06 novembro 2010

O ESPIRITISMO DIANTE DAS VERDADES BÍBLICAS


O Velho Testamento narra que os hebreus passaram pelo meio do Mar Vermelho, no chão seco, com uma parede de água de cada lado, enquanto um forte vento soprava do leste. A grande controvérsia que persiste até hoje sobre essa travessia é o cenário do acontecimento, o qual não foi possível determinar com mais clareza. Inclusive, afirma-se que a fuga do Egito pelo Mar Vermelho seria menos verossímil do que pelo Mar dos Juncos. Por quê? É simples: analisemos que na Bíblia de Jerusalém1, 21 (vinte e uma) passagens reportam à travessia, sendo que em 16 (dezesseis) vezes diz-se que foi no Mar dos Juncos e em apenas 5 (cinco) vezes que foi no Mar Vermelho. Há algo nesses informes desencontrados que está mal explicado.
Há quem afirme que o local da travessia foi mesmo no Mar Vermelho , exatamente na extensão norte do Golfo de Suez, ao sul do atual porto. Talvez na região pantanosa e de lagunas, atravessada hoje pelo canal de Suez. Mas há estudiosos alegando que a localização dessa tal porção de mar é bastante incerta. Atualmente é impossível determinar com exatidão o lugar e o modo de como ocorreu o insólito episódio bíblico. Nesse caso, é muito problemático estabelecer uma relação razoável entre o que existe de possibilidade histórica e o que seja fruto de reelaborações épicas.
Carl Drews – do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas, principal autor do estudo sobre a suposta travessia, publicado no site da Public Library of Science – e o oceanógrafo Weiqing Han – da Universidade do Colorado – acreditam ter descoberto o exato ponto onde Moisés teria “dividido” as águas do Mar Vermelho, há 3.000 anos. Segundo os pesquisadores, quando o vento sopra na localidade considerada, a água pode se levantar e se "dividir" naquela faixa de terra. Pelos seus cálculos, um vento de 100 km/h, soprando durante 12 horas, teria sido capaz de empurrar a água em até dois metros de profundidade, por cerca de quatro horas – tempo suficiente para que Moisés e seu povo atravessassem para a liberdade. Contudo, Drews e Weiqing só não conseguem explicar como todo aquele povo se deslocaria pelo local sob uma ventania de 100 km/h.
Se a hipótese possui base científica, não se pode inferir seja verdadeira outra hipótese que lhe é contrária. Não há argumento que se possa sobrepor à autoridade dos fatos. Contudo, nesse caso, apesar do episódio impressionar, importa investigar se realmente aconteceu, seja como relatado pelos pesquisadores americanos, ou pelo Velho Testamento, que consigna apenas uma indicação difusa.
Há contradições históricas sobre detalhamento do fato. Observemos que o Velho Texto afirma que Moisés estendeu a mão sobre o mar, enquanto que o historiador Flávio Josefo afirma que “Moisés tocou o mar com sua vara maravilhosa e no mesmo instante ele se dividiu, para deixar os hebreus passar livremente, atravessando-o a pé enxuto, como se estivessem andando em terra firme.”2. Assim, temos duas versões para o mesmo fato.
Para o Espírito Emmanuel, “na trajetória do povo israelita, verifica-se que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres deste povo poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas.”3. O que nos falta, na verdade, é um conhecimento mais aprimorado da Bíblia, que nos possibilite descobrir o que ela mantém sob véu.
De qualquer modo, se houve a travessia, essa só pode ter ocorrido dentro das leis naturais. O espírita jamais endossaria os argumentos que tentam entronizar a travessia à conta de fenômeno sobrenatural (“milagre”), contrariando a ciência, o bom senso e a fé racional. Sabemos também que na Bíblia “a alegoria ocupa considerável espaço, ocultando sob véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo.”4.
O Espiritismo ressalta a cada passo a importância dos textos do Velho Testamento. A Doutrina não vem, pois, destruir a base de qualquer religião, como alguns o supõem, mas, ao contrário, vem legitimá-las, sancioná-las por provas irrecusáveis. “Mas como é chegado o tempo de não mais empregar a linguagem figurada, eles [os Espíritos] se exprimem sem alegoria e dão às coisas um sentido claro e preciso que não possa estar sujeito a nenhuma interpretação falsa. Eis porque, dentro de algum tempo, teremos mais pessoas sinceramente religiosas e crentes que as que não temos hoje.”5.
Cremos ser importante um estudo sério que contribua para um conhecimento novo em face das verdades veladas inseridas no Velho Texto. A Bíblia está repleta de narrativas que trazem, através dos símbolos, verdades e revelações surpreendentes, tanto quanto passagens e fatos que endossam e comprovam os fenômenos mediúnicos em seus vários aspectos, através dos profetas, que eram na verdade médiuns.
Pelas razões expostas, e por prudência é “no sentido relativo, que [o espírita] deve interpretar os textos sagrados.”6.
Jorge Hessen
Fontes:
(1) Existem três tipos de Bíblia a definir: A Bíblia Judaica que para nós constitui o Velho Testamento, ou o Tanách com 24 livros, a Bíblia protestante com 66 livros e a Católica com 73 livros.
(2) Josefo, Flavio. História dos Hebreus. Trad. PEDROSO, V. Rio de Janeiro: CPAD, 1990. pág. 87.
(3) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditada pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, pág. 67
(4) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1974, cap. IV
(5) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1878, questão 1010
(6) Idem questão 1009

