04 dezembro 2010

CURSO SUPERIOR DE ESPIRITISMO???? PARA QUÊ????

Teologia Espírita desvirtua finalidades do espiritismo


Afinal, para quê criar Teólogos Espíritas? Será preciso, ainda, reconceituar o Espiritismo no Brasil? Perigo do profissionalismo e mercantilização do Espiritismo
Gerson Simões Monteiro
Vice-Presidente da FUNTARSO
Operadora da Rádio Rio de Janeiro
E-mail: gerson@radioriodejaneiro.am.br

Tomamos conhecimento que começa a funcionar, no ano que vem, o primeiro curso superior de Teologia Espírita do Brasil. A partir do ano que vem, os adeptos da doutrina poderão estudá-la com direito a diploma, beca e tudo o mais que uma graduação universitária dá direito. Foi o que decidiu o Ministério da Educação ao autorizar, em setembro, o funcionamento do primeiro curso de bacharelado em Teologia Espírita do Brasil, que será ministrado na Faculdade Dr. Leocádio José Correia, em Curitiba (PR).
As inscrições para o vestibular estarão abertas até 13 de dezembro
e os candidatos que disputarão as 100 vagas oferecidas terão de passar,
também, por uma entrevista com especialistas.

POSIÇÃO DA USEERJ (ATUAL CEERJ) EM 2002

Sobre essa questão, desde 17 de dezembro de 2002, a USEERJ, hoje CEERJ, enviou uma correspondência ao Movimento Espírita, deixando bem clara a posição da sua diretoria contra o Ensino Teológico Espírita no Brasil.
No primeiro parágrafo da referida carta, destacamos a seguinte expressão de Emmanuel, coligida do livro Coletânea do Além – Dicionário da Alma, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, “A Teologia, na maior parte das vezes, é o museu do Evangelho”.
Para fundamentar a nossa posição, contrária à criação do referido Curso, destacamos, também, as seguintes considerações do Benfeitor Espiritual Emmanuel na página “Espiritismo e Nós”, publicada no Livro da Esperança:

Todas as religiões cultivam rigoroso sentido de Seita, mantendo a segregação dos profitentes. A Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo puro, é a religião da solidariedade.
Contudo, se nós, os espíritas encarnados e desencarnados, abraçarmos aventuras e distorções, em torno do ensino espírita, ainda mesmo quando inocentes e piedosas na conta da fraternidade, levantaremos novas inquisições do fanatismo e da violência contra nós mesmos (...).
Todas as religiões garantem retiros e internatos, organizações e hierarquias para a formação de orientadores condicionados, que lhes exponham as instruções, segundo o controle que lhes parece conveniente.
A Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo puro, é a religião do esclarecimento livre (...).
Todas as religiões, de um modo ou de outro, alimentam representantes e ministérios remunerados. A Doutrina Espírita, revivendo o Cristianismo puro, é a religião da assistência gratuita.
No entanto, se nós, os espíritas encarnados e desencarnados, fugirmos de agir, viver e aprender à custa do esforço próprio, incentivando tarefeiros pagos e cooperações financiadas cairemos, sem perceber, nas sombras do profissionalismo religioso. (grifo nosso)

