estruturas básicas das propostas kardecianas, não conseguiremos vislumbrar a continuação do projeto Espírita nestas plagas brasileiras.

Cremos que a espiritualidade deve estar alerta, para no momento exato (se for o caso) transferir o projeto espírita para outro país,  onde a população seja menos mística, tenha fé mais racional  e moral mais elevada.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net





Referência:

(1)           Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2000, Cap 1 item 3

(2)           idem