26 outubro 2010

MILAGRE?... FATALIDADE?... ACASO?...LIVRE ARBÍTRIO?...ALGUNS ARGUMENTOS ESPÍRITAS




Thomas Magill, um americano de 22 anos, sofreu uma queda do 39º andar de um prédio em Manhattan, Nova York. Ele caiu sobre um carro estacionado na rua, seu corpo atravessou o vidro traseiro e se espatifou no banco de couro do Dodge Charger. Magill caiu, mais ou menos, a uma velocidade de 160 quilômetros por hora e sobreviveu.
Milagre?... Fatalidade?... Acaso?...Acidente?...
Há muitos fenômenos naturais que desafiam a razão humana e permanecerão na dimensão do incognoscível no círculo da ciência tradicional por um bom tempo. No episódio Magill, será que houve  uma interseção do Plano Espiritual, ou seja, teriam os Espíritos neutralizado os efeitos da Lei da Gravidade e por conseqüência diminuído a extensão do impacto sobre o carro?  Por que em vários outros fatos semelhantes não há esse tipo de suposta intervenção espiritual?
Acaso é uma palavra vazia de significado e nem sequer existe no dicionário espírita. Milagre? Para os espíritas, o milagre seria uma postergação inconcebível das leis eternas fixadas por Deus – obras que são da sua vontade – e seria pouco digno da Suprema Potência exorbitar da sua própria natureza e variar em seus decretos. Então, haverá fatalidade nos acidentes e/ou acontecimentos outros da vida, conforme o sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer, os acidentes e/ou acontecimentos diversos são predeterminados? E o livre-arbítrio, como ficaria? A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. E mais ainda, “fatal”, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é, segundo o Espiritismo.
Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, se o instante da morte ainda não chegou, não morreremos? Segundo os Espíritos, não desencarnaremos e sobre isso temos muitos de exemplos. De fato, em todas as épocas, muitas criaturas têm saído ilesas das mais extremas situações de perigo. Por outro lado, porém, haverá quem questione: - Mas com que fim passam certas pessoas por tais perigos que nenhuma conseqüência grave lhes causam? Na questão 855 do Livro dos Espíritos, o assunto é melhor explicado pelos Espíritos:Se escapas desse perigo, quando ainda sob a impressão do risco que correste, cogitas, mais ou menos seriamente, de te melhorares, conforme seja mais ou menos forte sobre ti a influência dos Espíritos bons”.
O tema e o estudo sobre fatalidade têm múltiplas facetas. Devem ser considerados sob diversos ângulos.  A fatalidade existe unicamente pela escolha que fazemos, ao encarnar, desta ou daquela forma para sofrer. Escolhendo-a, instituimos para nós uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que venhamos a nos achar colocados. Se estamos cumprindo, no uso de nosso livre-arbítrio, a programação reencarnatória, não há como, pois, sermos visitados pela fatalidade. Por isso, cremos que não há livre-arbítrio nem determinismo absolutos na encarnação, mas liberdade condicionada.
Destarte,  a Doutrina dos Espíritos, embasada em O Livro dos Espíritos, não respalda a ideia de fatalidade, merecendo por isso leitura e reflexão. Então, qual a finalidade desses acidentes que causam tanto espanto? Como a Justiça Divina pode ser percebida nessas situações extremas? Por que algumas pessoas escapam, e outras não, de quedas, por exemplo, como vimos acima, lembrando que fatalidade, destino, azar e sorte são palavras sempre citadas em situações como essa?
A fatalidade física, o momento da morte, virá naturalmente, no tempo e maneira pré-estabelecida, a não ser que o precipitemos, pelo uso de nosso livre-arbítrio, através do suicídio, por exemplo. Instante é um momento, uma fração de tempo indefinido, mais ou menos dúctil, diferente de hora, minuto e segundo da morte. É evidente que Deus a tudo prevê, mas os acontecimentos não estão a isso condicionados; Deus previu as nossas ações, mas nós não agimos porque Deus previu, mas porque utilizamos o nosso livre-arbítrio desta ou daquela maneira, e Ele tinha ciência dessa nossa maneira de agir.
Ora, se usamos bebidas alcoólicas e dirigimos um veículo a 150 km/h, ou atravessamos uma avenida de intenso fluxo de automóveis, de olhos fechados, por exemplo, estamos nos expondo e nos sujeitando à “fatalidade”, mas, antes do nosso procedimento errôneo, utilizamos o nosso livre-arbítrio.
O que essas reflexões têm a ver com o caso do americano que caiu do 39º andar de um prédio em Manhattan, Nova York? Bem, pelo sim, pelo não, cremos que a espiritualidade superior não tem qualquer compromisso com a fatalidade, podendo alterar programações reencarnatórias de acordo com o merecimento do reencarnado. Para tal, sob o prisma espiritual, a fatalidade não é fatal, podendo ser modificada, já que é possível renovar nosso destino todos os dias, e nem duvidemos disso.