A PROPOSTA DO CURSO AO MEC

A Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas – SBEE, originalmente denominada Agrupamento Espírita Afonso Penna, com sede na Rua 29 de Junho nº 504, em Curitiba, PR, é uma instituição filantrópica e beneficente criada em 1953, reconhecida como de utilidade pública federal, estadual e municipal, tendo como proposta a criação de uma massa crítica na interpretação e divulgação do Espiritismo sob uma nova visão à luz da Ciência, Filosofia e Religião, a teor das informações inseridas no seu site virtual.
Sob a ótica dessa proposta, a entidade pleiteou e conseguiu junto ao Ministério da Educação a autorização para implementar o primeiro curso de bacharelado em Teologia Espírita no Brasil, a ser ministrado por estabelecimento educacional então criado, qual seja a Faculdade Dr. Leocádio José Correia, manutendida pelo Lar Escola Dr. Leocádio José Correia, braço assistencial da Sociedade em questão.
Debalde a autorização ministerial para o funcionamento do curso em comento datar de setembro de 2002, já em agosto do mesmo ano, portanto um mês antes, a Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas editou Proposta da Portaria nº 2501 (30.08.2002) instrumentalizando as ações e diretrizes cursivas, com curriculum pleno, especialização do corpo docente abrangendo ética, sociologia, antropologia, transdisciplinaridade, filosofia, estudos das religiões etc., número de vagas, duração, inscrições e outras instruções, além da compulsória grade com as disciplinas por período e carga horária.

ANÁLISE DA PROPOSTA

A Proposta básica do Curso de Bacharelado em Teologia Espírita, como apresentada pela SBEE, é a de possibilitar o estudo sistemático e acadêmico, da Doutrina dos Espíritos, no sentido de reconceituar o Espiritismo no Brasil.
Ora, reconceituar no sentido etimológico da palavra, quer significar conceituar novamente, isto é, formar novo conceito, nova classificação, nova consideração etc. Assim, a proposta da SBEE, na estrita observância do vocábulo, visa dar novo conceito ao Espiritismo no Brasil, o que será possível – ainda segundo o entendimento da entidade – graças à experiência de coordenadores de grupos que vêm estudando os fundamentos da Doutrina dos Espíritos há quase 50 anos.
A empreitada proposta pelo Curso ora autorizado é temerária e imprudente, na medida em que a Doutrina Espírita, por Verdade Eterna advinda da Nova Revelação, não admite novos conceitos senão aqueles que nos chegaram através da Espiritualidade Superior, ou interpretações outras que não aquelas fundamentadas pelo Codificador, Allan Kardec, no pentateuco espírita, coletânea fruto do intercâmbio com o Mundo Maior.
Falar-se assim em reconceituar o Espiritismo é, na pior das hipóteses, considerar que tudo aquilo que aprendemos, sentimos e aplicamos no tríplice aspecto da Revelação – ciência, filosofia e religião - se encontra ultrapassado e desatualizado merecendo, pois, ser repensado, reescrito e reestudado.
Esquece-se, porém, a SBEE que os ensinamentos doutrinários, base do Espiritismo, não se encontram assentados sobre dogmas ou pontos irreversíveis que fazem hoje grande número de incrédulos; ao contrário, a verdade espírita solidificou-se e perpetuou-se sobre a fé raciocinada, que se apóia sobre fatos e lógica, não deixando atrás de si qualquer obscuridade (ESE, Cap. XIX, item 7).
Assim, sob os aspectos de conveniência e oportunidade, não vê a União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro – USEERJ qualquer alcance prático, pedagógico ou esclarecedor quanto à temática cursiva ora proposta. Ao contrário, esse tipo de tentativa pedagógica, que se lastreia basicamente na idéia de reconceituar o Espiritismo, pode levar a uma indesejável desvirtuação dos verdadeiros objetivos da Doutrina Espírita que, como Cristianismo Redivivo (Cristianismo do Cristo), deve se pautar pela mais absoluta pureza da verdade evangélica, ou seja, a prática doutrinária não pode e nem deve romper a simplicidade recomendada por Jesus de “dar de graça o que de graça recebemos”.
Muito embora o aspecto religioso da Doutrina Espírita tenha, de fato, um conteúdo teológico, o seu ensino no tríplice aspecto - ciência, filosofia e religião -, não deve ser objeto de profissionalização, pois que o estudo acadêmico implica necessariamente em remuneração pecuniária, o que levaria o Espiritismo a incorrer no mesmo erro cometido pelas religiões formalistas. Em tal caso, o Espiritismo, em seu aspecto religioso, passaria a formar com essas religiões mais uma escola teológica a nível acadêmico, o que resultaria no estabelecimento de hierarquias no campo doutrinário, a exemplo do que aconteceu com tais religiões, as quais, por isso, perderam conteúdo ao se afastarem da verdade contida no Cristianismo, conforme nos ensina o Espírito da Verdade (ESE, Cap. VI, item 5):

“No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram”.

Destarte, devemos ter em mente, sempre, a lição de Emmanuel que, pela pena do Irmão-Amor Francisco Cândido Xavier, nos ensinou que:

“Todas as religiões são credoras de profundo respeito e de imensa gratidão pelos serviços que prestam à Humanidade.
Nós, porém, os espiritas encarnados e desencarnados, não podemos esquecer que somos chamados a reviver o Cristianismo puro, a fim de que as leis do Bem Eterno funcionem na responsabilidade de cada consciência”.

Entendemos que a re-conceituação do Espiritismo, como proposta pela Faculdade Dr. Leocádio José Correia, é quimera semântica que objetiva simplesmente arregimentar curiosos a um curso regular em que se apreciará os aspectos teológicos da religião espírita.
Como o apóstolo Paulo asseverou em sua primeira carta aos Tessalonicences: examinai tudo e retende o bem, é necessário que cada um de nós, individualmente, analise, investigue e critique a presente Proposta para verificar se essa se enquadra às necessidades de aperfeiçoamento do Espiritismo e dos seus seguidores, porquanto, o verdadeiro Espírita, conhecido através de características pessoais, abstém-se formalmente do profissionalismo religioso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS CONTRÁRIAS A CRIAÇÃO DO CURSO

O Espiritismo, doutrina consoladora, lança luz sobre uma multidão de pontos obscuros; entretanto, não a lança inconsideradamente. Os Espíritos procedem nas suas instruções com uma admirável prudência; não foi senão sucessiva e gradualmente que abordaram as diversas partes conhecidas da doutrina e é assim que as outras partes serão reveladas à medida que o momento tenha chegado para fazê-las sair das sombras (...) Se, pois, os Espíritos não dizem ainda tudo ostensivamente, não é porque haja na doutrina mistérios reservados a privilegiados, nem que coloquem a candeia sob o alqueire, mas porque cada coisa deve vir no seu tempo oportuno (ESE, Cap. XXIV, item 7)
Assim qualquer reconceituação do Espiritismo, na acepção ampla do vocábulo, deverá chegar-nos no momento e tempo certos, pela via da Espiritualidade Superior. Só ela, mercê de Deus, é fonte apta a tal instrução, se assim for julgado necessário.
Fonte: editorial@febrasil.org.br

30 novembro 2010

TÉCNICAS PARA NOTÍCIAS DE DESENCARNADOS? LEMBREMOS QUE "O TELEFONE TOCA DE LÁ PARA CÁ”.