Jorge Hessen
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/


21 outubro 2010

AUTOESTIMA E AUTOSUPERAÇÃO ANTE A LEI DA REENCARNAÇÃO


 
Harley Lane, um menino inglês de 4 anos, teve uma meningite e foi desenganado pelos médicos. Sofreu uma septicemia,  uma infecção que ocorre no sangue causada pela proliferação de bactérias e toxinas,  conhecida também como sangue envenenado. Essa infecção danifica os tecidos do organismo e diminui a pressão arterial, provocando o fechamento de veias, interferindo na circulação sanguínea.  Harley precisou amputar os braços e as pernas e pouco tempo depois, utilizando  próteses e uma cadeira de rodas, voltou à escola e se tornou o garoto mais popular da classe, devido ao seu esforço de superação em um corpo físico completamente mutilado. Atualmente, é amparado por um assistente de ensino para ajudá-lo na higienização, prevenindo assim novas infecções.
Jessica Cox, uma americana nascida sem os braços, por conta de uma enfermidade congênita, vem ganhando popularidade nos Estados Unidos como exemplo de superação. Ela se tornou a primeira pessoa a conduzir uma aeronave somente com os pés e conseguiu um brevê de piloto. Cox não se entrega aos limites físicos e não se prende ao “não posso”, costuma dizer ante os desafios “ainda não consegui”. Sob esse raciocínio, acredita que quando na limitação física não se pode fazer algo, mas pode-se buscar meios de superação a fim de vencer, quebrar limites, expandir, ampliar horizontes, levando a barreira limite para mais distante do ponto anterior.
A maior conquista de Jessica é a auto-estima e elevado grau de auto-aceitação, o que dá a ela esses talentos. Em suas palestras, Jessica procura mostrar às outras pessoas que a auto-confiança é a principal arma para superar as adversidades. Há muitas pessoas ditas “normais” que sofrem de uma deficiência real – a falta de confiança em si mesmas, eis aí os verdadeiros aleijões humanos. Outro caso  de superação é de Flávia Cristiane Fuga e Silva, uma brasileira de 26 anos, portadora de paralisia cerebral, que recebeu sua carteira de advogada, após cinco anos de faculdade e três exames da OAB-SP. Flávia praticamente não fala e se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas. Foi aprovada no exame 133, realizado em agosto de 2007, em que 84,1% dos 17.871 candidatos foram reprovados.
Muitos paralíticos, surdos, mudos e cegos, sob essa égide valorativa de "eficiência", são considerados "deficientes", isto é, aqueles cuja "eficiência" é falha, é  insuficiente, e não tem como ser vencida, superada. Entendendo que o limitado físico não sofre de falta de "eficiência", por essa razão postulamos que os “deficientes” não são deficientes, apenas estão temporariamente restritos para fazerem uma ou outra coisa.
Os preceitos espíritas nos remetem a entender que somos sempre  herdeiros de nós mesmos, motivo pelo qual é importante que nos esforcemos, a fim de crescermos emocionalmente, amadurecendo conceitos e reflexões, aspirações e programas reencarnatórios, cuja materialização nos submetemos. É importante reconhecermos as próprias dificuldades e esforçar-nos para vencê-las, evitando a queixa a fim de  não deprimir o entusiasmo de viver, levando-nos a estados depressivos. Não devemos nos deter na autocompaixão piegas e inútil, precisamos nos motivarmos para crescer e alcançarmos os patamares psicológicos mais elevados de autosuperação.
É bem verdade que há dolorosas reencarnações que significam tremenda luta expiatória para as almas necrosadas no vício. As vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro a fim de  depurar-nos e elevar-nos, se as suportamos resignados e sem autopiedades. A paralisia, o câncer, a epilepsia, a cegueira, a mudez, a idiotia, a surdez, a hanseníase, o diabete, o pênfigo foliáceo, a loucura e todo o conjunto das patologias de etiologias obscuras e quase incuráveis significam sanções instituídas pelo Criador da vida, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos próprios pedidos, para que não venhamos a perder as glórias eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas.
Diante dos desafios do viver na Terra, devemos trilhar pelo caminho da  autosuperação sob os influxos tenazes da autoconfiança. Esse estado de espírito resulta das conquistas contínuas que demonstram o valor de que se é portador, produzindo imensa alegria íntima, e esta se transforma em saúde emocional, com a subseqüente superação dos conflitos remanescentes das experiências de vidas pregressas.

Jorge Hessen
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com

14 outubro 2010

PESQUISAS COM AS CÉLULAS TRONCO EMBRIÔNICAS, MITOS , CRENDICES E FOBIAS



Cientistas americanos conseguiram que uma mulher de 42 anos tivesse um filho saudável a partir de um embrião que permaneceu congelado por quase 20 anos. A técnica foi aplicada no Instituto Jones de Medicina Reprodutiva, da Escola de Medicina de Eastern Virginia, em Norfolk, na Virgínia. Os médicos descongelaram cinco embriões que haviam sido doados anonimamente por um casal que realizara o tratamento de fertilização na clínica 20 anos antes. No Brasil, há o caso de uma mulher do interior de São Paulo que deu à luz um bebê nascido de um embrião que ficara congelado por oito anos.
O tema nos impõe uma reflexão sobre “pesquisas com células embriônicas”, pois a utilização dessas células é complexa e muitas outros questionamentos podem ser feitos. Sobre esses estudos os esclarecimento dos Benfeitores Espirituais praticamente inexistem. Todavia,  reconhecemos que o projeto demonstra o esforço da ciência humana. Lembrando que “as pesquisas com células-tronco embrionárias só poderão ser realizadas, segundo a Lei,  se elas forem obtidas através de fertilização in vitro e estiverem congeladas há mais de três anos"(1)
O assunto deve e pode ser debatido de forma imparcial, e livre do ranço obscurantista dos idos medievais, levando-nos a conclusões futuras mais satisfatórias. Creio que "defender as pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos mais do que um posicionamento técnico-científico é a defesa dos Direitos Humanos, da Dignidade da Pessoa Humana"(2) Não adianta posicionamento radical, até porque, a proposta científica é a da utilização irreversível, em pesquisa, dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida.
Será que os embriões congelados, nos quais se encontram as células-tronco embrionárias, têm potencial de vitalidade que não se pode transformar? Alguns crêem ser um "aborto", mas não percorremos nessa direção. Recordemos "o Livro dos Espíritos", cuja resposta esclarece o que segue: "há corpos que jamais tiveram um Espírito designado", ou seja, há “corpos físicos que se desenvolvem sem que haja a finalidade da reencarnação.”(3)  