Kardec comenta na edição de dezembro da Revista Espírita de 1863 sobre as etapas do projeto Espírita na Terra. Cita “a primeira etapa como o da curiosidade (mesas girantes), a segunda etapa o filosófico (com a publicação de O Livro dos Espíritos)”; a terceira etapa Kardec nominou de “período da luta”; o quarto período, o do Evangelho (para alguns começou com Bezerra de Menezes e continuada por Chico Xavier na Pátria do Evangelho); a quinta etapa seria o transitório, e finalmente a sexta etapa (transformação social).”(1)
Considerando as graduais etapas do projeto espírita na Terra, será que atualmente deveríamos promover (como ocorreu durante a codificação), um diálogo escancarado e direto com os recém-desencarnados, visando obter notícias dos mesmos para seus familiares que aqui ficaram?  Quantas pessoas procuram grupos espíritas querendo notícias dos entes que “partiram”? Será que a finalidade da mediunidade é essa?
Há “espíritas” (pasmem!) que “orientam” médiuns através de cursos “avançados” ensinando algum tipo de “técnica” para “receberem recém-desencarnados”. Tais “mestres de Espiritismo” afirmam com jactância que alguns jovens e outros “formandos” estarão dentro em breve prestando [através do mediunismo] os “serviços” de consolação para os parentes que por aqui ficaram!?!?!?... acredite se quiser!!!!
O assunto é grave e merece profundas reflexões. Somos dos que desaconselhamos o uso de evocação dos desencarnados, sobretudo se o médium estiver voltado para a recepção de notícias póstumas de sofredores (normalmente recém-desligados do físico), pois em todos os casos a espontaneidade é essencial para a credibilidade das mensagens.
Chico Xavier nos deixa uma importante lição neste sentido. Recordemos que ante a sua especialíssima tarefa de psicografia ele era alvo de inúmeros pedidos de familiares aflitos para receber notícias dos parentes falecidos. O Médium de Uberaba sabiamente evitava levar nomes para serem evocados para essa finalidade, e se justificava dizendo: "O TELEFONE TOCA DE LÁ PARA CÁ”.
Até mesmo nas mensagens instrutivas não há a necessidade de se fazer uma evocação direta, pois podemos receber mensagens instrutivas de qualquer espírito evoluído que estiver trabalhando conosco. O mais importante neste caso é o exame racional e lógico da mensagem recebida, conforme ensina Kardec, para se evitar a mistificação.