Como compreendermos os casos de gestação frustrada quando não há Espírito reencarnante para arquitetar as formas do feto? Sobre isso encontramos no no  ítem 13 da Segunda parte do Livro Evolução em Dois Mundos, a seguinte explicação de André Luiz: "Em todos os casos em que há formação fetal, sem que haja a presença de entidade reencarnante, o fenômeno obedece aos moldes mentais maternos. Dentre as ocorrências dessa espécie há, por exemplo, aquelas nas quais a mulher, em provação de reajuste do centro genésico, nutre habitualmente o vivo desejo de ser mãe, impregnando as células reprodutivas com elevada percentagem de atração magnética, pela qual consegue formar com o auxílio da célula espermática um embrião frustrado que se desenvolve, embora inutilmente, na medida de intensidade do pensamento maternal, que opera, através de impactos sucessivos, condicionando as células do aparelho reprodutor, que lhe respondem aos apelos segundo os princípios de automatismo e reflexão. Em contrário, há, por exemplo, os casos em que a mulher, por recusa deliberada à gravidez de que já se acha possuída, expulsa a entidade reencarnante nas primeiras semanas de gestação, desarticulando os processos celulares da constituição fetal e adquirindo, por semelhante atitude, constrangedora dívida ante o Destino.”(4)
Se há um planejamento reencarnatório com o concurso de Espíritos superiores, por que eles iriam designar um Espírito, com provas a cumprir, a um conjunto de células que seria, apenas, matéria orgânica e que não teria, em sua finalidade, a evolução da gestação?
Utilizar células-tronco embrionárias, nesse sentido, não será uma afronta às Leis naturais, mas uma enorme contribuição científica para a Humanidade, possibilitando melhorar a vida física dos seres reencarnados.
Quanto à neurastenia sobre o uso impróprio das células-embriônicas, mantenhamos a confiança , pois a Ciência, colaboradora inconteste do progresso, saberá lidar cada vez melhor com as técnicas que envolvem o assunto. A questão, em que pese o nosso convencimento, demonstrado em vários artigos que publicamos, é demasiadamente complexa e, óbvio, não detemos o argumento final! É preciso considerar que minha opinião sobre o assunto não é necessariamente uma posição da Doutrina Espírita, é uma opinião particular. Todavia, seja qual for a opinião que qualquer outro espírita contrárias aos arrazoados aqui expressos, obviamente que não se trata de uma posição do Espiritismo, e sim ainda será uma opinião pessoal que será mais tarde melhor esclarecida pelos resultados das práticas científicas.
Os Mentores espirituais são inteligentes o suficiente para saberem que tal ou qual óvulo será ou não destinado à produção de células-tronco para fins terapêuticos e, portanto, que nenhum espírito deverá estar ligado a ele. Acreditamos nisso, ou, então, estaremos sob o guante da “lei da casualidade” e o “acaso” não consta no dicionário espírita.
A literatura complementar à Doutrina revela que o fenômeno da reencarnação humana é por demais complexo, sendo confiado, normalmente, aos Espíritos elevados. André Luiz nos explica que as Leis Divinas são Universais. Como tal, é natural que a reencarnação obedeça também a princípios automáticos, tendo em vista, sobretudo, que esse processo se repete há bilhões de anos. Em  "Nas Fronteiras da Loucura", Manoel F. Miranda,  afirma que líderes das sombras (especialistas em magnetismo) conhecem as técnicas reencarnatórias e até as executam na Terra.”(5)