O extraordinário Espírito Emmanuel, após ser indagado se era aconselhável a evocação direta de determinados espíritos, esclareceu: “Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, EM CASO ALGUM. Se essa evocação é passível de êxito, sua exequibilidade somente pode ser examinada no plano espiritual. Daí a necessidade de sermos espontâneos, porquanto, no complexo dos fenômenos espiríticos. A solução de muitas incógnitas espera o avanço moral dos aprendizes sinceros da Doutrina. O estudioso bem-intencionado, portanto, deve pedir sem exigir, orar sem reclamar, observar sem pressa, considerando que a esfera espiritual lhe conhece os méritos e retribuirá os seus esforços de acordo com a necessidade de sua posição evolutiva e segundo o merecimento do seu coração.”(2) (grifamos)
Insatisfeitos com essas sensatas orientações, surgem os kardequeólogos de plantão, fazendo referência ao interesse do mestre lionês pela evocação direta. Entretanto, “precisamos ponderar, no seu esforço, a tarefa excepcional do Codificador, aliada a necessidades e méritos ainda distantes da esfera de atividade de aprendizes comuns” (3)tais quais somos.
Para os phd’s de Kardec (os anti-emmanuelinos) informamos que o mentor de Chico Xavier explica: “Qualquer comunicado com o invisível deve ser espontâneo, e o espiritista cristão deve encontrar na sua fé o mais alto recurso de cessação do egoísmo humano, ponderando QUANTO À NECESSIDADE DE REPOUSO DAQUELES A QUEM AMOU, E ESPERANDO A SUA PALAVRA DIRETA, QUANDO E COMO JULGUEM CONVENIENTE E OPORTUNO OS MENTORES ESPIRITUAIS.”(4)
Para o sábio de Lyon, “frequentemente, as evocações oferecem mais dificuldades aos médiuns do que os ditados espontâneos, sobretudo quando se objetiva obter dos Espíritos respostas precisas a questões circunstanciadas.”(5) Os médiuns – lembra ainda Kardec – “são geralmente mais procurados para evocações de caráter particular do que para comunicações de interesse geral. ELES NÃO DEVERIAM, PORÉM, ACEDER A TAIS PEDIDOS, senão com muita reserva, quando feitos por pessoas de cuja sinceridade estejam seguros. Além disso, é preciso evitar sua participação nas evocações movidas por simples curiosidade ou interesse, sem intenção séria por parte do evocador, afastando-se de tudo o que possa transformá-los em agentes de consultas, em ledores da buena dicha.”(6)  (grifamos)
Evocar ou não um Espírito é questão que precisa, portanto, ser bem avaliada, tendo sempre em mente a finalidade a que ela se presta. No livro Conduta Espírita, cap. 25, André Luiz reafirmou a proposta feita por Emmanuel, recomendando-nos seja “abolida, em nosso meio, a prática da evocação nominal dos espíritos.”(7)
Não tendo havido informações novas, provindas de fontes consagradas, não concebemos por que a recomendação de Emmanuel, reafirmada por André Luiz, deva ser ignorada. A comunicação com nossos entes queridos efetua-se por iniciativa deles. A frase "O TELEFONEMA VEM DO LADO DE LÁ", dita por Chico Xavier, diz bem como o assunto deve ser encarado em qualquer contexto do debate.
Jorge Hessen