A fecundação é um processo de criação e esta, necessariamente, se submete ao princípio do "nada se cria sem que à criação presida um desígnio."(6) Considerando que nos embriões congelados, pode haver Espíritos ligados ou não , a priori não vemos sentido em se "grudar" um espírito a um embrião que jamais se desenvolverá, a não ser se for por ajuste cármico, como sucede hoje com o aborto não provocado.(7)
É bem verdade que não possuímos instrumentos precisos para saber se há ou não DESENCARNADOS destinados a tal ou qual embrião congelado, mas, também estamos convencidos de que, entre tentar fazer algo em nome da ciência, visando à saúde dos ENCARNADOS, ou deixar de fazê-lo, por receios ou neurastenias incontidas dos impactos de consciência que vigem nos imaginários de alguns, por cristalizado atavismo religioso, é inaceitável e extemporâneo entrave à evolução científica.
Não nos esqueçamos de que o homem de ciência está na Terra como colaborador de Deus, para ajudá-Lo a melhorar a natureza. Excetuando-se os embriões que, efetivamente, não serão aproveitados para a gestação, e que se perderão após três anos de congelamento, há também outras alternativas, na busca de terapias das doenças degenerativas, de curso irreversível.
A ciência deve avançar sem os cabrestos da ortodoxia igrejeira, até porque, de seu impulso, também depende o desenvolvimento da criatura, mas, obviamente, os caminhos utilizados não podem violar o que, igualmente, já se conquistou como valores imarcescíveis.
Do exposto, não temamos os avanços científicos, até porque, o Espiritismo está profundamente vinculado à pesquisa, à investigação, à ciência, através do seu trabalho intérmino no processo da evolução. Se o homem vai ou não utilizar o produto das pesquisas científicas para o bem ou para o mal, não esbugalhemos os olhos, não mergulhemos em sofreguidões inúteis,  fiquemos harmonizados n’alma até porque quando testamos a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, sofremos o terror da fissão nuclear. No entanto, aí estão os átomos para a paz mundial.

Jorge Hessen

Fontes
(1)           Revista Veja editada em 03 de Março de 2005
(2)           Barone, Alexandre, "A proximidade de uma esperança adiada", artigo disponível emacesso em 11/03/2008- Barone é presidente do Conade - Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência
(3)           Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro:Ed FEB, 2001, perg. 356
(4)          Xavier, Francisco Cândido. Evolução em dois Mundos, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1997
(5)           Franco, Divaldo Pereira. Nas Fronteiras da Loucura, Salvador: ed. Leal, 2000
(6)           Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro:Ed FEB, 2001, perg. 336
(7)           Hessen, Jorge, CIENTISTAS ESTARIAM SUBVERTENDO A ORDEM DIVINA AO MANIPULAR CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS? - Artigo publicado em 06.04.05, disponível no site Acesso em 10-03-08