Referência bibliográfica:

(1)        Kardec, Allan. Revista Espírita de 1863, Edicel, 1997
(2)        Xavier, Francisco Cândido. O consolador , ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001, Questão 369
(3)        idem , Questão 380
(4)        idem, idem
(5)        Disponível em <http://www.oconsolador.com.br/ano2/101/esde.html>acessado em 22 de novembro de 2010
(6)        idem
(7)        Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Conduta Espírita , ditado pelo espírito André Luiz, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001

25 novembro 2010

DESONESTIDADE E ESPIRITISMO NÃO SE COADUNAM




Quando o tema diz respeito à HONESTIDADE de dirigentes e trabalhadores das hostes cristãs, o assunto é muito preocupante, ante as evidências que identificamos aqui ou alhures. Uma delas, das mais dramáticas, refere-se a líderes religiosos que adquirem muitos bens para si a custa do dinheiro arrecadado dos frequentadores.
O que vamos narrar (omitindo nomes de instituição e de pessoas, obviamente) são fatos verídicos que estão veiculados na imprensa mineira desta semana. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) condenou por estelionato e formação de quadrilha os réus envolvidos no processo de uma instituição “kardecista”. O grupo é acusado de extorquir os frequentadores, induzindo-os a pagar por serviços em troca de ajuda espiritual.
Na sentença, o juiz aplicou a pena de três anos de reclusão por estelionato e de dois anos por formação de quadrilha à presidente, considerada responsável pela atividade na instituição.
O fato é o seguinte: em 2007, os promotores de Justiça apresentaram a denúncia contra os dirigentes do centro em questão. De acordo com o que foi apurado por eles, as vítimas faziam uma espécie de “consulta” com a presidente da casa. Ela então determinava o encaminhamento da pessoa para um “tratamento” composto de passes e participação em campanhas assistenciais diversas pelo período aproximado de nove a dez meses.
Ao finalizar a primeira parte do “tratamento”, as pessoas permaneciam na instituição na condição de membros voluntários ou efetivos. Para isso, tinham de participar de treinamento.
Na lista de “tratamentos” oferecidos pela instituição consta o “pó da vida” vendido por R$ 10; o “chá da família”, por R$ 10; feijoada (a ingestão do alimento ajudava no funcionamento do intestino e na saúde como um todo), também por R$ 10; seresta dançante (auxiliava no equilíbrio da área emocional) por R$ 10; aquisição de um “Kit Limpeza” (cujos produtos magnetizavam e livravam a casa de maus espíritos) por R$ 15; e até um salão de beleza em que a utilização de seus serviços ajudava a fortalecer as unhas e os cabelos, (aumentando o campo magnético), o preço varia entre R$ 20 e R$ 40.
Não sou o primeiro, o único, ou o último a divulgar esse cortejo de vícios, mas a mídia, frequentemente, anuncia e expõe tais fatos, francamente, abomináveis e com grande repercussão negativa. É indispensável haver transparência na prestação de contas, mensalmente, com os contribuintes da casa espírita.
Cremos que é simples obrigação afixar, no 'quadro de avisos' ao público, a comprovação da correta aplicação dos recursos recebidos. Os dirigentes, que assim procedem, vêem patenteadas a credibilidade da instituição que administram e a pureza de suas intenções. Por outro lado, evitam-se rumores, do tipo: -"fulano(a) está cada vez mais rico(a)"; -"sicrano(a) construiu uma mansão com o dinheiro doado ao centro" e, -"beltrano(a) comprou um carro do ano, caríssimo", olhem só pra isso!
Será que os meios justificam os fins, quando os dirigentes são omissos em relação à prestação de contas? Se não devem, não têm o que temer, não é verdade? É evidente que ficamos atônitos e envergonhados quando sabemos, pela imprensa, que algumas instituições "filantrópicas" desviam recursos, emitem recibos forjados de falsas doações, etc.. Há centros que até dão uma 'ajudazinha' aos confrades, driblando o Imposto de Renda retido na Fonte... imaginem! Instituições outras recebem, à guisa de doações, roupas, calçados, alimentos, eletrodomésticos, etc., e os dirigentes se apropriam deles, com a maior naturalidade.
Recordamos , ainda, que os "proprietários" de alguns centros - centros esses onde os donos se eternizam nas alternâncias da direção -, na ocasião que ouviram a nossa palestra sobre o teminha instigante, fizeram um grande barulho na consciência, ficaram alvoroçados, realizaram reuniões solenes e privadas, é claro, para avaliarem a obsessão que tomou conta do orador. Ah! Ele está sendo muito influenciado pelas trevas, pois ele não está respeitando os que buscam o centro espírita pela primeira vez, ao dar tanta ênfase à desonestidade. Oh! Podem pensar até que a mensagem é para a nossa diretoria.
As falanges das trevas se organizam para obstruir muitos projetos cristãos. Os obsessores são inteligentes, organizados e vão dando um passo de cada vez, pois conhecem muito bem nossos pontos vulneráveis. Nesse caso, não cremos que advertir sobre a obrigatoriedade da conduta honesta seja artimanha das trevas, mas sim que o ideal espírita seja cada vez mais ético, transparente, consoante os preceitos evangélicos.

Jorge Hessen
http://jorgehessen.net

23 novembro 2010

ESPÍRITAS ESCRAVIZADOS A SÍMBOLOS, MITOS E FANTASIAS?


Muitas Instituições Espíritas mantêm práticas e/ou discussões estéreis em torno de assuntos como: “crianças índigos”, “Chico é ou não é Kardec?”, “ubaldismos”, “ramatisismos”, “apometria”, “cromoterapias”, “militância na política partidária”, “desobsessão por corrente magnética (com direito a choques anímicos) e tantos outros inusitados "ismos" e "pias". Alguns confrades creem que a apometria vai revolucionar o universo da "cura espiritual". Pasmem! Ora, quem estuda com seriedade os livros de Kardec sabe que a cura das obsessões não se consegue com o toque de mágica apométrica.
Sabemos que foi descomunal o esforço de Allan Kardec para  legar à humanidade uma doutrina imune a esses atavismos, vícios religiosos e dogmas de toda natureza. Todavia, como as pessoas são pouco entusiasmadas para o estudo metódico e sério, inventam e impõem práticas bizarras, evocam os “benzedeiros do além” para que venham completar esse vácuo causado pala ausência absoluta de bom senso.
Estamos fazendo, no Brasil, um Espiritismo à moda brasileira. Os centros espíritas praticam um “Espiritismo à moda da casa” (para todos os gostos). Há confrades que insistem em usar trajes especiais nas instituições. Porém, sabemos que o Espiritismo não adota indumentárias especiais, nem enfeites, amuletos, colares, vestes brancas (“significando o bem”) ou vestimentas pretas ou vermelhas (“significando o mal”). Os trabalhadores cônscios da realidade Espírita trajam roupas normais, de forma simples, até porque, a discrição deve fazer parte dos que trabalham para o Cristo.
Há médiuns que se ajoelham diante de imagens “sagradas” e de determinadas pessoas; mantêm-se genuflexos e beijam a mão dos responsáveis pela Casa Espírita, como forma de reverenciá-los; benzem-se; fazem sinais cabalísticos; e outros, por incrível que pareça, proferem palavras esquisitas (mantras) para evocar os Espíritos. Isso é compreensível nos terreiros, mas jamais numa casa de orientação espírita.
O misticismo, a mistificação, a mitificação de entes do além e a introdução de práticas atávicas à doutrina têm se tornado comuns para muitos desavisados “espíritas” que, pela leitura de obras “mediúnicas” vazias de conteúdos dignificantes, perdem a capacidade de análise dos fatos e evocam o posicionamento dos “desencarnados” para todas as situações,  deixando de ter uma opinião firme e lógica como se faz necessária, ou como diria o mestre Lionês - uma fé raciocinada!
Como se não bastasse tudo isso, encontramos os idólatras, tais como os “divaldistas”, os “rauteixeiristas” e outros. As pessoas estão endeusando esses companheiros justamente por desconhecerem como é a programação espírita desde o século XIX. Alguns inclusive espelham-se de tal maneira nesses oradores, que copiam até o timbre, a forma de falar e os trejeitos, que são vergonhosamente materializados nas palestras públicas, cujos temas também são plagiados. Pois é! Há palestrantes que promovem, das tribunas, verdadeiros shows da própria imagem, mise-en-scène, esta também protagonizada pelos ilustres diretores de instituições doutrinárias que não abrem mão do uso do pomposo  “Dr.” antes do nome.
A questão é: como evitar esses disparates? Como agir, com tolerância cristã, ante os Centros mal orientados, com dirigentes alienados, com médiuns obsidiados, com oradores “show-men”? Enfim, como agir, diante dos cegos que querem guiar outros cegos?
Para os espíritas light (mornos bonzinhos) é interessante a prática do "lavo as mãos" do "laissez faire", "laissez aller", "laissez passer". Porém, os Benfeitores espirituais são peremptórios e nos advertem que cabe a nós a obrigação intransferível de SALVAGUARDAR os ensinamentos de Allan Kardec, pelo exemplo diário do amor fraterno e pela coragem do diálogo elevado.
Os Centros que praticam as inócuas terapias ou rituais aqui descritos têm liberdade para fazê-lo, porém, não deveriam utilizar o termo espírita nas suas diretrizes. O bom senso obriga que os seus estatutos sejam modificados. Há aqueles que vão inventando “guias” para servirem de embaixadores junto aos espíritos superiores para cuidarem dos seus interesses, assim na terra como no além. Será que as peregrinações para lugares “sagrados” como Uberaba, Salvador, Niterói, Paris etc, não se constituem, na essência, como romarias, trazidas dos atavismos de outros credos? 
Os Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade para com os confrades equivocados, o que não equivale a dizer que devamos nos omitir quanto à oportuna admoestação, para que a Casa Espírita não se transforme em usina de zumbis.
O que se percebe frente ao que está acontecendo é que muitos “espíritas” estão tão escravizados a símbolos, mitos e fantasias quanto os irmãos de outras crenças místicas. Faz-se necessário, então, que as instituições kardecianas busquem uma melhora qualitativa no âmbito da divulgação, assistência social e formação doutrinária, oferecendo tanto aos principiantes quanto aos demais trabalhadores da instituição uma informação segura, sustentada nas obras basilares sistematizadas por Allan Kardec, a fim de que a Doutrina dos Espíritos possa seguir incólume, livre de sincretismos e perigosíssimas promessas de cura, oferecendo placebos desobsessivos, sem o respaldo dos Bons Espíritos.

Jorge Hessen